segunda-feira, 24 de Outubro de 2011

HISTORIAL DA SOMÁLIA

1. Dados Básicos

Nome oficial
República Democrática Somali

Território
637.660 km2

População
11 milhões de habitantes (est. 2004)

Crescimento demográfico
3,3% (2003)

População urbana
27,9% (2001)

Capital
Mogadíscio (800 mil habitantes – est. 2004)

Outras cidades importantes
Hargeysa (500 mil hab.), Gaalkacyo, Kismaayo

Grupos étnicos
Somalis (85%); bantus e outros (15%)

Idiomas
Somali (of.); árabe; italiano; inglês

Religião
Islâmica sunita

Expectativa de vida
47 anos (2003)

Regime de governo
Governo de transição, recém-eleito

Presidente
Abdullahi Yusuf Ahmed

Primeiro-Ministro
Ali Mohammed Ghedi

Ministro dos Negócios Estrangeiros
Abdullahi Sheikh Ismail

Produto Interno Bruto (US$)
1,5 bilhão (1995)

Crescimento anual


PIB per capita (US$)
150 (1995)

Dívida externa
2,8 bilhões (2003)

Reservas internacionais


Inflação
100% (2000)

Moeda
Xelim Somaliano (US$ 1 = 19.500 XS)

Comércio global (US$)
274 milhões (2004 – janeiro/junho)

Exportações
63 milhões

Importações
211 milhões

Comércio com o Brasil (US$)
44,5 milhões (2004 – dados preliminares)

Exportações brasileiras
44,3 milhões

Importações brasileiras
199 mil

Principais produtos exportados
Açúcar

Principais produtos importados
Peles




2. INTRODUÇÃO



A Somália está situada no chamado “Chifre da África”, confinando com o Mar Vermelho, Quênia, Etiópia e Djibuti. O país tem uma extensão de 637 mil km2 e população de 11 milhões de habitantes, com renda per capita em torno de US$ 150 (dado este de 1995). A principal cidade e capital do país é Mogadíscio, com população de 800 mil habitantes. A língua oficial é o somali, sendo os idiomas árabe e italiano, no Sul, e o inglês, no Norte, bastante difundidos.

Desde a guerra civil no início dos anos 90, a Somália encontra-se desestruturada em termos governamentais e administrativos. A situação tornou-se caótica, com diversas facções lutando entre si. Desprovida de um governo central por mais de uma década, o país não tem serviços públicos, partidos políticos, banco central, força policial ou qualquer outra estrutura típica de um Estado. Em 2004, formou-se Governo transitório, que deverá ser ainda instalado no país (as eleições e a posse ocorreram no vizinho Quênia).



3. HISTÓRIA

Durante os séculos XV e XVI, mercadores portugueses estabeleceram vários entrepostos comerciais ao longo do litoral da atual Somália. Com a expulsão dos portugueses, a região passou a ser controlada pelo Sultão de Zanzibar. Em meados do século XIX, comerciantes ingleses da British East India Company aportaram na região norte do litoral, que ficou sob o domínio da Inglaterra a partir de 1886. A Itália, por sua vez, consolidou sua presença ao longo do litoral sul, mediante uma série de acordos comerciais com o Sultão de Zanzibar. Em 1908, estabeleceu-se a colônia italiana da Somalilândia, incluindo territórios hoje pertencentes ao Quênia e à Etiópia.

Após a Segunda Guerra Mundial, o território italiano foi colocado sob mandato internacional da ONU, permanecendo a parte britânica sob jurisdição da Inglaterra. Em 26 de junho de 1960, a Somália britânica tornou-se independente. Com a independência da parte italiana, cinco dias depois, os territórios uniram-se e formaram a República da Somália. Em junho de 1961, mediante referendo nacional, promulgou-se a primeira Constituição do país, estabelecendo um sistema de governo parlamentarista inspirado nas democracias européias, liderado pelo Primeiro-Ministro Mohamed Egel. Surgiram diversos partidos políticos, cobrindo todo o espectro ideológico e representando os mais variados interesses étnicos.

4. POLÍTICA INTERNA

Em meados da década de 60, as forças políticas haviam-se polarizado em duas correntes principais: a) o movimento pan-somali, defendendo a idéia de uma “grande Somália”, que incorporaria territórios habitados por populações de origem somali no Quênia e na Etiópia; b) a corrente modernista, cujas prioridades eram o desenvolvimento sócio-econômico, bem como a melhoria do relacionamento com os vizinhos africanos. Em outubro de 1969, golpe militar liderado pelo General Siad Barre derrubou o Governo civil, então enfraquecido pela desfavorável situação administrativa e pelas acusações de corrupção.

Estabeleceu-se o Conselho Supremo Revolucionário, que passou a exercer todas as funções do Governo. Em seguida, Siad Barre decretou a adoção do socialismo, dando início ao processo de sovietização da economia, mediante a estatização dos meios de produção e imposição de rígido controle sobre a imprensa. A Somália tornou-se o principal aliado de Moscou na região, com a assinatura, em 1974, do Acordo de Amizade e Cooperação entre os dois países.

Em 1977, Siad Barre, sentindo-se suficientemente consolidado no poder para relançar a idéia de uma “grande Somália”, invadiu a região de Ogaden, na Etiópia. No entanto, a União Soviética não apoiou o projeto expansionista, sobretudo contra um país que então era alvo de ofensiva diplomática do Kremlin no Chifre da África. Moscou abandonou seu aliado anterior, passando a apoiar a Etiópia com ajuda financeira e militar. Em 1978, forças etíopes equipadas pelos soviéticos e apoiadas por cerca de 15 mil soldados cubanos expulsaram o exército somali da região invadida.

Com a retirada soviética, Siad Barre recorreu a Washington para a obtenção de ajuda financeira e militar. Dada a presença soviética em pontos estratégicos da região (Etiópia, Iêmen do Sul), EUA e Somália assinaram, em agosto de 1980, acordo de cooperação militar que colocou o país africano na órbita norte-americana.

Ao longo dos anos 80, o Governo Barre passou a ser contestado por grupos de oposição em todo o país. Numa conjuntura econômica de franco declínio e com milhares de pessoas deixando o país, surgiram dois movimentos rebeldes determinados a derrubar o regime, o Congresso Somali Unido (USC) e o Movimento Nacional Somali (SNM). Em março de 1991, golpe apoiado pelo exército, USC e SNM derrubou o Presidente Siad Barre. Logo em seguida, a aliança se desfez, provocando o colapso do governo central e mergulhando o país em longa guerra civil, com a proliferação de facções armadas por todo o território.

Desde então, treze conferências foram promovidas na tentativa de dar fim aos conflitos internos e restabelecer um governo na Somália. O organismo sub-regional IGAD (Autoridade Intergovernamental sobre Desenvolvimento), do qual fazem parte Djibuti, Eritréia, Etiópia, Quênia, Somália, Sudão e Uganda, somou-se a esses esforços de pacificação em 1997 e organizou a conferência de Arta, realizada em 2002, da qual resultou a formação do Governo Nacional de Transição (GNT). Pela declaração de Eldoret, assinada em 27 de outubro de 2002, previu-se a cessação de hostilidades. O novo Governo não conseguiu, no entanto, impor sua autoridade ao conjunto do país, que permaneceu dividido entre facções em luta.

Novos esforços vieram a ser empreendidos no âmbito sub-regional a partir de 2003, com a ativa participação da Etiópia, Quênia e Uganda. Em eleição realizada no território do segundo país no ano seguinte, foram escolhidos os 275 membros do novo Parlamento Transitório da Somália. Até o final de agosto, 258 desses parlamentares haviam tomado posse em cerimônias realizadas na sede da ONU em Nairóbi.

Em 10 de outubro de 2004, o Sr. Abdullahi Yusuf Ahmed foi eleito Presidente da Somália por cento e oitenta e nove parlamentares somalis reunidos em Nairóbi, no Quênia. A posse do mandatário ocorreu quatro dias mais tarde, na mesma capital, com a presença de homólogos do Quênia, Burundi, Djibuti, Nigéria, Ruanda, Uganda e Iêmen.

Não obstante o tom geral otimista dos discursos proferidos por ocasião da posse de Abdullahi, considerada como exemplo da nova disposição da África de atacar e resolver seus problemas por si mesma, são muitos os obstáculos à pacificação, unificação e restabelecimento de um Estado somali política e economicamente estruturado. Abdullahi nomeou, posteriormente, Ali Mohammed Ghedi como Primeiro-Ministro para formar o novo governo. Desde então, prosseguem os passos destinados a viabilizar o restabelecimento, no território da Somália, das instituições recém-constituídas. Entre esses passos, encontram-se a formação de força de paz da União Africana (conforme proposta da IGAD) e iniciativas para angariar recursos, na esfera internacional, como a conferência de doadores originalmente programada para o mês de abril de 2005, em Nairóbi, com o apoio da ONU, e que veio a ser adiada.

A restauração institucional representa um grande desafio, pois as divisões internas persistem e são profundas. Exemplo nesse sentido consiste no território da Somalilândia, que se declarou independente em 1991, mesmo sem haver obtido reconhecimento internacional (apesar de contar com a simpatia de alguns países na África e na Europa). Seus dirigentes não quiseram participar do processo de paz e já se manifestaram contrariamente a qualquer pretensão territorial do novo Governo. Além desse foco de rebeldia, facções somalis fazem objeção ao Presidente recém-eleito. É o caso do grupo comandado por Hussein Mohammed Aideed, que domina boa parte de Mogadíscio. No próprio colégio parlamentar que elegeu Abdullahi, noventa e sete representantes teriam deixado de assistir à posse do Presidente em aparente sinal de desconformidade.

O novo mandatário tem recebido o apoio de países como Quênia, Uganda, Etiópia e Djibuti. As perspectivas são de que intenso esforço de conciliação ainda se fará necessário, todavia, para superar a longa crise vivida pela Somália e favorecer a captação de recursos para a reconstrução daquele país.

No segundo semestre de 2005, contudo, agravaram-se as tensões entre as duas principais facções do Governo Transitório - a liderada, de um lado, pelo Presidente Transitório Yusuf e pelo Primeiro-Ministro Geddi, e aquela chefiada, de outro, pelo líder do Legislativo, Sharif Hassan Sheikh Adan. As divergências dizem respeito à hesitação, pelo Presidente Yusuf, em instalar o Governo Transitório na capital, Mogadíscio, por alegada falta de segurança. O conflito entre os dois grupo dificulta a imposição do embargo de armas determinado ao país pela Resolução 733 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, de 23/1/1992.

5. ECONOMIA

A economia depende basicamente da agricultura e de atividades pastoris. Desde o colapso do governo central, em 1991, são limitadas as estatísticas sobre o desempenho econômico do país. Segundo dados do FMI relativos a 1995, o PIB naquele ano teria sido da ordem de US$ 1,5 bilhão, correspondendo a uma renda per capita de US$ 150. Segundo outras fontes, a taxa de inflação anual atingiu 100%, em 2000, enquanto que a dívida externa chegou a US$ 2,8 bilhões em 2003.

Bem antes dos conflitos internos do início dos anos 90, a Somália já se encontrava em crise econômica. A partir de 1980, entabularam-se negociações com o FMI com o objetivo de modificar a estrutura produtiva e introduzir uma economia de mercado. Como o Governo não foi capaz de seguir as recomendações propostas, o Fundo suspendeu negociações com o Governo somali em 1986.

A Somália passou então a depender cada vez mais da ajuda financeira internacional, que veio, contudo, a ser objeto de redução significativa, passando de US$ 630 milhões, em 1992, para US$ 170 milhões, em 1996.

Apesar dos problemas enfrentados, o valor do comércio exterior em ambas as direções vem crescendo no período mais recente : de 381 milhões de dólares, em 2000, atingiu US$ 529 milhões em 2003, com exportações de US$ 108 milhões e importações de US$ 421 milhões. A pauta de exportações consiste basicamente de animais vivos (cabritos, camelos), peixes e peles animais. Os principais compradores têm sido os Emirados Árabes Unidos, Iêmen e Índia. As importações, financiadas com recursos da cooperação internacional, compreendem ampla gama de produtos, como açúcar, cereais, combustíveis e manufaturados diversos, provenientes do Djibuti, Quênia e países árabes (entre 2002 e 2003, as exportações brasileiras de açúcar representaram 10 e 5,9% das compras totais da Somália).

6. POLÍTICA EXTERNA

Até o colapso do governo central, no início dos anos 90, a Somália seguiu uma política externa pragmática, voltada para a obtenção de ajuda financeira e militar. Graças à sua localização estratégica no Chifre da África, a Somália foi alvo de atenção por parte das grandes potências. A breve aliança com Moscou foi rompida em 1977, quando o Kremlin passou a apoiar a Etiópia, que então lutava contra a invasão somaliana no território de Ogaden. A partir de 1978, a Somália voltou a alinhar-se com o Ocidente, beneficiando-se da ajuda militar norte-americana e passando a depender, cada vez mais, da cooperação prestada sobretudo pelos EUA e Itália – reduzida posteriormente, conforme antes comentado, em função da guerra civil no país africano.

Desde 1991, os Estados vizinhos (Djibuti, Etiópia, Quênia) têm procurado estimular a reconciliação interna na Somália e deverão contribuir para a formação da força de paz da União Africana, destinada àquele país. A situação somaliana tem sido igualmente objeto de acompanhamento no âmbito das Nações Unidas.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros e Vice-Primeiro-Ministro é Abdullahi Sheikh Ismail.

7. RELAÇÕES COM O BRASIL

A Embaixada do Brasil em Mogadíscio foi criada em fevereiro de 1987, sendo cumulativa com a Missão brasileira em Nairóbi, Quênia. A representação da Somália junto ao Governo brasileiro é feita pela Missão Permanente daquele país junto às Nações Unidas.

O início da guerra civil na Somália, em 1991, não deu tempo a que se desenvolvessem as relações entre o Brasil e aquele país, razão pela qual não há registro de troca de visitas entre autoridades, de acordos ou de iniciativas bilaterais nos campos da cooperação técnica ou empresarial. Pelos dados disponíveis, apenas a empresa brasileira ENCAL S.A. atuou na Somália em 1981, tendo efetuado levantamento aerofotográfico de parte do território somaliano. O relacionamento bilateral poderá vir a ser desenvolvido futuramente, à medida que evolua o processo de restauração institucional na Somália, tomando-se por base a prioridade que o Governo do Presidente Lula da Silva vem atribuindo à África, bem como o interesse já expressado por autoridades somalis na cooperação com o Brasil.

Em visita ao Embaixador do Brasil em Nairóbi, onde ainda se encontra instalado o Governo recém-constituído da Somália, o Ministro do Exterior, Abdullahi Ismail, agradeceu a manifesta disposição brasileira de colaborar com os países afetados pelo tsunami do final de 2004 e indicou algumas áreas de interesse, como a agroalimentar (cooperação técnica para recuperar a produção agrícola), a prospecção de petróleo; a inversão de capitais em infra-estrutura e a concessão de bolsas-de-estudos.

O Ministro Ismail representou seu país na Cúpula América do Sul-Países Árabes, realizada em Brasília nos dias 10 e 11 de maio de 2005.

O intercâmbio comercial entre o Brasil e a Somália, apesar de modesto, teria dobrado de valor de 2003 para 2004, de acordo com dados preliminares. No primeiro ano, somou US$ 21, 678 milhões (US$ 21,632 milhões de exportações e 45 mil dólares de importações), havendo crescido para US$ 44,545 milhões em 2004, com exportações de US$ 44,346 milhões e importações de 199 mil dólares. Açúcares e produtos de confeitaria respondem por quase cem por cento das vendas brasileiras à Somália. De maneira semelhante, as compras brasileiras concentram-se, quase integralmente, em peles e couros procedentes daquele país.





Matéria elaborada na

Divisão da África III

Em maio de 2005.

Atualizada em abril de 2006

sexta-feira, 23 de Setembro de 2011

AS BESTAS DO APOCALISPE

AS BESTAS DO APOCALIPSE 13
Dezembro 1st, 2008
Em primeiro lugar é importante entendermos que a palavra Besta mencionada em Apocalipse não tem o propósito de insultar ninguém. No grego “Therion”, quer dizer animal. Em Daniel 7:23 é nos dito que animal significa reinos, poderes, potências, etc. Portanto, Besta em profecia quer dizer poder, potência, reino, etc.
Yohanam (João) escreve sobre duas potências (Bestas) mundiais. Uma que surgiria do mar e outra da terra.
Veremos algumas características da primeira besta, que nos ajudará a identificá-la. Características assim como, por exemplo: Surge do mar (muitas águas) que quer dizer povos, multidões, nações e línguas.(Apocalipse 17:15), sete cabeças, dez chifres, recebem poder do dragão, uma de suas cabeças como golpeada de morte, mas a ferida de morte foi curada, etc. Leia Apocalipse 13:1-10

As sete cabeças são sete montes nos quais a mulher(Igreja) está sentada (Apocalipse 17:9) e correspondem exatamente às sete colinas de Roma. Roma é a cidade capital da Itália e sede da comuna e da província com o mesmo nome, na região do Lazio. Conhecida internacionalmente como A Cidade Eterna pela sua história milenar, Roma espalha-se pelas margens rio Tibre, compreendendo o seu centro histórico com as suas sete colinas: Palatino, Aventino, Campidoglio, Quirinale, Viminale, Esquilino, e Celio. Segundo o mito romano, a cidade foi fundada a cerca de 753 a. M. (wikipédia 26 de março de 2008 às 11:47 Hs.)
O que representa os dez chifres do quarto animal? Os dez chifres correspondem a dez reis que se levantaram daquele mesmo reino. Ler Daniel 7:24. Nenhum professor sincero de história nega este fato, que, desde o ano 351 até 476 de nossa era houve a queda do império romano. Tribos bárbaras ou germânicas invadiram e dividiram o império de Roma Ocidental em dez reinos. Estes reinos deram inicio aos paises da Europa Moderna. São eles: os francos, que vieram a ser a França; os anglos saxões, que vieram a ser a Inglaterra; os alemanos, a Alemanha; os suevos, Portugal; os visigodos, a Espanha; os burgundios, a Suíça; os lombardos, o norte da Itália; os vândalos, os hérulos e os ostrogodos que foram mais tarde destruídos. É incrível como a profecia e a história andam de mãos dadas.

Napoleão Bonaparte e seu general Berthier
Ele acompanhado de Napoleão em toda a brilhante campanha de 1796, e foi deixada a cargo do exército após o Tratado de Campo Formio. Foi neste cargo em 1798, quando ele entrou na Itália, invadiu o Vaticano, organizou a república romana, e levou o papa prisioneiro de volta para Valence (França), onde o papa morreu. Esta era uma ferida mortal para o Vaticano, que, em seguida, perdeu o seu poder político. (Wikipédia no dia 04/04/2008 às 10:25 Hs.)
Mas a ferida de morte foi curada quando Benito Amilcare Andrea Mussolini ditador Itáliano entre 1922 a 1943, autodenominando-se Il Duce, que significa em italiano “o condutor”.

Na primeira foto, Benito Mussolini e na segunda, ele acompanhado de um dos seus melhores amigos. A propósito, você é capaz de reconhecer este seu melhor amigo.
Logo após a sua subida ao poder, iniciou uma campanha de fanatização que culminaria com o aumento do seu poder, devido à interdição dos restantes partidos políticos e sindicatos. Nessa campanha foi apoiado pela burguesia e pela Igreja. Em 1929, necessitando de apoio desta e dos católicos, pôs fim à Questão Romana (conflito entre os Papas e o Estado italiano) assinando a Concordata de São João Latrão com Pio XI. Por esse tratado, firmou-se um acordo pelo qual se criava o Estado do Vaticano, o Sumo Pontífice recebia indenização monetária pelas perdas territoriais, o ensino religioso era obrigatório nas escolas italianas, o catolicismo virava a religião oficial da Itália e se proibia a admissão em cargos públicos dos sacerdotes que abandonassem a batina. (Wikipédia no dia 04/04/2008 às 10:25 Hs.)
Foi criado em 11 de fevereiro de 1929 um novo estado, por meio do Tratado de São João Latrão ou simplesmente Tratado de Latrão, assinado pelo ditador fascista Benito Mussolini, então Chefe do Governo italiano, e o cardeal Pietro Gasparri, secretário de Estado da Santa Sé. Este Tratado formalizou a existência do Estado do Vaticano (cidade do Vaticano), Estado soberano, neutro e inviolável, sob a autoridade do papa, e os privilégios de extraterritorialidade do palácio de Castelgandolfo e das três basílicas de São João de Latrão, Santa Maria Maior e São Paulo Extramuros. Por outro lado, a Santa Sé renunciou aos territórios que havia possuído desde a Idade Média e reconheceu Roma como capital da Itália.(Wikipédia no dia 04/04/2008 às 10:25 Hs.)
Acompanhando a história, vemos que a Igreja Romana agiu com todo poder desde 538 até 1798 quando Berthier tomou os poderes políticos da Igreja. Mais em 1929 estes poderes foram devolvidos através do tratado de Latrão, firmado pelo Ditador Benito Mussolini.
Então prezado leitor; Apocalipse 17:8 diz: a besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição. E aqueles que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo, se admirarão, vendo a besta que era e não é, mas aparecerá.
A besta que era, é a Igreja Católica entre o ano 538 a 1798, tendo inicio com o decreto de Justiniano oficializando a Igreja Romana como única no mundo, até quando o general Berthier, das tropas de Napoleão, invadiu a Itália, confiscou o Estado do Vaticano e levou o papa pio VI preso onde morreu exilado. Este foi o período de supremacia papal, em que a igreja usou mão de ferro para castigar a todos que não seguisse seus ensinamentos.
A besta que não era corresponde a Igreja Católica entre os anos de 1798 marcado com o aprisionamento do papa. A 1929, quando o ditador Benito Mussolini, devolveu a Igreja os poderes temporais perdidos até então. Neste período a Igreja existia, porém sem poder e sem autoridade.
A besta que aparecerá, corresponde exatamente à igreja Católica no período de 1929, marcado com o tratado de latrão, até os dias de hoje. De lá até os dias atuais o poder papal tem crescido assustadoramente e sido aclamada pelas multidões.
Estas e outras características nos levam a crer, sem sobras de dúvidas de que a primeira besta(poder) do Apocalipse é exatamente uma Igreja, cuja sua sede está em Roma. Em outras oportunidades mostraremos mais argumentos Bíblicos para justificar tais descobertas. Esperamos que estes sejam suficientes para fazê-los crer, se não, nos escreva e teremos prazer em respondê-los.
A SEGUNDA BESTA DO APOCALIPSE 13
Abril 3rd, 2008.
Apocalipse 13:11 nos diz: “Vi ainda outra besta emergir da terra; possuía dois chifres, parecendo cordeiro, mas falava como dragão”.
Repetimos que a palavra besta em profecia quer dizer: poder, potência, reino, etc.
A primeira besta (poder) surge do mar, ou seja, do meio das multidões; a segunda emerge da terra nos dando o entender de que apareceria de um lugar despovoado.
Uma das nações que surgiu do nada e que se tornou uma potência mundial, foi os Estados Unidos da América. Outras características nos ajudarão a desvendar os símbolos apresentados por Yohanam (João) no livro do Apocalipse.
O profeta nos diz que este poder teria dois chifres (dois poderes), que podem ser entendidos como sendo os dois maiores partidos político americano: Democrata e Republicano. Quando o profeta nos diz: parecendo cordeiro; nos faz lembrar os ideais desta nação no principio de seu desenvolvimento.

Aliás, como símbolo deste ideal, os Estados Unidos da América exibe como um dos mais belos cartões postais a não tão modesta “Estátua da Liberdade”.
Esta nação teve seu inicio com protestantes que fugiam da perseguição católica na época. Por este motivo, defendiam a liberdade igual para todos. Também por este motivo os americanos não se davam bem com os romanos. Porém este problema foi se desfazendo pouco a pouco. Foi no inicio da primeira grande guerra mundial que se efetuou a aproximação destas nações, quando o presidente Roosevelt enviou a Roma um representante pessoal. Quando o católico John F. Kenned foi eleito presidente a relação entre estes dois paises se estreitaram mais. No entanto esta relação se estreitou mais ainda com o Presidente Reagan em 1984, quando nomeou o primeiro embaixador norte-americano junto ao Vaticano.
Um outro meio de identificar esta besta(poder) é fazendo um estudo na moeda norte americana.

Veja a nota de um dólar. Na base da pirâmide, foi colocada propositalmente, em algarismos romano a data da independência da América (1776), e somando a centena DC (600) mais a dezena LX (60) e unidade VI (6) resultam em 666!
Veja também abaixo da pirâmide e da águia, fora do circulo, escrito em inglês: “the great seal of the united states” “O Grande Selo dos Estados Unidos”.
Esta é uma confirmação inegável de que a América protestante irá impor ao mundo a marca da besta através do numero 666!(Apocalipse 13:16 e17).

A pirâmide é um símbolo ocultista da maçonaria, da hierarquia espiritual dos adeptos da Nova Era. No topo da pirâmide se encontra o olho de Lúcifer, o líder espiritual desta organização.
A frase escrita em latim “ANUIT COEPETIS NOVUS ORDO SECLORUM”. Isto significa que neste projeto de estabelecer no mundo uma Nova Ordem Mundial, ele (Satanás) tem favorecido nossos empreendimentos e está vigiando de olhos abertos.

Ao lado esquerdo você vê a águia com seu escudo de treze faixas no peito; ela é colocada nesta nota para representar os Estados Unidos com sua força militar - o Pentágono. O ramo de oliveira representa a paz e o feixe de flechas a guerra. Estes dois símbolos nos fazem lembrar da besta com dois chifres parecendo cordeiro(Paz), mas falando como dragão(guerra); uma nítida referência profética aos EUA em apocalipse 13:11.
A águia carrega no bico uma legenda traduzida por “A única entre muitas”.
Qual é a única nação que sairá na frente fazendo uma imagem à besta papal, impondo dogmas religiosos pelo poder civil?
Veja o que disse George Bush: “è uma grande idéia: uma Nova Ordem Mundial, onde diversas nações se unem numa causa comum… unicamente os Estados Unidos da América do Norte tem tanto os meios econômicos como a posição moral para sustentá-la”. State Of The Union Address. Los Angeles Times, 18 de fevereiro de 1991.Foi o ex-presidente Franklin Roosevelt que em 1933 mandou colocar o Grande Selo maçônico nas notas de um dólar. Como todos os símbolos pertence ao ocultismo, o deus anunciado na frase: “IN GOD WE TRUST”, traduzido “EM DEUS NÓS CONFIAMOS”, não é o Deus verdadeiro; só pode ser Lúcifer - Satanás, o deus deste século. II Corintios 4:4.
AS 7 CABEÇAS DA BESTA DO APOCALIPSE 13
A primeira Besta do Apocalipse 13(A Igreja Romana), se apresenta na profecia como tendo sete cabeças. As sete cabeças são sete montes nos quais a mulher está assentada. São também sete reis. (Apocalipse 17:9) Os sete montes são: Aventino, Capitolino, Esquilino, Palatino, Quirinal, Viminal e Célio.
E os Sete reis? Quem seriam?
Dentre tantas interpretações que pesquisei, a que encontrei com mais aproximação na Bíblia Sagrada é a que se segue.
Levando em conta que a primeira Besta do Apocalipse 13 é a Igreja Romana, e isto já vimos nos posts anteriores; então devemos entender que estes reis devem proceder da mesma. Vamos conhecer um pouco sobre a sede da Igreja de Roma, isto nos levará até o conhecimento dos sete reis.
O Vaticano é uma cidade-estado e o menor Estado independente do mundo, encravado na zona norte de Roma. Deve a sua existência ao fato de ser a residência oficial do Papa e de ser a sede da Igreja Católica e também da Igreja Católica de Rito Latino, a maior e a mais conhecida e numerosa das 23 Igrejas sui juris que constituem a Igreja Católica. A Santa Sé (latim: Sancta Sedes), ou Sé Apostólica, do ponto de vista legal, é distinta do Vaticano, ou mais precisamente do Estado da Cidade do Vaticano.
O Papa é o chefe do Estado do Vaticano. É eleito por um colégio de cardeais denominado conclave e o cargo é vitalício. Tecnicamente é uma monarquia eletiva não hereditária. Pode-se considerar o Vaticano como uma autocracia: todos os poderes (executivo, legislativo e judiciário), estão concentrados na figura do Papa, que não possui qualquer órgão que fiscalize seus atos como governante, e, por ser considerado sucessor de São Pedro, não deve prestação de contas a ninguém, considerando-o um emissário de Deus na Terra. O termo cidade do Vaticano é referente ao Estado, enquanto Santa Sé é referente ao governo da Igreja Católica efetuado pelo Papa e pela Cúria Romana. O Estado do Vaticano, com o estatuto de observador nas Nações Unidas, foi admitido como membro de pleno direito em Julho de 2004, mas não requereu direito de voto. (Wikipédia, 10 de maio de 2008. ás 18:55 Hs).

Como vimos, o regime político do Vaticano é a monarquia absoluta. Isto desde de 1929, estabelecido com o Tratado de Latrão. Portanto seu chefe de estado(Papa) é considerado ”Rei”.
Vamos conhecer os papas(reis) do Vaticano, a começar do ano de 1929 até os dias de hoje. Foi nesta data que o Vaticano conquistou sua independência.

Papa Pio XI nascido Ambrogio Damiano Achille Ratti (Desio, Província de Milão, 31 de Maio de 1857 - Vaticano, 10 de Fevereiro de 1939). Foi Papa entre 6 de Fevereiro de 1922 e a data da sua morte.

Papa Pio XII, nascido Eugenio Maria Giuseppe Giovanni Pacelli (Roma, 2 de Março de 1876 — 9 de Outubro de 1958) foi eleito Papa no dia 2 de março de 1939 até a data da sua morte. Foi o primeiro Papa Romano desde 1724.

O Beato Papa João XXIII, nascido Angelo Giuseppe Roncalli (Sotto Il Monte, 25 de Novembro de 1881 — Vaticano, 3 de Junho de 1963) foi Papa do dia 28 de outubro de 1958 ate a data da sua morte. Considerado um papa de transição, depois do longo pontificado de Pio XII, ele convocou o Concílio Vaticano II, que visava pastoralmente explicar os dogmas ao mundo moderno. Pertencia a Terceira Ordem Regular de São Francisco.

O Papa Paulo VI, nascido Giovanni Battista Enrico Antonio Maria Montini (Concesio, 26 de Setembro de 1897 - Castelgandolfo, 6 de Agosto de 1978), foi Papa da Igreja Católica Romana do dia 21 de junho de 1963 até à data da sua morte, em 6 de agosto de 1978.

O Papa João Paulo I, nascido Albino Luciani (Belluno, 17 de Outubro de 1912 - Vaticano, 28 de Setembro de 1978), Patriarca de Veneza, governou a Santa Sé durante apenas um mês, entre 26 de Agosto de 1978 até a data da sua morte. Foi o primeiro papa desde Clemente V a recusar uma coroação formal, cerimônia não oficialmente abolida, ficando a cargo do eleito escolher como quer iniciar seu pontificado. Contudo, desde então, os papas eleitos têm optado por uma cerimônia de “início do pontificado“, com a respectiva entronização e o juramento de fidelidade. Também foi pioneiro ao adotar um nome papal duplo.

O Papa João Paulo II (latim: Johannes Paulus PP. II, em italiano Giovanni Paolo II), nascido Karol Józef Wojtyła, (Wadowice, Polónia, 18 de Maio de 1920 — Vaticano, 2 de Abril de 2005 [1]) foi o Sumo Pontífice da Igreja Católica Apostólica Romana de 16 de Outubro de 1978 até a data da sua morte [2], e sucedeu ao Papa João Paulo I, tornando-se o primeiro Papa não-italiano em 455 anos [3] (desde o neerlandês Adriano VI, no século XVI) e o primeiro papa de origem polonesa [4]. Teve o 3.º papado mais longo da história do catolicismo [5], com 26 anos de pontificado [6].

Papa Bento XVI (latim: Benedictus PP. XVI, em italiano Benedetto XVI), nascido Joseph Alois Ratzinger, (Marktl am Inn, Baviera, 16 de abril de 1927) é o Papa desde o dia 19 de Abril de 2005.[1] Foi eleito como o 265º Papa com a idade de 78 anos e três dias, sendo o actual Sumo Pontífice da Igreja Católica Apostólica Romana. Foi eleito para suceder ao Papa João Paulo II no conclave de 2005 que terminou no dia 19 de Abril.
É isto mesmo. Não erramos na conta não. Bento XVI é o sétimo rei.
E agora, o que mais a profecia diz?
Ela diz que surgirá um oitavo rei, que procede dos sete, ou seja, já foi rei, agora não é mais. Mas voltará a reinar. E irá para a destruição. (Apocalipse 17:11)
a besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição. E aqueles que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo, se admirarão, vendo a besta que era e não é, mas aparecerá. (Apocalipse 17:11)
Um oitavo rei, portanto entrará em cena para que se cumpra a profecia com perfeição. E procede dos sete, ou seja, é um dos sete. Como?
Porque eles são espíritos de demônios, operadores de sinais, e se dirigem aos reis do mundo inteiro com o fim de ajuntá-los para a peleja do grande Dia do Deus Todo-Poderoso. (Apocalipse 16:14)
O oitavo rei subirá do abismo(”sepultura”, Romanos 10:7).
É claro que não será uma ressurreição verdadeira, e sim uma farsa muito bem montada para enganar se possível até os eleitos. (Matitiyáhu “Mateus” 24:24)
Mas qual dos sete papas (reis) Satanás usará para o grande engano final?
Há na profecia, alguns pontos que devem ser considerados muito importantes na elucidação deste mistério. Dentre os sete reis (papas), existe um que é sempre colocado em evidencia na profecia. Este seria ferido de morte e sobreviveria.(Apocalipse 13:3)
Quem foi o único dos reis (papas) que foi ferido de morte e sobreviveu?

João Paulo II sofreu um atentado na tarde de 13 de maio de 1981, em sua própria casa. No meio da Praça de São Pedro, no Vaticano, o turco Mehemed Ali Agca disparou três vezes contra o Papa. As balas o atingiram no abdômen e no braço, e uma multidão de pessoas presenciou o incidente. Alguns fotógrafos registraram a pistola Browning de nove milímetros empunhada no meio do povo.
Um outro fator muito importante é exatamente o que encontramos em apocalipse 13:18, quando diz que: quem tiver entendimento calcule o numero da besta e este número é seiscentos e sessenta e seis. Dos sete reis(papas), conferindo, podemos ver que o único com tais características é exatamente “João Paulo II”. Como podemos ver abaixo seu nome no idioma oficial do vaticano que é o latim:
I O A N E S P A V L V S P A P A S E C V N D O
1 + 5+50+5 + 100+5+500 = 666
Será este o rei (papa), que Satanás usará para que suba da sepultura produzindo assim um prodígio fenomenal, onde todos os que não estão inscritos no livro da vida do cordeiro desde a fundação do mundo, seja enganado e vá adorá-lo.


Satanás já não está enganando muitos? Por exemplo: Quando João Paulo II estava fazendo dois anos de morto, por incrível que pareça, em uma cerimônia em que fiéis celebravam esta data, o Pontífice reaparece nas chamas de uma fogueira que foi fotografada e publicada no Jornal Britânico “Daily Mail” na época. Fiquemos atentos aos acontecimentos. Há uma grande expectativa quanto ao reaparecimento de um dos reis (papas), mais precisamente ao mais queridos deles, “João Paulo II. Yahowshwa, o único Salvador nos ajude nestes últimos momentos da história deste mundo”.
Categoria: Sem categoria |
Conteúdo sistematizado por prof. Zhenzo para os estudantes de especialidade de Língua Portuguesa na EPF-Benguela/Promoção 2010

Tema: RELAÇOES SEMÂNTICAS DAS PALAVRAS

SIGNIFICANTE – é a forma, a parte completa da palavra, suas letras e seus fonemas.
Ex: Rasguei a manga da camisa / Adoro sorvete de manga.
- As duas palavras grifadas têm o mesmo significante, porém dois significados perfeitamente distintos.

SIGNIFICADO – é o conteúdo, a parte abstrata. É a ideia, o conceito transmitido pela palavra. Ex: Ele ficou pálido ao receber a notícia / Ele ficou lívido ao receber a notícia.
- As duas palavras grifadas têm o mesmo significado, porém dois significantes diferentes. O significado pode ter origem na monossemia ou na polissemia.

1- Polissemia: é o facto de ter um vocábulo mais de uma significação.
Exemplo: manga= “manga de casaco”
Fruto

2-Homonímia: -palavras com a mesma pronúncia, mas sentidos diferentes;
-podem ter ou não a mesma grafia;
-os que pronunciam da mesma maneira são homófonos;
-os que grafam igualmente dizem-se homógrafos.

OBS: Homônimos perfeitos: são palavras iguais na pronúncia e na escrita. Ex: cura (verbo) e cura (substantivo) / verão (verbo) e verão (substantivo) / cedo (verbo) e cedo (advérbio).

Exemplos: lima: fruto
lima: ferramenta

coser: costurar
cozer: cozinhar

espiar: olhar
expiar: pagar uma pena

seção, secção: divisão, repartição
sessão: reunião
cessão: ato de ceder

3- Sinonímia: é o facto de haver mais de um vocábulo com a mesma ou quase a mesma significação (sinônimos).
Exemplo: casa, lar, morada, residência, mansão

4- Antonímia: é o facto de haver vocábulos com sentidos opostos (antônimos).
Exemplos: vida/morte crente/descrente

5- Paronímia: é o facto de haver vocábulos parecidos na forma e diferentes no sentido.
Exemplos:
iminente: pendente, próximo para acontecer
eminente: ilustre
ratificar: confirmar
retificar: corrigir
descrição: acto de descrever
discrição: qualidade de quem é discreto
tráfego: trânsito
tráfico: comércio
infringir: transgredir, violentar
infligir: aplicar pena, castigo
intimorato: destemido, intrépido
intemerato: puro, imaculado
proscrever: proibir
prescrever: aconselhar
deferir: atender
diferir: retardar
mandado: ordem judicial
mandato: procuração
emigrante: aquele que deixou um país
imigrante: aquele que entrou num país
incipiente: principiante
insipiente: ignorante
censo: recenseamento
senso: juízo

Conceitos importantes – sentido próprio e sentido figurado:

Ex: Construiu um muro de pedra. (sentido próprio).
Ênio tem um coração de pedra. (sentido figurado).
Ex: A água pingava da torneira. (sentido próprio).
As horas iam pingando lentamente. (sentido figurado).

6 – Denotação: é o conjunto de significados de uma palavra por si mesma. É o valor objetivo, original da palavra (sentido de dicionário). Ex: caminho (faixa de terreno destinada ao trânsito, estrada, trilho).

7 – Conotação: refere-se ao conjunto de significados subjetivos, afetivos, que vão se acrescentando a uma palavra, e que dependem de uma interpretação. Ex: caminho (pode significar destino, futuro, orientação) / A humanidade não encontra o seu caminho.


Tema: Função dos pronomes relativos

O pronome relativo "que"

Este pronome deve ser utilizado com o intuito de substituir um substantivo (pessoa ou objecto), evitando sua repetição. Na "montagem" do período, deve-se colocar imediatamente após o substantivo repetido, que passará a ser chamado de elemento antecedente.

Por exemplo, nas orações "Roubaram a peça"; "A peça era rara em Angola", há o substantivo "peça" repetido. Pode-se usar o pronome relativo "que" e, assim, evitar a repetição de "peça". O pronome será colocado após o substantivo. Então teremos "Roubaram a peça que era rara em Angola". Este "que" está no lugar da palavra "peça" da outra oração.


Pode-se, também, iniciar o período pela outra oração, colocando o pronome após o substantivo. Então, teremos: A peça que... Este que está no lugar da palavra peça da outra oração. Deve-se, agora, terminar a outra oração: ...roubaram, ficando "a peça que roubaram..." . Finalmente, conclui-se a oração que se havia iniciado: ...era rara em Angola. Neste caso, teremos: "A peça que roubaram era rara em Angola".


O Pronome Relativo "Cujo

Este pronome indica posse (algo de alguém). Na montagem do período, deve-se colocar entre o possuidor e o possuído (alguém cujo algo).
Por exemplo, nas orações "Antipatizei com o rapaz". "Você conhece a namorada do rapaz". O substantivo repetido "rapaz" possui namorada. Deveremos, então usar o pronome relativo cujo, que será colocado entre o possuidor e o possuído: Algo de alguém = Alguém cujo algo. Então, tem-se a namorada do rapaz = o rapaz cujo a namorada. Não se pode, porém, usar artigo (o, a, os, as) depois de cujo. Ele deverá contrair-se com o pronome, ficando: cujo + o = cujo; cujo + a = cuja; cujo + os = cujos; cujo + as = cujas. Então a frase ficará "o rapaz cuja namorada você conhece".

01) A árvore foi derrubada. Os frutos da árvore são venenosos.
"A árvore cujos frutos são venenosos foi derrubada".
02) O artista morreu ontem. Eu falara da obra do artista.
"O artista cuja obra eu falara morreu ontem".
03) As pessoas estão presas. Eu acreditei nas palavras das pessoas.
"As pessoas cujas palavras acreditei estão presas".



O pronome relativo "quem"

Este pronome substitui um substantivo que representa uma pessoa, evitando sua repetição. Somente deve ser utilizado antecedido de preposição, inclusive quando funcionar como objecto direto. Nesse caso, haverá a anteposição obrigatória da preposição "a", e o pronome passará a exercer a função sintática de objeto direto preposicionado. Por exemplo, na oração "A moça que conheci está em minha casa, o pronome "que" funciona como objecto direto. Mas se for substituído pelo pronome "quem", teremos: "A moça a quem conheci ontem está em minha casa".


Há apenas uma possibilidade de o pronome "quem" não ser precedido de preposição: quando funcionar como sujeito. Isso só ocorrerá, quando possuir o mesmo valor de "o que", "a que", "os que", "as que", "aquele que", "aquela que", "aqueles que", "aquelas que", ou seja, quando puder ser substituído por pronome demonstrativo (o, a, os, as, aquele, aquela, aqueles, aquelas) mais o pronome relativo "que". Por exemplo: "Foi ele quem me disse a verdade" = "Foi ele o que me disse a verdade". Nesses casos, o pronome "quem" será denominado de "Pronome Relativo Indefinido".

Na montagem do período, deve-se colocar o pronome relativo "quem" imediatamente após o substantivo repetido, que passará a ser chamado de elemento antecedente. Por exemplo: nas orações "Este é o artista". "Eu me referi ao artista ontem", há o substantivo "artista" repetido. Pode-se usar o pronome relativo "quem" e, assim, evitar a repetição de "artista". O pronome será colocado após o substantivo. Então, teremos: "Este é o artista quem... Este "quem" está no lugar da palavra "artista" da outra oração. Deve-se, agora, terminar a outra oração: ...eu me referi ontem, ficando "Este é o artista quem me referi ontem". Como o verbo referir-se exige a preposição "a", ela será colocada antes do pronome relativo. Então teremos: "Este é o artista a quem me referi ontem".

Não se pode iniciar o período pela outra oração, pois o pronome relativo "quem" só funciona como sujeito, quando puder ser substituído por "o que", "a que", "os que", "as que", "aquele que", "aqueles que", "aquela que", "aquelas que".

Outros exemplos:
01) Encontrei o rapaz. Você estava a procurar o rapaz.
"Encontrei o rapaz a quem você estava a procurar" ou
"Você estava a procurar o rapaz a quem encontrei".
02) Aquele é o homem. Eu lhe falei do homem.
"Aquele é o homem de quem lhe falei".


O pronome relativo "qual"

Este pronome tem o mesmo valor de "que" e de "quem".
É sempre antecedido de artigo, que concorda com o elemento antecedente, ficando o qual, a qual, os quais, as quais. Se a preposição que anteceder o pronome relativo possuir duas ou mais sílabas, só poderemos usar o pronome "qual", e não "que" ou "quem". Então só se pode dizer "O juiz perante o qual testemunhei". "Os assuntos sobre os quais conversamos", e não O juiz perante quem testemunhei nem Os assuntos sobre que conversamos. Outro exemplo:

01- Meu irmão comprou o restaurante. Eu falei a você sobre o restaurante.
"Meu irmão comprou o restaurante sobre o qual eu falei a você".


O pronome relativo "onde"

Este pronome tem o mesmo valor de "em que". Sempre indica "lugar", por isso funciona sintaticamente como Adjunto Adverbial de Lugar.
Se a preposição "em" for substituída pela preposição "a" ou pela preposição "de", substituiremos "onde" por "aonde" e "donde", respectivamente. Por exemplo: O sítio aonde fui é aprazível. A cidade donde vim fica longe.

Será Pronome Relativo Indefinido, quando puder ser substituído por "O lugar em que". Por exemplo, na frase: Eu nasci onde você nasceu. = Eu nasci no lugar em que você nasceu. Outro exemplo:

01- Eu conheço a cidade. Sua sobrinha mora na cidade.
Eu conheço a cidade em que sua sobrinha mora.
Eu conheço a cidade na qual sua sobrinha mora.
Eu conheço a cidade onde sua sobrinha mora.


O pronome relativo "quanto"

Este pronome é sempre antecedido de "tudo", "todos" ou "todas", concordando com esses elementos (quanto, quantos, quantas). Ex:
Fale tudo quanto quiser falar.
Traga todos quantos quiser trazer.
Beba todas quantas quiser beber.


Estilística da Língua Portuguesa – Agamenon Magalhães Júnior
a estilística trata das particularidades da escrita que cada autor se utiliza para se expressar. seu estudo abrange a estética das palavras e a forma com que elas são manipuladas. os caminhos da estilística, em geral, não são os mesmos da gramática: a rigidez gramatical forma o esqueleto para se escrever corretamente; a estilística dá ao esqueleto textual alma e emoção. A ordem deve ser essa: primeiro aprendem-se as regras, depois se mergulha na estilística para dar ao que se escreve declaração verdadeira e sentimento. A poesia, a música e a literatura são três exemplos de expressões artísticas que não sobreviveriam se não fosse o poder da estilística.
Por isso se mostra essencial à análise e ao estudo de autores o aprofundamento nessa área, pois só assim se podem compreender os caminhos utilizados pelos mestres da palavra e os motivos pelos quais fizeram uma ou outra escolha. na estilística, os desvios das imposições da gramática não são caracterizados como erros; pelo contrário, depois do domínio das veredas gramaticais, é pela estilística que se prova a genialidade do autor.
essa liberdade poética dada aos escritores enriquece o idioma nacional. não só isso: permite ao autor se expressar da forma mais particular possível, sem se prender às grades ou aos limites gramaticais.
a gramática proíbe o uso simultâneo do verbo “haver”, indicando tempo decorrido, e o advérbio “atrás”. será que o roqueiro raul seixas não sabia disso? sabia, sim! em “eu nasci há dez mil anos atrás”, ele quis subverter a gramática, colocando os dois termos juntos. perfeito. e a música, como está, é intocável. marina lima fez sucesso com uma canção que diz: “eu te amo você”. absolutamente agramatical. “alagados” é uma belíssima música criada pelo líder da banda os paralamas do sucesso, herbert vianna. ela começa assim: “todo dia o sol da manhã vem e lhes desafia, traz da sombra pro mundo quem já não queria”. se analisássemos esse clássico pela simples perspectiva da gramática, encontraríamos um grande erro sintático. o verbo “desejar” é, no sentido apresentado na música, “transitivo direto”, portanto o pronome que deveria acompanhá-lo seria “o” e não “lhe”, que é usado para verbo transitivo indireto. herbert vianna, com certeza, sabia da regência adequada, mas resolveu “trocar” o pronome porque daria mais sonoridade à canção. com esse objetivo, ele acertou em cheio! se a gramática esnoba essa composição de herbert, a liberdade poética a colocou entre uma das mais belas criações da música popular.
recitar versos, cantar, escrever ou falar bem o português não é apenas obedecer cegamente às normas do ponto de vista da gramática. o emprego elegante e adequado das palavras passa pelo julgamento da ênfase, da afetividade e da clareza de expressão.
a gramática ensina que “onde” só se usa com verbos que exprimem “estaticidade, permanência” (não sei onde mora ana); e “aonde” com verbos que indicam “movimento, deslocamento” (aonde iremos nas férias?). contudo, nota-se entre os grandes escritores uma “fuga” desse padrão; entre eles está machado de assis, cuja obra é referência até para os gramáticos. em “poesias completas”, machado escreve bem consciente: “mas aonde te vais agora, onde vais, esposo meu?” percebe-se que, nessa oração machadiana, a métrica não se oporia à repetição do vocábulo “aonde”. claudio manoel da costa, em “obras poéticas”, também seguindo a linha “libertária” de machado, escreve: “nice? nice? onde estás? aonde? aonde?”
chico buarque e guimarães rosa, só para citar dois mestres da palavra, se valeram muito dessa liberdade porque quiseram dar mérito à originalidade e à elegância. saibamos observar esse “colorido” da estilística como algo que valoriza a língua portuguesa.

ASPECTOS DA ESTILÍSTICA PORTUGUESA
Gustavo Adolfo Pinheiro da Silva (UERJ e UGF)
Neste esforço de síntese, situar os dois posicionamentos clássicos da Estilística. A linha positivista de Bally, que situa a Estilística entre os factos da língua, e a linha idealista de Vossler-Spitzer– Alonso, que situa Estilística entre os factos da fala.
A ESTILÍSTICA: POSICIONAMENTOS CLÁSSICOS
Até o século XIX, a Estilística estava inteiramente contida na Retórica. A Estilística em nosso século é obra de dois grandes pensadores:
1. Charles Bally (suíço): "Tratado de Estilística Francesa"
2. Karl Vossler (alemão): "Positivismo e Idealismo na Linguagem" e "A linguagem como criação e evolução".
Bally encontrou em Saussure o seu mestre. A inspiração para sua Estilística. A língua para Saussure é de caráter social, coletiva, enquanto a fala de caráter individual. A língua, objeto da Lingüística, é um sistema de signos. O signo é um conjunto formado de duas partes, ambas psíquicas: uma perceptível, o significante e outra inteligível, o significado. Para Bally: o significado exprime não só o conceito, mas também a afetividade. Bally dividiu a ciência da linguagem em dois ramos:
1. LINGUÍSTICA: estuda a língua enquanto sistema de signos intelectivos.
2. ESTILÍSTICA: estuda a língua enquanto sistema de signos afetivos".
O objetivo de Bally era constituir uma Estilística da língua e não da fala. Procura investigar os recursos da língua e não do escritor. Como positivista, compreende que o indivíduo ao falar não cria linguagem. Utiliza o código lingüístico que a comunidade lhe impôs. Daí falar-se numa Estilística fônica, sintática, mórfica e vocabular.
Já a Estilística de Karl Vossler – Spitzer – Alonso tem outro horizonte metodológico e ideológico. Ao positivismo de Bally opunha-se o idealismo de Karl Vossler. A Estilística de Vossler denominada genética por Guiraud, é de inspiração Croceana (Benedeto Croce: Estética como ciência da expressão e Lingüística geral, 1902) e não saussureana. Fundamenta-se na intuição. Spitzer vê a língua como enérgeia e não como érgon. Para Croce, "a arte é sempre a expressão de uma intuição", A Estilística da fala não prescinde da Estilística da língua e nela se apóia.
NOVAS CORRENTES PÓS– SAUSSUREANAS
A Estilística funcional vai encontrar em Jakobson sua figura dominante. O circuito lingüístico passa a ser interpretado à luz da teoria da comunicação. A predominância de cada um dos elementos da comunicação geraria seis atitudes estilísticas: emotiva, conativa, referencial, fática,metalingüística e poética. A poesia lírica está centrada no emissor, intimamente ligada à função emotiva. A poesia épica, centrada na terceira pessoa, privilegia a função referencial.
Jakobson não costuma usar a palavra Estilística. Ao invés de estilo, fala em função poética.
Ainda na Estilística funcional, vale citar Roland Barthes: que vê no estilo"uma linguagem autárquica que mergulha na mitologia pessoal e secreta do autor".
A estilística de Riffaterre, dentro de uma visão saussureana de langue, vê o estilo como desvio de uma norma.
No Brasil, temos a obra pioneira do Prof. Mattoso Câmara júnior "Contribuição a Estilística Portuguesa".Para Mattoso, a base sólida da Estilística foi lançada por Bally. Deve-se caracterizar o estilo não pelo contraste individual x coletivo. Mas sim pelo contraste emocional em face do que é intelecto. Para Mattoso, o estilo se caracteriza em regra como desvio da norma lingüística.
Passemos ao exame de alguns aspectos estilísticos da língua portuguesa:
Estilística fônica
Uma das características da linguagem poética, em sua função essencialmente conotativa, consiste numa espécie de esforço no sentido de ultrapassar a arbitrariedade do signo lingüístico, motivando-o esteticamente. A ambigüidade predomina na linguagem poética, respondendo pelo seu caráter conotativo e polivalente, ou seja, por seu caráter de plurissignificação.
Em línguas de acento quantitativo, o ritmo musical se estabelece em função de sílabas longas e sílabas breves, combinadas entre si, formando pés, como em latim. Em Português, língua de ritmo intensivo, não se limita apenas o estudo do ritmo musical ao retomo das sílabas tônicas, após intervalos regulares. Podemos dizer que além da estrutura rítmica assegurada pelo retomo da sílaba tônica, há também o ritmo silábico, determinado pela regularidade do número de sílabas em cada verso. Deve-se analisar o ritmo em função das imagens e através da própria motivação da linguagem poética. A propósito, costuma-se dizer que o verso livre substitui os esquemas rítmicos tradicionais pelo ritmo subjetivo e psicológico, o que não é, ao nosso ver, inteiramente exato, pois vários esquemas tradicionais foram aproveitados pelos modernistas.
Além do ritmo e das rimas, podemos apresentar alguns dos principais casos de motivação sonora: a aliteração, a coliteração, a assonância e a onomatopéia.
Exemplo conhecido de aliteração da consoante linguodental sonora /v/, encontramos em Cruz e Souza. Recurso muito explorado pelos simbolistas:
Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias de violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.
Ou ainda: no romântico Castro Alves:
Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança...
Ou ainda nestoutro exemplo do folclore nortista
O pintor que pintou Maria
Também pintou Isabel.
Mas quando foi pintar Josefa
Ai , meu Deus, cadê pincel?
A coliteração é uma seqüência de palavras em que predominam consoantes homorgânicas visando' a obtenção de maior expressividade da frase.
Ocorre-nos um verso de Antero de Quental:
Com grandes golpes bato à porta e brado
A coliteração aqui envolve as homorgânicas /k/-/g/, /p/-/b/, /t/-/d/.
A distribuição das vogais na frase, às vezes, dá origem ao fenômeno de fonética fraseológica denominado assonância, que nada mais é do que uma sucessão das mesmas vogais numa proposição. Veja este exemplo de Drummond:
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Em geral, a onomatopéia é um monorrema, porque se resume numa palavra apenas, através da qual se procura reproduzir determinado ruído. Manuel Bandeira explorou ao máximo esse processo em "Os Sinos". Aqui: paixão, mãe, irmão passam a evocar um dobre de finados. Bonfim e mim passam a símbolos de um som agudo de desespero. Vejamos um fragmento do poema:
Sino de Belém, Sino da Paixão...
Sino da Paixão, pelo meu irmão!
Sino da Paixão,
Sino do Bonfim...
Sino do Bonfim, ai de mim, por mim..
Sino de Belém, que graça ele tem!
Vale lembrar que Joaquim Ribeiro, em sua Estética da língua portuguesa, associa o som nasal à manifestação de tristeza, lamento, lamúria:
Se eu morresse amanhã
Viria ao menos fechar meus olhos
minha triste irmã
Minha mãe de saudades morreria se eu morresse
amanhã.
Estilística mórfica
O campo mais limitado da Estilística em língua portuguesa é, sem dúvida, o morfológico. Podemos, no entanto, compulsar alguns fatos interessantes. Pode-se usar o substantivo singular com idéia de plural:
Dessas rosas muita rosa
terá morrido em botão...
Expressões da língua do cotidiano como "ruim como cobra", "pobre como Jó", que são formas superlativas tiradas de comparações.
Vejamos alguns casos envolvendo o adjetivo: Interessante é o emprego do adjetivo dando idéia superlativa:
1 "Teus olhos negros, negros / como as noites de luar (Castro Alves). A idéia superlativa nos é dada pela repetição do adjetivo: negros, negros
2. Em "A lua está clarinha", clarinha adquire valor superlativo.
3. Em "A branca neve", pela redundância obtém-se um efeito estilístico.
4. Adjetivação impressionista: Assim, em "Longínguo e triste sino", triste adjetiva sino em relação ao ouvinte. O ouvinte é que está triste. A impressão é de tristeza no momento em que o sino tocou.
5. Adjetivação sinestésica: São aquelas provocadas através dos sentidos: "Brancas sonoridades de cascatas", "Sons melosos e soturnos" e ainda “O sabor aromal do teu beijo".
6. A hipálage é uma adjetivação impressionista. O adjetivo determinante modifica o termo que não é o seu determinado lógico:"Diante do lânguido quarto de uma mulher loura". A visão impressionista levou o autor a sentir a languidez impregnada em todo o ambiente.
7. Nome com função adjetiva e adverbial: Em" O vento soprava violento sobre a cidade". Observamos que violento, ao mesmo tempo que se refere a vento, atribuindo¬-lhe uma qualidade, refere-se também à ação verbal soprava, introduzindo uma circunstância, sendo nome com função adverbial.
Passemos a alguns casos de emprego estilístico do verbo:
1. O imperfeito propicia à afetividade: É o tempo da linguagem impressionista: "O caminho desprendia um cheiro de lama e estrume".
2. O presente histórico: Consiste em usar o presente para narrar fatos do passado. É um dos recursos estilísticos mais representativos: Então lázaro, ouvindo a voz do Senhor, levanta-se e anda".
3. As formas do gerúndio dando continuidade à ação verbal:
“A vida vai acabando, acabando... o gerúndio prolonga a agonia”.
Onde se verifica com maior freqüência o fato estilístico é no uso do aumentativo e diminutivo:
As idéias de grandeza e pequenez facilmente podem evocar as de anormalidades; outras vezes de simpatia, ternura. Daí que os sufixos aumentativos ou diminutivos sejam freqüentemente pejorativos ou depreciativos: pobretão, sabichão, paspalhão. Mulherzinha conhecida, empregadinha do comércio. Conotação positiva: Garotinha do coração, amigão do peito.
Estilística sintática
No campo da sintaxe, os estudos estilísticos possibilitam inúmeras inovações. Muitas exceções registradas na gramática normativa representam opções que podem revestir-se de real valor estilístico. As palavras se agrupam numa frase numa interdependência natural que determina ralações necessárias e livres. É lícito ao escritor recorrer a certas construções sintáticas para obter maior efeito estilístico.
Dessa forma se explica a posposição do possessivo ao substantivo:
“Filho meu, onde estás? (G. Dias) ”.
"Prazeres, sócios meus, e meus tiranos” (Bocage)
Na coordenação, os termos e orações sucedem-se ligados por conjunção ou simplesmente justapostos. Em ambos os casos há inúmeros recursos de utilização estilística. Graciliano Ramos, em Vidas Secas, por exemplo, emprega a justaposição de orações coordenadas para indicar lentidão, desânimo e desalento. Outros utilizam a coordenação sindética, tendo em vista o valor da frase:
"E zumbia, e voava, e voava, e zumbia" (A mosca azul. M. Assis)
Na narrativa, os processos definem a estrutura da frase portuguesa: a) discurso direto, b) indireto e c) indireto livre.
No discurso direto, o narrador, recorrendo em geral a um verbo dicendi (dizer, afirmar, declarar) reproduz a fala do personagem, o que permite hierarquizá-lo no plano social. No indireto, não se transcreve a fala do personagem. Ao contrário, transmite com suas próprias palavras, em oração subordinada substantiva, a informação do locutor.
Variante do discurso direto e indireto, o indireto livre, também chamado por Mattoso vivido ou representado, é louvável inovação estilística. Nele o escritor aproxima o narrador e o personagem, dispensa o verbo discendi e o conectivo subordinativo e constrói períodos independentes. Mattoso considera o discurso indireto livre um recurso para preservar através da informação a manifestação psíquica e o apelo.
A quebra da ordem canônica da frase também é uma forma de realce. O termo deslocado adquire valor enfático. Veja este exemplo clássico de Herculano: "Arquiteto do Mosteiro Santa Maria já não o sou".
Os adjetivos usam-se pospostos ou antepostos aos substantivos. A posição do adjetivo altera o sentido da frase: velho amigo / amigo velho; E até mesmo a função: marinheiro brasileiro / brasileiro marinheiro.
Dois problemas fundamentais se colocam no estudo estilístico dos pronomes pessoais. De um lado, a questão apaixonada da colocação dos pronomes oblíquos átonos. De outro, a mudança de tratamento na dialogação.
Com relação à colocação dos pronomes, há casos imperiosos: não usar nem próclise nem ênclise com os particípios passados, bem como não se usar a ênclise com os futuros do presente e pretérito. No mais, como salienta Said Ali "a regularidade é correta em Portugal. A liberdade de colocação é correta no Brasil, como já está sancionada pelos autores brasileiros. Ou, como salienta Chaves de MeIo, a colocação é ditada pelo sentimento da língua, o ritmo da frase e a harmonia do período. Na linguagem cotidiana brasileira é normal dar início à frase com o pronome oblíquo, uso esse que passou à literatura com o movimento modernista de 22. O Modernismo procurou diminuir a distância entre a língua coloquial brasileira e a língua literária. Ouçamos Oswald de Andrade, em Pronominais:
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da raça brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro.
Outra questão é a mudança de tratamento resultante da influência de fatores psicológicos. Exemplo significativo é o poema de Bandeira:
IRENE NO CÉU
Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor.
Imagine Irene entrando no céu:
Licença, meu branco?
E São Pedro bonachão:
– Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.
A mudança de tratamento revela a situação de aproximação ou de afastamento entre falante e ouvinte. A Ia. estrofe é descritiva. A 2a. caracteriza-se pelo tom familiar. A afetividade e a intimidade se acentuam com a mudança de tratamento.
Estilística lexical
Abrange os estrangeirismos; regionalismos, arcaísmos, neologismos, palavras eruditas ou populares. Não prescinde igualmente da sonoridade e do teor semântico dos vocábulos. Grande é a preocupação do escritor com a seleção vocabular, até porque a seleção esta condicionada à natureza do gênero literário. A linguagem lírica de modo algum é igual à linguagem épica ou dramática. Difícil é a escolha entre sinônimos e antônimos. Quanto aos sinônimos, a situação se toma mais precária, sobretudo porque existem sinônimos imperfeitos, de significação apenas aproximada. Cão e cachorro podem assumir acepção diferente. Além disso, há o aspecto do volume e sonoridade da palavra. Os vocábulos polissilábicos em geral indicam idéia de grandeza, têm mais sonoridade em contraste com os monossílabos. Interessante observar a distinção de Bally entre palavras transmitidas e adquiridas. As transmitidas, por serem recebidas do ambiente doméstico, são afetivas. As adquiridas vêm depois, resultam da experiência da vida, da integração no grupo social. São mais conceituais.
Com relação às palavras eruditas, estas se desenvolveram com o Renascimento, quando se processou verdadeira latinização da língua portuguesa. Teve continuidade com o Parnasianismo e constituindo-se até mesmo em preferências pessoais. Rui Barbosa, Coelho Neto, Euclides da Cunha são exemplos de eruditismos. Com o Modernismo, procurou-se valorizar e estilizar a língua popular. Emprego de ter no lugar de haver. Colocação livre dos pronomes átonos. Uso de palavras populares, de neologismos. Famoso é o poema de Bandeira:
Beijo pouco, falo menos ainda
Mas invento palavras
que traduzem a ternura funda
E mais cotidiana
Invento, por exemplo, o verbo Teadorar
intransitivo;
Teadoro,Teodora.”
Já os arcaísmos são palavras que existiram e desapareceram da língua. Os arcaísmos são usados com valor estilístico. Lembro-me de Alphonsus de Guimarães seduzido pela palavra giolhos. Como nos românticos a palavra asinha = depressa.
Em relação aos estrangeirismos, tão condenados por alguns gramáticos, sob o aspecto estilístico, os estrangeirismos podem ser determinados por exigência da afetividade, ora por seu caráter de universalidade, ora por imposição de expressividade. Veja Drummond em Cota Zero:
Stop
a vida parou
ou foi o automóvel?
Ou no"Poema de Sete Faces":
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: vai, Carlos, ser gauche na vida.
Onde o estrangeirismo gauche é usado pela expressividade.
Muito bem, desta forma, procurei desenvolver os conteúdos que ministro sobre Estilística na graduação. É uma maneira de contribuir com o departamento na discussão sobre a metodologia do ensino das disciplinas no Curso de Letras.
BIBLIOGRAFIA
ALONSO, Amado. Poesia espanhola. Rio de Janeiro: INL, 1960.
BALL Y, Charles. Traité de stylistique française. Paris: Klincksieck, 1951.
CÂMARA JR., Joaquim Mattoso. Contribuição à estilística portuguesa. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1977.
COHEN, Jean. Estrutura da linguagem poética. São Paulo: Cultrix, 1978.
GUIRAUD, Pierre. A estilística. São Paulo: Mestre Jou, 1970.
LAPA, Rodrigues. Estilística da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Acadêmica, 1970.
MELO, Gladstone Chaves de. Ensaio de estilística portuguesa. Rio de Janeiro: Padrão, 1976.
MONTEIRO, José Lemos. A estilística. São Paulo: Ática, 1991.
MURRY, J. Middleton. O problema do estilo. Rio de Janeiro: Acadêmica, 1968.
RAMOS, Maria Luísa. Fenomenologia da obra literária. Rio de Janeiro: Forense, 1968.
RIFATERRE, Michael. Estilística estrutural. São Paulo: Cultrix, 1973.


TEPOLOGIAS TEXTUAIS

A competência textual e comunicativa de um falante inclui a capacidade de agrupar e classificar os textos com que este se depara segundo critérios tipológicos. Tal como em qualquer outro tipo de classificação, a categorização de textos baseia-se numa aproximação de produtos linguísticos textuais a partir do apuramento de uma feixe das características formais comuns, umas mais fulcrais, outras mais periféricas. Este é o processo que faz parte do funcionamento cognitivo instintivo dos seres humanos e que resulta da convivência do sujeito falante com variados tipos de textos.
O estabelecimento de uma taxinomia textual é assunto relativamente recente na comunidade linguística, e nem sempre merecedor de consenso. Apesar de existirem consagrados autores, como Bakhtine e Jean-Michel Adam, a defender a absoluta necessidade de se instituir uma classificação de diversos tipos de texto, outros há que consideram esta tarefa impraticável, devido à extrema heterogeneidade que normalmente caracteriza as produções textuais. Também o próprio Adam diz que um texto é uma unidade demasiado complexa e diversa para se poder afirmar que pertence, na sua totalidade, a um único protótipo textual. Contudo, baseado na crença que a análise tipológica se devia processar a um nível menos elevado, ou seja, através da identificação, delimitação e caracterização das sequências textuais prototipicamente narrativas, argumentativas, descritivas, explicativas, etc., seria possível classificar um texto de acordo com o protótipo textual que estivesse em maioria.

TEXTO NARRATIVO
A narrativa é o tipo de texto que possibilita contar e relatar factos e acontecimentos, sejam eles verídicos ou fruto de imaginação. Os textos, ou as sequências textuais, que actualizam este protótipo caracterizam-se pela construção e comunicação de uma acção ou de uma sequência de eventos, pelo que se ligam, preferencialmente à ficção e mais imediatamente ao romance.
Muitos são os elementos que participam na construção de uma narrativa. Quando se conta uma história, existe sempre um narrador que discursa sobre personagens que se envolvem numa determinada acção, que, por sua vez, se encontra delimitada num demarcado espaço e ocorre num certo tempo. Todos estes componentes constituem as várias categorias da narrativa. Mas esta tipologia textual não se esgota na literatura ficcional. Se é verdade que, tradicionalmente, se associa mais esta tipologia aos subgéneros do conto, da novela e do romance, não é menos verdade que há outras formas, bastante diversificadas, de actualizar este modelo. Obedecendo criteriosamente à definição acima fornecida, é, pois, possível encontrar este propótipo textual em outros subgéneros como no diário, em memórias, na crónica, nos relatos biográficos e autobiografias, nas fábulas, nas parábolas, em reportagens, nas notícias, em relatos de experiências pessoais, anedotas, ou mesmo em conversas do quotidiano que envolvam um simples relato. Contudo, para além de se concretizar num suporte textual e verbal, este protótipo também surge nos registos icónicos, como em filme ou banda desenhada.
A nível gramatical, o texto narrativo pauta-se pelo uso predominante de verbos dinâmicos, isto é, que sugerem actividade e dinamismo por parte das personagens. Os tempos empregues, predominantemente, são todos os pretéritos, com particular relevo para o pretérito perfeito. O presente do indicativo é também frequentemente utilizado, embora com um valor de falso tempo, quando não marcado, ou como "presente histórico".
Globalmente, a escrita de um texto narrativo deve obedecer a uma sequência, recorrendo à variedade lexical, à sinonímia lexical ou associativa e à elipse . Tratando-se de uma obra literária, é muito frequente encontrar recursos expressivos, e mecanismos de embelezamento e/ou de obscurecimento textual.
Exemplo de um texto predominantemente narrativo.

Retrato de mulher

Era uma vez um homem chamado Gombei. Era pobre e um pouco fraco de cabeça. Vivia sozinha numa cabana. Ninguém queria casar-se com ele por causa de sua simplicidade do seu espírito.
Uma tarde apareceu-lhe à porta uma jovem, que lhe perguntou se podia passar a noite na sua cabana. Gombei nunca tinha visto uma mulher tão bonita, por isso ficou muito contente por albergá.la. nessa noite, depois do jantar, a rapariga disse:
- Vejo que vives aqui sozinho. Eu também sou só. Queres casar comigo?
Gombei não podia acreditar na sua sorte! E assim se casaram.
O casamento de Gombei tornou-o muito feliz, mas também lhe tornou muito difícil a execusão do seu trabalho. Estava tão apaixonado pela sua jovem esposa, que não podia apartar os olhos dela, nem por um momento. (...) Ia então para o campo trabalhar. Mas, poucos minutos, passados, voltava a correr para casa, gritando:
- Estás aí, minha mulher querida?
E por isso não fazia muito durante o dia.
- Isto não pode ser assim! – disse a mulher.
E, assim, ele foi à cidade e pediu a um artista que lhe pintasse o retrato. Levou-o para casa e disse a Gombei:
- Aqui está o meu retrato. Pendura-o na amoreira mais próxima. Se me puderes ver enquanto estás a trabalhar no campo, não sentirás tanto a minha falta. (...)
Contudo, um dia, um súbito golpe de vento arrasou o retrato e soprou-o para o céu (...) até que acabou por cair no jardim do um palácio. Quando o senhor do palácio o viu, apaixonou-se imediatamente pela mulher do retrato (...) e ordenou aos homens que encontrassem a mulher e a trouxessem à presença sem demora.
Os homens foram de aldeia em aldeia com o retrato, perguntando se alguém conhecia a mulher. Por fim chegaram á aldeia onde vivia Gombei.
- Conhecem esta mulher? – perguntaram aos aldeãos, mostrando-lhes o retrato.
- Sim é a mulher do Gombei – responderam os aldeãos logo que viram o retrato.
Já informados, quando os homens foram à cabana de Gombei encontraram uma linda mulher exactamente igual à do retrato.
- Vamos levá-la ao nosso senhor – disseram eles. (...)
- Por favor, não a leveis – pediu Gombei.
Mas todas as súplicas foram vãs. Chorou tanto que as suas lágrimas formaram um charco com um pé de profundidade.
- Não chores assim, Gombei – disse-lhe a mulher. – Agora não podemos fazer nada, mas escuta bem. Tens de ir ao palácio na véspera do Ano Novo. Quando fores, leva pinheiros para as decorações do portal do Ano Novo. Então poderemos ver-nos outra vez (...)
Todos os dias Gombei perguntava para si mesmo se já era tempo de partir. Por fim, alguém lhe disse que já era véspera do Ano Novo. Partiu para o palácio com um grande molho de pinheiros às costas. Não tardaria a tornar a ver a sua querida mulher!
Quando chegou diante dos portões do palácio, gritou:
- Pinheiros, pinheiros! Belos pinheiros para o Ano Novo!
Dentro do palácio, ouviu-o e sorriu. (...) O senhor ficou tão satisfeito por vê-la alegre, que ordenou aos seus servidores que chamassem o vendedor de pinheiros.
Quando Gombei apareceu, a mulher ficou ainda mais contente. Inclinou-se para ele com tal encanto que o senhor pensou de si para si:
- Se um vendedor de pinheiros lhe agrada tanto, vou eu fazer-me de vendedor de pinheiros.
Ordenou a Gombei que trocasse de roupas com ele. Vestido pobremente como um vendedor de pinheiros, pôs-se a andar de um lado para outro no jardim, gritando:
- Pinheiros, pinheiros! Lindos pinheiros para o Ano Novo!
Isto fez com que a mulher de Gombei ficasse ainda mais contente. Batia as palmas com as suas mãozinhas e ria-se com vontade. O senhor esta tão deliciado por vê-la rir, que dançou à volta do jardim com pinheiros às costas (...) até que saiu do portão do polácio sem dar por isso.
Logo que chegou lá fora, a mulher de Gombei deu ordens aos criados para que fechassem os portões do polácio. Passado um momento, o senhor deu-se conta de que já não estava dentro do jardim. Voltou aos portões do palácio e, com grande espanto seu, encontrou-os fechados.
- Deixem-me entrar! Deixem-me entrar! – gritava ele, sem reposta.
Dentro do palácio, Gombei e a sua inteligente mulher tinham agora tudo o que podiam desejar, e viveram felizes para sempre.

Conto popular do Japão (adapt.) trad. Pedro Tamen, versão de Keigo Seki in Contos Populares da Ásia.

A seguir, os vários elementos que constituem as categorias da narrativa:

1- ACÇÃO
É uma sucessão de acontecimentos ligados entre si e que conduzem a desenlace. Surge associado às personagens e acontece num determinado espaço e tempo. Uma acção pode ser classificada quanto ao relevo, à delimitação, à estrutura e à organização das sequências narrativas.

1.1- relevo
 acção principal ou central: é o conjunto das sequências narrativas que assumem, no texto, uma maior importância. Sumariamente, é a história principal. (a construção do convento da Mafra, em "O Memorial do Convento de Saramago".)
 acção secundária: a sua importância é definida em relação à acção principal da qual, na maior parte das vezes, depende. Consiste na narração de sequências de menor na diegene. Em narrativas curtas, como contos tradicionais ou fábulas, não chega a existir. (na mesma obra, a construção da passarola.)

1.2- delimitação
 fechada: diz-se da acção que é solucionada até ao pormenor. (Eurico, o presbítero, de Alexandre Herculano.)
 aberta: é a acção da qual se desconhece a resolução, devido a inexistência de desenlace . (a ilustre casa de Ramirez, de Eça de Queirós.)




1.3- estrutura
 situação inicial: conjuntura estável com o qual se inicia uma narrativa. (fazendo uso do conto tradicional. A Bela Adormecida, corresponderia ao momento em que a rainha e o rei conseguem, finalmente, alcançar o objectivo de serem pais.)
 peripécias e ponto culminante: é, fundamentalmente, o desenvolvimento. Trata-se das sequências narrativas que alteram a estabilidade inicial e conduzem a um ponto de tensão. (na mesma obra, o momento que inicia com uma bruxa a lançar um feitiço sobre a princesa, fazendo com que esta, ao completar dezasseis anos, se pique num fuso, condenando ao adormecimento todo o palácio; o clímax é atingido com a chegada de um príncipe que, desbravando os perigos em redor do castelo, entra no leito da princesa e a beija, acordando a jovem e todos os seus familiares e criados.)
 desenlace: também designado por conclusão, é o momento final em que a ordem é restabelecida. (tendo sido devolvido a estabilidade, o príncipe e a princesa casam e aguardam um futuro risonho.)
1.4- sequências narrativas
 encadeamento: as sequências umas às outras, obedecendo uma ordem cronológica.
 alternância: quando duas ou mais histórias são contadas de forma intercaladas. Uma é interrompida para dar lugar à outra. É o que acontece frequentemente nas novelas.
 encaixe: as sequências aparecem inscritas no interior de outra sequência que as abarca. Os narradores, geralmente, são diferentes. (Viagens na minha terra, de Almeida Garrett).
2- PERSONAGENS
As personagens são os actuantes. São estas que conduzem as acções narradas e é destas de quem o narrador fala. Numa diegese , de um modo geral, nem todas têm o mesmo relevo, nem todas são descritas da mesma forma, nem todas são alvo dos mesmos processos de caracterização e nem todas são construídas da mesma maneira. Assim, a definição de uma personagem também obedece a alguns parâmetros: relevo, caracterização, processos de caracterização e conceção.
2.1- relevo
 personagem principal: é a protagonista da história, desempenhando um papel central na mesma. (Carlos da Maia, em Os Maias, de Eça de Queirós.)
 personagem secundária: participa activamente na intriga e pode ter um papel de relevo na mesma, mas não a decide. Naturalmente, é menos importante que o protagonista. (João da Ega, na mesma obra.)
 personagem figurante: o seu papel é irrelevante na acção. O seu único propósito é caracterizar o espaça e o contexto social. (qualquer um dos trabalhadores em, Memorial do Convento, de José Saramago.)
2.2- caracterização
 física: são abordadas as características corporais da personagem. (A propósito da Dona Maria do Patrocínio: «o carão e o esverdinhado» in A Relíquia, Eça de Queirós.)
 psicológica: há uma referência às características de índole mais pessoal, como carácter, o comportamento e os valores morais. «Tinha o carácter louro como o cabelo – se é certo que o louro é uma cor fraca e desbotada: falava pouco, sorria sempre com os seus brancos dentinhos, dizia a tudo «pois sim»; era muito simples, quase indiferente, cheia de transigências». In Singularidades de Uma Rapariga Loura, Eça de Queirós.
 Social: quando se verifica a inserção de uma personagem no grupo social a que pertence, através da identificação da sua profissão ou da sua vida em sociedade. («o meu amigo Jacinto nasceu num palácio, com cento e nove contos de renda em terras de semeadura, de vinhedo, de cortiça e de olival. (...) A sua quinta e casa senhorial de Tormes, no Baixo Douro, cobriam uma serra. Entre o Tua e o Tinhela, por cinco faltas léguas, todo o torrão lhe pagava foro. E serrados pinheiras seus negrejavam desde Arga até ao mar de âncora. Mas o palácio onde Jacinto nascera, e onde sempre habitara, era em Paris, nos Campos Elíseos, nº202.» em A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós.)

2.3- processos de caracterização
 caracterização directa: quando a mesma é feita através de discursos da personagem a falar sobre si própria (auto-caracterização), de outras personagens ou de afirmações do narrador (hetero-caracterização). (José Fernandes sobre Jacinto, em A Cidade e as Serras, de Eça Queirós.)
 caracterização indecta: não havendo afirmações explícitas sobre o carácter das personagens, é o leitor que faz deduções sobre as mesmas, a partir das suas atitudes. (Steinbroken, em Os Maias, de Eça de Queirós.)

2.4- Concepção
 Personagem plana: aquela que, desprovida de grande vida interior e com um conjunto de traços bastante limitado, assume um comportamento estável durante toda a diegese e, por isso, previsível. (A personagem Luisa de O Primo Bcxasílio, de Eça de Queirós.)
 personagem modelada: a que é denotada uma grande desindade psicológica e cujo o comportamento se altera ao longo da narrativa. Por conseguinte, pode ter, por vezes, comportamentos inesperados. (O padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão, em Memorial do Convento, de José Saramago.)
 personagem-tipo: é a que representa uma classe social ou profissional, sendo-lhe atribuídas as características típicas que a definem. (As personagens do Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente.)
3- TEMPO
A categoria da narrativa «tempo» pode ser subdividida em tempo histórico, tempo diegético, tempo do discurso e tempo psicológico.
 Tempo histórico: constituído pelo conjunto de referências a acontecimentos e a personagens que conferem a cor epocal ao texto. «Saiu D. Afonso Henriques da tenda, trazendo de conselheiros D. Pedro Pitões e D. João Peculiar, e foi este, após consultar com o rei, quem tomou a palavra para dar boas-vindas aos emissários (...)» em História do Cerco de Lisboa, de Saramago.
 Tempo diegético: é o tempo da acção propriamente dito; é a organização das sequências por ordem cronológica, cuja datação pode ser revestida de maior ou menor rigor. («São 17 deste mês de Julho, ano de graça de 1843, uma segunda –feira, dia sem nota e de boa estreia. Seis horas de manhã a dar em S. Bento, e eu a caminhar para o Terreiro do Paço», Viagens da minha terra, de Almeida Garrett.)
 Tempo do discurso: tem a ver com a forma como o narrador relata os acontecimentos. Estes podem ser apresentados de uma forma linear, mas também com retrocessos (contar episódios anteriores ao momento da narrativa – analepses). Ou com avanços (antecipar eventos que se vão passar futuramente - prolepses) («De bacharel passava outra vez à escola, pequenino, lousa e livros debaixo do braço, ou então caía no berço para tornar a erguer-se homem. Em vão buscar fixar no espírito uma idade, uma atitude: esse embrião tinha a meus olhos todos os tamanhos e gestos: ele mamava, ele escrevia, ele valsava, ele era interminável nos limites de um quarto de hora, - baby e deputado, colegial e pintalegrete.» Memórias Póstumas da Brás Cubas, Machado de Assis.)
 Tempo psicológico: é o tempo subjectivamente sentido pelas personagens; a forma como estas o vivem, o sentem e o experimentam na sua individualidade. («É curioso! Só vivi dois anos nesta casa, e é nela que me parece estar metida a minha vida inteira.», Os Maias, de Eça de Queirós.)

4- ESPAÇO
A categoria narrativa do espaço é mais do que o cenário onde a diegene toma lugar. A sua definição é mais ampla, na medida em que se podem identificar três tipos de espaços: o espaço físico, o espaço psicológico e o espaço social.
 Espaço físico: é o espaço geograficamente localizado onde se movimentam e actuam as personagens. Pode ser interior ou exterior. (S. Sebastião da Pedreira em Memorial do Convento, de Saramago.)
 Espaço psicológico: é o conjunto de elementos que traduz a interioridade das personagens e, por conseguinte, um pouco mais difícil de delimitar. É o espaço no íntimo dos actuantes onde vivem as reflexões, os sonhos, as memórias, as emoções. (As transgressões oníricas da rainha, mesma frase.)
 Espaço social: é a recreação das ambiências nas quais as personagens que se inserem, sejam eles de ordem cultural, social ou económica. Normalmente, reproduz valores, hábitos, e comportamento, recorrendo a personagens-tipo e/ou a figurantes representativos desses espaços. (As touradas, os auto-de-fé ou as procissões, também no mesmo romance.)
5- NARRADOR
O narrador é uma entidade fictícia que, numa narrativa, tem a função de contar a história. Há, pois, uma distinção inequívoca entre este conceito e o de autor . Assim sendo, se autor se pode demarcar no tempo e é capaz de se afastar ideologicamente e esteticamente do texto, já o narrador faz parte dele: é-lhe indissociável.
5.1- PRESENÇA OU PARTICIPAÇÃO
 Narrador heterodiegético (ou não participante): é aquele que narra uma história à qual não pertence. Tem conhecimento da mesma, mas não participa dela; não é uma das personagens intervenientes. Apenas narra de uma forma a que a sua existência não seja perceptível. (O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queirós.)
 Narrador homodiegético ( ou participante): é o narrador que faz parte da diegese como personagem secundária ou apenas como mero figurante. O conhecimento que possui da sua experiência diegética e que transmite ao leitor deriva dessa posição. (José Fernandes, em A Cidade e Serras, de Eça de Queirós.)
 Narrador autodiegético: mais do que ser uma personagem da narrativa que narra, constitui-se como protagonista da mesma. O seu papel é activo e a narração é executada em primeira pessoa, condicionando a sua focalização e a sua posição. (Lúcio em A Confissão de Lúcio, de Mário de Sá-Carneiro.)

5.2- FOCALIZAÇÃO OU CIÊNCIA
 Focalização externa: o narrador confina a narrativa a uma representação das características concretamente observáveis de uma acção, de uma personagem ou de espaço. Não detendo um ponto de vista privilegiado, a narrador apenas vê o que qualquer poderia ver. Desta forma, é mais objectivo e desapaixonado. («um homem vagueva ali, contudo, que não parecia dar-se grande pressa em entrar. Ia e vinha, parava, esquadrinhava a multidão (...)», em O Barão de Lavos, de A. Botelho.)
 Focalização interna: o narrador observa e relata através do olhar de uma personagem inserida na diegese. Desta forma, a quantidade de informações que pode veicular é significativamente reduzida, uma vez que há que obedecer a uma questão de coerência: o conhecimento transmitido não pode ser superior ao que a personagem cujo o ponto de vista é dotado possa ter. («O meu amigo emagrecera: é que o nariz se lhe afilara mais entre as rugas muito fundas, como as de um comediante cansado. Os anéis do seu cabelo lanígero rareavam sobre a testa, que perdera a antiga serenidade de mármore bem polido. Não friasava agora o bigode, murcho, caído em fios pensativos. (...) corcovava», em A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós.)
 Focalização omnisciente: o narrador demonstra possuir um conhecimento integral de todo universo envolvente à narrativa, incluindo o infinitivo das personagens. Desta forma, está em posição de explicar o que as impulsiona para determinadas acções, revelar o seu pensamento, descrever espaços psicológicos, exteriores e interiores e recorrer a prolepses. («São meandros do inconsciente real, como aqueles outros sonhos que sempre D. Maria Ana tem, vá lá explicá-los, quando el-rei vem ao seu quarto, que é ver-se atravessando o Terreiro do Paço para o lado dos açougues, levantando a saia à frente do patinhando numa lama aguada e pegajosa que cheira ao que cheiram os homens quando descarregam, enquanto o infante D. Francisco, seu cunhado, cujo antigo quarto agora ocupa, alguma assombração lhe ficando, dança em redor dela, empoleirado em andas, como uma cegonha negra.» em Memorial do Convento, de Saramago.)

5.3- POSIÇÃO
A posição do narrador tem a ver com a atitude do mesmo perante as sequências que vai narrando. Neste âmbito, a sua postura pode ser objectiva ou subjectiva.
 posição objectiva: nesta posição, o narrador limita-se a narrar friamente os acontecimentos, colocando-se numa posição completa isenção e neutralidade. Não toma partidos, não exprime juízos de valor, não revela simpatias ou antipatias. (os contos tradicionais, as lendas)
 posição subjectiva: com esta atitude, o narrador relata os acontecimentos de forma em que é possível antecipar a sua posição perante os mesmos, seja de adesão ou recusa, visto que faz comentários, revela posições ideológicas, etc. É muito frequente o apelo a adjectivos e expressões valorativas. (todos os romances de José Saramago)













Esquematicamente:
a) ACÇÃO
Relevo – principal (central)
– secundárias (subsidiárias)
Delimitação – fechada (a acção é solucionada ao pormenor)
– aberta (a acção não se resolve)
Estrutura – situação inicial (momento de estabilidade)
– peripécias e clímax (alteração da ordem vigente)
Sequências narrativas – encadeamento (ordenação cronológica)
– alternância (mistura de sequências)
– encaixe (inserção de uma sequência noutra)
b) PERSONAGENS
Relevo – principal (protagonista)
– secundária (com algum relevo, embora não decisivo)
– figurante (irrelevante; serve para adereçar)
Caracterização – física (traços fisionómicos)
– psicológica (traços comportamentais)
– social (inserção num grupo social)
Processos de caracterização – directa (quando objectiva)
– indirecta (há que deduzir a partir das suas atitudes)
Concepção – plana (comportamento não muda)
– modelada (comportamento varia, fruto de maior densidade psicológica)
– tipo (representa uma classe profissional ou social)
c) TEMPO
– Histórico (enquadramento epocal)
– Diegético (organização cronológica)
– Do discurso (disposição das acções na narrativa)
– Psicológico (vivido por cada personagem)
d) ESPAÇO
– físico (local onde a acção se realiza)
– psicológico (vivenciado internamente pelas personagens)
– social (retrato do modus vivendi de determinadas classes)
e) NARRADOR
Presença – Heterodiegético (não participa na narrativa)
– Homodiegético (participa na narrativa)
– Autodiegético (mais do que participante, é o protagonista)
Focalização – externa (o narrador conta apenas o observável)
– interna (o narrador a partir do ponto de vista de uma personagem)
– omnisciente (o narrador conhece tudo, mesmo o que vai no íntimo das personagens)
Posição – objectiva (mantém-se imparcial faca às acções)
– subjectiva (o narrador intervém, dá a sua opinião, revela as suas posições)






TEXTO DESCRITIVO
É um texto em que se faz um retrato por escrito de um lugar, uma pessoa, um animal ou um objecto. A classe de palavras mais utilizada nessa produção é o adjectivo, pela sua função caracterizadora. Numa abordagem mais abstracta, pode-se até descrever sensações ou sentimentos. Não há relação de anterioridade e posterioridade! Significa"criar" com palavras a imagem do objecto descrito. É fazer uma descrição minuciosa do objecto ou da personagem o que o texto se refere.
Quanto à sua estrutura tradicional, esta consiste numa relação de equivalência entre uma denominação, o que se escreve "x", e uma expansão, as suas características "y", pelo que "x=y". O esquema de uma escrição é regido por um tema-título, ou seja. A denominação daquilo que é descrito.
A nível gramatical, a descrição possui também algumas características importantes para levar em conta aquando da sua produção: o uso preferencial de verbos estativos, veiculadores da ideia de permanência, como o presente e o pretérito imperfeito do indicativo e o emprego bastante frequente de adjectivos. Podem surgir também alguns advérbios, embora em número não tão frequente.
A nível global, a escrita de um texto descritivo deve seguir uma estrutura lógica, sendo que o mais comum é partir de uma impressão global para os detalhes ou do plano mais próximo para o plano de fundo. Idealmente, para uma caracterização mais completa de uma determinada realidade, a descrição deve transmitir sensações captadas pelos cinco sentidos. Quanto ao vocabulário a ser empregue, este deve ser naturalmente diversificado (evitando repetições de vrbos e de adjectivos), sempre que possível, exacto (de forma atornar praticamente visível o que se escreve) e expressivo (para que posso estimular e/ou transmitir sentimentos, sejam eles de agrado ou desgrado, de atração ou repulsa).
Uso de recursos expressivos também é necessário. Efectivamente, alguns destes, tais como a comparação, a metáfora, a enumeração e a adjectivação, constituem características muito relevantes desta tipologia textual.
Ex.:
Era alto, magro, vestido de preto, com o pescoço entalado num colarinho direito. O rosto aguçado no queixo ia-se alargando até à calva, vasta e polida, im pouco amolgado no alto; tongia os cabelos que de uma orelha à outra lhe faziam colar por trás da nuca – e aquele preto lustroso dava, pelo contraste à calva, mas não tingia o bigode ; tinha-o grisalho, farto, caido aos cantos da boca. Era muito pálido; nunca tirava as lunetas escuras. Tinha uma covinha no queixo, e as orelhas grandes muito despegadas do crânio.
In Eça de Queirós, O Primo Basílio

TEXTO ARGUMENTATIVO
Desde os remotos tempos em que o homem começou a conviver em comunidade, a palavra sempre foi usado como objectivo de persuadir e de dar a conhecer aos outros as convicções de cada indivíduo. São sobejamente conhecidos autores antigos que fundaram escolas de argumentação, capacidade entendida como sendo essencial à prática da vida democrática.
Falamos dos filósofos gregos Sócrates (469-399 a.C.) e de Aristóteles (384-322 a.C.) ou Cícero (106-43 a.C.), tido como o mais eloquente entre os oradores romanos, entre outros. Muito sumariamente, Aristóteles definiu a argumentação como sendo «arte de falar de modo a convencer».
Tendo por base este enquadramento, pode-se definir o texto argumentativo como aquele tipo de texto que visa convencer, persuadir ou influenciar o destinatório ao qual se apresenta um ponto de vista, cujo autenticadamente ou validade se deve provar. Para a consecução desse objectivo, a pós apresentação da tese (a tomada de posição do autor face à matéria em discussão), deve-se desenvolver o raciocínio, a argumentação propriamente dita. Esta fase exige argumentos (justificações, motivos, razões...) devidamente encandeados e suportados, se possível, por provas, e credibilizados por exemplos. A construção de um texto argumentativo pressupõe as seguintes partes:
 Introdução: no parágrafo inicial, o autor do texto apresenta a tese. Esta deve ser apresentada num estilo acertivo, claro e preciso, sem, no entanto, mencionar quaisquer razões ou provas.
 Desenvolvimento: nos parágrafos seguintes (em número variável, em função da natureza e âmbito do assunto), o autor explica a sua proposição e apresenta os argumentos que atestam a veracidade da enunciação do parágrafo introdutor, apoiado em provas que podem ser de diversa índole como factos, exemplos, citações, testemunhos ou meso dados estatísticos.
 Conclusão: no parágrafo final, o autor estabelece uma síntese da demonstração feita no seguimento do desenvolvimento.

Apresenta-se, a seguir, uma lista de expressões que são reiteradamente utilizadas na ligação de diferentes argumentos:
Em primeiro lugar
Além disso
Por um lado...por outro lado
Por consequências
É por isso que
Por conseguinte
Em minha opinhão
Na minha óptica
Tendo em conta
De acordo com
Como é demonstrado por
Defende-se por vezes que vale a pena estudar filosofia uma vez que tudo o que os filósofos fazem é discutir sofisticamente o significado das palavras; nunca aparecem antigir quaisquer conclusões de qualquer importância e a sua contribuição para a sociedade é virtualmente nula. Continuam a discutir acerca dos mesmos problemas que cativaram a atenção dos gregos. Parece que a filosofia não muda nada; a filosofia deixa tudo tal é qual.
Qual é afinal a importância de estudar filosofia? Começar a questionar as bases fundamentais da nossa vida pode até ser perigoso: podemos acabar por nos sentir incapazes da fazer o que quer que seja, paralisados por fazer demasiadas perguntas. Na verdade, a caricatura do filósofo é geralmente a de alguém que é brilhante a lidar com pensamentos altamente abstractos no contexto de um sofá, numa sala de Oxford ou Cambrige, mas incapazes de ligar com as coisas práticas da vida: alguém que consegue explicar as mais complicadas passagens da filosofia de Hegel, mas que não consegue cozer um ovo...

TEXTO EXPOSITIVO-EXPLICATIVO
O texto expositivo-explicativo é um protótipo textual que apresenta um conjunto de produções escritas nas quais se destacam análises e sínteses de representações conceptuais, com objectivo de expor e explicar algum conceito, processo ou fenómeno.
Textos deste tipo são especialmente usados em contextos pedagógicos, visto que se tratam de situações comunicativas nas quais se pretende explicar conhecimentos previamente construídos. Os manuais escolares ou os livros auxiliares ao estudo configuram textos de carácter explicativo. «explicar» deriva de «explicare» (lat.) que significa dobrar «plicare» para fora («ex-»); portanto, tornar algo mais visível e mais facilmente acessível, sobre o ponto de vista cognitivo. É o que texto explicativo pretende fazer.
Porém, a ocorrência do textos do tipo expositivo-explicativo não se esgota nestes contextos de utilização. Com efeito, esta tipologia textual é adequada a diversas situações da vida diária, surgindo também em textos ensaísticos, em artigos científicos, conferências, verbetes de dicionários, entradas de enciclopédias, exposições, boletins meteorológicos, definições, instruções, receitas culinárias, etc.
Grise (1990) avançou três condições pragmáticas para a criação de um texto explicativo:
1. O fenómeno a explicar é inconstestável: é uma constatação ou um facto;
2. Os dados afetos à compreensão dos fenómenos estão incompletos;
3. Aquele que explica está em condições de o fazer.
A nivel da sua escrita, predominam os verbos no presente do indicativo, verbos dinâmicos e advérbios. Não raro, surgem também termos técnicos inerentes ao abjecto/fenómeno que está a explicar.
Exemplo de texto predominantemente expositivo-explicativo (entrada de enciclopédia)
Tucanos: família de aves da ordem dos Piciformes. Têm um bico enorme, tão comprido, por vezes, como o corpo. Alimentam-se de insectos, filhotes de outras aves e frutos, causando em certas alturas grandes danos nas plantações. Vivem nas florestas e bosques do continente americano. O tucano negro (Ramphastos toco), também chamado tucanuço, tem o dorso negro, a garganta e o peito brancos e o abdómen vermelho. O bico é amarelo, com uma ponta preta. O tucano-de-pico-preto, ou tucano-de-peito-amarelo (Ramphastos discoloris), tem o ventre vermelho e amarelho e o dorso negro. O bico é verde e amarelo.
In Moderna Enciclopédia Universal



Bibliografia
1- GRAMÁTICA MODERNA DA LÍNGUA PORTUGUESA – para o funcionamento e aperfeiçoamento dos aspectos fundamentais da estrutura e funcionamento da língua, ed. Escolar editora, Lisboa, 2010.
2- DICIONÁRIO DA LÍNGUA PORTUGUESA – 8ªedição revista e actualizada, ed. Porto editora, Porto,1998.
3- www.tipologiatextual.com.br

TEPOLOGIAS TEXTUAIS

A competência textual e comunicativa de um falante inclui a capacidade de agrupar e classificar os textos com que este se depara segundo critérios tipológicos. Tal como em qualquer outro tipo de classificação, a categorização de textos baseia-se numa aproximação de produtos linguísticos textuais a partir do apuramento de uma feixe das características formais comuns, umas mais fulcrais, outras mais periféricas. Este é o processo que faz parte do funcionamento cognitivo instintivo dos seres humanos e que resulta da convivência do sujeito falante com variados tipos de textos.
O estabelecimento de uma taxinomia textual é assunto relativamente recente na comunidade linguística, e nem sempre merecedor de consenso. Apesar de existirem consagrados autores, como Bakhtine e Jean-Michel Adam, a defender a absoluta necessidade de se instituir uma classificação de diversos tipos de texto, outros há que consideram esta tarefa impraticável, devido à extrema heterogeneidade que normalmente caracteriza as produções textuais. Também o próprio Adam diz que um texto é uma unidade demasiado complexa e diversa para se poder afirmar que pertence, na sua totalidade, a um único protótipo textual. Contudo, baseado na crença que a análise tipológica se devia processar a um nível menos elevado, ou seja, através da identificação, delimitação e caracterização das sequências textuais prototipicamente narrativas, argumentativas, descritivas, explicativas, etc., seria possível classificar um texto de acordo com o protótipo textual que estivesse em maioria.

TEXTO NARRATIVO
A narrativa é o tipo de texto que possibilita contar e relatar factos e acontecimentos, sejam eles verídicos ou fruto de imaginação. Os textos, ou as sequências textuais, que actualizam este protótipo caracterizam-se pela construção e comunicação de uma acção ou de uma sequência de eventos, pelo que se ligam, preferencialmente à ficção e mais imediatamente ao romance.
Muitos são os elementos que participam na construção de uma narrativa. Quando se conta uma história, existe sempre um narrador que discursa sobre personagens que se envolvem numa determinada acção, que, por sua vez, se encontra delimitada num demarcado espaço e ocorre num certo tempo. Todos estes componentes constituem as várias categorias da narrativa. Mas esta tipologia textual não se esgota na literatura ficcional. Se é verdade que, tradicionalmente, se associa mais esta tipologia aos subgéneros do conto, da novela e do romance, não é menos verdade que há outras formas, bastante diversificadas, de actualizar este modelo. Obedecendo criteriosamente à definição acima fornecida, é, pois, possível encontrar este propótipo textual em outros subgéneros como no diário, em memórias, na crónica, nos relatos biográficos e autobiografias, nas fábulas, nas parábolas, em reportagens, nas notícias, em relatos de experiências pessoais, anedotas, ou mesmo em conversas do quotidiano que envolvam um simples relato. Contudo, para além de se concretizar num suporte textual e verbal, este protótipo também surge nos registos icónicos, como em filme ou banda desenhada.
A nível gramatical, o texto narrativo pauta-se pelo uso predominante de verbos dinâmicos, isto é, que sugerem actividade e dinamismo por parte das personagens. Os tempos empregues, predominantemente, são todos os pretéritos, com particular relevo para o pretérito perfeito. O presente do indicativo é também frequentemente utilizado, embora com um valor de falso tempo, quando não marcado, ou como "presente histórico".
Globalmente, a escrita de um texto narrativo deve obedecer a uma sequência, recorrendo à variedade lexical, à sinonímia lexical ou associativa e à elipse . Tratando-se de uma obra literária, é muito frequente encontrar recursos expressivos, e mecanismos de embelezamento e/ou de obscurecimento textual.
Exemplo de um texto predominantemente narrativo.

Retrato de mulher

Era uma vez um homem chamado Gombei. Era pobre e um pouco fraco de cabeça. Vivia sozinha numa cabana. Ninguém queria casar-se com ele por causa de sua simplicidade do seu espírito.
Uma tarde apareceu-lhe à porta uma jovem, que lhe perguntou se podia passar a noite na sua cabana. Gombei nunca tinha visto uma mulher tão bonita, por isso ficou muito contente por albergá.la. nessa noite, depois do jantar, a rapariga disse:
- Vejo que vives aqui sozinho. Eu também sou só. Queres casar comigo?
Gombei não podia acreditar na sua sorte! E assim se casaram.
O casamento de Gombei tornou-o muito feliz, mas também lhe tornou muito difícil a execusão do seu trabalho. Estava tão apaixonado pela sua jovem esposa, que não podia apartar os olhos dela, nem por um momento. (...) Ia então para o campo trabalhar. Mas, poucos minutos, passados, voltava a correr para casa, gritando:
- Estás aí, minha mulher querida?
E por isso não fazia muito durante o dia.
- Isto não pode ser assim! – disse a mulher.
E, assim, ele foi à cidade e pediu a um artista que lhe pintasse o retrato. Levou-o para casa e disse a Gombei:
- Aqui está o meu retrato. Pendura-o na amoreira mais próxima. Se me puderes ver enquanto estás a trabalhar no campo, não sentirás tanto a minha falta. (...)
Contudo, um dia, um súbito golpe de vento arrasou o retrato e soprou-o para o céu (...) até que acabou por cair no jardim do um palácio. Quando o senhor do palácio o viu, apaixonou-se imediatamente pela mulher do retrato (...) e ordenou aos homens que encontrassem a mulher e a trouxessem à presença sem demora.
Os homens foram de aldeia em aldeia com o retrato, perguntando se alguém conhecia a mulher. Por fim chegaram á aldeia onde vivia Gombei.
- Conhecem esta mulher? – perguntaram aos aldeãos, mostrando-lhes o retrato.
- Sim é a mulher do Gombei – responderam os aldeãos logo que viram o retrato.
Já informados, quando os homens foram à cabana de Gombei encontraram uma linda mulher exactamente igual à do retrato.
- Vamos levá-la ao nosso senhor – disseram eles. (...)
- Por favor, não a leveis – pediu Gombei.
Mas todas as súplicas foram vãs. Chorou tanto que as suas lágrimas formaram um charco com um pé de profundidade.
- Não chores assim, Gombei – disse-lhe a mulher. – Agora não podemos fazer nada, mas escuta bem. Tens de ir ao palácio na véspera do Ano Novo. Quando fores, leva pinheiros para as decorações do portal do Ano Novo. Então poderemos ver-nos outra vez (...)
Todos os dias Gombei perguntava para si mesmo se já era tempo de partir. Por fim, alguém lhe disse que já era véspera do Ano Novo. Partiu para o palácio com um grande molho de pinheiros às costas. Não tardaria a tornar a ver a sua querida mulher!
Quando chegou diante dos portões do palácio, gritou:
- Pinheiros, pinheiros! Belos pinheiros para o Ano Novo!
Dentro do palácio, ouviu-o e sorriu. (...) O senhor ficou tão satisfeito por vê-la alegre, que ordenou aos seus servidores que chamassem o vendedor de pinheiros.
Quando Gombei apareceu, a mulher ficou ainda mais contente. Inclinou-se para ele com tal encanto que o senhor pensou de si para si:
- Se um vendedor de pinheiros lhe agrada tanto, vou eu fazer-me de vendedor de pinheiros.
Ordenou a Gombei que trocasse de roupas com ele. Vestido pobremente como um vendedor de pinheiros, pôs-se a andar de um lado para outro no jardim, gritando:
- Pinheiros, pinheiros! Lindos pinheiros para o Ano Novo!
Isto fez com que a mulher de Gombei ficasse ainda mais contente. Batia as palmas com as suas mãozinhas e ria-se com vontade. O senhor esta tão deliciado por vê-la rir, que dançou à volta do jardim com pinheiros às costas (...) até que saiu do portão do polácio sem dar por isso.
Logo que chegou lá fora, a mulher de Gombei deu ordens aos criados para que fechassem os portões do polácio. Passado um momento, o senhor deu-se conta de que já não estava dentro do jardim. Voltou aos portões do palácio e, com grande espanto seu, encontrou-os fechados.
- Deixem-me entrar! Deixem-me entrar! – gritava ele, sem reposta.
Dentro do palácio, Gombei e a sua inteligente mulher tinham agora tudo o que podiam desejar, e viveram felizes para sempre.

Conto popular do Japão (adapt.) trad. Pedro Tamen, versão de Keigo Seki in Contos Populares da Ásia.

A seguir, os vários elementos que constituem as categorias da narrativa:

1- ACÇÃO
É uma sucessão de acontecimentos ligados entre si e que conduzem a desenlace. Surge associado às personagens e acontece num determinado espaço e tempo. Uma acção pode ser classificada quanto ao relevo, à delimitação, à estrutura e à organização das sequências narrativas.

1.1- relevo
 acção principal ou central: é o conjunto das sequências narrativas que assumem, no texto, uma maior importância. Sumariamente, é a história principal. (a construção do convento da Mafra, em "O Memorial do Convento de Saramago".)
 acção secundária: a sua importância é definida em relação à acção principal da qual, na maior parte das vezes, depende. Consiste na narração de sequências de menor na diegene. Em narrativas curtas, como contos tradicionais ou fábulas, não chega a existir. (na mesma obra, a construção da passarola.)

1.2- delimitação
 fechada: diz-se da acção que é solucionada até ao pormenor. (Eurico, o presbítero, de Alexandre Herculano.)
 aberta: é a acção da qual se desconhece a resolução, devido a inexistência de desenlace . (a ilustre casa de Ramirez, de Eça de Queirós.)




1.3- estrutura
 situação inicial: conjuntura estável com o qual se inicia uma narrativa. (fazendo uso do conto tradicional. A Bela Adormecida, corresponderia ao momento em que a rainha e o rei conseguem, finalmente, alcançar o objectivo de serem pais.)
 peripécias e ponto culminante: é, fundamentalmente, o desenvolvimento. Trata-se das sequências narrativas que alteram a estabilidade inicial e conduzem a um ponto de tensão. (na mesma obra, o momento que inicia com uma bruxa a lançar um feitiço sobre a princesa, fazendo com que esta, ao completar dezasseis anos, se pique num fuso, condenando ao adormecimento todo o palácio; o clímax é atingido com a chegada de um príncipe que, desbravando os perigos em redor do castelo, entra no leito da princesa e a beija, acordando a jovem e todos os seus familiares e criados.)
 desenlace: também designado por conclusão, é o momento final em que a ordem é restabelecida. (tendo sido devolvido a estabilidade, o príncipe e a princesa casam e aguardam um futuro risonho.)
1.4- sequências narrativas
 encadeamento: as sequências umas às outras, obedecendo uma ordem cronológica.
 alternância: quando duas ou mais histórias são contadas de forma intercaladas. Uma é interrompida para dar lugar à outra. É o que acontece frequentemente nas novelas.
 encaixe: as sequências aparecem inscritas no interior de outra sequência que as abarca. Os narradores, geralmente, são diferentes. (Viagens na minha terra, de Almeida Garrett).
2- PERSONAGENS
As personagens são os actuantes. São estas que conduzem as acções narradas e é destas de quem o narrador fala. Numa diegese , de um modo geral, nem todas têm o mesmo relevo, nem todas são descritas da mesma forma, nem todas são alvo dos mesmos processos de caracterização e nem todas são construídas da mesma maneira. Assim, a definição de uma personagem também obedece a alguns parâmetros: relevo, caracterização, processos de caracterização e conceção.
2.1- relevo
 personagem principal: é a protagonista da história, desempenhando um papel central na mesma. (Carlos da Maia, em Os Maias, de Eça de Queirós.)
 personagem secundária: participa activamente na intriga e pode ter um papel de relevo na mesma, mas não a decide. Naturalmente, é menos importante que o protagonista. (João da Ega, na mesma obra.)
 personagem figurante: o seu papel é irrelevante na acção. O seu único propósito é caracterizar o espaça e o contexto social. (qualquer um dos trabalhadores em, Memorial do Convento, de José Saramago.)
2.2- caracterização
 física: são abordadas as características corporais da personagem. (A propósito da Dona Maria do Patrocínio: «o carão e o esverdinhado» in A Relíquia, Eça de Queirós.)
 psicológica: há uma referência às características de índole mais pessoal, como carácter, o comportamento e os valores morais. «Tinha o carácter louro como o cabelo – se é certo que o louro é uma cor fraca e desbotada: falava pouco, sorria sempre com os seus brancos dentinhos, dizia a tudo «pois sim»; era muito simples, quase indiferente, cheia de transigências». In Singularidades de Uma Rapariga Loura, Eça de Queirós.
 Social: quando se verifica a inserção de uma personagem no grupo social a que pertence, através da identificação da sua profissão ou da sua vida em sociedade. («o meu amigo Jacinto nasceu num palácio, com cento e nove contos de renda em terras de semeadura, de vinhedo, de cortiça e de olival. (...) A sua quinta e casa senhorial de Tormes, no Baixo Douro, cobriam uma serra. Entre o Tua e o Tinhela, por cinco faltas léguas, todo o torrão lhe pagava foro. E serrados pinheiras seus negrejavam desde Arga até ao mar de âncora. Mas o palácio onde Jacinto nascera, e onde sempre habitara, era em Paris, nos Campos Elíseos, nº202.» em A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós.)

2.3- processos de caracterização
 caracterização directa: quando a mesma é feita através de discursos da personagem a falar sobre si própria (auto-caracterização), de outras personagens ou de afirmações do narrador (hetero-caracterização). (José Fernandes sobre Jacinto, em A Cidade e as Serras, de Eça Queirós.)
 caracterização indecta: não havendo afirmações explícitas sobre o carácter das personagens, é o leitor que faz deduções sobre as mesmas, a partir das suas atitudes. (Steinbroken, em Os Maias, de Eça de Queirós.)

2.4- Concepção
 Personagem plana: aquela que, desprovida de grande vida interior e com um conjunto de traços bastante limitado, assume um comportamento estável durante toda a diegese e, por isso, previsível. (A personagem Luisa de O Primo Bcxasílio, de Eça de Queirós.)
 personagem modelada: a que é denotada uma grande desindade psicológica e cujo o comportamento se altera ao longo da narrativa. Por conseguinte, pode ter, por vezes, comportamentos inesperados. (O padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão, em Memorial do Convento, de José Saramago.)
 personagem-tipo: é a que representa uma classe social ou profissional, sendo-lhe atribuídas as características típicas que a definem. (As personagens do Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente.)
3- TEMPO
A categoria da narrativa «tempo» pode ser subdividida em tempo histórico, tempo diegético, tempo do discurso e tempo psicológico.
 Tempo histórico: constituído pelo conjunto de referências a acontecimentos e a personagens que conferem a cor epocal ao texto. «Saiu D. Afonso Henriques da tenda, trazendo de conselheiros D. Pedro Pitões e D. João Peculiar, e foi este, após consultar com o rei, quem tomou a palavra para dar boas-vindas aos emissários (...)» em História do Cerco de Lisboa, de Saramago.
 Tempo diegético: é o tempo da acção propriamente dito; é a organização das sequências por ordem cronológica, cuja datação pode ser revestida de maior ou menor rigor. («São 17 deste mês de Julho, ano de graça de 1843, uma segunda –feira, dia sem nota e de boa estreia. Seis horas de manhã a dar em S. Bento, e eu a caminhar para o Terreiro do Paço», Viagens da minha terra, de Almeida Garrett.)
 Tempo do discurso: tem a ver com a forma como o narrador relata os acontecimentos. Estes podem ser apresentados de uma forma linear, mas também com retrocessos (contar episódios anteriores ao momento da narrativa – analepses). Ou com avanços (antecipar eventos que se vão passar futuramente - prolepses) («De bacharel passava outra vez à escola, pequenino, lousa e livros debaixo do braço, ou então caía no berço para tornar a erguer-se homem. Em vão buscar fixar no espírito uma idade, uma atitude: esse embrião tinha a meus olhos todos os tamanhos e gestos: ele mamava, ele escrevia, ele valsava, ele era interminável nos limites de um quarto de hora, - baby e deputado, colegial e pintalegrete.» Memórias Póstumas da Brás Cubas, Machado de Assis.)
 Tempo psicológico: é o tempo subjectivamente sentido pelas personagens; a forma como estas o vivem, o sentem e o experimentam na sua individualidade. («É curioso! Só vivi dois anos nesta casa, e é nela que me parece estar metida a minha vida inteira.», Os Maias, de Eça de Queirós.)

4- ESPAÇO
A categoria narrativa do espaço é mais do que o cenário onde a diegene toma lugar. A sua definição é mais ampla, na medida em que se podem identificar três tipos de espaços: o espaço físico, o espaço psicológico e o espaço social.
 Espaço físico: é o espaço geograficamente localizado onde se movimentam e actuam as personagens. Pode ser interior ou exterior. (S. Sebastião da Pedreira em Memorial do Convento, de Saramago.)
 Espaço psicológico: é o conjunto de elementos que traduz a interioridade das personagens e, por conseguinte, um pouco mais difícil de delimitar. É o espaço no íntimo dos actuantes onde vivem as reflexões, os sonhos, as memórias, as emoções. (As transgressões oníricas da rainha, mesma frase.)
 Espaço social: é a recreação das ambiências nas quais as personagens que se inserem, sejam eles de ordem cultural, social ou económica. Normalmente, reproduz valores, hábitos, e comportamento, recorrendo a personagens-tipo e/ou a figurantes representativos desses espaços. (As touradas, os auto-de-fé ou as procissões, também no mesmo romance.)
5- NARRADOR
O narrador é uma entidade fictícia que, numa narrativa, tem a função de contar a história. Há, pois, uma distinção inequívoca entre este conceito e o de autor . Assim sendo, se autor se pode demarcar no tempo e é capaz de se afastar ideologicamente e esteticamente do texto, já o narrador faz parte dele: é-lhe indissociável.
5.1- PRESENÇA OU PARTICIPAÇÃO
 Narrador heterodiegético (ou não participante): é aquele que narra uma história à qual não pertence. Tem conhecimento da mesma, mas não participa dela; não é uma das personagens intervenientes. Apenas narra de uma forma a que a sua existência não seja perceptível. (O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queirós.)
 Narrador homodiegético ( ou participante): é o narrador que faz parte da diegese como personagem secundária ou apenas como mero figurante. O conhecimento que possui da sua experiência diegética e que transmite ao leitor deriva dessa posição. (José Fernandes, em A Cidade e Serras, de Eça de Queirós.)
 Narrador autodiegético: mais do que ser uma personagem da narrativa que narra, constitui-se como protagonista da mesma. O seu papel é activo e a narração é executada em primeira pessoa, condicionando a sua focalização e a sua posição. (Lúcio em A Confissão de Lúcio, de Mário de Sá-Carneiro.)

5.2- FOCALIZAÇÃO OU CIÊNCIA
 Focalização externa: o narrador confina a narrativa a uma representação das características concretamente observáveis de uma acção, de uma personagem ou de espaço. Não detendo um ponto de vista privilegiado, a narrador apenas vê o que qualquer poderia ver. Desta forma, é mais objectivo e desapaixonado. («um homem vagueva ali, contudo, que não parecia dar-se grande pressa em entrar. Ia e vinha, parava, esquadrinhava a multidão (...)», em O Barão de Lavos, de A. Botelho.)
 Focalização interna: o narrador observa e relata através do olhar de uma personagem inserida na diegese. Desta forma, a quantidade de informações que pode veicular é significativamente reduzida, uma vez que há que obedecer a uma questão de coerência: o conhecimento transmitido não pode ser superior ao que a personagem cujo o ponto de vista é dotado possa ter. («O meu amigo emagrecera: é que o nariz se lhe afilara mais entre as rugas muito fundas, como as de um comediante cansado. Os anéis do seu cabelo lanígero rareavam sobre a testa, que perdera a antiga serenidade de mármore bem polido. Não friasava agora o bigode, murcho, caído em fios pensativos. (...) corcovava», em A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós.)
 Focalização omnisciente: o narrador demonstra possuir um conhecimento integral de todo universo envolvente à narrativa, incluindo o infinitivo das personagens. Desta forma, está em posição de explicar o que as impulsiona para determinadas acções, revelar o seu pensamento, descrever espaços psicológicos, exteriores e interiores e recorrer a prolepses. («São meandros do inconsciente real, como aqueles outros sonhos que sempre D. Maria Ana tem, vá lá explicá-los, quando el-rei vem ao seu quarto, que é ver-se atravessando o Terreiro do Paço para o lado dos açougues, levantando a saia à frente do patinhando numa lama aguada e pegajosa que cheira ao que cheiram os homens quando descarregam, enquanto o infante D. Francisco, seu cunhado, cujo antigo quarto agora ocupa, alguma assombração lhe ficando, dança em redor dela, empoleirado em andas, como uma cegonha negra.» em Memorial do Convento, de Saramago.)

5.3- POSIÇÃO
A posição do narrador tem a ver com a atitude do mesmo perante as sequências que vai narrando. Neste âmbito, a sua postura pode ser objectiva ou subjectiva.
 posição objectiva: nesta posição, o narrador limita-se a narrar friamente os acontecimentos, colocando-se numa posição completa isenção e neutralidade. Não toma partidos, não exprime juízos de valor, não revela simpatias ou antipatias. (os contos tradicionais, as lendas)
 posição subjectiva: com esta atitude, o narrador relata os acontecimentos de forma em que é possível antecipar a sua posição perante os mesmos, seja de adesão ou recusa, visto que faz comentários, revela posições ideológicas, etc. É muito frequente o apelo a adjectivos e expressões valorativas. (todos os romances de José Saramago)













Esquematicamente:
a) ACÇÃO
Relevo – principal (central)
– secundárias (subsidiárias)
Delimitação – fechada (a acção é solucionada ao pormenor)
– aberta (a acção não se resolve)
Estrutura – situação inicial (momento de estabilidade)
– peripécias e clímax (alteração da ordem vigente)
Sequências narrativas – encadeamento (ordenação cronológica)
– alternância (mistura de sequências)
– encaixe (inserção de uma sequência noutra)
b) PERSONAGENS
Relevo – principal (protagonista)
– secundária (com algum relevo, embora não decisivo)
– figurante (irrelevante; serve para adereçar)
Caracterização – física (traços fisionómicos)
– psicológica (traços comportamentais)
– social (inserção num grupo social)
Processos de caracterização – directa (quando objectiva)
– indirecta (há que deduzir a partir das suas atitudes)
Concepção – plana (comportamento não muda)
– modelada (comportamento varia, fruto de maior densidade psicológica)
– tipo (representa uma classe profissional ou social)
c) TEMPO
– Histórico (enquadramento epocal)
– Diegético (organização cronológica)
– Do discurso (disposição das acções na narrativa)
– Psicológico (vivido por cada personagem)
d) ESPAÇO
– físico (local onde a acção se realiza)
– psicológico (vivenciado internamente pelas personagens)
– social (retrato do modus vivendi de determinadas classes)
e) NARRADOR
Presença – Heterodiegético (não participa na narrativa)
– Homodiegético (participa na narrativa)
– Autodiegético (mais do que participante, é o protagonista)
Focalização – externa (o narrador conta apenas o observável)
– interna (o narrador a partir do ponto de vista de uma personagem)
– omnisciente (o narrador conhece tudo, mesmo o que vai no íntimo das personagens)
Posição – objectiva (mantém-se imparcial faca às acções)
– subjectiva (o narrador intervém, dá a sua opinião, revela as suas posições)






TEXTO DESCRITIVO
É um texto em que se faz um retrato por escrito de um lugar, uma pessoa, um animal ou um objecto. A classe de palavras mais utilizada nessa produção é o adjectivo, pela sua função caracterizadora. Numa abordagem mais abstracta, pode-se até descrever sensações ou sentimentos. Não há relação de anterioridade e posterioridade! Significa"criar" com palavras a imagem do objecto descrito. É fazer uma descrição minuciosa do objecto ou da personagem o que o texto se refere.
Quanto à sua estrutura tradicional, esta consiste numa relação de equivalência entre uma denominação, o que se escreve "x", e uma expansão, as suas características "y", pelo que "x=y". O esquema de uma escrição é regido por um tema-título, ou seja. A denominação daquilo que é descrito.
A nível gramatical, a descrição possui também algumas características importantes para levar em conta aquando da sua produção: o uso preferencial de verbos estativos, veiculadores da ideia de permanência, como o presente e o pretérito imperfeito do indicativo e o emprego bastante frequente de adjectivos. Podem surgir também alguns advérbios, embora em número não tão frequente.
A nível global, a escrita de um texto descritivo deve seguir uma estrutura lógica, sendo que o mais comum é partir de uma impressão global para os detalhes ou do plano mais próximo para o plano de fundo. Idealmente, para uma caracterização mais completa de uma determinada realidade, a descrição deve transmitir sensações captadas pelos cinco sentidos. Quanto ao vocabulário a ser empregue, este deve ser naturalmente diversificado (evitando repetições de vrbos e de adjectivos), sempre que possível, exacto (de forma atornar praticamente visível o que se escreve) e expressivo (para que posso estimular e/ou transmitir sentimentos, sejam eles de agrado ou desgrado, de atração ou repulsa).
Uso de recursos expressivos também é necessário. Efectivamente, alguns destes, tais como a comparação, a metáfora, a enumeração e a adjectivação, constituem características muito relevantes desta tipologia textual.
Ex.:
Era alto, magro, vestido de preto, com o pescoço entalado num colarinho direito. O rosto aguçado no queixo ia-se alargando até à calva, vasta e polida, im pouco amolgado no alto; tongia os cabelos que de uma orelha à outra lhe faziam colar por trás da nuca – e aquele preto lustroso dava, pelo contraste à calva, mas não tingia o bigode ; tinha-o grisalho, farto, caido aos cantos da boca. Era muito pálido; nunca tirava as lunetas escuras. Tinha uma covinha no queixo, e as orelhas grandes muito despegadas do crânio.
In Eça de Queirós, O Primo Basílio

TEXTO ARGUMENTATIVO
Desde os remotos tempos em que o homem começou a conviver em comunidade, a palavra sempre foi usado como objectivo de persuadir e de dar a conhecer aos outros as convicções de cada indivíduo. São sobejamente conhecidos autores antigos que fundaram escolas de argumentação, capacidade entendida como sendo essencial à prática da vida democrática.
Falamos dos filósofos gregos Sócrates (469-399 a.C.) e de Aristóteles (384-322 a.C.) ou Cícero (106-43 a.C.), tido como o mais eloquente entre os oradores romanos, entre outros. Muito sumariamente, Aristóteles definiu a argumentação como sendo «arte de falar de modo a convencer».
Tendo por base este enquadramento, pode-se definir o texto argumentativo como aquele tipo de texto que visa convencer, persuadir ou influenciar o destinatório ao qual se apresenta um ponto de vista, cujo autenticadamente ou validade se deve provar. Para a consecução desse objectivo, a pós apresentação da tese (a tomada de posição do autor face à matéria em discussão), deve-se desenvolver o raciocínio, a argumentação propriamente dita. Esta fase exige argumentos (justificações, motivos, razões...) devidamente encandeados e suportados, se possível, por provas, e credibilizados por exemplos. A construção de um texto argumentativo pressupõe as seguintes partes:
 Introdução: no parágrafo inicial, o autor do texto apresenta a tese. Esta deve ser apresentada num estilo acertivo, claro e preciso, sem, no entanto, mencionar quaisquer razões ou provas.
 Desenvolvimento: nos parágrafos seguintes (em número variável, em função da natureza e âmbito do assunto), o autor explica a sua proposição e apresenta os argumentos que atestam a veracidade da enunciação do parágrafo introdutor, apoiado em provas que podem ser de diversa índole como factos, exemplos, citações, testemunhos ou meso dados estatísticos.
 Conclusão: no parágrafo final, o autor estabelece uma síntese da demonstração feita no seguimento do desenvolvimento.

Apresenta-se, a seguir, uma lista de expressões que são reiteradamente utilizadas na ligação de diferentes argumentos:
Em primeiro lugar
Além disso
Por um lado...por outro lado
Por consequências
É por isso que
Por conseguinte
Em minha opinhão
Na minha óptica
Tendo em conta
De acordo com
Como é demonstrado por
Defende-se por vezes que vale a pena estudar filosofia uma vez que tudo o que os filósofos fazem é discutir sofisticamente o significado das palavras; nunca aparecem antigir quaisquer conclusões de qualquer importância e a sua contribuição para a sociedade é virtualmente nula. Continuam a discutir acerca dos mesmos problemas que cativaram a atenção dos gregos. Parece que a filosofia não muda nada; a filosofia deixa tudo tal é qual.
Qual é afinal a importância de estudar filosofia? Começar a questionar as bases fundamentais da nossa vida pode até ser perigoso: podemos acabar por nos sentir incapazes da fazer o que quer que seja, paralisados por fazer demasiadas perguntas. Na verdade, a caricatura do filósofo é geralmente a de alguém que é brilhante a lidar com pensamentos altamente abstractos no contexto de um sofá, numa sala de Oxford ou Cambrige, mas incapazes de ligar com as coisas práticas da vida: alguém que consegue explicar as mais complicadas passagens da filosofia de Hegel, mas que não consegue cozer um ovo...

TEXTO EXPOSITIVO-EXPLICATIVO
O texto expositivo-explicativo é um protótipo textual que apresenta um conjunto de produções escritas nas quais se destacam análises e sínteses de representações conceptuais, com objectivo de expor e explicar algum conceito, processo ou fenómeno.
Textos deste tipo são especialmente usados em contextos pedagógicos, visto que se tratam de situações comunicativas nas quais se pretende explicar conhecimentos previamente construídos. Os manuais escolares ou os livros auxiliares ao estudo configuram textos de carácter explicativo. «explicar» deriva de «explicare» (lat.) que significa dobrar «plicare» para fora («ex-»); portanto, tornar algo mais visível e mais facilmente acessível, sobre o ponto de vista cognitivo. É o que texto explicativo pretende fazer.
Porém, a ocorrência do textos do tipo expositivo-explicativo não se esgota nestes contextos de utilização. Com efeito, esta tipologia textual é adequada a diversas situações da vida diária, surgindo também em textos ensaísticos, em artigos científicos, conferências, verbetes de dicionários, entradas de enciclopédias, exposições, boletins meteorológicos, definições, instruções, receitas culinárias, etc.
Grise (1990) avançou três condições pragmáticas para a criação de um texto explicativo:
1. O fenómeno a explicar é inconstestável: é uma constatação ou um facto;
2. Os dados afetos à compreensão dos fenómenos estão incompletos;
3. Aquele que explica está em condições de o fazer.
A nivel da sua escrita, predominam os verbos no presente do indicativo, verbos dinâmicos e advérbios. Não raro, surgem também termos técnicos inerentes ao abjecto/fenómeno que está a explicar.
Exemplo de texto predominantemente expositivo-explicativo (entrada de enciclopédia)
Tucanos: família de aves da ordem dos Piciformes. Têm um bico enorme, tão comprido, por vezes, como o corpo. Alimentam-se de insectos, filhotes de outras aves e frutos, causando em certas alturas grandes danos nas plantações. Vivem nas florestas e bosques do continente americano. O tucano negro (Ramphastos toco), também chamado tucanuço, tem o dorso negro, a garganta e o peito brancos e o abdómen vermelho. O bico é amarelo, com uma ponta preta. O tucano-de-pico-preto, ou tucano-de-peito-amarelo (Ramphastos discoloris), tem o ventre vermelho e amarelho e o dorso negro. O bico é verde e amarelo.
In Moderna Enciclopédia Universal



Bibliografia
1- GRAMÁTICA MODERNA DA LÍNGUA PORTUGUESA – para o funcionamento e aperfeiçoamento dos aspectos fundamentais da estrutura e funcionamento da língua, ed. Escolar editora, Lisboa, 2010.
2- DICIONÁRIO DA LÍNGUA PORTUGUESA – 8ªedição revista e actualizada, ed. Porto editora, Porto,1998.
3- www.tipologiatextual.com.br

TEPOLOGIAS TEXTUAIS

A competência textual e comunicativa de um falante inclui a capacidade de agrupar e classificar os textos com que este se depara segundo critérios tipológicos. Tal como em qualquer outro tipo de classificação, a categorização de textos baseia-se numa aproximação de produtos linguísticos textuais a partir do apuramento de uma feixe das características formais comuns, umas mais fulcrais, outras mais periféricas. Este é o processo que faz parte do funcionamento cognitivo instintivo dos seres humanos e que resulta da convivência do sujeito falante com variados tipos de textos.
O estabelecimento de uma taxinomia textual é assunto relativamente recente na comunidade linguística, e nem sempre merecedor de consenso. Apesar de existirem consagrados autores, como Bakhtine e Jean-Michel Adam, a defender a absoluta necessidade de se instituir uma classificação de diversos tipos de texto, outros há que consideram esta tarefa impraticável, devido à extrema heterogeneidade que normalmente caracteriza as produções textuais. Também o próprio Adam diz que um texto é uma unidade demasiado complexa e diversa para se poder afirmar que pertence, na sua totalidade, a um único protótipo textual. Contudo, baseado na crença que a análise tipológica se devia processar a um nível menos elevado, ou seja, através da identificação, delimitação e caracterização das sequências textuais prototipicamente narrativas, argumentativas, descritivas, explicativas, etc., seria possível classificar um texto de acordo com o protótipo textual que estivesse em maioria.

TEXTO NARRATIVO
A narrativa é o tipo de texto que possibilita contar e relatar factos e acontecimentos, sejam eles verídicos ou fruto de imaginação. Os textos, ou as sequências textuais, que actualizam este protótipo caracterizam-se pela construção e comunicação de uma acção ou de uma sequência de eventos, pelo que se ligam, preferencialmente à ficção e mais imediatamente ao romance.
Muitos são os elementos que participam na construção de uma narrativa. Quando se conta uma história, existe sempre um narrador que discursa sobre personagens que se envolvem numa determinada acção, que, por sua vez, se encontra delimitada num demarcado espaço e ocorre num certo tempo. Todos estes componentes constituem as várias categorias da narrativa. Mas esta tipologia textual não se esgota na literatura ficcional. Se é verdade que, tradicionalmente, se associa mais esta tipologia aos subgéneros do conto, da novela e do romance, não é menos verdade que há outras formas, bastante diversificadas, de actualizar este modelo. Obedecendo criteriosamente à definição acima fornecida, é, pois, possível encontrar este propótipo textual em outros subgéneros como no diário, em memórias, na crónica, nos relatos biográficos e autobiografias, nas fábulas, nas parábolas, em reportagens, nas notícias, em relatos de experiências pessoais, anedotas, ou mesmo em conversas do quotidiano que envolvam um simples relato. Contudo, para além de se concretizar num suporte textual e verbal, este protótipo também surge nos registos icónicos, como em filme ou banda desenhada.
A nível gramatical, o texto narrativo pauta-se pelo uso predominante de verbos dinâmicos, isto é, que sugerem actividade e dinamismo por parte das personagens. Os tempos empregues, predominantemente, são todos os pretéritos, com particular relevo para o pretérito perfeito. O presente do indicativo é também frequentemente utilizado, embora com um valor de falso tempo, quando não marcado, ou como "presente histórico".
Globalmente, a escrita de um texto narrativo deve obedecer a uma sequência, recorrendo à variedade lexical, à sinonímia lexical ou associativa e à elipse . Tratando-se de uma obra literária, é muito frequente encontrar recursos expressivos, e mecanismos de embelezamento e/ou de obscurecimento textual.
Exemplo de um texto predominantemente narrativo.

Retrato de mulher

Era uma vez um homem chamado Gombei. Era pobre e um pouco fraco de cabeça. Vivia sozinha numa cabana. Ninguém queria casar-se com ele por causa de sua simplicidade do seu espírito.
Uma tarde apareceu-lhe à porta uma jovem, que lhe perguntou se podia passar a noite na sua cabana. Gombei nunca tinha visto uma mulher tão bonita, por isso ficou muito contente por albergá.la. nessa noite, depois do jantar, a rapariga disse:
- Vejo que vives aqui sozinho. Eu também sou só. Queres casar comigo?
Gombei não podia acreditar na sua sorte! E assim se casaram.
O casamento de Gombei tornou-o muito feliz, mas também lhe tornou muito difícil a execusão do seu trabalho. Estava tão apaixonado pela sua jovem esposa, que não podia apartar os olhos dela, nem por um momento. (...) Ia então para o campo trabalhar. Mas, poucos minutos, passados, voltava a correr para casa, gritando:
- Estás aí, minha mulher querida?
E por isso não fazia muito durante o dia.
- Isto não pode ser assim! – disse a mulher.
E, assim, ele foi à cidade e pediu a um artista que lhe pintasse o retrato. Levou-o para casa e disse a Gombei:
- Aqui está o meu retrato. Pendura-o na amoreira mais próxima. Se me puderes ver enquanto estás a trabalhar no campo, não sentirás tanto a minha falta. (...)
Contudo, um dia, um súbito golpe de vento arrasou o retrato e soprou-o para o céu (...) até que acabou por cair no jardim do um palácio. Quando o senhor do palácio o viu, apaixonou-se imediatamente pela mulher do retrato (...) e ordenou aos homens que encontrassem a mulher e a trouxessem à presença sem demora.
Os homens foram de aldeia em aldeia com o retrato, perguntando se alguém conhecia a mulher. Por fim chegaram á aldeia onde vivia Gombei.
- Conhecem esta mulher? – perguntaram aos aldeãos, mostrando-lhes o retrato.
- Sim é a mulher do Gombei – responderam os aldeãos logo que viram o retrato.
Já informados, quando os homens foram à cabana de Gombei encontraram uma linda mulher exactamente igual à do retrato.
- Vamos levá-la ao nosso senhor – disseram eles. (...)
- Por favor, não a leveis – pediu Gombei.
Mas todas as súplicas foram vãs. Chorou tanto que as suas lágrimas formaram um charco com um pé de profundidade.
- Não chores assim, Gombei – disse-lhe a mulher. – Agora não podemos fazer nada, mas escuta bem. Tens de ir ao palácio na véspera do Ano Novo. Quando fores, leva pinheiros para as decorações do portal do Ano Novo. Então poderemos ver-nos outra vez (...)
Todos os dias Gombei perguntava para si mesmo se já era tempo de partir. Por fim, alguém lhe disse que já era véspera do Ano Novo. Partiu para o palácio com um grande molho de pinheiros às costas. Não tardaria a tornar a ver a sua querida mulher!
Quando chegou diante dos portões do palácio, gritou:
- Pinheiros, pinheiros! Belos pinheiros para o Ano Novo!
Dentro do palácio, ouviu-o e sorriu. (...) O senhor ficou tão satisfeito por vê-la alegre, que ordenou aos seus servidores que chamassem o vendedor de pinheiros.
Quando Gombei apareceu, a mulher ficou ainda mais contente. Inclinou-se para ele com tal encanto que o senhor pensou de si para si:
- Se um vendedor de pinheiros lhe agrada tanto, vou eu fazer-me de vendedor de pinheiros.
Ordenou a Gombei que trocasse de roupas com ele. Vestido pobremente como um vendedor de pinheiros, pôs-se a andar de um lado para outro no jardim, gritando:
- Pinheiros, pinheiros! Lindos pinheiros para o Ano Novo!
Isto fez com que a mulher de Gombei ficasse ainda mais contente. Batia as palmas com as suas mãozinhas e ria-se com vontade. O senhor esta tão deliciado por vê-la rir, que dançou à volta do jardim com pinheiros às costas (...) até que saiu do portão do polácio sem dar por isso.
Logo que chegou lá fora, a mulher de Gombei deu ordens aos criados para que fechassem os portões do polácio. Passado um momento, o senhor deu-se conta de que já não estava dentro do jardim. Voltou aos portões do palácio e, com grande espanto seu, encontrou-os fechados.
- Deixem-me entrar! Deixem-me entrar! – gritava ele, sem reposta.
Dentro do palácio, Gombei e a sua inteligente mulher tinham agora tudo o que podiam desejar, e viveram felizes para sempre.

Conto popular do Japão (adapt.) trad. Pedro Tamen, versão de Keigo Seki in Contos Populares da Ásia.

A seguir, os vários elementos que constituem as categorias da narrativa:

1- ACÇÃO
É uma sucessão de acontecimentos ligados entre si e que conduzem a desenlace. Surge associado às personagens e acontece num determinado espaço e tempo. Uma acção pode ser classificada quanto ao relevo, à delimitação, à estrutura e à organização das sequências narrativas.

1.1- relevo
 acção principal ou central: é o conjunto das sequências narrativas que assumem, no texto, uma maior importância. Sumariamente, é a história principal. (a construção do convento da Mafra, em "O Memorial do Convento de Saramago".)
 acção secundária: a sua importância é definida em relação à acção principal da qual, na maior parte das vezes, depende. Consiste na narração de sequências de menor na diegene. Em narrativas curtas, como contos tradicionais ou fábulas, não chega a existir. (na mesma obra, a construção da passarola.)

1.2- delimitação
 fechada: diz-se da acção que é solucionada até ao pormenor. (Eurico, o presbítero, de Alexandre Herculano.)
 aberta: é a acção da qual se desconhece a resolução, devido a inexistência de desenlace . (a ilustre casa de Ramirez, de Eça de Queirós.)




1.3- estrutura
 situação inicial: conjuntura estável com o qual se inicia uma narrativa. (fazendo uso do conto tradicional. A Bela Adormecida, corresponderia ao momento em que a rainha e o rei conseguem, finalmente, alcançar o objectivo de serem pais.)
 peripécias e ponto culminante: é, fundamentalmente, o desenvolvimento. Trata-se das sequências narrativas que alteram a estabilidade inicial e conduzem a um ponto de tensão. (na mesma obra, o momento que inicia com uma bruxa a lançar um feitiço sobre a princesa, fazendo com que esta, ao completar dezasseis anos, se pique num fuso, condenando ao adormecimento todo o palácio; o clímax é atingido com a chegada de um príncipe que, desbravando os perigos em redor do castelo, entra no leito da princesa e a beija, acordando a jovem e todos os seus familiares e criados.)
 desenlace: também designado por conclusão, é o momento final em que a ordem é restabelecida. (tendo sido devolvido a estabilidade, o príncipe e a princesa casam e aguardam um futuro risonho.)
1.4- sequências narrativas
 encadeamento: as sequências umas às outras, obedecendo uma ordem cronológica.
 alternância: quando duas ou mais histórias são contadas de forma intercaladas. Uma é interrompida para dar lugar à outra. É o que acontece frequentemente nas novelas.
 encaixe: as sequências aparecem inscritas no interior de outra sequência que as abarca. Os narradores, geralmente, são diferentes. (Viagens na minha terra, de Almeida Garrett).
2- PERSONAGENS
As personagens são os actuantes. São estas que conduzem as acções narradas e é destas de quem o narrador fala. Numa diegese , de um modo geral, nem todas têm o mesmo relevo, nem todas são descritas da mesma forma, nem todas são alvo dos mesmos processos de caracterização e nem todas são construídas da mesma maneira. Assim, a definição de uma personagem também obedece a alguns parâmetros: relevo, caracterização, processos de caracterização e conceção.
2.1- relevo
 personagem principal: é a protagonista da história, desempenhando um papel central na mesma. (Carlos da Maia, em Os Maias, de Eça de Queirós.)
 personagem secundária: participa activamente na intriga e pode ter um papel de relevo na mesma, mas não a decide. Naturalmente, é menos importante que o protagonista. (João da Ega, na mesma obra.)
 personagem figurante: o seu papel é irrelevante na acção. O seu único propósito é caracterizar o espaça e o contexto social. (qualquer um dos trabalhadores em, Memorial do Convento, de José Saramago.)
2.2- caracterização
 física: são abordadas as características corporais da personagem. (A propósito da Dona Maria do Patrocínio: «o carão e o esverdinhado» in A Relíquia, Eça de Queirós.)
 psicológica: há uma referência às características de índole mais pessoal, como carácter, o comportamento e os valores morais. «Tinha o carácter louro como o cabelo – se é certo que o louro é uma cor fraca e desbotada: falava pouco, sorria sempre com os seus brancos dentinhos, dizia a tudo «pois sim»; era muito simples, quase indiferente, cheia de transigências». In Singularidades de Uma Rapariga Loura, Eça de Queirós.
 Social: quando se verifica a inserção de uma personagem no grupo social a que pertence, através da identificação da sua profissão ou da sua vida em sociedade. («o meu amigo Jacinto nasceu num palácio, com cento e nove contos de renda em terras de semeadura, de vinhedo, de cortiça e de olival. (...) A sua quinta e casa senhorial de Tormes, no Baixo Douro, cobriam uma serra. Entre o Tua e o Tinhela, por cinco faltas léguas, todo o torrão lhe pagava foro. E serrados pinheiras seus negrejavam desde Arga até ao mar de âncora. Mas o palácio onde Jacinto nascera, e onde sempre habitara, era em Paris, nos Campos Elíseos, nº202.» em A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós.)

2.3- processos de caracterização
 caracterização directa: quando a mesma é feita através de discursos da personagem a falar sobre si própria (auto-caracterização), de outras personagens ou de afirmações do narrador (hetero-caracterização). (José Fernandes sobre Jacinto, em A Cidade e as Serras, de Eça Queirós.)
 caracterização indecta: não havendo afirmações explícitas sobre o carácter das personagens, é o leitor que faz deduções sobre as mesmas, a partir das suas atitudes. (Steinbroken, em Os Maias, de Eça de Queirós.)

2.4- Concepção
 Personagem plana: aquela que, desprovida de grande vida interior e com um conjunto de traços bastante limitado, assume um comportamento estável durante toda a diegese e, por isso, previsível. (A personagem Luisa de O Primo Bcxasílio, de Eça de Queirós.)
 personagem modelada: a que é denotada uma grande desindade psicológica e cujo o comportamento se altera ao longo da narrativa. Por conseguinte, pode ter, por vezes, comportamentos inesperados. (O padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão, em Memorial do Convento, de José Saramago.)
 personagem-tipo: é a que representa uma classe social ou profissional, sendo-lhe atribuídas as características típicas que a definem. (As personagens do Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente.)
3- TEMPO
A categoria da narrativa «tempo» pode ser subdividida em tempo histórico, tempo diegético, tempo do discurso e tempo psicológico.
 Tempo histórico: constituído pelo conjunto de referências a acontecimentos e a personagens que conferem a cor epocal ao texto. «Saiu D. Afonso Henriques da tenda, trazendo de conselheiros D. Pedro Pitões e D. João Peculiar, e foi este, após consultar com o rei, quem tomou a palavra para dar boas-vindas aos emissários (...)» em História do Cerco de Lisboa, de Saramago.
 Tempo diegético: é o tempo da acção propriamente dito; é a organização das sequências por ordem cronológica, cuja datação pode ser revestida de maior ou menor rigor. («São 17 deste mês de Julho, ano de graça de 1843, uma segunda –feira, dia sem nota e de boa estreia. Seis horas de manhã a dar em S. Bento, e eu a caminhar para o Terreiro do Paço», Viagens da minha terra, de Almeida Garrett.)
 Tempo do discurso: tem a ver com a forma como o narrador relata os acontecimentos. Estes podem ser apresentados de uma forma linear, mas também com retrocessos (contar episódios anteriores ao momento da narrativa – analepses). Ou com avanços (antecipar eventos que se vão passar futuramente - prolepses) («De bacharel passava outra vez à escola, pequenino, lousa e livros debaixo do braço, ou então caía no berço para tornar a erguer-se homem. Em vão buscar fixar no espírito uma idade, uma atitude: esse embrião tinha a meus olhos todos os tamanhos e gestos: ele mamava, ele escrevia, ele valsava, ele era interminável nos limites de um quarto de hora, - baby e deputado, colegial e pintalegrete.» Memórias Póstumas da Brás Cubas, Machado de Assis.)
 Tempo psicológico: é o tempo subjectivamente sentido pelas personagens; a forma como estas o vivem, o sentem e o experimentam na sua individualidade. («É curioso! Só vivi dois anos nesta casa, e é nela que me parece estar metida a minha vida inteira.», Os Maias, de Eça de Queirós.)

4- ESPAÇO
A categoria narrativa do espaço é mais do que o cenário onde a diegene toma lugar. A sua definição é mais ampla, na medida em que se podem identificar três tipos de espaços: o espaço físico, o espaço psicológico e o espaço social.
 Espaço físico: é o espaço geograficamente localizado onde se movimentam e actuam as personagens. Pode ser interior ou exterior. (S. Sebastião da Pedreira em Memorial do Convento, de Saramago.)
 Espaço psicológico: é o conjunto de elementos que traduz a interioridade das personagens e, por conseguinte, um pouco mais difícil de delimitar. É o espaço no íntimo dos actuantes onde vivem as reflexões, os sonhos, as memórias, as emoções. (As transgressões oníricas da rainha, mesma frase.)
 Espaço social: é a recreação das ambiências nas quais as personagens que se inserem, sejam eles de ordem cultural, social ou económica. Normalmente, reproduz valores, hábitos, e comportamento, recorrendo a personagens-tipo e/ou a figurantes representativos desses espaços. (As touradas, os auto-de-fé ou as procissões, também no mesmo romance.)
5- NARRADOR
O narrador é uma entidade fictícia que, numa narrativa, tem a função de contar a história. Há, pois, uma distinção inequívoca entre este conceito e o de autor . Assim sendo, se autor se pode demarcar no tempo e é capaz de se afastar ideologicamente e esteticamente do texto, já o narrador faz parte dele: é-lhe indissociável.
5.1- PRESENÇA OU PARTICIPAÇÃO
 Narrador heterodiegético (ou não participante): é aquele que narra uma história à qual não pertence. Tem conhecimento da mesma, mas não participa dela; não é uma das personagens intervenientes. Apenas narra de uma forma a que a sua existência não seja perceptível. (O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queirós.)
 Narrador homodiegético ( ou participante): é o narrador que faz parte da diegese como personagem secundária ou apenas como mero figurante. O conhecimento que possui da sua experiência diegética e que transmite ao leitor deriva dessa posição. (José Fernandes, em A Cidade e Serras, de Eça de Queirós.)
 Narrador autodiegético: mais do que ser uma personagem da narrativa que narra, constitui-se como protagonista da mesma. O seu papel é activo e a narração é executada em primeira pessoa, condicionando a sua focalização e a sua posição. (Lúcio em A Confissão de Lúcio, de Mário de Sá-Carneiro.)

5.2- FOCALIZAÇÃO OU CIÊNCIA
 Focalização externa: o narrador confina a narrativa a uma representação das características concretamente observáveis de uma acção, de uma personagem ou de espaço. Não detendo um ponto de vista privilegiado, a narrador apenas vê o que qualquer poderia ver. Desta forma, é mais objectivo e desapaixonado. («um homem vagueva ali, contudo, que não parecia dar-se grande pressa em entrar. Ia e vinha, parava, esquadrinhava a multidão (...)», em O Barão de Lavos, de A. Botelho.)
 Focalização interna: o narrador observa e relata através do olhar de uma personagem inserida na diegese. Desta forma, a quantidade de informações que pode veicular é significativamente reduzida, uma vez que há que obedecer a uma questão de coerência: o conhecimento transmitido não pode ser superior ao que a personagem cujo o ponto de vista é dotado possa ter. («O meu amigo emagrecera: é que o nariz se lhe afilara mais entre as rugas muito fundas, como as de um comediante cansado. Os anéis do seu cabelo lanígero rareavam sobre a testa, que perdera a antiga serenidade de mármore bem polido. Não friasava agora o bigode, murcho, caído em fios pensativos. (...) corcovava», em A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós.)
 Focalização omnisciente: o narrador demonstra possuir um conhecimento integral de todo universo envolvente à narrativa, incluindo o infinitivo das personagens. Desta forma, está em posição de explicar o que as impulsiona para determinadas acções, revelar o seu pensamento, descrever espaços psicológicos, exteriores e interiores e recorrer a prolepses. («São meandros do inconsciente real, como aqueles outros sonhos que sempre D. Maria Ana tem, vá lá explicá-los, quando el-rei vem ao seu quarto, que é ver-se atravessando o Terreiro do Paço para o lado dos açougues, levantando a saia à frente do patinhando numa lama aguada e pegajosa que cheira ao que cheiram os homens quando descarregam, enquanto o infante D. Francisco, seu cunhado, cujo antigo quarto agora ocupa, alguma assombração lhe ficando, dança em redor dela, empoleirado em andas, como uma cegonha negra.» em Memorial do Convento, de Saramago.)

5.3- POSIÇÃO
A posição do narrador tem a ver com a atitude do mesmo perante as sequências que vai narrando. Neste âmbito, a sua postura pode ser objectiva ou subjectiva.
 posição objectiva: nesta posição, o narrador limita-se a narrar friamente os acontecimentos, colocando-se numa posição completa isenção e neutralidade. Não toma partidos, não exprime juízos de valor, não revela simpatias ou antipatias. (os contos tradicionais, as lendas)
 posição subjectiva: com esta atitude, o narrador relata os acontecimentos de forma em que é possível antecipar a sua posição perante os mesmos, seja de adesão ou recusa, visto que faz comentários, revela posições ideológicas, etc. É muito frequente o apelo a adjectivos e expressões valorativas. (todos os romances de José Saramago)













Esquematicamente:
a) ACÇÃO
Relevo – principal (central)
– secundárias (subsidiárias)
Delimitação – fechada (a acção é solucionada ao pormenor)
– aberta (a acção não se resolve)
Estrutura – situação inicial (momento de estabilidade)
– peripécias e clímax (alteração da ordem vigente)
Sequências narrativas – encadeamento (ordenação cronológica)
– alternância (mistura de sequências)
– encaixe (inserção de uma sequência noutra)
b) PERSONAGENS
Relevo – principal (protagonista)
– secundária (com algum relevo, embora não decisivo)
– figurante (irrelevante; serve para adereçar)
Caracterização – física (traços fisionómicos)
– psicológica (traços comportamentais)
– social (inserção num grupo social)
Processos de caracterização – directa (quando objectiva)
– indirecta (há que deduzir a partir das suas atitudes)
Concepção – plana (comportamento não muda)
– modelada (comportamento varia, fruto de maior densidade psicológica)
– tipo (representa uma classe profissional ou social)
c) TEMPO
– Histórico (enquadramento epocal)
– Diegético (organização cronológica)
– Do discurso (disposição das acções na narrativa)
– Psicológico (vivido por cada personagem)
d) ESPAÇO
– físico (local onde a acção se realiza)
– psicológico (vivenciado internamente pelas personagens)
– social (retrato do modus vivendi de determinadas classes)
e) NARRADOR
Presença – Heterodiegético (não participa na narrativa)
– Homodiegético (participa na narrativa)
– Autodiegético (mais do que participante, é o protagonista)
Focalização – externa (o narrador conta apenas o observável)
– interna (o narrador a partir do ponto de vista de uma personagem)
– omnisciente (o narrador conhece tudo, mesmo o que vai no íntimo das personagens)
Posição – objectiva (mantém-se imparcial faca às acções)
– subjectiva (o narrador intervém, dá a sua opinião, revela as suas posições)






TEXTO DESCRITIVO
É um texto em que se faz um retrato por escrito de um lugar, uma pessoa, um animal ou um objecto. A classe de palavras mais utilizada nessa produção é o adjectivo, pela sua função caracterizadora. Numa abordagem mais abstracta, pode-se até descrever sensações ou sentimentos. Não há relação de anterioridade e posterioridade! Significa"criar" com palavras a imagem do objecto descrito. É fazer uma descrição minuciosa do objecto ou da personagem o que o texto se refere.
Quanto à sua estrutura tradicional, esta consiste numa relação de equivalência entre uma denominação, o que se escreve "x", e uma expansão, as suas características "y", pelo que "x=y". O esquema de uma escrição é regido por um tema-título, ou seja. A denominação daquilo que é descrito.
A nível gramatical, a descrição possui também algumas características importantes para levar em conta aquando da sua produção: o uso preferencial de verbos estativos, veiculadores da ideia de permanência, como o presente e o pretérito imperfeito do indicativo e o emprego bastante frequente de adjectivos. Podem surgir também alguns advérbios, embora em número não tão frequente.
A nível global, a escrita de um texto descritivo deve seguir uma estrutura lógica, sendo que o mais comum é partir de uma impressão global para os detalhes ou do plano mais próximo para o plano de fundo. Idealmente, para uma caracterização mais completa de uma determinada realidade, a descrição deve transmitir sensações captadas pelos cinco sentidos. Quanto ao vocabulário a ser empregue, este deve ser naturalmente diversificado (evitando repetições de vrbos e de adjectivos), sempre que possível, exacto (de forma atornar praticamente visível o que se escreve) e expressivo (para que posso estimular e/ou transmitir sentimentos, sejam eles de agrado ou desgrado, de atração ou repulsa).
Uso de recursos expressivos também é necessário. Efectivamente, alguns destes, tais como a comparação, a metáfora, a enumeração e a adjectivação, constituem características muito relevantes desta tipologia textual.
Ex.:
Era alto, magro, vestido de preto, com o pescoço entalado num colarinho direito. O rosto aguçado no queixo ia-se alargando até à calva, vasta e polida, im pouco amolgado no alto; tongia os cabelos que de uma orelha à outra lhe faziam colar por trás da nuca – e aquele preto lustroso dava, pelo contraste à calva, mas não tingia o bigode ; tinha-o grisalho, farto, caido aos cantos da boca. Era muito pálido; nunca tirava as lunetas escuras. Tinha uma covinha no queixo, e as orelhas grandes muito despegadas do crânio.
In Eça de Queirós, O Primo Basílio

TEXTO ARGUMENTATIVO
Desde os remotos tempos em que o homem começou a conviver em comunidade, a palavra sempre foi usado como objectivo de persuadir e de dar a conhecer aos outros as convicções de cada indivíduo. São sobejamente conhecidos autores antigos que fundaram escolas de argumentação, capacidade entendida como sendo essencial à prática da vida democrática.
Falamos dos filósofos gregos Sócrates (469-399 a.C.) e de Aristóteles (384-322 a.C.) ou Cícero (106-43 a.C.), tido como o mais eloquente entre os oradores romanos, entre outros. Muito sumariamente, Aristóteles definiu a argumentação como sendo «arte de falar de modo a convencer».
Tendo por base este enquadramento, pode-se definir o texto argumentativo como aquele tipo de texto que visa convencer, persuadir ou influenciar o destinatório ao qual se apresenta um ponto de vista, cujo autenticadamente ou validade se deve provar. Para a consecução desse objectivo, a pós apresentação da tese (a tomada de posição do autor face à matéria em discussão), deve-se desenvolver o raciocínio, a argumentação propriamente dita. Esta fase exige argumentos (justificações, motivos, razões...) devidamente encandeados e suportados, se possível, por provas, e credibilizados por exemplos. A construção de um texto argumentativo pressupõe as seguintes partes:
 Introdução: no parágrafo inicial, o autor do texto apresenta a tese. Esta deve ser apresentada num estilo acertivo, claro e preciso, sem, no entanto, mencionar quaisquer razões ou provas.
 Desenvolvimento: nos parágrafos seguintes (em número variável, em função da natureza e âmbito do assunto), o autor explica a sua proposição e apresenta os argumentos que atestam a veracidade da enunciação do parágrafo introdutor, apoiado em provas que podem ser de diversa índole como factos, exemplos, citações, testemunhos ou meso dados estatísticos.
 Conclusão: no parágrafo final, o autor estabelece uma síntese da demonstração feita no seguimento do desenvolvimento.

Apresenta-se, a seguir, uma lista de expressões que são reiteradamente utilizadas na ligação de diferentes argumentos:
Em primeiro lugar
Além disso
Por um lado...por outro lado
Por consequências
É por isso que
Por conseguinte
Em minha opinhão
Na minha óptica
Tendo em conta
De acordo com
Como é demonstrado por
Defende-se por vezes que vale a pena estudar filosofia uma vez que tudo o que os filósofos fazem é discutir sofisticamente o significado das palavras; nunca aparecem antigir quaisquer conclusões de qualquer importância e a sua contribuição para a sociedade é virtualmente nula. Continuam a discutir acerca dos mesmos problemas que cativaram a atenção dos gregos. Parece que a filosofia não muda nada; a filosofia deixa tudo tal é qual.
Qual é afinal a importância de estudar filosofia? Começar a questionar as bases fundamentais da nossa vida pode até ser perigoso: podemos acabar por nos sentir incapazes da fazer o que quer que seja, paralisados por fazer demasiadas perguntas. Na verdade, a caricatura do filósofo é geralmente a de alguém que é brilhante a lidar com pensamentos altamente abstractos no contexto de um sofá, numa sala de Oxford ou Cambrige, mas incapazes de ligar com as coisas práticas da vida: alguém que consegue explicar as mais complicadas passagens da filosofia de Hegel, mas que não consegue cozer um ovo...

TEXTO EXPOSITIVO-EXPLICATIVO
O texto expositivo-explicativo é um protótipo textual que apresenta um conjunto de produções escritas nas quais se destacam análises e sínteses de representações conceptuais, com objectivo de expor e explicar algum conceito, processo ou fenómeno.
Textos deste tipo são especialmente usados em contextos pedagógicos, visto que se tratam de situações comunicativas nas quais se pretende explicar conhecimentos previamente construídos. Os manuais escolares ou os livros auxiliares ao estudo configuram textos de carácter explicativo. «explicar» deriva de «explicare» (lat.) que significa dobrar «plicare» para fora («ex-»); portanto, tornar algo mais visível e mais facilmente acessível, sobre o ponto de vista cognitivo. É o que texto explicativo pretende fazer.
Porém, a ocorrência do textos do tipo expositivo-explicativo não se esgota nestes contextos de utilização. Com efeito, esta tipologia textual é adequada a diversas situações da vida diária, surgindo também em textos ensaísticos, em artigos científicos, conferências, verbetes de dicionários, entradas de enciclopédias, exposições, boletins meteorológicos, definições, instruções, receitas culinárias, etc.
Grise (1990) avançou três condições pragmáticas para a criação de um texto explicativo:
1. O fenómeno a explicar é inconstestável: é uma constatação ou um facto;
2. Os dados afetos à compreensão dos fenómenos estão incompletos;
3. Aquele que explica está em condições de o fazer.
A nivel da sua escrita, predominam os verbos no presente do indicativo, verbos dinâmicos e advérbios. Não raro, surgem também termos técnicos inerentes ao abjecto/fenómeno que está a explicar.
Exemplo de texto predominantemente expositivo-explicativo (entrada de enciclopédia)
Tucanos: família de aves da ordem dos Piciformes. Têm um bico enorme, tão comprido, por vezes, como o corpo. Alimentam-se de insectos, filhotes de outras aves e frutos, causando em certas alturas grandes danos nas plantações. Vivem nas florestas e bosques do continente americano. O tucano negro (Ramphastos toco), também chamado tucanuço, tem o dorso negro, a garganta e o peito brancos e o abdómen vermelho. O bico é amarelo, com uma ponta preta. O tucano-de-pico-preto, ou tucano-de-peito-amarelo (Ramphastos discoloris), tem o ventre vermelho e amarelho e o dorso negro. O bico é verde e amarelo.
In Moderna Enciclopédia Universal



Bibliografia
1- GRAMÁTICA MODERNA DA LÍNGUA PORTUGUESA – para o funcionamento e aperfeiçoamento dos aspectos fundamentais da estrutura e funcionamento da língua, ed. Escolar editora, Lisboa, 2010.
2- DICIONÁRIO DA LÍNGUA PORTUGUESA – 8ªedição revista e actualizada, ed. Porto editora, Porto,1998.
3- www.tipologiatextual.com.br

SISTEMATIZAÇÃO TEÓRICA POR TÓPICOS.
O PODER DA PALAVRA.
CONCEITOS-FERRAMENTA: INTELIGÊNCIA, DESCONSTRUÇÃO.

1. A linguagem como estrutura. A inteligência como a capacidade de dominar e ir para lá dessa mesma estrutura.

• O conceito de inteligência. Do Latim inter + legere — “ler entre....” e/ou “eleger entre...”.
• Ler entre: Ler nas entrelinhas. Exemplo: “A sorte nunca dá, só empresta”; “A palavra é como a pedra, uma vez atirada já ninguém a apanha”.
O provérbio é um bom exemplo duma forma de expressão (oral e/ou escrita) em que o importante está nas entrelinhas, está para lá das próprias palavras. Está implícita uma mensagem, uma dimensão que ultrapassa o significado literal das palavras.
• De igual modo, a linguagem, tal como se pode ver num provérbio, poesia, ou letras de música, etc., tem outras implicações que são descobertas, dadas por cada um dos leitores/ouvintes, “a obra propõe e o leitor dispõe”, como aponta Barthes. Ou seja, cada um pode dar exemplos diferentes da sua própria vida e experiência subjectiva, onde um provérbio, frase poética ou letra de música, etc., encaixe. Isso é entre-eleger significados. De entre as múltiplas possibilidades e experiências subjectivas elege-se, escolhe-se, aquela que está implicada, que tem ligação com o que se leu ou ouviu. Assim o que se leu ou ouviu é assimilado, torna-se parte integrante de nós mesmos, pois, nós mesmos, contribuímos para a sua construção e criação.
• A riqueza da linguagem encontra-se a partir do momento que se desenvolve a capacidade de ler nas entrelinhas. De ler para lá das próprias palavras. A) Descobrir o implícito. B) Descobrir as implicações, conexões e ligações com a experiência subjectiva, a vida, de cada pessoa. Isso permite desenvolver-se a capacidade de dar exemplos: “O sábio é aquele que sabe dar exemplos”.
• Para se ir para lá do discurso (texto, oralidade, etc.), para se ler nas entrelinhas é preciso dominar totalmente os conteúdos dum discurso — é preciso compreender a estrutura fundamental, o "tutano" desse mesmo discurso. Para isso é preciso "filtrar", fazer um raio-x ao discurso. É preciso encontrar a informação e estrutura lógica que estão na base e suportam todo o edifício discursivo — é necessário entre-eleger o principal. Desconstruir significa, portanto a) eleger de entre o múltiplo, filtrar, seleccionar o essencial de entre toda a massa de informação e encadeados lógicos (sejam eles verdadeiros ou falaciosos), de modo a formar uma imagem clara, um corpo consistente e coerente daquilo que está a ser exposto; e b) ler nas entrelinhas - para descobrir a mensagem implícita, a dimensão que está para lá das próprias palavras.

2.
• A linguagem como expressão do pensamento.
• O pensamento é linguagem, a linguagem é pensamento.
• A linguagem como criadora e destruidora de mundos.
• A linguagem como estrutura que aponta, aconselha caminhos e direcções.

3.
“No início era o Verbo, e o Verbo estava voltado para Deus. Tudo foi feito por meio dele; e sem ele nada se fez do que foi feito.” (João: 1: 1-3). O Verbo = o Logos = a Palavra.
• A importância da linguagem: segundo o relato bíblico o início deu-se por meio da Palavra, da linguagem, do Verbo... O início da história humana, do conhecimento (logos) humano está intimamente ligado à utilização da linguagem.

“Deus modelou do solo todo animal dos campos e todo pássaro do céu, que levou ao homem para ver como ele os designaria. (...) O homem designou pelo seu nome todo gado, todo pássaro do céu e todo animal dos campos (...)” (Génesis: 2: 19-20)

• No princípio era o Verbo — e simultaneamente surge a capacidade do ser humano de designar, nomear, dar forma, às coisas que via reflectidas por meio dos seus sentidos na sua mente. Isso, supostamente, distinguiu o ser humano dos outros seres no jardim primordial. A linguagem era o grande poder dado por Deus ao ser humano. Por serem designadas, por serem nomeadas as coisas ganham existência... (Exemplos: baptismo, rituais iniciáticos, desenvolvimento da ciência em geral com a nomeação em categorias todo o universo conhecido...)

• Em termos de realidade histórica com o desenvolvimento da linguagem (especialmente a nível escrito) surgiu a civilização, a cultura. Cultura associada também ao cultivar da terra, ao cultivar agrícola. Pois, foi por meio da linguagem escrita que se puderam estabelecer as regras e técnicas de cultivo das culturas sedentárias, urbanas (completamente diferente do estilo de vida dos caçadores-recolectores). O Código de Amurabi Sumério é o primeiro grande exemplo desta relação directa entre regras de cultura agrícola + regras de vida urbana = ao início da civilização e da História (registo escrito dos acontecimentos).
• A linguagem como forma de criação de Leis Orientadoras da existência em geral. Exemplo: I Ching para ajudar a encontrar o TAO (China), Vedas (Índia), Popol Vuh (índios da América do sul), 10 Mandamentos (Cultura judaico - cristã), Livro dos Mortos (Egipto), Bardo Todol (Tibete) etc.
• Mas, por outro lado a linguagem também serviu como forma de poder e hegemonia — criação de castas. Tal como o antropólogo Claude Lévi-Strauss apontou, a invenção da escrita tinha como principal função “facilitar a escravatura de outros seres humanos”. Os cultos (cultivados) e os incultos. Diferença entre os que sabem ler e dominar o código e o resto da massa. Os que têm o poder da palavra têm o poder de criar Lei (poder político), têm o poder de ler e interpretar os escritos sagrados (poder moral).
•A linguagem é vista como um poder misterioso, mágico, sagrado. (Exemplo: os rituais mágicos, as palavras ditas em línguas estranhas, a missa em Latim, etc.). Dominar a linguagem é, claramente, dominar um enorme poder:
• “Nós somos aquilo que pensamos. Tudo aquilo que pensamos surge por meio dos nossos pensamentos. Com os nossos pensamentos nós fazemos o mundo. Fala ou actua com uma mente impura e a desgraça seguir-te-á tal como a roda segue o boi que puxa o carro. Nós somos aquilo que pensamos. Tudo aquilo que pensamos surge por meio dos nossos pensamentos. Com os nossos pensamentos nós fazemos o mundo. Fala ou actua com uma mente pura e a felicidade seguir-te-á como a tua sombra — inabalável.” Buda, Dhammapada. Isto leva a compreender que: a pessoa é aquilo que pensa, a pessoa é os seus pensamentos.
• E o que é o pensamento? Linguagem associada a imagens e sensações. (Exercício: observar o funcionamento da mente, por exemplo, durante momentos de silêncio e solidão. Concentrar na expiração ajuda). O pensamento é linguagem, e a linguagem é pensamento. A mente exprime-se e tem forma por meio da linguagem. Uma linguagem mal utilizada é como uma mente mal estruturada — que não se consegue exprimir. Quando algo está mal expresso quer dizer que, também, foi mal pensado. Como Ben Johnson (poeta Inglês) defendia: “Mal escrito/dito, mal pensado”.
• Por outro lado, uma linguagem bem utilizada é um gigantesco poder — pode fazer milagres, criar mundos... ou destruir mundos. Quando uma pessoa consegue dominar a linguagem, domina o maior poder que existe na sociedade — quem consegue exprimir o que sente é como uma bomba que atinge todos os que o rodeiam.... “I have a dream” são palavras de um discurso que mudou o mundo para sempre. Exemplos de pessoas que mudaram o mundo, que criaram um novo mundo, por meio duma poderosa utilização da linguagem: Gandhi, Mandela, Shankara, irmãs Brönte, Dalai-¬Lama, Luther King, Bob Marley, Mary Woolstencraft, Eckart Tolle, Rumi, David Bohm, etc.
• O poder da linguagem pode levar mundos ao fim, ao apocalipse. O poder da linguagem escreve a fórmula da bomba atómica, escreve as palavras do “Mein Kampf”, obra que participou do pesadelo Nazi. Hitler, Stalin, a propaganda em geral, a publicidade, as seitas suicidas (como a de Charles Manson, ou a seita do Templo do Sol) são alguns dos poucos exemplos de como a linguagem pode levar à grande destruição.
• Dominar a linguagem é também, portanto, a única defesa para não se ser enganado. É ter a capacidade de ler nas entrelinhas, de desconstruir as falácias e mentiras da propaganda. Dominar a linguagem é ser o “Boss”, o patrão do seu próprio pensamento. Se nós nos expressamos exteriormente por meio daquilo que pensamos, então, tendo controle sobre o nosso pensamento temos controle sobre nós mesmos — somos nós o Boss de nós mesmos, e do nosso pensamento. E não os outros. Se nós actuamos como consequência daquilo que pensamos, e o pensamento é linguagem, tendo um pensamento, uma linguagem bem definida, bem estruturada — temos, portanto, uma personalidade e actuação forte e estruturada.

5.
No entanto, deve ficar a seguinte ressalva relativamente a toda esta teoria da linguagem: a nossa Consciência é mais do que o pensamento. Como um peixe fora de água, o nosso pensamento saltita de memórias (sensações, imagens e conversas) passadas para uma projecção da sua própria telenovela futura, raramente atingindo instantes de silêncio, ou aquilo que na filosofia ocidental se chama de pax profunda (ou estado de samadhi, na filosofia védica). Poucas vezes nos encontramos nessa Paz Profunda e oceânica — a verdadeira identidade que está sempre presente como testemunha por detrás do nosso corpo físico, das nossas emoções voláteis, e do nosso pensamento tagarela. Pensamento tagarela, que é como um filtro de ruído sobreposto a essa Consciência — tal como imagens que, passando sobre um espelho, nos fazem esquecer o que está por detrás delas.

(Elaborado por Miguel Gullander segundo uma concepção teórica fundamentalmente à responsabilidade do mesmo.)



TIPOLOGIAS TEXTUAIS

Descrição: consiste em descrever as características que compõem um determinado objeto, ambiente, paisagem ou pessoa, lembrando que, esta última pode ser descrita/caracterizada, pelo seu lado físico, psicológico ou por suas ações.
É difícil separar descrição de narração, pois o que é narrado se desenvolve em um espaço que possui uma funcionalidade e que, por sua vez, envolve personagens devidamente caracterizadas. A descrição do espaço e das personagens nele envolvidas constituem uma forma narrativa. Dizemos isto, porque é comum, que características opostas das personagens revelem o conflito de uma narrativa, bem como, a descrição do espaço pode revelar traços psicológicos das personagens.

Narração: consiste em contarmos um ou mais fatos, reais ou imaginários, que ocorreram em determinado tempo e lugar, envolvendo certas personagens. O processo narrativo é dinâmico, pois está sujeito a transformações, expressas em equilíbrios e desequilíbrios.
Os elementos básicos são: enredo, narrador, personagens, tempo, espaço e conflito.
N.B: toda narrativa possui introdução, desenvolvimento e conclusão.

Dissertação: consiste na exposição de nossas idéias, nossas opiniões, nossos pontos de vista, seguidos de argumentos que os comprovem.
Para se escrever um texto dissertativo é necessário ter conhecimento sobre o assunto e assim, tomar uma posição crítica com relação a ele. Para a formação de nossa opinião, precisamos nos munir de dados, informações, idéias e, também, opiniões de pessoas relacionadas diretamente com assunto.
A estrutura básica da dissertação se apresenta da seguinte forma:
Introdução: apresentação do assunto e das questões referentes a ele;
Desenvolvimento: momento em que idéias, conceitos e informações serão desenvolvidos;
Conclusão: retomada do assunto associado a uma avaliação final.

Elementos da Narrativa
Enredo: é a história em si, que começa a ser narrada a partir de um fato, e que se desenrola pela ação do tempo, do espaço, dos personagens, dando-se a conclusão.

Narrador: é aquele que narra a história. O foco narrativo (ponto de vista do narrador), pode-se apresentar de duas formas:

 narrador em 1ª pessoa: é aquele que participa da história, não sendo necessariamente o protagonista. O narrador em 1ª pessoa condiciona o leitor a entender e a interpretar todos os elementos da narrativa a partir da visão de mundo de quem a estruturou;
 narrador em 3ª pessoa: não participa da história, sendo portanto, neutro, pois não toma partido de nenhuma personagem. Este tipo de narrador relata os fatos com objetividade, não julgando diretamente esta ou aquela personagem.
Narrador onisciente: aquele que tudo sabe, que conhece o interior das personagens, pode explicar seu passado e adiantar o que farão no futuro.
 Narrador observador: aquele que se limita a contar o que pode ser testemunhado de fora.

Personagem: é aquele que participa da história de forma direta ou indireta. Pode ser classificado em:
 protagonista: é o personagem principal. Se divide em:
a)- herói: apresenta características superiores às de seu grupo;
b)- anti-herói: é o protagonista que apresenta características iguais ou inferiores às de seu grupo, mas que por algum motivo está na posição de herói, só que sem competência para tanto.
 antagonista: é aquele que se opõe ao protagonista. É o vilão da história.
 personagens secundários: exercem papel secundário na história, aparecendo com menor freqüência. Servem de ajudantes ou de confidentes do protagonista.

Tempo: é quando o fato ocorreu. Pode ser cronológico ou psicológico. O tempo cronológico é mensurável em horas, dias, meses e anos. Já o tempo psicológico obedece ao fluxo de consciência de que narra, ou seja, obedece a ordem determinada pelo desejo ou imaginação.

Espaço: é o local onde se desenrola os fatos.
Conflito: situação de tensão, de suspense.

NARRAÇÃO

1) Cria-se uma EXPECTATIVA para as personagens e para o leitor.
2) A expectativa contém ÍNDICES do conflito.
3) Quebra da expectativa.
4) Explode o CONFLITO (principal característica).
5) Busca-se a SOLUÇÃO do conflito.
6) O conflito pode ou não ser solucionado—as personagens resolvem ou tentam resolver o conflito.
7) A partir da “solução”do conflito, conhece-se a INTENÇÃO do narrador.

MERO RELATO

1) Cria-se uma expectativa sem objetivo definido.
2) Surgem ou não índices do conflito.
3) A expectativa se mantém ou é substituída por outra.
4) Ausência de conflito: o conflito não surge, ou é simplesmente insinuado.
5) Os fatos e as caracterizações se acumulam inexpressivamente.
6) Já que não há conflito, qualquer final—pretensa solução—pode ser apresentado como fecho para o texto.
7) Não se sabe com que intenção a “história” foi relatada.











TAREFA


Numere os parágrafos a seguir, identificando o tipo de redação apresentado. Apresente os elementos que ajudem a comprovar cada tipologia:

1) descrição 2) narração 3) dissertação

( ) Acreditamos firmemente que só o esforço conjunto de toda a nação brasileira conseguirá vencer os gravíssimos problemas econômicos, por todos há muito conhecidos. Quaisquer medidas econômicas, por si só, não são capazes de alterar a realidade, se as autoridades que as elaboram não contarem com o apoio da opinião pública, em meio a uma comunidade de cidadãos conscientes.

( ) Nas proximidades deste pequeno vilarejo, existe uma chácara de beleza incalculável. Ao centro avista-se um lago de águas cristalinas. Através delas, vemos a dança rodopiante dos pequenos peixes. Em volta deste lago pairam, imponentes, árvores seculares que parecem testemunhas vivas de tantas histórias que se sucederam pelas gerações. A relva, brilhando ao sol, estende-se por todo aquele local, imprimindo à paisagem um clima de tranqüilidade e aconchego.

( ) As crianças sabiam que a presença daquele cachorro vira-lata em seu apartamento seria alvo da mais rigorosa censura de sua mãe. Não tinha qualquer cabimento: um apartamento tão pequeno que mal acolhia Álvaro, Alberto e Anita, além de seus pais, ainda tinha de dar abrigo a um cãozinho! Os meninos esconderam o animal em um armário próximo ao corredor e ficaram sentados na sala à espera dos acontecimentos. No fim da tarde a mãe chegou do trabalho. Não tardou em descobrir o intruso e a expulsá-lo, sob os olhares aflitos de seus filhos.

( ) Joaquim trabalhava em um escritório que ficava no 12º andar de um edifício da Avenida Paulista. De lá avistava todos os dias a movimentação incessante dos transeuntes, os freqüentes congestionamentos dos automóveis e a beleza das arrojadas construções que se sucediam do outro lado da avenida. Estes prédios moderníssimos alternavam-se com majestosas mansões antigas. O presente e o passado ali se combinavam e, contemplando aquelas mansões, podia-se, por alto, imaginar o que fora, nos tempos de outrora, a paisagem desta mesma avenida, hoje tão modificada pela ação do progresso.

( ) Dizem as pessoas ligadas ao estudo da Ecologia que são incalculáveis os danos que o homem vem causando ao meio ambiente. O desmatamento de grandes extensões de terra, transformando-as em verdadeiras regiões desérticas, os efeitos nocivos da poluição e a matança indiscriminada de muitas espécies são apenas alguns dos aspectos a serem mencionados. Os que se preocupam com a sobrevivência e o bem-estar das futuras gerações temem que a ambição desmedida do homem acabe por tornar esta terra inabitável.

( ) O candidato à vaga de administrador entrou no escritório onde iria ser entrevistado. Ele se sentia inseguro, apesar de ter um bom currículo, mas sempre se sentia assim quando estava por ser testado. O dono da firma entrou, sentou-se com ar de extrema seriedade e começou a lhe fazer as perguntas mais variadas. Aquele interrogatório parecia interminável. Porém, toda aquela sensação desagradável dissipou-se quando ele foi informado de que o lugar era seu.







TEXTO E CONTEXTO

O QUE É TEXTO E CONTEXTO?

O texto é uma unidade global de comunicação que expressa uma idéia ou trata de um assunto determinado, tendo como referência a situação comunicativa concreta em que foi produzido, ou seja, o contexto. O texto pode ser uma única frase de sentido completo:
Os edifícios de São Paulo têm uma arquitetura moderna.
O texto também está em obras maiores, formadas por orações e parágrafos: crônicas, reportagens jornalísticas e romances, como Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. Quando escrevemos ou falamos, lançamos mão de mecanismos de coerência e coesão para conseguirmos formar uma mensagem compreensível e instigante.

1. Lingüística do texto
Descreve as regras básicas para a elaboração de frases corretas e interessantes. Sua finalidade é tornar compreensível o que é ouvido ou lido. Para que um texto tenha coerência, não basta que ele trate somente de um assunto. É preciso também que os seus parágrafos estejam relacionados e não apresentem contradições. Finalmente, ele deve oferecer ao leitor ou ao ouvinte uma mensagem completa, superior à simples reunião de orações e períodos.

2. Fatores internos ou significativos
O parágrafo geralmente é a primeira unidade dos textos corridos e em prosa. Formado por um número variável de frases encadeadas, lógica e lingüisticamente, ele é finalizado graficamente por um ponto final, de interrogação ou de exclamação. Ao ler um texto, devemos em primeiro lugar, prestar atenção em seu conteúdo informativo fundamental, ao qual se subordinam, de modo articulado, vários enunciados. A maioria das frases possui uma palavra-chave, que pode ser percebida diretamente ou com a ajuda de outras palavras que a substituem. O segundo passo é identificar, nos diversos parágrafos, as idéias secundárias.
3. Contexto
Qualquer texto deve estar baseado no conhecimento do mundo real dos falantes. Essa é uma condição cuja finalidade é contribuir para sua significação global. No contexto, deve-se ter em mente os elementos que influenciam a mensagem:
Verbos implicativos são os que envolvem o leitor.
Exemplo: conseguir, evitar, concordar:
O monitor não evitou que as crianças se machucassem.
(As crianças machucaram-se)
Verbos factivos, como lamentar, perceber e idéias preconceituosas que o falante expressa inconscientemente:
Daniela hoje não chegou tarde aos ensaios.
(Daniela habitualmente chega tarde)
4. Mecanismos de coesão
Nas frases e parágrafos que constituem o texto, devem aparecer elementos lingüísticos. Esses elementos lingüísticos têm a função de relacionar os parágrafos, as frases e as palavras:
- Enlaces fraseológicos:
Como ia te dizendo.
Tendo em vista o que aconteceu.
- Enlaces entre parágrafos:
Primeiramente... (em geral no início do discurso); Finalmente...;
Concluindo...; Por um lado...; Acima de tudo...; No fundo...
Outros enlaces têm caráter temporal, comparativo, causal, consecutivo, explicativo:
- Enlaces entre orações: conjunções que relacionam orações coordenadas ou subordinadas.
- Enlaces léxicos: repetição de termos no texto, uso de sinônimos e de antônimos.
- Enlaces por repetição: anáfora – repetição de um termo que apareceu anteriormente – catáfora – quando um elemento remete a outro posterior; elementos dêiticos ou substitutos – pronomes, advérbios, verbos e substantivos com ampla significação: isto, aquilo, fazer, pegar, pessoa, coisa.
Contexto/Situação
São dois os fatores básicos que interferem na significação das palavras:
O contexto lingüístico, pois toda palavra aparece, habitualmente, rodeada de outras palavras, em frases orais ou escritas. São elas que ajudam a definir o exato significado da palavra:
Este café é muito doce.
Nesta frase, doce significa açucarado, significado diferente do que apresenta nesta outra frase:
Uma doce melodia preenchia o ambiente.
A situação, ou contexto extralingüístico, e tudo mais que possa estar relacionado ao ato da comunicação, como época, lugar, hábitos lingüísticos, grupo social, cultural ou etário dos falantes:
Fogo!
Esta expressão não significa o mesmo diante de um edifício em chamas e dentro de um campo de tiro.




Resumo das principais propriedades do texto:
Coerência: É a relação que se estabelece entre as partes do texto, criando uma unidade de sentido. Que mecanismos podem ajudar a produzir um texto unitário:
a - encadeamento de figuras compatíveis entre si.
Num jantar de gala do Itamarati, os guardanapos não serão de papel.
b – não contradição de sentidos.
Não podemos estar em Portugal à beira do Pacífico.
c – combinação de termos compatíveis.
uma “pedra não vê o lago”, porque o verbo “ver” exige sujeito humano, no entanto; se considerarmos uma pedra em sentido metafórico de “pessoa rígida, pesada e imóvel”, o pequeno texto passa a ganhar coerência porque passa a existir compatibilidade entre “pedra” e “ver”.
d – não contradição de argumentos.
Não posso ser a favor da pena de morte por ser contra tirar a vida de alguém.
e – combinação de atos de fala adequados.
Não posso responder a uma “pergunta” com outra; um pedido com algo que nada tem que ver com ele: Você me traz o dinheiro ? / A professora nova é bonita.
f – presença de elementos semânticos logicamente pressupostos entre si.
X não pode ser casado e não ter esposa; Y não pode estar saciado e não ter comido nada.

Coesão: é a ligação, a relação, a conexão entre as palavras, expressões ou frases do texto. A coesão é manifestada por elementos formais. Os elementos coesivos assinalam a conexão entre partes do texto. São muitos os mecanismos de coesão textual, mas vamos citar três deles:

1 – A retomada ou a antecipação de termos:
André e Pedro são ambos fanáticos torcedores de futebol. Apesar disso, são diferentes. Este não briga com quem torce para outro time; aquele o faz.
O termo “isso” retoma o predicado “são ambos fanáticos torcedores de futebol”, “este” retoma o termo “Pedro”; “aquele”, a palavra “André”; “o faz”, “briga com quem torce para outro time”. Todos os termos que servem para retomar outros são chamados anafóricos. Quando esses mesmos termos antecipam outro (por exemplo, na frase Meu pai me disse isto: vá deitar cedo, onde “isto” antecipa “vá deitar cedo”) são chamados catafóricos.

2 – O encadeamento:
É feito por conectores, que são palavras e expressões responsáveis pela concatenação, pela criação de relações entre os segmentos do texto.

CONECTORES:

Os conectores ligam palavras ou orações. São elementos de ligação na frase. Ex:
O prazer e a dor são passageiros.
A espada vence mas não convence.
No primeiro exemplo, o conector "e" liga duas palavras; no segundo, "mas", liga duas orações.

Os conectores dividem-se em duas classes: coordenativos e subordinativos.

Quadro dos conectores:
Coordenativos: ligam orações coordenadas.
1. Conjunções coordenativas
a. aditivas: e
b. adversativas: mas
c. alternativas: ou
d. conclusivas: logo
e. explicativas: pois
Subordinativos: subordinam orações dependentes às principais.
1. Conjunções subordinativas
a. causais: porque
b. comparativas: como
c. concessivas: embora
d. condicionais: se
e. conformativas: conforme
f. consecutivas: [tão] que
g. finais: para que
h. proporcionais: à medida que
i. temporais: quando
- INICIAM ORAÇÕES ADVERBIAIS -
2. integrantes: que, se
- INICIAM ORAÇÕES SUBSTANTIVAS -
3. Pronomes relativos: que, quem, cujo, cuja, o qual, a qual, etc.
- INICIAM ORAÇÕES ADJETIVAS -

3 – Presença de todos os termos necessários ao sentido da oração e do período.
A escrita não exige que os períodos sejam longos, mas que sejam completos e que as partes estejam absolutamente conectadas entre si. Se faltam partes, não pode haver coesão.

Progressão:
Um bom texto implica progressão, isto é, que cada segmento que se sucede vá acrescentando informações novas aos enunciados anteriores. Cada segmento que ocorre deve acrescentar um dado novo ao anterior, se a repetição de dados for funcional, acrescentará dados novos ao texto e se justificará. As repetições sem função desqualificam o texto.




























































Substantivos

Palavra variável que denomina os seres em geral. Quanto à sua formação, pode ser:
• primitivo x derivado (jornal x jornalista)
• simples x composto (água x girassol)
Quanto à sua classificação, pode ser:
• comum x próprio (rio x Catumbela)
• concreto x abstrato (cadeira x trabalho)
Observações:
- substantivos próprios são sempre concretos e devem ser grafados com iniciais maiúsculas.
- os substantivos abstratos indicam qualidade (tristeza), sentimento (raiva), sensações (fome), ações (briga) ou estados (vida).
- dentre os comuns, merecem destaque os colectivos que, mesmo no singular, designam um conjunto de seres de mesma espécie.
Flexão dos substantivos (gênero e número)
Gênero (masculino x feminino)
• biformes: uma forma para masculino e outra para feminino. (gato x gata, príncipe x princesa). São heterônimos aqueles que fazem distinção de gênero não pela desinência, mas através do radical. (bode x cabra, homem x mulher)
• uniformes: uma única forma para ambos os gêneros. Dividem-se em:
- epicenos - usados para animais de ambos os sexos (macho e fêmea)
- comum de dois gêneros - designam pessoas, fazendo a distinção dos sexos através de palavras determinantes ....
- sobrecomuns - um só gênero gramatical para designar pessoas de ambos os sexos. (testemunha, cliente)
Observação:
- alguns substantivos, quando mudam de gênero, mudam de sentido. (o cabeça x a cabeça)
Número (singular x plural)
Nos substantivos simples, forma-se o plural em função do final da palavra.
• vogal ou ditongo (exceto -ÃO): acréscimo de -S (porta x portas, troféu x troféus)
• ditongo -ÃO: -ÕES/-ÃES/-ÃOS, variando em cada palavra (anãos, balões, alemães, cristãos).
Apresentam múltiplos plurais: alão- alões, alãos, alães / alazão- alazões, alazães / aldeão- aldeões, aldeãos, aldeães / vilão- vilões, vilãos / ancião- anciões, anciãos, anciães / verão- verões, verãos / castelão- castelões, castelãos / rufião- rufiões, rufiães / ermitão- ermitões, ermitãos, ermitães / sultão- sultões, sultães, sultãos.
• -R, -S ou -Z: -ES (mar x mares, país x países, raiz x raízes). As não-oxítonas terminadas em -S são invariáveis, marcando o número pelo artigo (os atlas, os lápis, os ônibus)
• -N: -S ou -ES, sendo a última menos comum (hífen x hifens ou hífenes)
• -X: invariável, usando o artigo para o plural (tórax x os tórax)
• -AL, EL, OL, UL: troca-se -L por -IS (animal x animais, barril x barris)
• IL: se oxítono, trocar -L por -S. Se não oxítonos, trocar -L por -EIS. (til x tis, míssil x mísseis)
• sufixo diminutivo -ZINHO(A)/-ZITO(A): colocar a palavra primitiva no plural, retirar o -S e acrescentar o sufixo com -S (caezitos, coroneizinhos, mulherezinhas)
• metafonia: -O tônico fechado no singular muda para o timbre aberto no plural, também variando em função da palavra. (ovo x ovos, mas bolo x bolos)
Apresentam metafonia: abrolho, contorno, caroço, corcovo, corvo, coro, despojo, destroço, escolho, esforço, estorvo, forno, foro, fosso, imposto, jogo, miolo, olho, osso, ovo, poço, porco, posto, povo, reforço, socorro, tijolo, toco, torto, troco.
Grau
Os substantivos podem apresentar diferentes graus, porém grau não é uma flexão nominal.
São três: normal, aumentativo e diminutivo e podem ser formados através de dois processos:
• analítico - associando os adjetivos (grande x pequeno) ao substantivo
• sintético - anexando-se ao substantivo sufixos indicadores de grau (meninão x menininho)
Observações:
- o grau nos substantivos também pode denotar sentido afetivo e carinhoso ou pejorativo, irônico. (Ele é um velhinho legal / Que mulherzinha implicante)
- certos substantivos, apesar da forma, não expressam a noção aumentativa ou diminutiva. (cartão, cartilha)











Adjetivos
Palavra variável que acompanha o substantivo, indicando qualidades e características deste. Mantém com o substantivo que determina relação de concordância de gênero e número.
Adjetivos pátrios: indicam a nacionalidade ou a origem geográfica, normalmente são formados pelo acréscimo de um sufixo ao substantivo de que se originam (Alagoas: alagoano). Podem ser simples ou compostos, referindo-se a duas ou mais nacionalidades ou regiões; nestes últimos casos assumem sua forma reduzida e erudita, com exceção do último elemento (franco-ítalo-brasileiro).
Locuções adjetivas: expressões, geralmente, formadas por preposição e substantivo que equivalem a adjetivos (anel de prata = anel argênteo).

Flexão dos adjetivos:
Gênero
Uniforme ou biforme (inteligente x honesto [a])
Número
Os adjetivos simples formam o plural segundo os mesmos princípios dos substantivos simples, em função de sua terminação (agradável x agradáveis).
Os substantivos utilizados como adjetivos ficam invariáveis (blusas cinza).
Os adjetivos terminados em -OSO, além do acréscimo do -S de plural, mudam o timbre do primeiro -O, num processo de metafonia.
Grau
São três: normal, comparativo e superlativo
• comparativo: mesma qualidade entre dois ou mais seres, duas ou mais qualidades de um mesmo ser.
- igualdade - tão ... quanto (como)
- superioridade - mais ... (do) que
- inferioridade - menos ... (do) que
• superlativo: exprime qualidade em grau muito elevado ou intenso.
- absoluto - quando a qualidade não se refere à de outros elementos. Pode ser analítico (acréscimo de palavra modificadora - muito) ou sintético (-íssimo, -érrimo, -ílimo). (muito veloz X velocíssimo)
- relativo - qualidade relacionada, favorável ou desfavoravelmente, à de outros elementos. Pode ser de superioridade (o mais ... que) ou de inferioridade (o menos ... que)
Observação:
- Apresentam formas sintéticas especiais os adjetivos bom, mau, grande e pequeno.
Adjetivos Comparativo de Superioridade Superlativo absoluto
regular irregular
bom melhor boníssimo ótimo
mau pior malíssimo péssimo
pequeno menor pequeníssimo mínimo
grande maior grandíssimo máximo
Quando estes adjetivos se referem a características de um mesmo ser, admitem-se as construções mais bom que, mais mau que, mais grande que e mais pequeno que. (Ele é bonito e inteligente; alguns o consideram mais bom que inteligente.)

Verbos
Palavra variável que exprime um acontecimento representado no tempo, seja ação, estado ou fenômeno da natureza.
Tipos de verbos
Conforme visto nos elementos mórficos, os verbos apresentam três conjugações. Em função da vogal temática (-a/-e/-i), podem-se criar 3 paradigmas verbais. De acordo com a relação dos verbos com esses paradigmas, obtém-se a seguinte classificação:
• regulares: seguem o paradigma verbal de sua conjugação
• irregulares: não seguem o paradigma verbal da conjugação a que pertencem. As irregularidades podem aparecer no radical ou nas desinências (ouvir - ouço/ouve, estar - estou/estão)
• anômalos: verbos irregulares com mudanças profundas nos radicais (ser/ir)
• defectivos: não são conjugados em determinadas pessoas, tempo ou modo (falir - no pres. do ind. só apresenta a 1ª e a 2ª pess. do plural)
• abundantes: apresentam mais de uma forma para uma mesma flexão. Mais freqüente no particípio, devendo-se usar o particípio regular com ter e haver; já o irregular com ser e estar (aceito/aceitado, acendido/aceso)
• auxiliares: juntam-se ao verbo principal ampliando sua significação. Presentes nos tempos compostos e locuções verbais
Obs.: - certos verbos possuem pron. pessoais átonos que se tornam partes integrantes deles. Nestes casos, o pronome não tem função sintática (suicidar-se, apiedar-se, queixar-se etc.)
- formas rizotônicas (tonicidade no radical - eu canto) e formas arrizotônicas (tonicidade fora do radical - nós cantaríamos)
Flexões verbais
• número - singular ou plural
• pessoa gramatical- 1ª, 2ª ou 3ª
• tempo - referência ao momento em que se fala (pretérito, presente ou futuro)
• modo - indicativo (certeza de um fato ou estado), subjuntivo (possibilidade ou desejo de realização de um fato ou incerteza do estado) e imperativo (expressa ordem, advertência ou pedido)
• voz - ativa, passiva e reflexiva
Tempos
• primitivos: presente e pretérito perfeito do indicativo e o infinitivo
• derivados:
- presente do indicativo - presente do subjuntivo e imperativo negativo (da 1ª pess. sing.); imperativo afirmativo (2as pess. sem S e demais = pres. do subjuntivo)
- pret. perfeito do indicativo - pret. mais-que-perfeito do indicativo (3ª pess. plural sem M + DNPs), fut. do subjuntivo (3ª pess. plural sem AM + DNPs.), pret. imperfeito do subjuntivo (3ª pess. plural sem RAM + DMT SSE e DNPs)
- infinitivo impessoal - fut. do presente (+ -ei, -ás, -á, -emos, -eis, -ão), fut. do pretérito (+ -ia, -ias, -ia, -íamos, -íeis, -iam) e pret. imperfeito (se 1ª conj. + DMT=VA, de 2ª ou 3ª conj. + DMT=IA), sendo todos do indicativo
Vozes
• ativa: sujeito é agente da ação verbal
• passiva: sujeito é paciente da ação verbal. Pode ser analítica ou sintética:
analítica - verbo auxiliar (TD) + particípio do verbo principal
sintética - verbo (TD) na 3ª pess. do singular SE (partícula apassivadora)
• reflexiva: sujeito é agente e paciente da ação verbal. Também pode ser recíproca ao mesmo tempo (acréscimo de SE = pronome reflexivo)
Na transformação da voz ativa na passiva, a variação temporal é indicada pelo verbo ser. Entretanto, nas locuções verbais, o ser assume a forma do verbo principal na voz ativa.
Ex.: Ele fez o trabalho - O trabalho foi feito por ele (mantido o pret. perf. do ind.)
O vento ia levando as folhas - As folhas iam sendo levadas pelas folhas (mantido o gerúndio do verbo principal)
Verbos notáveis
Encontram-se listados aqui alguns verbos que podem apresentar problemas de conjugação. Desta maneira, dedique uma atenção especial a este grupo.
• Abolir (defectivo): não possui a 1ª pess. do sing. do pres. do indicativo, por isso não possui pres. do subjuntivo e o imperativo negativo. (= banir, carpir, colorir, delinqüir, demolir, descomedir-se, emergir, exaurir, fremir, fulgir, haurir, retorquir, urgir)
• Acudir (alternância vocálica o/u): pres. ind. - acudo, acodes... e / pret. perf do ind. - com u (=bulir, consumir, cuspir, engolir, fugir)
• Adequar (defectivo): só possui a 1ª e a 2ª pess. do plural no pres. do ind.
• Aderir (alternância vocálica e/i): pres. ind. - adiro, adere... (= advertir, cerzir, despir, diferir, digerir, divergir, ferir, sugerir)
• Agir (acomodação gráfica g/j): pres. ind. - ajo, ages... (= afligir, coagir, erigir, espargir, refulgir, restringir, transigir, urgir)
• Agredir (alternância vocálica e/i): pres. ind. - agrido, agrides, agride, agredimos, agredis, agridem (= prevenir, progredir, regredir, transgredir)
• Aguar (reg.): pres. ind. - águo, águas..., / pret. perf do ind. - agüo, aguaste, aguou, aguamos, aguastes, aguaram (= desaguar, enxaguar, minguar)
• Apiedar-se (pronominal)
• Aprazer (irreg.): pres. ind. - aprazo, aprazes, apraz... / pret. perf do ind. - aprouve, aprouveste, aprouve, aprouvemos, aprouvestes, aprouveram
• Argüir (irregular com alternância vocálica o/u): pres. ind. - arguo (ú), argúis, argúi, argüimos, argüis, argúem / pret. perf - argüi, argüiste... (com trema )
• Atrair (irreg.): pres. ind. - atraio, atrais... / pret. perf - atraí, atraíste... (=abstrair, cair, distrair, sair, subtrair)
• Atribuir (irreg.): pres. ind. - atribuo, atribuis, atribui, atribuímos, atribuís, atribuem / pret. perf. - atribuí, atribuíste, atribuiu... (= afluir, concluir, destituir, excluir, , instruir, possuir, usufruir)
• Averiguar (alternância vocálica o/u): pres. ind. - averiguo (ú), averiguas (ú), averigua (ú), averiguamos, averiguais, averiguam (ú) / pret. perf. - averigüei, averiguaste... (= apaziguar)
• Caber (irreg.): pres. ind. - caibo, cabes... / pret. perf. - coube, coubeste...
• Cear (irreg.): pres. ind. - ceio, ceias, ceia, ceamos, ceais, ceiam / pret. perf. ind. - ceei, ceaste, ceou, ceamos, ceastes, cearam (= verbos terminados em -ear: falsear, passear... - alguns apresentam pronúncia aberta: estréio, estréia...)
• Coar (irreg.): pres. ind. - côo, côas, côa, coamos, coais, coam / pret. perf. - coei, coaste, coou... (= abençoar, magoar, perdoar)
• Comerciar (reg.): pres. ind. - comercio, comercias... / pret. perf. - comerciei... (= verbos em -iar , exceto os seguintes verbos: mediar, ansiar, remediar, incendiar, odiar)
• Compelir (alternância vocálica e/i): pres. ind. - compilo, compeles... / pret. perf. ind. - compeli, compeliste...
• Compilar (reg.): pres. ind. - compilo, compilas, compila... / pret. perf. ind. - compilei, compilaste...
• Construir (irregular e abundante): pres. ind. - construo, constróis (ou construis), constrói (ou constui), construímos, construís, constroem (ou construem) / pret. perf. ind. - construí, construíste...
• Crer (irreg.): pres. ind. - creio, crês, crê, cremos, credes, crêem / pret. perf. ind. - cri, creste, creu, cremos, crestes, creram / imp. ind. - cria, crias, cria, críamos, críeis, criam
• Dignar-se (pronomina): (= persignar-se)
• Dizer (irreg.): pres. ind. - digo, dizes, diz... / pret. perf. ind. - disse, disseste...
• Falir (defectivo): pres. ind. - falimos, falis / pret. perf. ind. - fali, faliste... (= aguerrir, combalir, foragir-se, remir, renhir)
• Frigir (acomodação gráfica g/j e alternância vocálica e/i): pres. ind. - frijo, freges, frege, frigimos, frigis, fregem / pret. perf. ind. - frigi, frigiste...
• Ir (irreg.): pres. ind. - vou, vais, vai, vamos, ides, vão / pret. perf. ind. - fui, foste... / pres. subj. - vá, vás, vá, vamos, vades, vão
• Jazer (irreg.): pres. ind. - jazo, jazes... / pret. perf. ind. - jazi, jazeste, jazeu...
• Mobiliar (irreg.): pres. ind. - mobílio, mobílias, mobília, mobiliamos, mobiliais, mobíliam / pret. perf. ind. - mobiliei, mobiliaste...
• Obstar (reg.): pres. ind. - obsto, obstas... / pret. perf. ind. - obstei, obstaste...
• Pedir (irreg.): pres. ind. þ peço, pedes, pede, pedimos, pedis, pedem / pret. perf. ind. - pedi, pediste... (= despedir, expedir, medir)
• Polir (alternância vocálica e/i): pres. ind. - pulo, pules, pule, polimos, polis, pulem / pret. perf. ind. - poli, poliste...
• Precaver-se (defectivo e pronominal): pres. ind. - precavemo-nos, precaveis-vos / pret. perf. ind. - precavi-me, precaveste-te...
• Prover (irreg.): pres. ind. - provejo, provês, provê, provemos, provedes, provêem / pret. perf. ind. - provi, proveste, proveu...
• Reaver (defectivo): pres. ind. - reavemos, reaveis / pret. perf. ind. - reouve, reouveste, reouve... (verbo derivado do haver, mas só é conjugado nas formas verbais com a letra v)
• Remir (defectivo): pres. ind. - remimos, remis / pret. perf. ind. - remi, remiste...
• Requerer (irreg.): pres. ind. - requeiro, requeres... / pret. perf. ind. - requeri, requereste, requereu... (derivado do querer, diferindo dele na 1ª pess. sing. do pres. ind. e no pret. perf. do ind. e derivados, sendo regular)
• Rir (irreg.): pres. ind. - rio, rir, ri, rimos, rides, riem / pret. perf. ind. - ri, riste... (= sorrir)
• Saudar (alternância vocálica) þ pres. ind. - saúdo, saúdas... / pret. perf. ind. - saudei, saudaste...
• Suar (reg.): pres. ind. - suo, suas, sua... / pret. perf. ind. - suei, suaste, sou... (= atuar, continuar, habituar, individuar, recuar, situar)
• Valer (irreg.): pres. ind. - valho, vales, vale... / pret. perf. ind. - vali, valeste, valeu...
• Ver (irreg.): pres. ind. - vejo, vês, vê, vemos, vedes, vêem / Pret. perf. ind. - vi, viste, viu... (= antever, prever, rever etc.)
• Vir (irreg.): pres. ind. - venho, vens, vem, vimos, vindes, vêm / pret. perf. ind. - vim, vieste, veio, viemos, viestes, vieram (= advir, convir, intervir, provir, sobrevir etc.)
Infinitivo pessoal ou impessoal?
O emprego do infinitivo não obedece a regras bem definidas.
• impessoal: sentido genérico ou indefinido, não relacionado a nenhuma pessoa
• pessoal: refere-se às pessoas do discurso, dependendo do contexto
Recomenda-se sempre o uso da forma pessoal se for necessário dar à frase maior clareza e ênfase.
Usa-se o impessoal:
• sem referência a nenhum sujeito - É proibido fumar na sala
• nas locuções verbais - Devemos avaliar a sua situação
• quando o infinitivo exerce função de complemento de adjetivos - É um problema fácil de solucionar
• quando o infinitivo possui valor de imperativo - Ele respondeu: "Marchar!"
Usa-se o pessoal:
• quando o sujeito do infinitivo é diferente do sujeito da oração principal - Eu não te culpo por saíres daqui
• quando, por meio de flexão, se quer realçar ou identificar a pessoa do sujeito - Foi um erro responderes dessa maneira.
• quando queremos determinar o sujeito (usa-se a 3ª pess. do pl.) - Escutei baterem à porta

Artigos
Palavra colocada antes do substantivo para determiná-lo, mantendo com ele relação de concordância.
Pode ser classificado em:
• definido: o, a, os, as - determinam o substantivo de modo preciso, específico
• indefinido :um, uma, uns, umas - determinam o substantivo de modo vago, impreciso
Podem aparecer combinados com preposições. (numa, do, à ...)
O artigo tem a propriedade de substantivar qualquer palavra precedida por ele. Esse processo chama-se substantivação. (fumar-verbo / O fumar faz mal à saúde)
Observação:
- para se certificar de que uma palavra é artigo, troque o gênero do substantivo posterior. Se o suposto artigo não mudar de gênero, pertence à outra classe.
Emprego
• não se deve usar artigo depois de cujo e suas flexões
• não se usa artigo diante de expressões de tratamento iniciadas por possessivos
• é obrigatório o uso do artigo definido entre o numeral ambos e o substantivo a que se refere (ambos os cônjuges)
• diante do possessivo adjetivo o uso é facultativo; mas se o pronome for substantivo, torna-se obrigatório
• antes de nomes de pessoas, geralmente, não se utiliza o artigo
• não se usa artigo diante das palavras casa (=lar, moradia) e terra (=chão firme) a menos que essas palavras sejam especificadas
• diante de alguns nomes de cidade não se usa artigo, a não ser que venham modificados
• usa-se artigo definido antes dos nomes de estados brasileiros, exceto: AL, GO, MT, MG, PE, SC, SP e SE
• não se combina com preposição o artigo que faz parte de nomes de jornais, revistas e obras literárias (li em Os Lusíadas)
• depois de todo, emprega-se o artigo para conferir idéia de totalidade (Toda a sociedade poderá participar)

Numerais
Palavra que indica quantidade, número de ordem, múltiplo ou fração. Classifica-se como: cardinal (1, 2, 3, ...), ordinal (primeiro, segundo, terceiro, ...), multiplicativo (dobro, duplo, triplo, ...), fracionário (meio, metade, terço)
Valor do Numeral
Podem apresentar valor adjetivo ou substantivo. Se estiverem acompanhando e modificando um substantivo, terão valor adjetivo. Já se estiverem substituindo um substantivo e designando seres, terão valor substantivo.
Ex.: Ele foi o primeiro jogador a chegar. (valor adjetivo)
Ele será o primeiro desta vez. (valor substantivo)
Emprego
• os fracionários têm como forma própria meio, metade e terço, todas as outras representações de divisão correspondem aos ordinais ou aos cardinais seguidos da palavra avos (quarto, décimo, milésimo, quinze avos etc.)
• designando séculos, reis, papas e capítulos, utiliza-se na leitura ordinal até décimo; a partir daí usam-se os cardinais. (Luís XIV - quatorze, Papa Paulo II - segundo)
Observação:
- se o numeral vier antes do substantivo, será obrigatório o ordinal (XX Bienal - vigésima, IV Semana de Cultura - quarta)
• zero e ambos (as) também são numerais cardinais
• dúzia, centena... são chamados numerais coletivos, por designarem um conjunto de seres
um - numeral ou artigo? Nestes casos, a distinção é feita pelo contexto. Numeral indicando quantidade e artigo quando se opõe ao substantivo indicando-o de forma indefinida
Flexão
Variam em gênero e número
gênero
Cardinais: um, dois e os duzentos a novecentos; todos os ordinais; os multiplicativos e fracionários, quando expressam uma idéia adjetiva em relação ao substantivo
número:
Cardinais terminados em -ão; todos os ordinais; os multiplicativos, quando têm função adjetiva; os fracionários, dependendo do cardinal que os antecede
Os cardinais, quando substantivos, vão para o plural se terminarem por som vocálico

Pronomes
Palavra variável em gênero, número e pessoa que substitui ou acompanha um substantivo, indicando-o como pessoa do discurso.
Pronome substantivo x pronome adjetivo
Esta classificação pode ser atribuída a qualquer tipo de pronome, podendo variar em função do contexto frasal.
pron. substantivo: substitui um substantivo, representando-o. (Ele prestou socorro)
pron. adjetivo: acompanha um substantivo, determinando-o. (Aquele rapaz é belo)
Obs.: Os pronomes pessoais são sempre substantivos
Pessoas do discurso
São três:
1ª pessoa: aquele que fala, emissor
2ª pessoa: aquele com quem se fala, receptor
3ª pessoa: aquele de que ou de quem se fala, referente
Tipos de pronomes
• pessoal
• possessivo • demonstrativo
• relativo • indefinido
• interrogativo
Pessoal
Indicam uma das três pessoas do discurso, substituindo um substantivo. Podem também representar, quando na 3ª pessoa, uma forma nominal anteriormente expressa.
Ex.:A moça era a melhor secretária, ela mesma agendava os compromissos do chefe.
Apresentam variações de forma, dependendo da função sintática que exercem na frase, dividindo-se em retos e oblíquos.
Pronomes Pessoais
número pessoa pronomes retos pronomes oblíquos
tônicos átonos

singular 1a.
2a.
3a. eu
tu
ele, ela mim, comigo
ti, contigo
ele, ela, si, consigo me
te
se, o, a, lhe

plural 1a.
2a.
3a. nós
vós
eles, elas nós, conosco
vós, convosco
eles, elas, si, consigo nos
vos
se, os, as, lhes
Os pron. pessoais retos desempenham, normalmente, função de sujeito; enquanto os oblíquos, geralmente, de complemento.
Obs.: os pron. oblíquos tônicos devem vir regidos de preposição. Em comigo, contigo, conosco e convosco, a preposição "com" já é parte integrante do pronome.
Os pron. de tratamento estão enquadrados nos pron. pessoais. São empregados como referência à pessoa com quem se fala (2ª pess.), entretanto, a concordância é feita com a 3ª pess.
Abrev. Tratamento Uso
V. A. Vossa Alteza príncipes, arquiduques, duques
V. Em.ª Vossa Eminência cardeais
V. Ex.ª Vossa Excelência altas autoridades do governo e das classes armadas
V. Mag.ª Vossa Magnificência reitores das universidades
V. M. Vossa Majestade reis, imperadores
V. Rev.ma Vossa Reverendíssima sacerdotes em geral
V. S. Vossa Santidade papas
V. S.ª Vossa Senhoria funcionários públicos graduados, oficiais até coronel, pessoas de cerimônia
Obs.: também são considerados pron. de tratamento as formas você, vocês (provenientes da redução de Vossa Mercê), Senhor, Senhora e Senhorita.
Emprego
• você hoje é usado no lugar das 2as pessoas (tu/vós), levando o verbo para a 3ª pessoa
• as formas de tratamento serão precedidas de Vossa, quando nos dirigirmos diretamente à pessoa e de Sua, quando fizermos referência a ela. Troca-se na abreviatura o V. pelo S.
• quando precedidos de preposição, os pron. retos (exceto eu e tu) passam a funcionar como oblíquos
• os pron. acompanhados das palavras só ou todos assumem a forma reta (Estava só ele no banco / Encontramos todos eles ali)
• as formas oblíquas o, a, os, as não vêm precedidas de preposição; enquanto lhe e lhes vêm regidos das preposições a ou para (não expressas)
• eu e tu não podem vir precedidos de preposição, exceto se funcionarem como sujeito de um verbo no infinitivo (Isto é para eu fazer ? para mim fazer)
• me, te, se, nos, vos - podem ter valor reflexivo
• se, nos, vos - podem ter valor reflexivo e recíproco
• si e consigo - têm valor exclusivamente reflexivo
• conosco e convosco devem aparecer na sua forma analítica (com nós e com vós) quando vierem com modificadores (todos, outros, mesmos, próprios ou um numeral)
• o, a, os e as viram lo(a/s), quando associados a verbos terminados em r, s ou z e viram no(a/s), se a terminação verbal for em ditongo nasal
• os pron. pess. retos podem desempenhar função de sujeito, predicativo do sujeito ou vocativo, este último com tu e vós (Nós temos uma proposta / Eu sou eu e pronto / Ó, tu, Senhor Jesus)
• pode-se omitir o pron. sujeito, pois as DNPs verbais bastam para indicar a pessoa gramatical
• plural de modéstia - uso do "nós" em lugar do "eu", para evitar tom impositivo ou pessoal
• num sujeito composto é de bom tom colocar o pron. de 1ª pess. por último (José, Maria e eu fomos ao teatro). Porém se for algo desagradável ou que implique responsabilidade, usa-se inicialmente a 1ª pess. (Eu, José e Maria fomos os autores do erro)
• não se pode contrair as preposições de e em com pronomes que sejam sujeitos (Em vez de ele continuar, desistiu ? Vi as bolsas dele bem aqui)
• os pronomes átonos podem assumir valor possessivo (Levaram-me o dinheiro)
Obs.: as regras de colocação dos pronomes pessoais do caso oblíquos átonos serão vistas em separado
Possessivo
Fazem referência às pessoas do discurso, apresentando-as como possuidoras de algo. Concordam em gênero e número com a coisa possuída.
Pronomes possessivos
pessoa um possuidor vários possuidores
1ª meu (s), minha (s) nosso (a/s)
2ª teu (a/s) vosso (a/s)
3ª seu (a/s) seu (a/s)
Emprego
• normalmente, vem antes do nome a que se refere; podendo, também, vir depois do substantivo que determina. Neste último caso, pode até alterar o sentido da frase
• seu (a/s) pode causar ambigüidade, para desfazê-la, deve-se preferir o uso do dele (a/s) (Ele disse que Maria estava trancada em sua casa - casa de quem?)
• pode indicar aproximação numérica (ele tem lá seus 40 anos)
• nas expressões do tipo "Seu João", seu não tem valor de posse por ser uma alteração fonética de Senhor
Demonstrativo
Indicam posição de algo em relação às pessoas do discurso, situando-o no tempo e/ou no espaço. São: este (a/s), isto, esse (a/s), isso, aquele (a/s), aquilo.
Mesmo, próprio, semelhante, tal e o (a/s) podem desempenhar papel de pron. demonstrativo.
Emprego
• indicando localização no espaço - este (aqui), esse (aí) e aquele (lá)
• indicando localização temporal - este (presente), esse (passado próximo) e aquele (passado remoto ou bastante vago)
• fazendo referência ao que já foi ou será dito no texto - este (ainda se vai falar) e esse (já mencionado)
• o, a, os, as são demonstrativos quando equivalem a aquele (a/s)
• tal é demonstrativo se puder ser substituído por esse (a), este (a) ou aquele (a)
• mesmo e próprio são demonstrativos quando significarem "idêntico" ou "em pessoa". Concordam com o nome a que se referem
• podem apresentar valor intensificador ou depreciativo, dependendo do contexto frasal (Ele estava com aquela paciência / Aquilo é um marido de enfeite)
• nisso e nisto (em + pron.) podem ser usados com valor de "então" ou "nesse momento" (Nisso, ela entrou triunfante)
Relativo
Retoma um termo expresso anteriormente (antecedente).
São eles que, quem e onde - invariáveis; além de o qual (a/s), cujo (a/s) e quanto (a/s).
Emprego
• quem será precedido de preposição se estiver relacionado a pessoas ou seres personificados
• quem = relativo indefinido quando é empregado sem antecedente claro, não vindo precedido de preposição
• cujo (a/s) é empregado para dar a idéia de posse e não concorda com o antecedente e sim com seu conseqüente
• quanto (a/s) normalmente tem por antecedente os pronomes indefinidos tudo, tanto (a/s)
Indefinido
Referem-se à 3ª pessoa do discurso quando considerada de modo vago, impreciso ou genérico. Podem fazer referência a pessoas, coisas e lugares. Alguns também podem dar idéia de conjunto ou quantidade indeterminada.
Pronomes indefinidos
pessoas quem, alguém, ninguém, outrem
lugares onde, algures, alhures, nenhures
coisas que, qual, quais, algo, tudo, nada, todo (a/s), algum (a/s), vários (a), nenhum (a/s), certo (a/s), outro (a/s), muito (a/s), pouco (a/s), quanto (a/s), um (a/s), qualquer (s), cada
Emprego
• algum, após o substantivo a que se refere, assume valor negativo (= nenhum) (Computador algum resolverá o problema)
• cada deve ser sempre seguido de um substantivo ou numeral (Elas receberam 3 balas cada uma)
• certo é indefinido se vier antes do nome a que estiver se referindo. Caso contrário é adjetivo (Certas pessoas deveriam ter seus lugares certos)
• bastante pode vir como adjetivo também, se estiver determinando algum substantivo
• o pronome outrem equivale a "qualquer pessoa"
• o pronome nada, colocado junto a verbos ou adjetivos, pode equivaler a advérbio (Ele não está nada contente hoje)
• o pronome outro (a/s) ganha valor adjetivo se equivaler a diferente" (Ela voltou outra das férias)
• existem algumas locuções pronominais indefinidas - quem quer que seja, seja quem for, cada um etc.
Interrogativo
Usados na formulação de uma pergunta direta ou indireta. Referem-se à 3ª pessoa do discurso.
Na verdade, são os pronomes indefinidos que, quem, qual (a/s) e quanto (a/s) em frases interrogativas. (Quantos livros você tem? / Não sei quem lhe contou)

Advérbios
Pode modificar um verbo, um adjetivo, outro advérbio ou uma frase inteira. Classificam-se de acordo com as circunstâncias que expressam:
• lugar: longe, junto, acima, atrás, alhures...
• tempo: breve, cedo, já, dentro, ainda...
• modo: bem, mal, melhor, pior, devagar, a maioria dos adv. com sufixo -mente
• negação: não, tampouco, absolutamente...
• dúvida: quiçá, talvez, provavelmente, possivelmente...
• intensidade: muito, pouco, bastante, mais, demais, tão...
• afirmação: sim, certamente, realmente, efetivamente...
Obs.: as palavras onde (de lugar), como (de modo), por que (de causa) e quando (de tempo), usadas em frases interrogativas diretas ou indiretas, são classificadas como advérbios interrogativos.
São locuções adverbiais: à direita, à frente, à vontade, de cor, em vão, por acaso, frente a frente, de maneira alguma, de manhã, de repente, de vez em quando, em breve, etc. São classificadas, também, em função da circunstância que expressam.
Grau
Apesar de pertencer à categoria das palavras invariáveis, o advérbio pode apresentar variações de grau comparativo ou superlativo.
Comparativo:
igualdade: tão+adv+quanto
superioridade: mais+adv+(do) que
inferioridade: menos+adv+(do) que Superlativo:
sintético: + sufixo -íssimo
analítico: muito+adv.
Obs.: bem e mal admitem grau comparativo de superioridade sintético: melhor e pior. As formas mais bem e mais mal são usadas diante de particípios adjetivados. (Ele está mais bem informado do que eu)
Emprego
• na linguagem coloquial, o advérbio recebe sufixo diminutivo. Nesses casos, embora ocorra o diminutivo, o advérbio assume valor superlativo
• a repetição de um mesmo advérbio também assume valor superlativo
• quando os advérbio terminados em -mente estiverem coordenados, é comum o uso do sufixo só no último
• antes de particípios, bem e mal aparecem nas formas analíticas do comparativo de superioridade (mais bem e mais mal) e não como melhor e pior
• muito e bastante podem aparecer como advérbio (invariável) ou pron. indefinido (variável - determina subst.)
• adjetivos adverbializados mantêm-se invariáveis (terminaram rápido o trabalho)
Palavras denotativas
Série de palavras que se assemelham ao advérbio. A NGB considera-as apenas como palavras denotativas, não pertencendo a nenhuma das 10 classes gramaticais. Classificam-se em função da idéia que expressam:
• adição: ainda, além disso etc. (Comeu tudo e ainda queria mais)
• afastamento: embora (Foi embora daqui)
• afetividade: ainda bem, felizmente, infelizmente (Ainda bem que passei de ano)
• aproximação: quase, lá por, bem, uns, cerca de, por volta de etc. (É quase 1h a pé)
• designação: eis (Eis nosso carro novo)
• exclusão: apesar, somente, só, unicamente, inclusive, exceto, senão, sequer, apenas etc. (Todos saíram, menos ela)
• explicação: isto é, por exemplo, a saber etc. (Li vários livros, a saber, os clássicos)
• inclusão: até, ainda, também, inclusive etc. (Eu também vou)
• limitação: só, somente, unicamente, apenas etc. (Apenas um me respondeu)
• realce: é que, cá, lá, não, mas, é porque etc. (E você lá sabe essa questão?)
• retificação: aliás, isto é, ou melhor, ou antes etc. (Somos três, ou melhor, quatro)
• situação: então, mas, se, agora, afinal etc. (Afinal, quem perguntaria a ele?)

Preposições
Palavra invariável que liga dois termos entre si, estabelecendo relação de subordinação (regente - regido). Divide-se em:
• essenciais (maioria das vezes são preposições): a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, per, perante, por, sem, sob, sobre, trás
• acidentais (podem exercer função de preposição): afora, conforme, consoante, durante, exceto, salvo, segundo, senão etc.
• preposições essenciais regem pron. obl. tônicos; enquanto preposições acidentais regem as formas retas dos pron. pessoais. (Falei sobre ti/Todos, exceto eu, vieram)
São locuções prepositivas: abaixo de, acerca de, a fim de, além de, ao lado de, apesar de, através de, de acordo com, em vez de, junto de, perto de etc.
Obs.: a última palavra da loc. prepositiva é sempre uma preposição, enquanto a última palavra de uma loc. adverbial nunca é preposição
Emprego
• combinação: preposição + outra palavra sem perda fonética (ao/aos)
• contração: preposição + outra palavra com perda fonética (na/àquela)
• não se deve contrair de se o termo seguinte for sujeito (Está na hora de ele falar)
Pronome pessoal oblíquo x preposição x artigo
Preposição - liga 2 termos, sendo invariável
Pron. oblíquo - substitui um substantivo
Artigo - antecede o substantivo, determinando-o
Relações estabelecidas pelas preposições
• autoria - música de Caetano
• lugar - cair sobre o telhado / estar sob a mesa
• tempo - nascer a 15 de outubro / viajar em uma hora
• modo - chegar aos gritos / votar em branco
• causa - tremer de frio / preso por vadiagem
• assunto - falar sobre política
• fim ou finalidade - vir em socorro / vir para ficar
• instrumento - escrever a lápis / ferir-se com a faca
• companhia - sair com amigos
• meio - voltar a cavalo / viajar de ônibus
• matéria - anel de prata / pão com farinha
• posse - carro de João
• oposição - Flamengo contra Fluminense
• conteúdo - copo de (com) vinho
• preço - vender a (por) R$ 300, 00
• origem - descender de família humilde
• destino - ir a Roma

Conjunções
Palavra que liga orações, estabelecendo entre elas alguma relação (subordinação ou coordenação). As conjunções classificam-se em:
Coordenativas: ligam duas orações independentes (coordenadas), ou dois termos que exercem a mesma função sintática dentro da oração. Apresentam 5 tipos:
• aditivas (adição) - e, nem, mas também, mas ainda etc.
• adversativas (adversidade, oposição) - mas, porém, todavia, contudo etc.
• alternativas (alternância, exclusão, escolha) - ou, ou ... ou, ora ... ora, quer ... quer etc.
• conclusivas (conclusão) - logo, portanto, pois (depois do verbo) etc.
• explicativas (justificação) - pois (antes do verbo), porque, que etc.
Subordinativas: ligam duas orações dependentes, subordinando uma à outra. Apresentam 10 tipos.
• causais - porque, visto que, já que, uma vez que etc.
• comparativas - como, que (precedido de mais ou menos) etc.
• condicionais - se, caso, contanto que, desde que etc.
• consecutivas (conseqüência, resultado, efeito) - que (precedido de tal, tanto, tão etc. - indicadores de intensidade), de modo que, de maneira que etc.
• conformativas (conformidade, adequação) - conforme, segundo, consoante, como etc.
• concessiva - embora, se bem que, ainda que, mesmo que etc.
• temporais - quando, enquanto, logo, desde que etc.
• finais - a fim de que, para que, que etc.
• proporcionais - à medida que, à proporção que, ao passo que etc.
• integrantes - que, se
As conjunções integrantes introduzem as orações subordinadas substantivas, enquanto as demais iniciam orações subordinadas adverbiais. Muitas vezes a função de interligar orações é desempenhada por locuções conjuntivas.

Interjeições
Expressa estados emocionais do falante, variando de acordo com o contexto emocional. Podem expressar:
• alegria: ah!, oh!, oba! etc.
• advertência: cuidado!, atenção etc.
• afugentamento: fora!, rua!, passa!, xô! etc.
• alívio: ufa!, arre!
• animação: coragem!, avante!, eia!
• aplauso: bravo!, bis!, mais um! etc.
• chamamento: alô!, olá!, psit! etc.
• desejo: oxalá!, tomara! etc.
• dor: ai!, ui! etc.
• espanto: puxa!, oh!, chi!, ué! etc.
• impaciência: hum!, hem! etc.
• silêncio: silêncio!, psiu!, quieto!
São locuções interjeitivas: puxa vida!, não diga!, que horror!, graças a Deus!, ora bolas!, cruz credo! etc.







ESTRUTURA DAS PALAVRAS

Estrutura das Palavras

Estudar a estrutura das palavras é estudar os elementos que formam a palavra, denominados de morfemas. São os seguintes os morfemas da Língua Portuguesa.


Radical: O que contém o sentido básico do vocábulo. Aquilo que permanecer intacto, quando a palavra for modificada.

Ex. falar, comer, dormir, casa, carro.

Obs: Em se tratando de verbos, descobre-se o radical, retirando-se a terminação AR, ER ou IR.
Vogal Temática:

Nos verbos, são as vogais A, E e I, presentes à terminação verbal. Elas indicam a que conjugação o verbo pertence:
1. 1ª conjugação = Verbos terminados em AR.
2. 2ª conjugação = Verbos terminados em ER.
3. 3ª conjugação = Verbos terminados em IR.
Obs.: O verbo pôr pertence à 2ª conjugação, já que proveio do antigo verbo poer.

Nos substantivos e adjetivos, são as vogais A, E, I, O e U, no final da palavra, evitando que ela termine em consoante. Por exemplo, nas palavras: meia, pente, táxi, couro, urubu.

* Cuidado para não confundir vogal temática de substantivo e adjetivo com desinência nominal de gênero, que estudaremos mais à frente.

Tema:
É a junção do radical com a vogal temática. Se não existir a vogal temática, o tema e o radical serão o mesmo elemento; o mesmo acontecerá, quando o radical for terminado em vogal. Por exemplo, em se tratando de verbo, o tema sempre será a soma do radical com a vogal temática - estuda, come, parti; em se tratando de substantivos e adjetivos, nem sempre isso acontecerá. Vejamos alguns exemplos: No substantivo pasta, past é o radical, a, a vogal temática, e pasta o tema; já na palavra leal, o radical e o tema são o mesmo elemento - leal, pois não há vogal temática; e na palavra tatu também, mas agora, porque o radical é terminado pela vogal temática.

Desinências:
É a terminação das palavras, flexionadas ou variáveis, posposta ao radical, com o intuito de modificá-las. Modificamos os verbos, conjugando-os; modificamos os substantivos e os adjetivos em gênero e número. Existem dois tipos de desinências:
Desinências verbais:


Modo-temporais = indicam o tempo e o modo. São quatro as desinências modo-temporais:

-va- e -ia-, para o Pretérito Imperfeito do Indicativo = estudava, vendia, partia.

-ra-, para o Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo = estudara, vendera, partira.

-ria-, para o Futuro do Pretérito do Indicativo = estudaria, venderia, partiria.

-sse-, para o Pretérito Imperfeito do Subjuntivo = estudasse, vendesse, partisse.


Número-pessoais = indicam a pessoa e o número. São três os grupos das desinências número-pessoais.

Grupo I: i, ste, u, mos, stes, ram, para o Pretérito Perfeito do Indicativo = eu cantei, tu cantaste, ele cantou, nós cantamos, vós cantastes, eles cantaram.

Grupo II: -, es, -, mos, des, em, para o Infinitivo Pessoal e para o Futuro do Subjuntivo = Era para eu cantar, tu cantares, ele cantar, nós cantarmos, vós cantardes, eles cantarem. Quando eu puser, tu puseres, ele puser, nós pusermos, vós puserdes, eles puserem.

Grupo III: -, s, -, mos, is, m, para todos os outros tempos = eu canto, tu cantas, ele canta, nós cantamos, vós cantais, eles cantam.

Desinências nominais:


de gênero = indica o gênero da palavra. A palavra terá desinência nominal de gênero, quando houver a oposição masculino - feminino. Por exemplo: cabeleireiro - cabeleireira. A vogal a será desinência nominal de gênero sempre que indicar o feminino de uma palavra, mesmo que o masculino não seja terminado em o. Por exemplo: crua, ela, traidora.

de número = indica o plural da palavra. É a letra s, somente quando indicar o plural da palavra. Por exemplo: cadeiras, pedras, águas.

Afixos: São elementos que se juntam a radicais para formar novas palavras. São eles:

Prefixo: É o afixo que aparece antes do radical. Por exemplo destampar, incapaz, amoral.

Sufixo: É o afixo que aparece depois do radical, do tema ou do infinitivo. Por exemplo pensamento, acusação, felizmente.

Vogais e consoantes de ligação: São vogais e consoantes que surgem entre dois morfemas, para tornar mais fácil e agradável a pronúncia de certas palavras. Por exemplo flores, bambuzal, gasômetro, canais.


Formação das palavras

Para analisar a formação de uma palavra, deve-se procurar a origem dela. Caso seja formada por apenas um radical, diremos que foi formada por derivação; por dois ou mais radicais, composição. São os seguintes os processos de formação de palavras:

Derivação: Formação de novas palavras a partir de apenas um radical.

Derivação Prefixal: Acréscimo de um prefixo à palavra primitiva; também chamado de prefixação. Por exemplo: antepasto, reescrever, infeliz.

Derivação Sufixal: Acréscimo de um sufixo à palavra primitiva; também chamado de sufixação. Por exemplo: felizmente, igualdade, florescer.

Derivação Prefixal e Sufixal: Acréscimo de um prefixo e de um sufixo, em tempos diferentes; também chamado de prefixação e sufixação. Por exemplo: infelizmente, desigualdade, reflorescer.

Derivação Parassintética: Acréscimo de um prefixo e de um sufixo, simultaneamente; também chamado de parassíntese. Por exemplo: envernizar, enrijecer, anoitecer.

Obs.: A maneira mais fácil de se estabelecer a diferença entre Derivação Prefixal e Sufixal e Derivação Parassintética é a seguinte: retira-se o prefixo; se a palavra que sobrou existir, será Der. Pref. e Suf.; caso contrário, retira-se, agora, o sufixo; se a palavra que sobrou existir, será Der. Pref. e Suf.; caso contrário, será Der. Parassintética. Por exemplo, retire o prefixo de envernizar: não existe a palavra vernizar; agora, retire o sufixo: também não existe a palavra enverniz. Portanto, a palavra foi formada por Parassíntese.

Derivação Regressiva: É a retirada da parte final da palavra primitiva, obtendo, por essa redução, a palavra derivada. Por exemplo: do verbo debater, retira-se a desinência de infinitivo -r: formou-se o substantivo debate.

Derivação Imprópria: É a formação de uma nova palavra pela mudança de classe gramatical. Por exemplo: a palavra gelo é um substantivo, mas pode ser transformada em um adjetivo: camisa gelo.

Composição: Formação de novas palavras a partir de dois ou mais radicais.

Composição por justaposição: Na união, os radicais não sofrem qualquer alteração em sua estrutura. Por exemplo: ao se unirem os radicais ponta e pé, obtém-se a palavra pontapé. O mesmo ocorre com mandachuva, passatempo, guarda-pó.

Composição por aglutinação: Na união, pelo menos um dos radicais sofre alteração em sua estrutura. Por exemplo: ao se unirem os radicais água e ardente, obtém-se a palavra aguardente, com o desaparecimento do a. O mesmo acontece com embora (em boa hora), planalto (plano alto).

Hibridismo: é a formação de novas palavras a partir da união de radicais de idiomas diferentes. Por exemplo: automóvel, sociologia, sambódromo, burocracia.

Onomatopéia: Consiste em criar palavras, tentando imitar sons da natureza. Por exemplo: zunzum, cricri, tique-taque, pingue-pongue.

Abreviação Vocabular: Consiste na eliminação de um segmento da palavra, a fim de se obter uma forma mais curta. Por exemplo: de extraordinário forma-se extra; de telefone, fone; de fotografia, foto; de cinematografia, cinema ou cine.

Siglas: As siglas são formadas pela combinação das letras iniciais de uma seqüência de palavras que constitui um nome: Por exemplo: IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística); IPTU (Imposto Predial, Territorial e Urbano).

Neologismo semântico: Forma-se uma palavra por neologismo semântico, quando se dá um novo significado, somado ao que já existe. Por exemplo, a palavra legal significa dentro da lei; a esse significado somamos outro: pessoa boa, pessoa legal.

Empréstimo lingüístico: É o aportuguesamento de palavras estrangeiras; se a grafia da palavra não se modifica, ela deve ser escrita entre aspas. Por exemplo: estresse, estande, futebol, bife, "show", xampu, "shopping center".


LISTA DE RADICAIS, PREFIXOS E SUFIXOS

Radicais Gregos – GRUPO A: aparecem como 1º elemento na composição de palavras.
Forma Sentido Exemplos
aero- Ar aerofagia, aeronave
anemo- Vento anemógrafo, anemômetro
antropo- Homem antropófago, antropologia
arqueo- Antigo arqueografia, arqueologia
auto- de si mesmo autobiografia, autógrafo
biblio- Livro bibliografia, biblioteca
bio- Vida biografia, biologia
caco- mau, disforme, irregular cacofonia, cacografia
cali- Belo califasia, caligrafia
cito- cavidade, célula citologia, citoplasma
cosmo- mundo, universo cosmologia, cosmonauta
cromo- Cor cromogravura, cromossomo
crono- Tempo cronologia, cronômetro
dactilo-/datilo- Dedo datilografia, dactiloscopia
deca- Dez decaedro, decalitro
demo- Povo democracia, demagogo
di- Dois dipétalo, dígrafo
electro-/eletro- Eletricidade eletroímã, eletroscopia
enea- Nove eneágono, eneassílabo
etno- povo, raça etnografia, etnologia
farmaco- Medicamento farmacologia, farmacopedia
filo- Amigo filologia, filomático
fisio- Natureza fisiologia, fisionomia
fono- voz, som fonógrafo, fonologia
foto- fogo, luz fotômetro, fotossíntese
gastro- Estômago gastrite, gastrônomo
geo- Terra geografia, geologia
helio- Sol heliografia, heliocêntrico
hemi- Metade hemisfério, hemiplegia
hemo-/hemato- Sangue hemoglobina, hemograma, hematologia, hematoma
hepta- Sete heptágono, heptassílabo
hetero- Outro heterodoxo, heterogêneo
hexa- Seis hexâmetro
hidro- Água hidrogênio, hidratar
hipo- Cavalo hipódromo, hipopótamo
hipo- posição inferior, escassez hipotálamo, hipotermia
hom(e)o- Semelhante homeopatia, homossexual
ictio- Peixe ictiose, ictiologia
iso- Igual isogameta, isóscele(s)
lito- Pedra litogravura, litosfera
macro- grande, longo macróbio, macroeconomia
mega(lo)- Grande megalópole, megalomaníaco
melo- Canto melodia, meloterapia
meso- Meio mesóclise, mesopotâmia
micro- Pequeno micróbio, microscópio
miria- dez mil, numeroso miriâmetro, miríade
miso- que odeia misógino, misantropo
mito- Fábula mitologia, mitomania
mono- um só monarca, monótono
necro- Morto necrotério
neo- Novo neolatino, neologismo
Neuro Nervo neurose, neurastenia
oftalmo- Olho oftalmologia, oftalmoscópio
onomato- Nome onomatologia, onomatopéia
oro- Montanha orologia, orografia
orto- reto, justo, correto ortografia, ortodontia
oxi- agudo, penetrante, ácido oxicefalia, oxítono
paleo- antigo, primitivo paleoecologia, paleontologia
pan- todos, tudo panteísmo, pan-americano
pato- Doença patogênico, patologia
ped(o)- Criança pediatria, pedologia
penta- Cinco pentágono, pentâmetro
piro- Fogo pirofobia, pirotecnia
pluto- Riqueza plutocrata, plutomania
poli- Muito poliglota, polígono
potamo- Rio potamografia, potamologia
proto- Primeiro protótipo, protozoário
pseudo- Falso pseudônimo, pseudo-esfera
psico- alma, espírito psicologia, psicanálise
quilo- Mil quilograma, quilômetro
quiro- Mão quiromancia, quiróptero
rino- nariz rinoceronte, rinoplastia
rizo- Raiz rizófilo, rizotônico
sídero- ferro, aço siderose, siderurgia
taqui- Rápido taquicardia, taquigrafia
tecno- arte, ciência, ofício tecnografia, tecnologia
tele- Longe telefone, telegrama
teo- Deus teocracia, teólogo
termo- Quente termômetro, termoquímica
topo- Lugar topografia, toponímia
tri- Três tríade, trissílabo
xeno- Estrangeiro xenofobia, xenomania
xilo- Madeira xilógrafo, xilogravura
zoo- Animal zoológico, zoomorfo


Radicais Gregos – GRUPO B: aparecem como 2º elemento na composição de palavras.
Forma Sentido Exemplos
-agogo que conduz, que leva demagogo, pedagogo
-algia dor em uma região específica cardialgia, nevralgia
-arca que comanda, que chefia monarca, matriarca
-arquia comando, governo monarquia, oligarquia
-astenia Debilidade ergastenia, neurastenia
-céfalo Cabeça bicéfalo, microcéfalo
-cracia Poder democracia, plutocracia
-doxo que opina heterodoxo, ortodoxo
-dromo lugar para correr hipódromo, autódromo
-edro base, face pentaedro, poliedro
-fagia ato de comer disfagia, antropofagia
-fago que come antropófago, necrófago
-filia Amizade bibliofilia, lusofilia
-fobia inimizade, ódio, temor fotofobia, hidrofobia
-fobo que odeia, inimigo xenófobo, zoófobo
-foro que leva ou conduz fósforo, semáforo
-gamia Casamento monogamia, poligamia
-gamo que casa bígamo, polígamo
-gêneo que gera lacrimogêneo, heterogêneo
-glota/glossa Língua poliglota, interglossa
-gono Ângulo polígono, pentágono
-grafia escrita, descrição ortografia, geografia
-grafo que escreve calígrafo, biógrafo
-grama escrito, peso telegrama, quilograma
-latria Culto idolatria, zoolatria
-logia discurso, tratado, ciência arqueologia, filologia
-maquia Combate hagiomaquia, tauromaquia
-metria medida antropometria, biometria
-metro que mede hidrômetro, pentâmetro
-morfo que tem a forma antropomorfo, polimorfo
-nomia lei, regra agronomia, astronomia
-nomo que regula autônomo, metrônomo
-polis/-pole cidade Petrópolis, metrópole
-ptero que tem asas díptero, helicóptero
-scopia ato de ver macroscopia, microscopia
-scópio instrumento para ver microscópio, telescópio
-sofia sabedoria filosofia, teosofia
-teca lugar onde se guarda biblioteca, fototeca
-terapia cura fisioterapia, hidroterapia
-tomia corte, divisão dicotomia, vasectomia
-tono tensão, tom barítono, monótono

Radicais Latinos - GRUPO A: aparecem como 1º elemento na composição de palavras.
Forma Sentido Exemplo
agri- campo agricultura, agrimensor
ambi- ambos ambidestro, ambivalência
arbori- árvore arborícola, arboriforme
avi- ave avicultor, aviário
bis- / bi- duas vezes bisavô, bípede
calori- calor calorífero, calorimetria
cruci- cruz crucifixo, cruciforme
curvi- curvo curvilíneo, curvirrostro
equi- igual eqüidistante, equivalência
ferri- / ferro- ferro ferrífero, ferrovia
igni- fogo ignívomo, ignívoro
loco- lugar locomotiva, locomoção
morti- morte mortífero, mortificar
multi- muito multiforme, multifacetado
olei- / oleo- azeite, óleo oleígeno, oleoduto
oni- todo onipotente, onipresente
pedi- pé pediforme, pedilúvio
pisc- peixe piscicultor, pisciforme
pluri- muitos, vários pluriforme, pluripartidário

Radicais Latinos - GRUPO B: aparecem como 2º elemento na composição de palavras.
Forma Sentido Exemplos
-cida que mata regicida, suicida
-cola que cultiva; que habita vitícola, arborícola
-cultura ato de cultivar apicultura, piscicultura
-fero que contém; que produz aurífero, calorífero
-fico que faz; que produz benéfico, frigorífico
-forme que tem forma de cuneiforme, floriforme
-fugo que foge; que faz fugir centrífugo, febrífugo
-gero que contém; que produz lanígero, calorígero
-paro que produz maltíparo, ovíparo
-pede pé palmípede, velocípede
-sono que soa horríssono, uníssono
-vomo que expele fumívomo, ignívomo
-voro que come carnívoro, herbívoro

PREFIXOS DE ORIGEM GREGA
Forma Sentido Exemplos
an- / a- privação, negação anarquia, ateu
ana- ação ou movimento
inverso, repetir anáfase, anáfora
anfi- de um e outro lado,
em torno anfíbio, anfiteatro
anti- oposição, ação contrária antiaéreo, antípoda
apo- afastamento, separação apogeu, apóstata
arqui- / arc- / arque- / arce- superioridade arquiduque, arcanjo, arquétipo, arcebispo
cata- movimento de cima para baixo, oposição catadupa, cataplasma
dia- / di- movimento através de, afastamento diagnóstico, diocese
dis- dificuldade dispnéia, disenteria
ec- / ex- movimento para fora eclipse, êxodo
en- / em- / e- posição interior encéfalo, emplastro, elipse
endo- / end- posição interior, movimento para dentro endotérmico, endosmose
epi- / ep- posição inferior, movimento para, posterioridade epiderme, epônimo
eu- / ev- bem, bom eufonia, evangelho
hiper- posição superior, excesso hipérbole, hipertensão
hipo- posição inferior, escassez hipodérmico, hipotensão
meta- / met- posterioridade, mudança metacarpo, metáfase
para- / par- proximidade, ao lado de paranasal, parasita

PREFIXOS DE ORIGEM LATINA
Forma Sentido Exemplos
ab- / abs- / a- afastamento, separação abdicar, abjurar, abster, abstrair, amovível, aversão
ad- / a- / ar- / as- aproximação, direção adjunto, adventício, abeirar, arribar, assentir
ante- anterioridade antebraço, antepor
circum- / circun- movimentos em torno circum-adjacente
cis- posição aquém cisalpino, cisplatino
com- / con- / co- / cor- contigüidade, companhia cooperar, corroborar
contra- oposição, ação conjunta contradizer, contra-assinar
de- movimento de cima para baixo decair, decrescer
des- separação, ação contrária desviar, desfazer
dis- / di- / dir- separação, movimento para diversos lados, negação dissidente, distender, dilacerar, dirimir
ex- / es- / e- movimento para fora, estado anterior exportar, escorrer, emigrar
extra- posição exterior (fora de) extra-oficial, extraviar
in- / im- / i- / ir- / em- / en- movimento para dentro ingerir, impedir, imigrar, irromper, embarcar, enterrar
in- / im- / i- / ir- negação, privação inativo, impermeável, ilegal, irrestrito
inter-/entre- posição intermediária internacional, interromper, entreabrir, entrelinha
pos- posterioridade pospor, postônico
pre- anterioridade prefácio, pretônico
pro- movimento para frente progresso, prosseguir
re- movimento para trás, repetição refluir, refazer
retro- movimento mais para trás retroceder, retrospectivo
soto- / sota- posição inferior soto-mestre, soto-soberania, sota-vento, sota-voga
sub- / sus- / su- / sob- / so- movimento de baixo para cima, inferioridade subclasse, subdelegado, suspender, suster, suceder, supor, sobestar, sobpor
super- / sobre- posição em cima, excesso soerguer, soterrar, superfície, superpovoado, sobrepor, sobrecarga
supra- posição acima, excesso supracitado, supra-sumo
trans- / tras- / tra- / tres- movimento para além de, posição além de transpor, transalpino, transladar, traspassar, tradição, traduzir, tresloucado, tresmalhar
ultra- posição além do limite ultrapassar, ultra-sensível
vice- / vis- / vizo- substituição, em lugar de vice-reitor, vice-cônsul, visconde, vizo-rei

Sufixos
Há três tipos de sufixos:
a. nominal – forma substantivos e adjetivos:
cruel  crueldade
resistir (resist-, radical)  resistente
b. verbal – forma verbos:
dedo  dedilhar
chuva  chuviscar
c. adverbial – forma advérbios:
feroz  ferozmente

1. Principais sufixos nominais
a. Sufixos aumentativos:
-ão: mulherão -aça: barcaça -orra: cabeçorra
-alhão: medalhão -azio: copázio -aréu: povaréu
-aço: balaço -arra: bocarra
b. Sufixos diminutivos:
-inho, -inha: mocinho, mocinha -ela: viela
-zinho, -zinha: pezinho, florzinha -eto,-eta: livreto, saleta
-acho: riacho -(z)ito, -(z)ita: cãozito, casita
-ejo: vilarejo -ote, -ota: fracote, velhota
-ucho: papelucho -isco: chuvisco
-ebre: casebre -ola: fazendola
-ico: namorico
c. Sufixos formadores de substantivos coletivos:
-ada: cachorrada -edo: arvoredo -ama: dinheirama
-agem: plumagem, ramagem -al: milharal -alha: gentalha
-aria: livraria -eiro: formigueiro -io: mulherio
d. Sufixos indicadores de profissão, agente:
-ário: escriturário -(t)or: escultor -eiro: verdureiro
-(d)or: vendedor, comprador -(s)or: professor -nte: pedinte
e. Sufixos indicadores de lugar:
-ário: vestiário -eiro: viveiro
-douro: ancoradouro -tório: lavatório
f. Sufixos indicadores de ação, estado ou qualidade:
-agem: aprendizagem -dão: escuridão -mento: casamento
-aria: pirataria -ança: festança, cobrança -ude: quietude
-dade: bondade -ância: tolerância -ume: negrume
-ada: cartada -ência: influência -ura: doçura
-ez, -eza: sensatez, beleza -ção: admiração
-ice, -ície: burrice, calvície -são: ascensão
g. Sufixos indicadores de origem, naturalidade:
-ano: sergipano -ês,-esa: camponês(a) -ino: latino
-ão: bretão -ense: paranaense
-eiro: brasileiro -eu: hebreu
h. Sufixos indicadores de abundância (“provido ou cheio de”):
-oso: bondoso, afetuoso
-udo: cabeludo, barbudo
i. Sufixos indicadores de ciência, arte, doutrina, sistema político ou religioso:
-ia: economia, astronomia, trigonometria
-ismo: materialismo, socialismo, calvinismo, realismo

2. Principais sufixos verbais
-ear: folhear -iscar: chuviscar
-entar: amamentar -itar: saltitar
-ejar: velejar -ilhar: dedilhar
-ficar: glorificar -inhar: engatinhar
-icar: bebericar

3. Sufixo adverbial
O único sufixo adverbial existente em português é –mente. Esse sufixo é acrescentado ao feminino dos adjetivos, se houver feminino: bondosamente, religiosamente, antigamente.

Observações sobre os sufixos
01. Os sufixos aumentativos e diminutivos podem ser utilizados para expressar carinho ou depreciação:
Filhinho, vem cá !
Já vou, paizão ! (carinhoso)

Aquele cantorzinho fez sucesso. Quem diria !
Esse filme não passa de um dramalhão. (depreciativo)

02. Sufixos –ção e –mento (que formam substantivos):
a. –mento geralmente se adiciona a verbos terminados em –ecer:
aborrecer – aborrecimento; acontecer – acontecimento; conhecer – conhecimento; esquecer – esquecimento.
b. –ção geralmente se adiciona a verbos terminados em –izar:
amortizar – amortização; automatizar – automatização; canalizar – canalização; globalizar – globalização.
Há exceções: deslizar – deslizamento; balizar – balizamento.

03. Sufixos –ista e –ano:
São os mais empregados na formação de adjetivos originados de nomes próprios:
Machado (de Assis) – machadiano
Freud (Sigmund Freud) – freudiano
Alasca – alasquiano Buda – budista
Bach – bachiano Calvino – calvinista
Hitler – hitlerista Darwin – darwinista

04. No plural, o acréscimo do sufixo –zinho acarreta mudança de flexão da palavra-base, contrariando a tendência da língua que é flexionar apenas o último elemento para indicar o plural:
pastel  pastelzinho  pasteizinhos
caminhão  caminhãozinho  caminhõezinhos

05. Quando emprega em seqüência dois ou mais advérbios formados com o sufixo mente, o usuário da língua pode juntar o sufixo apenas ao último adjetivo:
Desprezado por todos, ele se virou e saiu rápida e estrategicamente.


Flexão
É a variação de forma e, conseqüentemente, de significado de uma palavra.

* Flexão de Gênero
Gênero é o termo que a gramática utiliza para enquadrar as palavras variáveis da língua em masculinas e femininas. Temos os gêneros masculino e feminino.
As classes de palavras que apresentam flexão de gênero são: substantivo, adjetivo, artigo, pronome e numeral.

- palavras do gênero masculino.
seres animais: moço, menino, leão, gato, cantor.
coisas: pente, lápis, disco, amor, mar.

- palavras do gênero feminino.
seres animais: moça, menina, leoa, gata, cantora.
coisas: colher, revista, fumaça, raiva, chuva.

As demais palavras que admitem esse tipo de flexão (artigo, adjetivo, pronome e numeral) acompanham o gênero do substantivo a que se referem. Exemplos:
As crianças órfãs.
Pequenos índios.
Esses meninos.
Duas crianças.

* Flexão de Número
As palavras variáveis podem mudar sua terminação para indicar singular ou plural. Apresentam flexão de número: o substantivo, o artigo, o adjetivo, o numeral e o verbo.

Exemplo:
Sua irmã sofreu um arranhão. (singular)
Suas irmãs sofreram uns arranhões. (plural)

OBS:
1) A flexão de gênero e de número do substantivo implica flexão correspondente do adjetivo.

alunos espertos
subst. adj.
masc. pl. masc. pl.

2) Há casos de erro de concordância em que a concordância de número pode não acontecer de fato e um dos termos pode ficar sem flexão numérica.

Tinha mãos grande.
Achei coisas meio esquisita por aqui ...

* Flexão de Grau
São as mudanças efetuadas na terminação para indicar tamanho (nos substantivos) e intensidade (nos adjetivos).

O menino estava nervoso.
O menininho estava nervoso.
O menino estava nervosíssimo.

O grau pode expressar estado emotivo e não somente intensidade ou tamanho:
Que doutorzinho, hein ! (ironia)
Filhinho, venha cá. (carinho)

O advérbio, embora seja uma palavra invariável, admite flexão de grau:

O fato aconteceu cedo. (advérbio não flexionado)
O fato aconteceu cedinho. (advérbio flexionado)

* Flexões de tempo, modo e pessoa
Só os verbos apresentam esses tipos de flexão.

a. tempo
É a mudança da forma para indicar o momento em que ocorre o fato.

O jesuíta assiste à chegada dos órfãos. (presente)
O jesuíta assistiu à chegada dos órfãos. (pretérito)
O jesuíta assistirá à chegada dos órfãos. (futuro)

b. modo
É a mudança da forma para indicar as diferentes atitudes do emissor em relação ao fato que se deseja expressar. São três os modos: indicativo, subjuntivo e imperativo.

Indicativo: O menino desligou-se da tribo.
Subjuntivo: É possível que o menino se desligue da tribo.
Imperativo: Menino, ouça um conselho: desligue-se da tribo.

c. pessoa
Esse tipo de flexão permite que o verbo se relacione com as três pessoas gramaticais:

1ª pessoa: eu, nós
2ª pessoa: tu, vós
3ª pessoa: ele(s), ela(s)

A flexão de pessoa indica a concordância do verbo com a pessoa gramatical que lhe serve de sujeito. Compare:

Forma não-flexionada: comprar não se refere a qualquer sujeito.
Formas flexionadas do presente – modo indicativo:
Eu compro Nós compramos
Tu compras Vós comprais
Ele compra Eles compram

As desinências verbais são morfemas que carregam dois significados simultâneos: de tempo e pessoa. Na forma amávamos, por exemplo, o morfema –mos indica 1ª pessoa (flexão de pessoa) do plural (flexão de número).

Substantivo

Substantivo é tudo o que nomeia as "coisas" em geral.

Substantivo é tudo o que pode ser visto, pego ou sentido.

Substantivo é tudo o que pode ser precedido de artigo.

Classificação e Formação

01) Substantivo Comum: Substantivo comum é aquele que designa os seres de uma espécie de forma genérica. Por exemplo pedra, computador, cachorro, homem, caderno.

02) Substantivo Próprio: Substantivo próprio é aquele que designa um ser específico, determinado, individualizando-o. Por exemplo Maxi, Londrina, Dílson, Ester. O substantivo próprio sempre deve ser escrito com letra maiúscula.

03) Substantivo Concreto: Substantivo concreto é aquele que designa seres que existem por si só ou apresentam-se em nossa imaginação como se existissem por si. Por exemplo ar, som, Deus, computador, pedra, Ester.

04) Substantivo Abstrato: Substantivo abstrato é aquele que designa prática de ações verbais, existência de qualidades ou sentimentos humanos. Por exemplo saída (prática de sair), beleza (existência do belo), saudade.

Formação dos substantivos
Os substantivos, quanto à sua formação, podem ser:

01) Substantivo Primitivo: É primitivo o substantivo que não se origina de outra palavra existente na língua portuguesa. Por exemplo pedra, jornal, gato, homem.

02) Substantivo Derivado: É derivado o substantivo que provém de outra palavra da língua portuguesa. Por exemplo pedreiro, jornalista, gatarrão, homúnculo.

03) Substantivo Simples: É simples o substantivo formado por um único radical. Por exemplo pedra, pedreiro, jornal, jornalista.

04) Substantivo Composto: É composto o substantivo formado por dois ou mais radicais. Por exemplo pedra-sabão, homem-rã, passatempo.

Substantivo Coletivo
É coletivo o substantivo no singular que indica diversos elementos de uma mesma espécie.

abelha - enxame, cortiço, colméia
acompanhante - comitiva, cortejo, séqüito
alho - (quando entrelaçados) réstia, enfiada, cambada
aluno - classe
amigo - (quando em assembléia) tertúlia
animal - em geral = piara, pandilha, todos de uma região = fauna; manada de cavalgaduras = récua, récova; de carga = tropa; de carga, menos de 10 = lote; de raça, para reprodução = plantel; ferozes ou selvagens = alcatéia
anjo - chusma, coro, falange, legião, teoria
apetrecho - (quando de profissionais) ferramenta, instrumental
aplaudidor - (quando pagos) claque
argumento - carrada, monte, montão, multidão
arma - (quando tomadas dos inimigos) troféu
arroz - batelada
artigo - (quando heterogêneo) mixórdia
artista - (quando trabalham juntos) companhia, elenco
árvore - quando em linha = alameda, carreira, rua, souto; quando constituem maciço = arvoredo, bosque; quando altas, de troncos retos a aparentar parque artificial = malhada
asneira - acervo, chorrilho, enfiada, monte
asno - manada, récova, récua
assassino - choldra, choldraboldra
assistente - assistência
astro - (quando reunidos a outros do mesmo grupo) constelação
ator - elenco
autógrafo - (quando em lista especial de coleção) álbum.
ave - (quando em grande quantidade) bando, nuvem
avião - esquadrão, esquadria, flotilha
bala - saraiva, saraivada
bandoleiro - caterva, corja, horda, malta, súcia, turba
bêbado - corja, súcia, farândola
boi - boiada, abesana, armento, cingel, jugada, jugo, junta, manada, rebanho, tropa
bomba - bateria
borboleta - boana, panapaná
botão - de qualquer peça de vestuário = abotoadura; quando em fileira = carreira
burro - em geral = lote, manada, récua, tropa; quando carregado = comboio
cabelo - em geral = chumaço, guedelha, madeixa; conforme a separação = marrafa, trança
cabo - cordame, cordoalha, enxárcia
cabra - fato, malhada, rebanho
cadeira - (quando dispostas em linha) carreira, fileira, linha, renque
cálice - baixela
camelo - (quando em comboio) cáfila
caminhão - frota
canção - quando reunidas em livro = cancioneiro; quando populares de uma região = folclore
canhão - bateria
cantilena - salsada
cão - adua, cainçalha, canzoada, chusma, matilha
capim - feixe, braçada, paveia
cardeal - (em geral) sacro colégio, (quando reunidos para a eleição do papa) conclave, (quando reunidos sob a direção do papa) consistório
carneiro - chafardel, grei, malhada, oviário, rebanho
carro - quando unidos para o mesmo destino = comboio, composição; quando em desfile = corso
carta - em geral = correspondência; quando manuscritas em forma de livro = cartapácio; quando geográficas = atlas
casa - (quando unidas em forma de quadrados) quarteirão, quadra.
cavaleiro - cavalgada, cavalhada, tropel
cavalgadura - cáfila, manada, piara, récova, récua, tropa, tropilha
cavalo - manada, tropa
cebola - (quando entrelaçadas pelas hastes) cambada, enfiada, réstia
chave - (quando num cordel ou argola) molho (mó), penca
célula - (quando diferenciadas igualmente) tecido
cereal - em geral = fartadela, fartão, fartura; quando em feixes = meda, moréia
cigano - bando, cabilda, pandilha
cliente - clientela, freguesia
coisa - em geral = coisada, coisarada, ajuntamento, chusma, coleção, cópia, enfiada; quando antigas e em coleção ordenada = museu; quando em lista de anotação = rol, relação; em quantidade que se pode abranger com os braços = braçada; quando em série = seqüência, série, seqüela, coleção; quando reunidas e sobrepostas = monte, montão, cúmulo
copo - baixela
corda - (em geral) cordoalha, (quando no mesmo liame) maço, (de navio) enxárcia, cordame, massame, cordagem
correia - (em geral) correame, (de montaria) apeiragem
credor - junta, assembléia
crença - (quando populares) folclore
crente - grei, rebanho
depredador - horda
deputado - (quando oficialmente reunidos) câmara, assembléia
desordeiro - caterva, corja, malta, pandilha, súcia, troça, turba
diabo - legião
dinheiro - bolada, bolaço, disparate
disco - discoteca
disparate - apontoado
doze - (coisas ou animais) dúzia
elefante - manada
empregado - (quando de firma ou repartição) pessoal
escola - (quando de curso superior) universidade
escravo - (quando da mesma morada) senzala, (quando para o mesmo destino) comboio, (quando aglomerados) bando
escrito - (quando em homenagem a homem ilustre) poliantéia, (quando literários) analectos, antologia, coletânea, crestomatia, espicilégio, florilégio, seleta
espectador - (em geral) assistência, auditório, concorrência, (quando contratados para aplaudir) claque
espiga - (quando atadas) amarrilho, arregaçada, atado, atilho, braçada, fascal, feixe, gavela, lio, molho, paveia
estaca - (quando fincadas em forma de cerca) paliçada
estado - (quando unidos em nação) federação, confederação, república
estampa - (quando selecionadas) iconoteca, (quando explicativas) atlas
estrela - (quando cientificamente agrupadas) constelação, (quando em quantidade) acervo, (quando em grande quantidade) miríade
estudante - (quando da mesma escola) classe, turma, (quando em grupo cantam ou tocam) estudantina, (quando em excursão dão concertos) tuna, (quando vivem na mesma casa) república
facínora - caterva, horda, leva, súcia
feijão - (quando comerciáveis) batelada, partida
feiticeiro - (quando em assembléia secreta) conciliábulo
feno - braçada, braçado
filhote - (quando nascidos de uma só vez) ninhada
filme - filmoteca, cinemoteca
fio - (quando dobrado) meada, mecha, (quando metálicos e reunidos em feixe) cabo
flecha - (quando caem do ar, em porção) saraiva, saraivada
flor - (quando atadas) antologia, arregaçada, braçada, fascículo, feixe, festão, capela, grinalda, ramalhete, buquê, (quando no mesmo pedúnculo) cacho
foguete - (quando agrupados em roda ou num travessão) girândola
força naval - armada
força terrestre - exército
formiga - cordão, correição, formigueiro
frade - (quando ao local em que moram) comunidade, convento, (quanto ao fundador ou quanto às regras que obedecem) ordem
frase - (quando desconexas) apontoado
freguês - clientela, freguesia
fruta - (quando ligadas ao mesmo pedúnculo) cacho, (quanto à totalidade das colhidas num ano) colheita, safra
fumo - malhada
gafanhoto - nuvem, praga
garoto - cambada, bando, chusma
gato - cambada, gatarrada, gataria
gente - (em geral) chusma, grupo, multidão, (quando indivíduos reles) magote, patuléia, poviléu
grão - manípulo, manelo, manhuço, manojo, manolho, maunça, mão, punhado
graveto - (quando amarrados) feixe
gravura - (quando selecionadas) iconoteca
habitante - (em geral) povo, população, (quando de aldeia, de lugarejo) povoação
herói - falange
hiena - alcatéia
hino - hinário
ilha - arquipélago
imigrante - (quando em trânsito) leva, (quando radicados) colônia
índio - (quando formam bando) maloca, (quando em nação) tribo
instrumento - (quando em coleção ou série) jogo, ( quando cirúrgicos) aparelho, (quando de artes e ofícios) ferramenta, (quando de trabalho grosseiro, modesto) tralha
inseto - (quando nocivos) praga, (quando em grande quantidade) miríade, nuvem, (quando se deslocam em sucessão) correição
javali - alcatéia, malhada, vara
jornal - hemeroteca
jumento - récova, récua
jurado - júri, conselho de sentença, corpo de jurados
ladrão - bando, cáfila, malta, quadrilha, tropa, pandilha
lâmpada - (quando em fileira) carreira, (quando dispostas numa espécie de lustre) lampadário
leão - alcatéia
lei - (quando reunidas cientificamente) código, consolidação, corpo, (quando colhidas aqui e ali) compilação
leitão - (quando nascidos de um só parto) leitegada
livro - (quando amontoados) chusma, pilha, ruma, (quando heterogêneos) choldraboldra, salgalhada, (quando reunidos para consulta) biblioteca, (quando reunidos para venda) livraria, (quando em lista metódica) catálogo
lobo - alcatéia, caterva
macaco - bando, capela
malfeitor - (em geral) bando, canalha, choldra, corja, hoste, joldra, malta, matilha, matula, pandilha, (quando organizados) quadrilha, seqüela, súcia, tropa
maltrapilho - farândola, grupo
mantimento - (em geral) sortimento, provisão, (quando em saco, em alforge) matula, farnel, (quando em cômodo especial) despensa
mapa - (quando ordenados num volume) atlas, (quando selecionados) mapoteca
máquina - maquinaria, maquinismo
marinheiro - maruja, marinhagem, companha, equipagem, tripulação, chusma
médico - (quando em conferência sobre o estado de um enfermo) junta
menino - (em geral) grupo, bando, (depreciativamente) chusma, cambada
mentira - (quando em seqüência) enfiada
mercadoria - sortimento, provisão
mercenário - mesnada
metal - (quando entra na construção de uma obra ou artefato) ferragem
ministro - (quando de um mesmo governo) ministério, (quando reunidos oficialmente) conselho
montanha - cordilheira, serra, serrania
mosca - moscaria, mosquedo
móvel - mobília, aparelho, trem
música - (quanto a quem a conhece) repertório
músico - (quando com instrumento) banda, charanga, filarmônica, orquestra
nação - (quando unidas para o mesmo fim) aliança, coligação, confederação, federação, liga, união
navio - (em geral) frota, (quando de guerra) frota, flotilha, esquadra, armada, marinha, (quando reunidos para o mesmo destino) comboio
nome - lista, rol
nota - (na acepção de dinheiro) bolada, bolaço, maço, pacote, (na acepção de produção literária, científica) comentário
objeto - V coisa
onda - (quando grandes e encapeladas) marouço
órgão - (quando concorrem para uma mesma função) aparelho, sistema
orquídea - (quando em viveiro) orquidário
osso - (em geral) ossada, ossaria, ossama, (quando de um cadáver) esqueleto
ouvinte - auditório
ovelha - (em geral) rebanho, grei, chafardel, malhada, oviário, (quando ainda não deram cria e nem estão prenhes) alfeire
ovo - (os postos por uma ave durante certo tempo) postura, (quando no ninho) ninhada
padre - clero, clerezia
palavra - (em geral) vocabulário, (quando em ordem alfabética e seguida de significação) dicionário, léxico, (quando proferidas sem nexo) palavrório
pancada - data
pantera - alcatéia
papel - (quando no mesmo liame) bloco, maço, (em sentido lato, de folhas ligadas e em sentido estrito, de 5 folhas) caderno, (5 cadernos) mão, (20 mãos) resma, (10 resmas) bala
parente - (em geral) família, (em reunião) tertúlia
partidário - facção, partido, torcida
partido (político) - (quando unidos para um mesmo fim) coligação, aliança, coalização, liga
pássaro - passaredo, passarada
passarinho - nuvem, bando
pau - (quando amarrados) feixe, (quando amontoados) pilha, (quando fincados ou unidos em cerca) bastida, paliçada
peça - (quando devem aparecer juntas na mesa) baixela, serviço, (quando artigos comerciáveis, em volume para transporte) fardo, (em grande quantidade) magote, (quando pertencentes à artilharia) bateria, (de roupas, quando enroladas) trouxa, (quando pequenas e cosidas umas às outras para não se extraviarem na lavagem) apontoado, (quando literárias) antologia, florilégio, seleta, silva, crestomatia, coletânea, miscelânea.
peixe - (em geral e quando na água) cardume, (quando miúdos) boana, (quando em viveiro) aquário, (quando em fileira) cambada, espicha, enfiada, (quando à tona) banco, manta
pena - (quando de ave) plumagem
peregrino - caravana, romaria, romagem
pérola - (quando enfiadas em série) colar, ramal
pessoa - (em geral) aglomeração, banda, bando, chusma, colméia, gente, legião, leva, maré, massa, mó, mole, multidão, pessoal, roda, rolo, troço, tropel, turba, turma, (quando reles) corja, caterva, choldra, farândola, récua, súcia, (quando em serviço, em navio ou avião) tripulação, (quando em acompanhamento solene) comitiva, cortejo, préstito, procissão, séqüito, teoria, (quando ilustres) plêiade, pugilo, punhado, (quando em promiscuidade) cortiço, (quando em passeio) caravana, (quando em assembléia popular) comício, (quando reunidas para tratar de um assunto) comissão, conselho, congresso, conclave, convênio, corporação, seminário, (quando sujeitas ao mesmo estatuto) agremiação, associação, centro, clube, grêmio, liga, sindicato, sociedade
pilha - (quando elétricas) bateria
pinto - (quando nascidos de uma só vez) ninhada
planta - (quando frutíferas) pomar, (quando hortaliças, legumes) horta, (quando novas, para replanta) viveiro, alfobre, tabuleiro, (quando de uma região) flora, (quando secas, para classificação) herbário.
ponto - (de costura) apontoado
porco - (em geral) manada, persigal, piara, vara, (quando do pasto) vezeira
povo - (nação) aliança, coligação, confederação, liga
prato - baixela, serviço, prataria
prelado - (quando em reunião oficial) sínodo
prisioneiro - (quando em conjunto) leva, (quando a caminho para o mesmo destino) comboio
professor - (quando de estabelecimento primário ou secundário) corpo docente, (quando de faculdade) congregação
quadro - (quando em exposição) pinacoteca, galeria
querubim - coro, falange, legião
recipiente - vasilhame
recruta - leva, magote
religioso- clero regular
roupa - (quando de cama, mesa e uso pessoal) enxoval, (quando envoltas para lavagem) trouxa
salteador - caterva, corja, horda, quadrilha
saudade - arregaçada
selo - coleção
serra - (acidente geográfico) cordilheira
serviçal - queira
soldado - tropa, legião
trabalhador - (quando reunidos para um trabalho braçal) rancho, (quando em trânsito) leva
tripulante - equipagem, guarnição, tripulação
utensílio - (quando de cozinha) bateria, trem, (quando de mesa) aparelho, baixela
vadio - cambada, caterva, corja, mamparra, matula, súcia
vara - (quando amarradas) feixe, ruma
velhaco - súcia, velhacada

Gêneros uniforme e biforme
Os substantivos, quanto ao gênero, são masculinos ou femininos. Quanto às formas, eles podem ser:

01) Substantivos Biformes: Substantivos biformes são os que apresentam duas formas, uma para o masculino, outra para o feminino, com apenas um radical.

Ex.
menino - menina.
traidor - traidora.
aluno - aluna

02) Substantivos Heterônimos: Substantivos heterônimos são os que apresentam duas formas, uma para o masculino, outra para o feminino, com dois radicais diferentes.

Ex.
homem - mulher.
bode - cabra.
boi - vaca.

03) Substantivos Uniformes: Substantivos uniformes são os que apresentam apenas um forma, para ambos os gêneros. Os substantivos uniformes recebem nomes especiais, que são os seguintes:
A) Comum-de-dois:


Os comuns-de-dois são os que têm uma só forma para ambos os gêneros, com artigos distintos: Eis alguns exemplos:
o / a estudante
o / a imigrante
o / a acrobata
o / a agente
o / a intérprete
o / a lojista
o / a patriota
o / a mártir
o / a viajante
o / a artista
o / a aspirante
o / a atleta
o / a camelô
o / a chofer
o / a fã
o / a gerente
o / a médium
o / a porta-voz
o / a protagonista
o / a puxa-saco
o / a sem-terra
o / a sem-vergonha
o / a xereta
o / a xerife

B) Sobrecomum:


Os sobrecomuns são os que têm uma só forma e um só artigo para ambos os gêneros: Eis alguns exemplos:
o cônjuge
a criança
o carrasco
o indivíduo
o apóstolo
o monstro
a pessoa
a testemunha
o algoz
o verdugo
a vítima
o tipo
o animal
o bóia-fria
o cadáver
a criatura
o dedo-duro
o defunto
o gênio
o ídolo
o líder
o membro
o nó-cego
o pão-duro
o pé-frio
o pé-quente
a personagem
o pivô
a sentinela
o sósia
o sujeito
o tira

C) Epiceno:


Os epicenos são os que têm uma só forma e um só artigo para ambos os gêneros de certos animais, acrescentando as palavras macho e fêmea, para se distinguir o sexo do animal. Eis alguns exemplos:
a girafa
a andorinha
a águia
a barata
a cobra
o jacaré
a onça
o sabiá
o tatu
a anta
a arara
a borboleta
o canguru
o caranguejo
a coruja
o crocodilo
o escorpião
a formiga
a girafa
a mosca
a onça
a pantera
o pernilongo
o piolho
a piranha
a rã
a raposa
a tartaruga
o tatu
o urubu
a zebra


Gênero vacilante
Existem alguns substantivos que trazem dificuldades, quanto ao gênero. Estude, então, com muita atenção estas listas:

São Masculinos:
o açúcar
o afã
o ágape
o alvará
o amálgama
o anátema
o aneurisma
o antílope
o apêndice
o apetite
o algoz
o bóia-fria
o caudal
o cataclismo
o cônjuge
o champanha
o clã
o cola-tudo
o cós
o coma
o derma
o diagrama
o dó
o diadema
o decalque
o epigrama
o eclipse
o estigma
o estratagema
o eczema
o formicida
o guaraná
o gengibre
o herpes
o lança-perfume
o haras
o lotação
o magma
o matiz
o magazine
o milhar
o nó-cego
o pijama
o pé-frio
o plasma
o pão-duro
o sósia
o suéter
o talismã
o toalete
o tapa
o telefonema
o tira-teimas
o xérox

São Femininos:
a abusão
a acne
a agravante
a aguarrás
a alface
a apendicite
a aguardente
a alcunha
a aluvião
a bacanal
a benesse
a bólide
a couve
a couve-flor
a cal
a cataplasma
a comichão
a derme
a dinamite
a debênture
a elipse
a ênfase
a echarpe
a entorse
a enzima
a faringe
a ferrugem
a fênix
a gênese
a grafite
a ioga
a libido
a matinê
a marmitex
a mascote
a mídia
a nuança
a omoplata
a ordenança
a omelete
a própolis
a patinete
a quitinete
a sentinela
a soja
a usucapião
a vernissagem

Mudança de gênero com mudança de significado
Alguns substantivos, quando mudam de gênero, mudam também de significado. Eis alguns deles:
o caixa = o funcionário
a caixa = o objeto
o capital = dinheiro
a capital = sede de governo
o coma = sono mórbido
a coma = cabeleira, juba
o grama = medida de massa
a grama = a relva, o capim
o guarda = o soldado
a guarda = vigilância, corporação
o guia = aquele que serve de guia, cicerone
a guia = documento, formulário; meio-fio
o moral = estado de espírito
a moral = ética, conclusão
o banana = o molenga.
a banana = a fruta

Plural dos substantivos simples
Na pluralização de um substantivo simples, há de se analisar a terminação dele, a fim de acrescentar a desinência nominal de número. Vejamos, então, as possíveis terminações de um substantivo na Língua Portuguesa e sua respectiva pluralização:

01) Substantivos terminados em Vogal:

Acrescenta-se a desinência nominal de número S.

Ex.
saci = sacis
chapéu = chapéus
troféu = troféus
degrau = degraus.

02) Substativos terminados em ão:

Fazem o plural em ões:

Ex.
gavião = gaviões
formão = formões
folião = foliões
questão = questões
Fazem o plural em ães:
Ex.
escrivão = escrivães
tabelião = tabeliães
capelão = capelães
sacristão = sacristães
Fazem o plural em ãos:
Ex.
artesão = artesãos
cidadão = cidadãos
cristão = cristãos
pagão = pagãos

Todas as paroxítonas terminadas em -ão. Por exemplo bênçãos, sótãos, órgãos.
Admitem mais de uma forma para o plural:
aldeão = aldeões, aldeães, aldeãos
ancião = anciões, anciães, anciãos
ermitão = ermitões, ermitães, ermitãos
pião = piões, piães, piãos
vilão = vilões, vilães, vilãos
alcorão = alcorões, alcorães
charlatão = charlatões, charlatães
cirurgião = cirurgiões, cirurgiães
faisão = faisões, faisães
guardião = guardiões, guardiães
peão = peões, peães
anão = anões, anãos
corrimão = corrimões, corrimãos
verão = verões, verãos
vulcão = vulcões, vulcãos

03) Substantivos terminados em L:

A) Terminados em -al, -el, -ol ou -ul:

Troca-se o L por IS:

Ex.
vogal = vogais
animal = animais
papel = papéis
anel = anéis
paiol = paióis
álcool = álcoois
paul = pauis

Cuidado:
mal = males
cal = cais ou cales
aval = avais ou avales
mel = méis ou meles
cônsul = cônsules
real (moeda antiga) = réis

B) Terminados em -il:

B1) Palavras oxítonas:

Troca-se a terminação L por S:

Ex.
cantil = cantis
canil = canis
barril = barris

B2) Palavras paroxítonas ou proparoxítonas:

Troca-se a terminação IL por EIS:

Ex.
fóssil = fósseis


Cuidado:
projetil (oxítona) = projetis
projétil (paroxítona) = projéteis
reptil (oxítona) = reptis
réptil (paroxítona) = répteis

04) Substantivos terminados em M:

Troca-se o M por NS:

Ex.
item = itens
nuvem = nuvens
álbum = álbuns


05) Substantivos terminados em N:

Soma-se S ou ES:

Ex.
hífen = hifens ou hífenes
pólen = polens ou pólenes
espécimen = espécimens ou especímenes

06) Substantivos terminados em R ou Z:

Acrescenta-se ES:

Ex.
carácter ou caráter = caracteres
sênior = seniores
júnior = juniores

07) Substantivos terminados em X:

Ficam invariáveis.

Ex.
o tórax = os tórax
a fênix = as fênix

08) Substantivos terminados em S:

A) Palavras monossílabas ou oxítonas:
Acrescenta-se ES.

Ex.
ás = ases
deus = deuses
ananás = ananases

B) Palavras paroxítonas ou proparoxítonas:
Ficam invariáveis.

Ex.
os lápis.
os tênis
os atlas
Cuidado: Cais é invariável.

09) Substantivos só usados no plural:
as calças
as costas
os óculos
os parabéns
as férias
as olheiras
as hemorróidas
as núpcias
as trevas
os arredores

10) Substantivos terminados em ZINHO:

Ignora-se a terminação -zinho, coloca-se no plural o substantivo no grau normal, ignora-se o s do plural, devolve-se o -zinho ao local original e, finalmente, acrescenta-se o s no final.
Por exemplo pãozinho: ignora-se o -zinho (pão); coloca-se no plural o substantivo no grau normal (pães); ignora-se o s (pãe); devolve-se o -zinho (pãezinho); acrescenta-se o s (pãezinhos).

Ex.
mulherzinha = mulher - mulheres - mulhere - mulherezinha - mulherezinhas.
alemãozinho = alemão - alemães - alemãe - alemãezinho - alemãezinhos.
barzinho = bar - bares - bare - barezinho - barezinhos.

11) Substantivos terminados em INHO, sem Z:

Acrescenta-se S.

Ex.
lapisinho = lapisinhos
patinho = patinhos
chinesinho = chinesinhos

12) Plural com deslocamento da sílaba tônica:
carácter = caracteres
espécimen = especímenes
júnior = juniores
sênior = seniores

Plural do substantivos compostos
Para se pluralizar um substantivo composto, os elementos que o formam devem ser analisados individualmente. Por exemplo, o substantivo composto couve-flor é composto por dois substantivos pluralizáveis, portanto seu plural será couves-flores; já o substantivo composto beija-flor é composto por um verbo, que é invariável, quanto à pluralização, e um substantivo pluralizável, portanto seu plural será beija-flores. Estudemos, então, os elementos que formam um substantivo composto e sua respectiva pluralização.

01) Substantivo / Adjetivo / Numeral:

São elementos pluralizáveis, portanto, quando formarem um substativo composto, normalmente irão para o plural.

Ex.
aluno-mestre = alunos-mestres
erva-doce = ervas-doces
alto-relevo = altos-relevos
gentil-homem = gentis-homens
segunda-feira = segundas-feiras
cachorro-quente = cachorros-quentes

02) Pronome:

Alguns pronomes admitem plural; outros, não. Por exemplo, os pronomes possessivos são pluralizáveis (meu - meus; nosso - nossos), mas os pronomes indefinidos, não (ninguém, tudo). Na formação de um substantivo composto o mesmo ocorre.

Ex.
padre-nosso = padres-nossos
Zé-ninguém = Zés-ninguém

03) Verbo / Advérbio / Interjeição:

São elementos invariáveis, em relação à pluralização, portanto, quando formarem um substantivo composto, ficarão invariáveis.

Ex.
pica-pau = pica-paus
beija-flor = beija-flores
alto-falante = alto-falantes
abaixo-assinado = abaixo-assinados
salve-rainha = salve-rainhas
ave-maria = ave-marias

Casos especiais


01) Substantivo + Substantivo:

Como vimos anteriormente, ambos irão para o plural, porém, quando o último elemento estiver indicando tipo ou finalidade do primeiro, somente este irá para o plural.

Ex.
banana-maçã = bananas-maçã
navio-escola = navios-escola
salário-desemprego = salários-desemprego
Cuidado: laranjas-baianas e salários-mínimos, pois é a soma de substantivo com adjetivo.

02) Três ou mais palavras:

A) Se o segundo elemento for uma preposição, só o primeiro irá para o plural.

Ex.
pé-de-moleque = pés-de-moleque
pimenta-do-reino = pimentas-do-reino
mula-sem-cabeça = mulas-sem-cabeça
Cuidado: Se o primeiro elemento for invariável, o substantivo todo ficará invariável. P. ex. fora-da-lei, fora-de-série.

B) Se o segundo elemento não for uma preposição, só o último irá para o plural.

Ex.
bem-te-vi = bem-te-vis
bem-me-quer = bem-me-queres

03) Verbo + Verbo:
A) Se os verbos forem iguais, alguns gramáticos admitem ambos no plural, outros, somente o último.

Ex.
corre-corre = corres-corres ou corre-corres.
pisca-pisca = piscas-piscas ou pisca-piscas
lambe-lambe = lambes-lambes ou lambe-lambes

B) Se os verbos possuírem significação oposta, ficam invariáveis.

Ex.
o leva-e-traz = os leva-e-traz
o ganha-perde = os ganha-perde

04) Palavras Repetidas ou Onomatopéia:

Quando o substantivo for formado por palavras repetidas ou for uma onomatopéia, somente o último irá para o plural.

Ex.
tico-tico = tico-ticos
tique-taque = tique-taques
lero-lero = lero-leros
pingue-pongue = pingue-pongues

05) Substantivo composto iniciado por Guarda:

A) Formando uma pessoa:
Ambos irão para o plural.

Ex.
guarda-urbano = guardas-urbanos
guarda-noturno = guardas-noturnos
guarda-florestal = guardas-florestais
guarda-mirim = guardas-mirins

B) Formando um objeto:
Somente o último irá para o plural.

Ex.
guarda-pó = guarda-pós
guarda-chuva = guarda-chuvas
guarda-roupa = guarda-roupas
guarda-sol = guarda-sóis

C) Sendo o segundo elemento invariável ou já surgindo no plural:
Ficam invariáveis.
O mesmo acontece com os substantivos iniciados por porta.

Ex.
o guarda-costas = os guarda-costas
o guarda-volumes = os guarda-volumes
o porta-jóias = os porta-jóias
o porta-malas = os porta-malas
o pára-quedas = os pára-quedas
o pára-raios = os pára-raios
o lustra-móveis = os lustra-móveis
o toca-discos = os toca-discos

Substantivos que admitem mais de um plural

I. fruta-pão = frutas-pães, fruta-pães, frutas-pão,
II. guarda-marinha = guardas-marinhas, guarda-marinhas
III. padre-nosso = padres-nossos, padre-nossos
IV. terra-nova = terras-novas, terra-novas
V. salvo-conduto = salvos-condutos, salvo-condutos
VI. xeque-mate = xeques-mates, xeque-mates.
VII. chá-mate = chás-mates, chás-mate


Numeral
É a palavra que indica a quantidade de elementos ou sua ordem de sucessão. Dependendo do que o numeral indica, ele pode ser:

Cardinal: É o numeral que indica a quantidade de seres.
Ordinal: É o numeral que indica a ordem de sucessão, a posição ocupada por um ser numa determinada série.

Multiplicativo: É o numeral que indica a multiplicação de seres.

Fracionário: É o numeral que indica divisão, fração.

Cardinais e Ordinais:

Algarismos Algarismos Numerais Numerais
Romanos Arábicos Cardinais Ordinais

I 1 UM PRIMEIRO
II 2 DOIS SEGUNDO
III 3 TRÊS TERCEIRO
IV 4 QUATRO QUARTO
V 5 CINCO QUINTO
VI 6 SEIS SEXTO
VII 7 SETE SÉTIMO
VIII 8 OITO OITAVO
IX 9 NOVE NONO
X 10 DEZ DÉCIMO
XI 11 ONZE DÉCIMO PRIMEIRO
XII 12 DOZE DÉCIMO SEGUNDO
XIII 13 TREZE DÉCIMO TERCEIRO
XIV 14 CATORZE / QUATORZE DÉCIMO QUARTO
XV 15 QUINZE DÉCIMO QUINTO
XVI 16 DEZESSEIS DÉCIMO SEXTO
XVII 17 DEZESSETE DÉCIMO SÉTIMO
XVIII 18 DEZOITO DÉCIMO OITAVO
XIX 19 DEZENOVE DÉCIMO NONO
XX 20 VINTE VIGÉSIMO
XXI 21 VINTE E UM VIGÉSIMO PRIMEIRO
XXX 30 TRINTA TRIGÉSIMO
XL 40 QUARENTA QUADRAGÉSIMO
L 50 CINQÜENTA QÜINQUAGÉSIMO
LX 60 SESSENTA SEXAGÉSIMO
LXX 70 SETENTA SEPTUAGÉSIMO/
SETUAGÉSIMO
LXXX 80 OITENTA OCTOGÉSIMO
XC 90 NOVENTA NONAGÉSIMO
C 100 CEM CENTÉSIMO
CC 200 DUZENTOS DUCENTÉSIMO
CCC 300 TREZENTOS TRECENTÉSIMO
CD 400 QUATROCENTOS QUADRINGENTÉSIMO
D 500 QUINHENTOS QÜINGENTÉSIMO
DC 600 SEISCENTOS SEISCENTÉSIMO/
SEXCENTÉSIMO
DCC 700 SETECENTOS SEPTINGENTÉSIMO
DCCC 800 OITOCENTOS OCTINGENTÉSIMO
CM 900 NOVECENTOS NONGENTÉSIMO/
NONINGENTÉSIMO
M 1.000 MIL MILÉSIMO
10.000 DEZ MIL DEZ MILÉSIMOS
100.000 CEM MIL CEM MILÉSIMOS
1.000.000 UM MILHÃO MILIONÉSIMO
1.000.000.000 UM BILHÃO BILIONÉSIMO

Ex:
869º = Octingentésimo sexagésimo nono.
582º = Qüingentésimo octogésimo segundo.
916º = Noningentésimo décimo sexto.
759º = Septingentésimo qüinquagésimo nono.

Numerais Multiplicativos

2 dobro, duplo, dúplice
3 triplo, tríplice
4 quádruplo
5 quíntuplo
6 sêxtuplo
7 séptuplo
8 óctuplo
9 nônuplo
10 décuplo
11 undéclupo
12 duodécuplo
13 em diante cardinal + vezes
100 cêntuplo


Numerais Fracionários

2 meio / metade
3 terço
4 quarto
5 quinto
6 sexto
7 sétimo
8 oitavo
9 nono
10 décimo
11 onze avos
12 doze avos
100 centésimo

Emprego dos Numerais:
01) Intercala-se a conjunção e entre as centenas e as dezenas e entre as dezenas e as unidades, mas entre os números que formam centena-dezena-unidade, nada se coloca; nem vírgula, nem e, a não ser que seja centena ou dezena inteira.

Ex: 562.983.665 = Quinhentos e sessenta e dois milhões novecentos e oitenta e três mil seiscentos e sessenta e cinco
42.002 = Quarenta e dois mil e dois.
42.020 = Quarenta e dois mil e vinte.
42.200 = Quarenta e dois mil e duzentos.
42.220 = Quarenta e dois mil duzentos e vinte.

02) Na designação de séculos, reis, papas, príncipes, imperadores. capítulos, festas, feiras, etc., utilizam-se algarismos romanos. A leitura será por ordinal até X; a partir daí (XI, XII ...), por cardinal. Se o numeral preceder o substantivo, sempre será lido como ordinal.

Ex:XXXVIII Feira Agropecuária. = Trigésima oitava Feira Agropecuária.
II Bienal Cultural = Segunda Bienal Cultural.
Papa João Paulo II = Papa João Paulo segundo.
Papa João XXIII = Papa João vinte e três.
03) Os numerais ordinais acima de 1.999º têm duas leituras possíveis:

2.000º = O dois milésimo ou O segundo milésimo.
89.428 = O oitenta e nove milésimo quadringentésimo vigésimo oitavo ou O octogésimo nono milésimo quadringentésimo vigésimo oitavo

04) Zero, ambos e ambas também são numerais.



Adjetivo
Adjetivo é a classe gramatical que modifica um substantivo, atribuindo-lhe qualidade, estado ou modo de ser.

Um adjetivo normalmente exerce uma dentre três funções sintáticas na oração: Aposto explicativo, adjunto adnominal ou predicativo.

Os adjetivos podem ser

Adjetivo explicativo:
É o adjetivo que denota qualidade essencial do ser, qualidade inerente, ou seja, qualidade que não pode ser retirada do substantivo. Por exemplo, todo homem é mortal, todo fogo é quente, todo leite é branco, então mortal, quente e branco são adjetivos explicativos, em relação a homem, fogo e leite.

Adjetivo restritivo:
É o adjetivo que denota qualidade adicionada ao ser, ou seja, qualidade que pode ser retirada do substantivo. Por exemplo, nem todo homem é inteligente, nem todo fogo é alto, nem todo leite é enriquecido, então inteligente, alto e enriquecido são adjetivos restritivos, em relação a homem, fogo e leite.


Obs.: Sempre que o adjetivo estiver imediatamente após o substantivo qualificado por ele, teremos o seguinte: Se ele for adjetivo explicativo, deverá estar entre vírgulas e funcionará sintaticamente como aposto explicativo; se for adjetivo restritivo, não poderá estar entre vírgulas e funcionará como adjunto adnominal. Por exemplo: O homem, mortal, age como um ser imortal. Nessa frase, mortal é adjetivo explicativo, pois indica uma qualidade essencial do substantivo, por isso está entre vírgulas e sua função sintática é a de aposto explicativo. Já na frase O homem inteligente lê mais - inteligente é adjetivo restritivo, pois indica uma qualidade adicionada ao substantivo, por isso não está entre vírgulas e sua função sintática é a de adjunto adnominal. Perceba que inteligente, apesar de não ser essencial a todos os homens, é especificamente ao universo de homens dos quais estamos falando. Caso o adjetivo restritivo esteja entre vírgulas, funcionará como predicativo. Por exemplo: O diretor, preocupado, atendeu ao telefone. Perceba que preocupado não é uma qualidade essencial a todos os homens nem o é ao diretor de quem estamos falando; o diretor possui a qualidade de preocupado apenas em um determinado momento - essa é a diferença entre o adjunto adnominal e o predicativo.

Orações Subordinadas Adjetivas

As orações subordinadas adjetivas são aquelas que funcionam como um adjetivo, modificando o substantivo. Sempre são iniciadas por um pronome relativo e podem ser denominadas de explicativas e de restritivas, tais quais os adjetivos.

Oração Subordinada Adjetiva Explicativa:
É a oração que funciona como o adjetivo explicativo, ou seja, denota uma qualidade essencial do substantivo, deve estar entre vírgulas e funciona como aposto explicativo. Por exemplo: O homem, que é mortal, age como um ser imortal.

Há outra oração que funciona como aposto explicativo: a oração subordinada substantiva apositiva. A diferença é que esta não explica o significado do substantivo anterior, mas sim o contexto da frase anterior. Por exemplo, a frase: Todos temos conhecimento de uma verdade: que o Brasil é o maior país da América do Sul; possui uma oração subordinada substantiva apositiva (que o Brasil é o maior país da América do Sul), que explica o contexto da frase anterior, e não o significado da palavra verdade.

Oração Subordinada Adjetiva Restritiva:
É a oração que funciona como o adjetivo restritivo, ou seja, denota uma qualidade adicionada ao substantivo, não pode estar entre vírgulas e funciona como adjunto adnominal. Por exemplo: O homem que é inteligente lê mais. O nome restritivo se deve ao fato de que a oração restringe o significado do substantivo anterior, ou seja, a oração apresentada significa que apenas os homens que são inteligentes lêem mais, os outros não. É assim que se comprova a existência de uma oração subordinada adjetiva restritiva: usando a expressão somente... , os outros não.


Adjetivo Pátrio
É o adjetivo que indica a nacionalidade ou o lugar de origem do ser. Observe alguns deles:
Estados e cidades brasileiros:


Acre = acreano

Alagoas = alagoano

Amapá = amapaense

Aracaju = aracajuano ou aracajuense

Amazonas = amazonense ou baré

Belém (PA) = belenense

Belo Horizonte = belo-horizontino

Boa Vista = boa-vistense

Brasília = brasiliense

Cabo Frio = cabo-friense

Campinas = campineiro ou campinense

Curitiba = curitibano

Espírito Santo = espírito-santense ou capixaba

Fernando de Noronha = noronhense

Florianópolis = florianopolitano

Fortaleza = fortalense

Goiânia = goianiense

João Pessoa = pessoense

Macapá = macapaense

Maceió = maceioense

Manaus = manauense

Maranhão = maranhense

Marajó = marajoara

Natal = natalense ou papa-jerimum

Porto Alegre = porto-alegrense

Porto Velho = porto-velhense

Ribeirão Preto = ribeiropretense

Rio de Janeiro (estado) = fluminense

Rio de Janeiro (cidade) = carioca

Rio Branco = rio-branquense

Rio Grande do Norte = rio-grandense-do-norte, norte-rio-grandense ou potiguar

Rio Grande do Sul = rio-grandense-do-sul, sul-rio-grandense ou gaúcho.

Rondônia = rondonense ou rondoniano

Roraima = roraimense

Salvador (BA) = salvadorense ou soteropolitano

Santa Catarina = catarinense, catarineta ou barriga-verde

Santarém = santarense

São Paulo (estado) = paulista

São Paulo (cidade) = paulistano

Sergipe = sergipano

Teresina = teresinense

Tocantins = tocantinense
Países:

Baviera = bávaro
Cairo = cairota
Ceilão = cingalês
Croácia = croata

Costa Rica= costa-riquense

Curdistão = curdo

Estados Unidos = estadunidense, norte-americano ou ianque.

El Salvador = salvadorenho

Guatemala = guatemalteco

Índia = indiano ou hindu (os que professam o hinduísmo)

Irã = iraniano

Israel = israelense ou israelita

Moçambique = moçambicano

Mongólia = mongol ou mongólico
País de Gales = galês

Panamá = panamenho

Porto Rico = porto-riquenho

Somália = somali

Adjetivos pátrios compostos:

Na formação de adjetivos pátrios compostos, o primeiro elemento aparece na forma reduzida e, normalmente, erudita. Observe alguns exemplos:

África = afro- / Cultura afro-americana

Alemanha = germano- ou teuto- / Competições teuto-inglesas

América = américo- / Companhia américo-africana

Ásia = ásio- / Encontros ásio-europeus

Áustria = austro- / Peças austro-búlgaras

Bélgica = belgo- / Acampamentos belgo-franceses

China = sino- / Acordos sino-japoneses

Espanha = hispano- / Mercado hispano-português

Europa = euro- / Negociações euro-americanas

França = franco- ou galo- / Reuniões franco-italianas

Grécia = greco- / Filmes greco-romanos

Índia = indo- / Guerras indo-paquistanesas

Inglaterra = anglo- / Letras anglo-portuguesas

Itália = ítalo- / Sociedade ítalo-portuguesa

Japão = nipo- / Associações nipo-brasileiras

Portugal = luso- / Acordos luso-brasileiros


Locução Adjetiva
Em muitos casos, prefere-se usar, no lugar de um adjetivo, uma expressão formada por mais de uma palavra para caracterizar o substantivo. Essa expressão, que tem o mesmo valor e o mesmo sentido de um adjetivo, recebe o nome de locução adjetiva. Observe alguns exemplos:

de águia = aquilino

de aluno = discente

de anjo = angelical

de ano = anual

de aranha = aracnídeo

de asno = asinino

de baço = esplênico

de bispo = episcopal

de bode = hircino

de boi = bovino

de bronze = brônzeo ou êneo

de cabelo = capilar

de cabra = caprino

de campo = campestre ou rural

de cão = canino

de carneiro = arietino

de cavalo = cavalar, eqüino, eqüídio ou hípico

de chumbo = plúmbeo

de chuva = pluvial

de cinza = cinéreo

de coelho = cunicular

de cobre = cúprico

de couro = coriáceo

de criança = pueril

de dedo = digital

de diamante = diamantino ou adamantino

de elefante = elefantino

de enxofre = sulfúrico

de esmeralda = esmeraldino

de estômago = estomacal ou gástrico

de falcão = falconídeo

de farinha = farináceo

de fera = ferino

de ferro = férreo

de fígado = figadal ou hepático

de fogo = ígneo

de gafanhoto = acrídeo

de garganta = gutural

de gelo = glacial

de gesso = gípseo

de guerra = bélico

de homem = viril ou humano

de ilha = insular

de intestino = celíaco ou entérico

de inverno = hibernal ou invernal

de lago = lacustre

de laringe = laríngeo

de leão = leonino

de lebre = leporino

de lobo = lupino

de lua = lunar ou selênico

de macaco = simiesco, símio ou macacal

de madeira = lígneo

de marfim = ebúrneo ou ebóreo

de mestre = magistral

de monge = monacal

de neve = níveo ou nival

de nuca = occipital

de orelha = auricular

de ouro = áureo

de ovelha = ovino

de paixão = passional

de pâncreas = pancreático

de pato = anserino

de peixe = písceo ou ictíaco

de pombo = columbino

de porco = suíno ou porcino

de prata = argênteo ou argírico

dos quadris = ciático

de raposa = vulpino

de rio = fluvial

de serpente = viperino

de sonho = onírico

de terra = telúrico, terrestre ou terreno

de trigo = tritício

de urso = ursino

de vaca = vacum

de velho = senil

de vento = eólico

de verão = estival

de vidro = vítreo ou hialino

de virilha = inguinal

de visão = óptico ou ótico


Flexões do Adjetivo

Gênero e Número:

O adjetivo concorda com o substantivo a que se refere em gênero e número (masculino e feminino; singular e plural). Caso o adjetivo seja representado por um substantivo, ficará invariável, ou seja, se a palavra que estiver qualificando um elemento for, originalmente, um substantivo, ela manterá sua forma primitiva e passará a ser denominado de substantivo adjetivado. Por exemplo, a palavra cinza é originalmente um substantivo, porém, se estiver qualificando um elemento, funcionará como adjetivo. Ficará, então invariável. Camisas cinza, ternos cinza.

Ex.
Carros amarelos e motos vinho.
Telhados marrons e paredes musgo.
Espetáculos gigantescos e comícios monstro.


Adjetivo composto
Com raras exceções, o adjetivo composto tem seus elementos ligados por hífen. Apenas o último elemento concorda com o substantivo a que se refere; os demais ficam na forma masculina, singular. Caso um dos elementos que formam o adjetivo composto seja um substantivo adjetivado, todo o adjetivo composto ficará invariável. Por exemplo, a palavra rosa é originalmente um substantivo, porém, se estiver qualificando um elemento, funcionará como adjetivo. Caso se ligue a outra palavra por hífen, formará um adjetivo composto; como é um substantivo adjetivado, o adjetivo composto inteiro ficará invariável. Camisas rosa-claro. Ternos rosa-claro.

Ex.
Olhos verde-claros.
Calças azul-escuras e camisas verde-mar.
Telhados marrom-café e paredes verde-claras.

Azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qualquer adjetivo composto iniciado por cor-de-... são sempre invariáveis.

Os adjetivos compostos surdo-mudo e pele-vermelha têm os dois elementos flexionados.

Graus do Adjetivo:
01) Comparativo:
Compara uma qualidade entre dois elementos ou duas qualidade de um mesmo elemento.
São três os comparativos:
de superioridade: Para alguns alunos, Português é mais fácil que Química.
de igualdade: Para alguns alunos, Português é tão fácil quanto Química.
de inferioridade: Para alguns alunos, Português é menos fácil que Química.
Bom, mau, grande e pequeno têm formas sintéticas (melhor, pior, maior e menor), porém, em comparações feitas entre duas qualidades de um mesmo elemento, deve-se usar as formas analíticas mais bom, mais mau, mais grande e mais pequeno. Por exemplo, Pedro é maior do que Paulo, pois está se fazendo a comparação de dois elementos, mas Pedro é mais grande que pequeno, está se fazendo a comparação de duas qualidades de um mesmo elemento.
Ex. Edmundo foi condenado, mas tenho certeza de que ele é mais bom do que mau.
Joaquim é mais bom do que esperto.

02) Superlativo:
Engrandece a qualidade de um elemento. São dois os superlativos de um adjetivo:
Superlativo absoluto:
analítico = o adjetivo é modificado por um advérbio:
Ex. Carla é muito inteligente.
sintético = quando há o acréscimo de um sufixo (-íssimo, -érrimo, -ílimo)
Ex. Carla é inteligentíssima.

Superlativos absolutos sintéticos eruditos
Alguns adjetivos no grau superlativo absoluto sintético apresentam a primitiva forma latina, daí serem chamados de eruditos. Por exemplo, o adjetivo magro possui dois superlativos absolutos sintéticos: o normal, magríssimo, e o erudito, macérrimo.
Eis uma pequena lista de superlativos absolutos sintéticos:
benéfico = beneficentíssimo
bom = boníssimo ou ótimo
célebre = celebérrimo
comum = comuníssimo
cruel = crudelíssimo
difícil = dificílimo
doce = dulcíssimo
fácil = facílimo
fiel = fidelíssimo
frágil = fragílimo
frio = friíssimo ou frigidíssimo
humilde = humílimo
jovem = juveníssimo
livre = libérrimo
magnífico = magnificentíssimo
magro = macérrimo ou magríssimo
manso = mansuetíssimo
mau = péssimo
nobre = nobilíssimo
pequeno = mínimo
pobre = paupérrimo ou pobríssimo
preguiçoso = pigérrimo
próspero = prospérrimo
sábio = sapientíssimo
sagrado = sacratíssimo

Superlativo relativo:
de superioridade = Enaltece a qualidade do substantivo como "o mais" dentre todos os outros.
Ex. Carla é a mais inteligente.
de inferioridade = Enaltece a qualidade do substantivo como "o menos" dentre todos os outros.
Ex. Carla é a menos inteligente.


Concordância Nominal
Os adjetivos e as palavras adjetivadas concordam em gênero e número com os elementos a que se referem. Por exemplo: gatas malhadas e cachorros brancos. Quando o adjetivo surgir junto de mais de um substantivo, teremos regras especiais, que veremos agora:

01) Adjetivo posposto a dois ou mais substantivos:

A) Adjunto adnominal:

Quando o adjetivo posposto a dois ou mais substantivos funcionar como adjunto adnominal e estiver qualificando todos os substantivos apresentados, poderá concordar com o elemento mais próximo ou com a soma deles.

Ex.
O Estado compra carros e maçãs argentinas.
O Estado compra carros e maçãs argentinos.

Há três casos em que o adjunto adnominal concordará apenas com o elemento mais próximo:

01) Se qualificar apenas o elemento mais próximo:

Ex.
Comprei óculos e frutas frescas.

02) Se os substantivos forem sinônimos:
Ex.
Desrespeitaram o povo e a gente brasileira.

03) Se os substantivos formarem gradação:
Ex.
Foi um olhar, uma piscadela, um gesto estranho.

B) Predicativo do sujeito:

Quando o adjetivo imediatamente posposto a dois ou mais substantivos funcionar como predicativo do sujeito, deverá concordar com a soma dos elementos, apesar de existirem gramáticos que admitam a concordância também com o elemento mais próximo.
Ex.
O operário e a esposa, preocupados, saíram para o trabalho.

C) Predicativo do objeto:

Quando o adjetivo imediatamente posposto a dois ou mais substantivos funcionar como predicativo do objeto, deverá concordar com a soma dos elementos, apesar de existirem gramáticos que admitam a concordância também com o elemento mais próximo.

Ex.
Encontrei o operário e a esposa preocupados com a situação da empresa.
Obs.: Uma maneira fácil de se estabelecer a diferença entre o adjunto adnominal e o predicativo é quando substituímos o substantivo por um pronome: todos os adjuntos adnominais que gravitam ao redor do substantivo têm de acompanhá-lo nessa substituição, ou seja, os adjuntos adnominais desaparecem. Portanto, se o adjetivo não desaparecer na substituição, será predicativo.

02) Adjetivo anteposto a dois ou mais substantivos:

A) Adjunto adnominal:
Quando o adjetivo anteposto a dois ou mais substantivos funcionar como adjunto adnominal e estiver qualificando todos os substantivos apresentados, deverá concordar apenas com o elemento mais próximo.

Ex.
Trouxe belas rosas e cravos.

B) Predicativo do sujeito:

Quando o adjetivo imediatamente anteposto a dois ou mais substantivos funcionar como predicativo do sujeito, deverá concordar com a soma dos elementos, apesar de existirem gramáticos que admitam a concordância também com o elemento mais próximo.

Ex.
Preocupados, o operário e a esposa saíram para o trabalho.

C) Predicativo do objeto:

Quando o adjetivo imediatamente anteposto a dois ou mais substantivos funcionar como predicativo do objeto, deverá concordar com a soma dos elementos, apesar de existirem gramáticos que admitam a concordância também com o elemento mais próximo.

Ex.
Encontrei preocupados com a situação da empresa o operário e a esposa.

03) Dois ou mais adjetivos, modificando um só substantivo:

Quando houver apenas um substantivo qualificado por dois ou mais adjetivos, há duas maneiras de se construir a frase:

A) Coloca-se o substantivo no plural, e enumeram-se os adjetivos.
Ex.
Ele estuda as línguas inglesa e francesa.

B) Coloca-se o substantivo no singular, e, ao se enumerarem os adjetivos, acrescenta-se artigo a cada um deles.
Ex.
Ele estuda a língua inglesa e a francesa.

Casos Especiais


01) Obrigado / Mesmo / Próprio:

Esses três elementos concordam com o substantivo ou com o pronome a que se referem, ou seja, se o substantivo for feminino plural, usam-se mesmas, próprias e obrigadas. Caso a palavra mesmo significar realmente, ficará invariável.

Ex.
Elas mesmas disseram, em coro: Muito obrigadas, professor.
Os próprios jogadores reconheceram o erro.
As meninas trouxeram mesmo o radialista.

02) Só / Sós:

Essa palavra concordará com o elemento a que se refere, quando significar sozinho, sozinhos, sozinha, sozinhas; ficará invariável, quando significar apenas, somente. A locução a sós é sempre invariável.

Ex.
Só as garotas queriam andar sós; os meninos queriam a companhia delas.
Gosto de estar a sós.

03) Quite / Anexo / Incluso:

Esses três elementos concordam com o substantivo a que se referem.

Ex.
Deixarei as promissórias quites, para não ter problemas.
Anexas, seguem as fotocópias dos documentos solicitados.
Estão inclusos o café da manhã e o almoço.

04) Meio:

Concordará com o elemento a que se referir, quando significar metade; ficará invariável, quando significar um pouco, mais ou menos. Quando formar substantivo composto, ambos os elementos variarão.

Ex.
Era meio-dia e meia. Ela estava meio nervosa.
Os meios-fios foram construídos em lugar errado.

05) Verbo de ligação + Predicativo do sujeito:

Quando o sujeito for tomado em sua generalidade, sem qualquer determinante, o verbo ser - ou qualquer outro verbo de ligação - ficará no singular e o predicativo do sujeito no masculino, singular. Se o sujeito vier determinado por qualquer palavra, a concordância do verbo e do predicativo será regular, ou seja, concordarão com o sujeito em número e pessoa.

Ex.
Caminhada é bom para a saúde.
Esta caminhada está muito boa.
É proibido entrada
Está proibida a entrada.

06) Menos / Pseudo:

Essas duas palavras são sempre invariáveis.

Ex.
Houve menos reclamações dessa vez.
As pseudo-escritoras foram desmascaradas.

07) Muito / Bastante:

Quando modificarem substantivo, concordarão com ele, por serem pronomes indefinidos adjetivos; quando modificarem verbo, adjetivo, ou outro advérbio, ficarão invariáveis, por serem advérbios. Bastante também será adjetivo, quando significar que basta, que satisfaz.
Ex.
Bastantes funcionários ficaram bastante revoltados com a empresa.
Há provas bastantes de sua culpa.

08) Grama:

Quando a palavra grama representar unidade de massa, será masculina.

Ex.
Comprei duzentos gramas de queijo.

09) Silepse:

Concordância irregular, também chamada concordância figurada; é a que se opera não com o termo expresso, mas com outro termo latente, isto é, oculto, mentalmente subentendido, ou seja concorda-se, não com a palavra que esteja escrita, mas sim com o que ela significa.

A) Silepse de gênero:
São Paulo é linda, pois trata-se da cidade de São Paulo.

B) Silepse de número:
Estaremos aberto nesse final de semana, porque o que estará aberto será o estabelecimento. Há também a silepse de pessoa, já estudada por nós na Concordância verbal.

10) Possível:

Em frases enfáticas, como o mais, o menos, o melhor, o pior, as mais, os menos, os piores, as melhores, a palavra possível concordará com o artigo.

Ex.
Visitei cidades o mais interessantes possível.
Visitei cidades as mais interessantes possíveis.


Pronome
Pronome é a palavra variável em gênero, número e pessoa que substitui ou acompanha o nome, indicando-o como pessoa do discurso. Quando o pronome substituir um substantivo, será denominado pronome substantivo; quando acompanhar um substantivo, será denominado pronome adjetivo. Por exemplo, na frase Aqueles garotos estudam bastante; eles serão aprovados com louvor. Aqueles é um pronome adjetivo, pois acompanha o substantivo garotos e eles é um pronome substantivo, pois substitui o mesmo substantivo.

Pronomes Pessoais
Os pronomes pessoais são aqueles que indicam uma das três pessoas do discurso: a que fala, a com quem se fala e a de quem se fala.

Pronomes pessoais do caso reto

Pronomes pessoais do caso reto são os que desempenham a função sintática de sujeito da oração. São os pronomes: eu, tu, ele, ela, nós, vós eles, elas.

Pronomes pessoais do caso oblíquo

São os que desempenham a função sintática de complemento verbal (objeto direto ou indireto), complemento nominal, agente da passiva, adjunto adverbial, adjunto adnominal ou sujeito acusativo (sujeito de oração reduzida).

Os pronomes pessoais do caso oblíquo se subdividem em dois tipos: os átonos, que não são antecedidos por preposição, e os tônicos, precedidos por preposição.

Pronomes oblíquos átonos:

Os pronomes oblíquos átonos são os seguintes: me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes.

Pronomes oblíquos tônicos:

Os pronomes oblíquos tônicos são os seguintes: mim, comigo, ti, contigo, ele, ela, si, consigo, nós, conosco, vós, convosco, eles, elas.


Usos dos Pronomes Pessoais


01) Eu, tu / Mim, ti

Eu e tu exercem a função sintática de sujeito. Mim e ti exercem a função sintática de complemento verbal ou nominal, agente da passiva ou adjunto adverbial e sempre são precedidos de preposição.

Ex.
Trouxeram aquela encomenda para mim.
Era para eu conversar com o diretor, mas não houve condições.
Agora, observe a oração Sei que não será fácil para mim conseguir o empréstimo. O pronome mim NÃO é sujeito do verbo conseguir, como à primeira vista possa parecer. Analisando mais detalhadamente, teremos o seguinte: O sujeito do verbo ser é a oração conseguir o empréstimo, pois que não será fácil? resposta: conseguir o empréstimo, portanto há uma oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo, que é a oração que funciona como sujeito, tendo o verbo no infinitivo. O verbo ser é verbo de ligação, portanto fácil é predicativo do sujeito. O adjetivo fácil exige um complemento, pois conseguir o empréstimo não será fácil para quem? resposta: para mim, que funciona como complemento nominal. Ademais a ordem direta da oração é esta: Conseguir o empréstimo não será fácil para mim.

02) Se, si, consigo

Se, si, consigo são pronomes reflexivos ou recíprocos, portanto só poderão ser usados na voz reflexiva ou na voz reflexiva recíproca.

Ex.
Quem não se cuida, acaba ficando doente.
Quem só pensa em si, acaba ficando sozinho.
Gilberto trouxe consigo os três irmãos.

03) Com nós, com vós / Conosco, convosco

Usa-se com nós ou com vós, quando, à frente, surgir qualquer palavra que indique quem "somos nós" ou quem "sois vós".

Ex.
Ele conversou com nós todos a respeito de seus problemas.
Ele disse que sairia com nós dois.

04) Dele, do + subst. / De ele, de o + subst.

Quando os pronomes pessoais ele(s), ela(s), ou qualquer substantivo, funcionarem como sujeito, não devem ser aglutinados com a preposição de.

Ex.
É chegada a hora de ele assumir a responsabilidade.
No momento de o orador discursar, faltou-lhe a palavra.

05) Pronomes Oblíquos Átonos

Os pronomes oblíquos átonos são me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os as, lhes. Eles podem exercer diversas funções sintáticas nas orações. São elas:

A) Objeto Direto
Os pronomes que funcionam como objeto direto são me, te, se, o, a, nos, vos, os, as.

Ex.
Quando encontrar seu material, traga-o até mim.
Respeite-me, garoto.
Levar-te-ei a São Paulo amanhã.
Notas:

01) Se o verbo for terminado em M, ÃO ou ÕE, os pronomes o, a, os, as se transformarão em no, na, nos, nas.

Ex.
Quando encontrarem o material, tragam-no até mim.
Os sapatos, põe-nos fora, para aliviar a dor.

02) Se o verbo terminar em R, S ou Z, essas terminações serão retiradas, e os pronomes o, a, os, as mudarão para lo, la, los, las.

Ex.
Quando encontrarem as apostilas, deverão trazê-las até mim.
As apostilas, tu perde-las toda semana. (Pronuncia-se pérde-las)
As garotas ingênuas, o conquistador sedu-las com facilidade.

03) Independentemente da predicação verbal, se o verbo terminar em mos, seguido de nos ou de vos, retira-se a terminação -s.

Ex.
Encontramo-nos ontem à noite.
Recolhemo-nos cedo todos os dias.

04) Se o verbo for transitivo indireto terminado em s, seguido de lhe, lhes, não se retira a terminação s.

Ex.
Obedecemos-lhe cegamente.
Tu obedeces-lhe?

B) Objeto Indireto
Os pronomes que funcionam como objeto indireto são me, te, se, lhe, nos, vos, lhes.

Ex.
Traga-me as apostilas, quando as encontrar.
Obedecemos-lhe cegamente.

C) Adjunto adnominal
Os pronomes que funcionam como adjunto adnominal são me, te, lhe, nos, vos, lhes, quando indicarem posse (algo de alguém).

Ex.
Quando Clodoaldo morreu, Soraia recebeu-lhe a herança. (a herança dele)
Roubaram-me os documentos. (os documentos de alguém - meus)

D) Complemento nominal
Os pronomes que funcionam como complemento nominal são me, te, lhe, nos, vos, lhes, quando complementarem o sentido de adjetivos, advérbios ou substantivos abstratos. (algo a alguém, não provindo a preposição a de um verbo).

Ex.
Tenha-me respeito. (respeito a alguém)
É-me difícil suportar tanta dor. (difícil a alguém)

E) Sujeito acusativo
Os pronomes que funcionam como sujeito acusativo são me, te, se, o, a, nos, vos, os, as, quando estiverem em um período composto formado pelos verbos fazer, mandar, ver, deixar, sentir ou ouvir, e um verbo no infinitivo ou no gerúndio.

Ex.
Deixei-a entrar atrasada.
Mandaram-me conversar com o diretor.


Pronomes Relativos

O PRONOME RELATIVO "QUE"


Este pronome deve ser utilizado com o intuito de substituir um substantivo (pessoa ou "coisa"), evitando sua repetição. Na montagem do período, deve-se colocar imediatamente após o substantivo repetido, que passará a ser chamado de elemento antecedente.

Por exemplo, nas orações Roubaram a peça. A peça era rara em Angola,
há o substantivo "peça" repetido. Pode-se usar o pronome relativo "que" e, assim, evitar a repetição de "peça". O pronome será colocado após o substantivo. Então teremos "Roubaram a peça que era rara em Angola" . Este" que" está no lugar da palavra "peça" da outra oração. Deve-se, agora, terminar a outra oração: ...era rara no Brasil, ficando

Roubaram a peça que era rara em Angola.


Pode-se, também, iniciar o período pela outra oração, colocando o pronome após o substantivo. Então, tem-se A peça que... Este que está no lugar da palavra peça da outra oração. Deve-se, agora, terminar a outra oração: ...roubaram, ficando A peça que roubaram... . Finalmente, conclui-se a oração que se havia iniciado: ...era rara no Brasil, ficando

A peça que roubaram era rara em Angola.



Outros exemplos:

01) Encontrei o garoto. Você estava procurando o garoto.
Substantivo repetido = garoto
Colocação do pronome após o substantivo = Encontrei o garoto que ...
Restante da outra oração = ... você estava procurando.
Junção de tudo = Encontrei o garoto que você estava procurando.

Começando pela outra oração:
Colocação do pronome após o substantivo = Você estava procurando o garoto que ...
Restante da outra oração = ... encontrei
Junção de tudo = Você estava procurando o garoto que encontrei.

02) Eu vi o rapaz. O rapaz era seu amigo.
Substantivo repetido = rapaz
Colocação do pronome após o substantivo = Eu vi o rapaz que ...
Restante da outra oração = ... era seu amigo.
Junção de tudo = Eu vi o rapaz que era seu amigo.

Começando pela outra oração:
Colocação do pronome após o substantivo = O rapaz que ...
Restante da outra oração = ... eu vi ...
Finalização da oração que se havia iniciado = ... era seu amigo
Junção de tudo = O rapaz que eu vi era seu amigo.

03) Nós assistimos ao filme. Vocês perderam o filme.
Substantivo repetido = filme
Colocação do pronome após o substantivo = Nós assistimos ao filme que ...
Restante da outra oração = ... vocês perderam.
Junção de tudo = Nós assistimos ao filme que vocês perderam.

Começando pela outra oração:
Colocação do pronome após o substantivo = Vocês perderam o filme que ...
Restante da outra oração = ... nós assistimos
Junção de tudo = Vocês perderam o filme que nós assistimos.
Observe que, nesse último exemplo, a junção de tudo ficou incompleta, pois a primeira oração é Nós assistimos ao filme, porém, na junção, a prep. a desapareceu. Portanto o período está inadequado gramaticalmente. A explicação é a seguinte: Quando o verbo do restante da outra oração exigir preposição, deve-se colocá-la antes do pronome relativo. Então teremos: Vocês perderam o filme a que nós assistimos.

04) O gerente precisa dos documentos. O assessor encontrou os documentos
Substantivo repetido = documentos
Colocação do pronome após o substantivo = O gerente precisa dos documentos que ...
Restante da outra oração = ... o assessor encontrou
Junção de tudo = O gerente precisa dos documentos que o assessor encontrou.

Começando pela outra oração:
Colocação do pronome após o substantivo = O assessor encontrou os documentos que ...
Restante da outra oração = ... o gerente precisa.
O verbo precisar está usado com a prep. de, portanto ela será colocada antes do pronome relativo.
Junção de tudo = O assessor encontrou os documentos de que o gerente precisa.
Obs: O pronome que pode ser substituído por o qual, a qual, os quais e as quais sempre. O gênero e o número são de acordo com o substantivo substituído.

Os exemplos apresentados ficarão, então, assim, com o que substituído por qual:
Encontrei o livro o qual você estava procurando. Você estava procurando o livro o qual encontrei.
Eu vi o rapaz o qual é seu amigo. O rapaz o qual vi é seu amigo.
Nós assistimos ao filme o qual vocês perderam. Vocês perderam o filme ao qual nós assistimos.
O gerente precisa dos documentos os quais o assessor encontrou. O assessor encontrou os documentos dos quais o gerente precisa.
Obs: Todos os pronomes relativos iniciam Oração Subordinada Adjetiva, portanto todos os períodos apresentados contêm oração subordinada adjetiva.

O PRONOME RELATIVO "CUJO


Este pronome indica posse (algo de alguém).
Na montagem do período, deve-se colocá-lo entre o possuidor e o possuído (alguém cujo algo)
Por exemplo, nas orações Antipatizei com o rapaz. Você conhece a namorada do rapaz. o substantivo repetido rapaz possui namorada. Deveremos, então usar o pronome relativo cujo, que será colocado entre o possuidor e o possuído: Algo de alguém = Alguém cujo algo. Então, tem-se a namorada do rapaz = o rapaz cujo a namorada. Não se pode, porém, usar artigo (o, a, os, as) depois de cujo. Ele deverá contrair-se com o pronome, ficando: cujo + o = cujo; cujo + a = cuja; cujo + os = cujos; cujo + as = cujas. Então a frase ficará o rapaz cuja namorada. Somando as duas orações, tem-se:
Antipatizei com o rapaz cuja namorada você conhece.
Outros exemplos:

01) A árvore foi derrubada. Os frutos da árvore são venenosos.
Substantivo repetido = árvore - o substantivo repetido possui algo.
Algo de alguém = Alguém cujo algo: os frutos da árvore = a árvore cujos frutos. Somando as duas orações, tem-se:
A árvore cujos frutos são venenosos foi derrubada.

Começando pela outra oração:
Colocação do pronome que após o substantivo = Os frutos da árvore que...
Restante da outra oração = ...foi derrubada ...
Finalização da oração que se havia iniciado = ...são venenosos
Junção de tudo = Os frutos da árvore que foi derrubada são venenosos.

02) O artista morreu ontem. Eu falara da obra do artista.
Substantivo repetido = artista - o substantivo repetido possui algo.
Algo de alguém = Alguém cujo algo: a obra do artista = o artista cuja obra. Somando as duas orações, tem-se:
O artista cuja obra eu falara morreu ontem.


Observe que, nesse último exemplo, a junção de tudo ficou incompleta, pois a segunda oração é: Eu falara da obra do artista, porém, na junção, a prep. de desapareceu. Portanto o período está inadequado gramaticalmente. A explicação é a seguinte: Quando o verbo da oração subordinada adjetiva exigir preposição, deve-se colocá-la antes do pronome relativo. Então, tem-se: O artista de cuja obra eu falara morreu ontem.

03) As pessoas estão presas. Eu acreditei nas palavras das pessoas.
Substantivo repetido = pessoas - o substantivo repetido possui algo.
Algo de alguém = Alguém cujo algo: as palavras das pessoas = as pessoas cujas palavras. Somando as duas orações, tem-se
As pessoas cujas palavras acreditei estão presas.


O verbo acreditar está usado com a prep. em, portanto ela será colocada antes do pronome relativo. As pessoas em cujas palavras acreditei estão presas.

Começando pela outra oração:
Colocação do pronome que após o substantivo = Eu acreditei nas palavras das pessoas que ...
Restante da outra oração = ... estão presas
Junção de tudo = Eu acreditei nas palavras das pessoas que estão presas.
Obs: Todos os pronomes relativos iniciam Oração Subordinada Adjetiva, portanto todos os períodos apresentados contêm oração subordinada adjetiva.

O PRONOME RELATIVO "QUEM"


Este pronome substitui um substantivo que representa uma pessoa, evitando sua repetição. Somente deve ser utilizado antecedido de preposição, inclusive quando funcionar como objeto direto, Nesse caso, haverá a anteposição obrigatória da prep. a, e o pronome passará a exercer a função sintática de objeto direto preposicionado. Por exemplo na oração A garota que conheci está em minha sala, o pronome que funciona como objeto direto. Substituindo pelo pronome quem, tem-se
A garota a quem conheci ontem está em minha sala.


Há apenas uma possibilidade de o pronome quem não ser precedido de preposição: quando funcionar como sujeito. Isso só ocorrerá, quando possuir o mesmo valor de o que, a que, os que, as que, aquele que, aquela que, aqueles que, aquelas que, ou seja, quando puder ser substituído por pronome demonstrativo (o, a, os, as, aquele, aquela, aqueles, aquelas) mais o pronome relativo que. Por exemplo: Foi ele quem me disse a verdade = Foi ele o que me disse a verdade. Nesses casos o pronome quem será denominado de Pronome Relativo Indefinido.

Na montagem do período, deve-se colocar o pronome relativo quem imediatamente após o substantivo repetido, que passará a ser chamado de elemento antecedente.

Por exemplo: nas orações Este é o artista. Eu me referi ao artista ontem, há o substantivo artista repetido. Pode-se usar o pronome relativo quem e, assim, evitar a repetição de artista. O pronome será colocado após o substantivo. Então, tem-se Este é o artista quem... Este quem está no lugar da palavra artista da outra oração. Deve-se, agora, terminar a outra oração: ...eu me referi ontem, ficando Este é o artista quem me referi ontem. Como o verbo referir-se exige a preposição a, ela será colocada antes do pronome relativo. Então tem-se:

Este é o artista a quem me referi ontem.


Não se pode iniciar o período pela outra oração, pois o pronome relativo quem só funciona como sujeito, quando puder ser substituído por o que, a que, os que, as que, aquele que, aqueles que, aquela que, aquelas que.

Outros exemplos:

01) Encontrei o garoto. Você estava procurando o garoto.
Substantivo repetido = garoto
Colocação do pronome após o substantivo = Encontrei o garoto quem...
Restante da outra oração = ...você estava procurando.
Junção de tudo = Encontrei o garoto quem você estava procurando. Como procurar é verbo transitivo direto, o pronome quem funciona como objeto direto. Então, deve-se antepor a prep. a ao pronome relativo, funcionando como objeto direto preposicionado.
Encontrei o garoto a quem você estava procurando.


Começando pela outra oração:
Colocação do pronome após o substantivo = Você estava procurando o garoto quem ...
Restante da outra oração = ... encontrei
Junção de tudo = Você estava procurando o garoto quem encontrei. Novamente objeto direto preposicionado:
Você estava procurando o garoto a quem encontrei.


02) Aquele é o homem. Eu lhe falei do homem.
Substantivo repetido = homem
Colocação do pronome após o substantivo = Aquele é o homem quem...
Restante da outra oração = ...lhe falei.
Junção de tudo = Aquele é o homem quem lhe falei. Como falar está usado com a prep. de, deve-se antepô-la ao pronome relativo, ficando
Aquele é o homem de quem lhe falei.
Não se esqueça disto:

O pronome relativo quem somente deve ser utilizado antecedido de preposição;
Quando for objeto direto, será antecedido da prep. a, transformando-se em objeto direto preposicionado;

Somente funciona como sujeito, quando puder ser substituído por o que, os que, a que, as que, aquele que, aqueles que, aquela que, aquelas que.

O PRONOME RELATIVO "QUAL"


Este pronome tem o mesmo valor de "que" e de "quem".

É sempre antecedido de artigo, que concorda com o elemento antecedente, ficando o qual, a qual, os quais, as quais.

Se a preposição que anteceder o pronome relativo possuir duas ou mais sílabas, só poderemos usar o pronome qual, e não que ou quem. Então só se pode dizer O juiz perante o qual testemunhei. Os assuntos sobre os quais conversamos, e não O juiz perante quem testemunhei nem Os assuntos sobre que conversamos.

Outro exemplo:

Meu irmão comprou o restaurante. Eu falei a você sobre o restaurante.
Substantivo repetido = restaurante
Colocação do pronome após o substantivo = Meu irmão comprou o restaurante que ...
Restante da outra oração = ... eu falei a você.
Junção de tudo = Meu irmão comprou o restaurante que eu falei a você. Observe que o verbo falar, na oração apresentada, foi usado com a preposição sobre, que deverá ser anteposta ao pronome relativo: Meu irmão comprou o restaurante sobre que eu falei a você. Como a preposição sobre possui duas sílabas, não se pode usar o pronome que, e sim o qual, ficando, então:
Meu irmão comprou o restaurante sobre o qual eu falei a você.


O PRONOME RELATIVO "ONDE"

Este pronome tem o mesmo valor de em que.

Sempre indica lugar, por isso funciona sintaticamente como Adjunto Adverbial de Lugar.

Se a preposição em for substituída pela prep. a ou pela prep. de, substituiremos onde por aonde e donde, respectivamente. Por exemplo: O sítio aonde fui é aprazível. A cidade donde vim fica longe.

Será Pronome Relativo Indefinido, quando puder ser substituído por O lugar em que. Por exemplo, na frase: Eu nasci onde você nasceu. = Eu nasci no lugar em que você nasceu.

Outro exemplo:

Eu conheço a cidade. Sua sobrinha mora na cidade.
Substantivo repetido = cidade
Colocação do pronome após o substantivo = Eu conheço a cidade que...
Restante da outra oração = ... sua sobrinha mora.
Junção de tudo = Eu conheço a cidade que sua sobrinha mora. O verbo morar exige a prep. em, pois quem mora, mora em algum lugar. Então:
Eu conheço a cidade em que sua sobrinha mora.
Eu conheço a cidade na qual sua sobrinha mora.
Eu conheço a cidade onde sua sobrinha mora.


O PRONOME RELATIVO "QUANTO"

Este pronome é sempre antecedido de tudo, todos ou todas, concordando com esses elementos (quanto, quantos, quantas).
Ex:
Fale tudo quanto quiser falar.
Traga todos quantos quiser trazer.
Beba todas quantas quiser beber.


Pronomes de Tratamento
São pronomes empregados no trato com as pessoas, familiarmente ou respeitosamente. Embora o pronome de tratamento se dirija à segunda pessoa, toda a concordância deve ser feita com a terceira pessoa. Usa-se Vossa, quando conversamos com a pessoa, e Sua, quando falamos da pessoa.

Ex.
Vossa Senhoria deveria preocupar-se com suas responsabilidades e não com as dele.
Sua Excelência, o Prefeito, que se encontra ausente.

Eis uma pequena lista de pronomes de tratamento:

AUTORIDADES DE ESTADO

Civis
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado para
1 - Vossa Excelência - V. Ex.a - Presidente da República, Senadores da República, Ministro de Estado, Governadores, Deputados Federais e Estaduais, Prefeitos, Embaixadores, Vereadores, Cônsules, Chefes das Casas Civis e Casas Militares.
2 - Vossa Magnificência - V. M. - Reitores de Universidade
3 - Vossa Senhoria - V. S.a - Diretores de Autarquias Federais, Estaduais e Municipais


Judiciárias
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado para
1 - Vossa Excelência - V. Ex.a - Desembargador da Justiça, curador, promotor
2 - Meritíssimo Juiz - M. - Juiz, Juízes de Direito
3 - Vossa Senhoria - V. S.a - Diretores de Autarquias Federais, Estaduais e Municipais


Militares
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado para
1 - Vossa Excelência - V. Ex.a - Oficiais generais (até coronéis)
2 - Vossa Senhoria - V. S.a - Outras patentes militares
3 - Vossa Senhoria - V. S.a - Diretores de Autarquias Federais, Estaduais e Municipais

AUTORIDADES ECLESIÁSTICAS
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado para
1 - Vossa Santidade - V. S. - Papa
2 - Vossa Eminência Reverendíssima - V. Em.a Revm.a - Cardeais, arcebispos e bispos
3 - Vossa Reverendíssima - V. Revma - Abades, superiores de conventos, outras autoridades eclesiásticas e sacerdotes em geral


AUTORIDADES MONÁRQUICAS
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado para
1 - Vossa Majestade - V. M. - Reis e Imperadores
2 - Vossa Alteza - V. A. - Príncipe, Arquiduques e Duques
3 - Vossa Reverendíssima - V. Revma - Abades, superiores de conventos, outras autoridades eclesiásticas e sacerdotes em geral


OUTRAS AUTORIDADES
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado para
1 - Vossa Senhoria - V. S.a - Dom
2 - Doutor - Dr. - Doutor
3 – Comendador - Com. - Comendador
4 – Professor - Prof. - Professor


Pronomes Possessivos
São aqueles que indicam posse, em relação às três pessoas do discurso. São eles: meu(s), minha(s), teu(s), tua(s), seu(s), sua(s), nosso(s), nossa(s), vosso(s), vossa(s).

Empregos dos pronomes possessivos:

01) O emprego dos possessivos de terceira pessoa seu, sua, seus, suas pode dar duplo sentido à frase (ambigüidade). Para evitar isso, coloca-se à frente do substantivo dele, dela, deles, delas, ou troca-se o possessivo por esses elementos.
Ex.
Joaquim contou-me que Sandra desaparecera com seus documentos.
De quem eram os documentos? Não há como saber. Então a frase está ambígua. Para tirar a ambigüidade, coloca-se, após o substantivo, o elemento referente ao dono dos documentos: se for Joaquim: Joaquim contou-me que Sandra desaparecera com seus documentos dele; se for Sandra: Joaquim contou-me que Sandra desaparecera com seus documentos dela. Pode-se, ainda, eliminar o pronome possessivo: Joaquim contou-me que Sandra desaparecera com os documentos dele (ou dela).


02) É facultativo o uso de artigo diante dos possessivos.
Ex.
Trate bem seus amigos. ou Trate bem os seus amigos.

03) Não se devem usar pronomes possessivos diante de partes do próprio corpo.
Ex.
Amanhã, irei cortar os cabelos.
Vou lavar as mãos.
Menino! Cuidado para não machucar os pés!

04) Não se devem usar pronomes possessivos diante da palavra casa, quando for a residência da pessoa que estiver falando.
Ex.
Acabei de chegar de casa.
Estou em casa, tranqüilo.


Pronomes Demonstrativos
Pronomes demonstrativos são aqueles que situam os seres no tempo e no espaço, em relação às pessoas do discurso. São os seguintes:

01) Este, esta, isto:

São usados para o que está próximo da pessoa que fala e para o tempo presente.
Ex.
Este chapéu que estou usando é de couro.
Este ano está sendo cheio de surpresas.

02) Esse, essa, isso:

São usados para o que está próximo da pessoa com quem se fala, para o tempo passado recente e para o futuro.
Ex.
Esse chapéu que você está usando é de couro?
2003. Esse ano será envolto em mistérios.
Em novembro de 2001, inauguramos a loja. Até esse mês, nada sabíamos sobre comércio.

03) Aquele, aquela, aquilo:

São usados para o que está distante da pessoa que fala, e da pessoa com quem se fala e para o tempo passado remoto.
Ex.
Aquele chapéu que ele está usando é de couro?
Em 1974, eu tinha 15 anos. Naquela época, Londrina era uma cidade pequena.

Outros usos dos demonstrativos:

01) Em uma citação oral ou escrita, usa-se este, esta, isto para o que ainda vai ser dito ou escrito, e esse, essa, isso para o que já foi dito ou escrito.
Ex.
Esta é a verdade: existe a violência, porque a sociedade a permitiu.
Existe a violência, porque a sociedade a permitiu. A verdade é essa.

02) Usa-se este, esta, isto em referência a um termo imediatamente anterior.
Ex.
O fumo é prejudicial à saúde, e esta deve ser preservada.
Quando interpelei Roberval, este assustou-se inexplicavelmente.

03) Para estabelecer-se a distinção entre dois elementos anteriormente citados, usa-se este, esta, isto em relação ao que foi mencionado por último e aquele, aquela, aquilo, em relação ao que foi nomeado em primeiro lugar.
Ex.
Sabemos que a relação entre o Brasil e os Estados Unidos é de domínio destes sobre aquele.
Os filmes brasileiros não são tão respeitados quanto as novelas, mas eu prefiro aqueles a estas.

04) O, a, os, as são pronomes demonstrativos, quando equivalem a isto, isso, aquilo ou aquele(s), aquela(s).
Ex.
Não concordo com o que ele falou. (aquilo que ele falou)
Tudo o que aconteceu foi um equívoco. (aquilo que aconteceu)


Pronomes Indefinidos
Os pronomes indefinidos referem-se à terceira pessoa do discurso de uma maneira vaga, imprecisa, genérica.

São eles: alguém, ninguém, tudo, nada, algo, cada, outrem, mais, menos, demais, algum, alguns, alguma, algumas, nenhum, nenhuns, nenhuma, nenhumas, todo, todos, toda, todas, muito, muitos, muita, muitas, bastante, bastantes, pouco, poucos, pouca, poucas, certo, certos, certa, certas, tanto, tantos, tanta, tantas, quanto, quantos, quanta, quantas, um, uns, uma, umas, qualquer, quaisquer, (além das locuções pronominais indefinidas): cada um, cada qual, quem quer que, todo aquele que, tudo o mais...

Usos de alguns pronomes indefinidos:

01) Todo:

O pronome indefinido todo deve ser usado com artigo, se significar inteiro e o substantivo à sua frente o exigir; caso signifique cada ou todos não terá artigo, mesmo que o substantivo exija.
Ex.
Todo dia telefono a ela. (Todos os dias)
Fiquei todo o dia em casa. (O dia inteiro)
Todo ele ficou machucado. (Ele inteiro, mas a palavra ele não admite artigo)

02) Todos, todas:

Os pronomes indefinidos todos e todas devem ser usados com artigo, se o substantivo à sua frente o exigir.
Ex.
Todos os colegas o desprezam.
Todas as meninas foram à festa.
Todos vocês merecem respeito.

03) Algum:
O pronome indefinido algum tem sentido afirmativo, quando usado antes do substantivo; passa a ter sentido negativo, quando estiver depois do substantivo.
Ex.
Amigo algum o ajudou. (Nenhum amigo)
Algum amigo o ajudará. (Alguém)

04) Certo:

A palavra certo será pronome indefinido, quando anteceder substantivo e será adjetivo, quando estiver posposto a substantivo.
Ex.
Certas pessoas não se preocupam com os demais.
As pessoas certas sempre nos ajudam.

05) Qualquer:

O pronome indefinido qualquer não deve ser usado em sentido negativo. Em seu lugar, deve-se usar algum, posteriormente ao substantivo, ou nenhum.
Ex.
Ele entrou na festa sem qualquer problema. Essa frase está inadequada gramaticalmente. O adequado seria:
Ele entrou na festa sem problema algum.
Ele entrou na festa sem nenhum problema.






Pronomes Interrogativos

São os pronomes que, quem, qual e quanto usados em frases interrogativas diretas ou indiretas.
Ex.
Que farei agora? - Interrogativa direta.
Quanto te devo, meu amigo? - Interrogativa direta.
Qual é o seu nome? - Interrogativa direta.
Não sei quanto devo cobrar por esse trabalho. - Interrogativa indireta.

Notas:

01) Na expressão interrogativa Que é de? subentende-se a palavra feito: Que é do sorriso? (= Que é feito do sorriso? ), Que é dele? (= Que é feito dele?). Nunca se deve usar quédê, quedê ou cadê, pois essas palavras oficialmente não existem, apesar de, no Brasil, o uso de cadê ser cada dia mais constante.

02) Não se deve usar a forma o que como pronome interrogativo; usa-se apenas que, a não ser que o pronome seja colocado depois do verbo.
Ex.
Que você fará hoje à noite? e não: O que você fará hoje à noite?
Que queres de mim? e não: O que queres de mim?
Você fará o quê?


Artigo
É a palavra variável em gênero e número que precede um substantivo, determinando-o de modo preciso (artigo definido) ou vago (artigo indefinido).
Os artigos classificam-se em:

01) Artigos Definidos: o, a, os, as.

02) Artigos Indefinidos: um, uma, uns, umas.

Ex.
O garoto pediu dinheiro. (Antecipadamente, sabe-se quem é o garoto.)
Um garoto pediu dinheiro. (Refere-se a um garoto qualquer, de forma genérica.)




Emprego dos artigos


01) Ambos:

Usa-se o artigo entre o numeral ambos e o elemento posterior, caso este exija o seu uso.
Ex.
Ambos os atletas foram declarados vencedores. (Atletas é substantivo que exige artigo.)
Ambas as leis estão obsoletas. (Leis é substantivo que exige artigo.)
Ambos vocês estão suspensos. (Vocês é pronome de tratamento que não admite artigo.)

02) Todos:

Usa-se o artigo entre o pronome indefinido todos e o elemento posterior, caso este exija o seu uso.
Ex.
Todos os atletas foram declarados vencedores.
Todas as leis devem ser cumpridas.
Todos vocês estão suspensos.

03) Todo:

Diante do pronome indefinido todo, usa-se o artigo, para indicar totalidade; não se usa, para indicar generalização.
Ex.
Todo o país participou da greve. (O país todo, inteiro.)
Todo país sofre por algum motivo. (Qualquer país, todos os países.)

04) Cujo:

Não se usa artigo após o pronome relativo cujo.
Ex.
As mulheres, cujas bolsas desapareceram, ficaram revoltadas. (e não cujo as bolsas.)

05) Pronomes Possessivos:

Diante de pronomes possessivos, o uso do artigo é facultativo.
Ex.
Encontrei seus amigos no Shopping.
Encontrei os seus amigos no Shopping.

06) Nomes de pessoas:

Diante de nome de pessoas, só se usa artigo, para indicar afetividade ou familiaridade.
Ex.
O Pedrinho mandou uma carta a Fernando Henrique Cardoso.

07) Casa:

Só se usa artigo diante da palavra casa (lar, moradia), se a palavra estiver especificada.
Ex.
Saí de casa há pouco.
Saí da casa do Gilberto há pouco.

08) Terra:

Se a palavra terra significar "chão firme", só haverá artigo, quando estiver especificada. Se significar planeta, usa-se com artigo.
Ex.
Os marinheiros voltaram de terra, pois irão à terra do comandante.
Os astronautas voltaram da Terra.

09) Nomes de lugar:

Só se usa artigo diante da maioria dos nomes de lugar, quando estiver qualificado.
Ex.
Estive em São Paulo, ou melhor, estive na São Paulo de Mário de Andrade.
Nota: Alguns nomes de lugar vêm acompanhados de artigo: a Bahia / o Rio de Janeiro / o Cairo; outros têm o uso do artigo facultativo. São eles: África, Ásia, Europa, Espanha, França, Holanda e Inglaterra.

10) Nomes de jornais, revistas...:

Não se deve combinar com preposição o artigo que faz parte do nome de jornais, revistas, obras literárias.
Ex.
Li a notícia em O Estado de São Paulo.


Verbo

Verbo é a palavra que indica ação, praticada ou sofrida pelo sujeito, fato de que o sujeito participa ativamente, estado ou qualidade do sujeito, fenômeno da natureza.

Estrutura e Flexão

Conjugação verbal:

Há três conjugações para os verbos da língua portuguesa:
1ª conjugação: verbos terminados em -ar .
2ª conjugação: verbos terminados em -er .
3ª conjugação: verbos terminados em -ir .

Obs.: O verbo pôr e seus derivados pertencem à 2ª conjugação, por se originarem do antigo verbo poer.

Pessoas verbais:
1ª pes. do sing.: eu 1ª pes. do pl.: nós
2ª pes. do sing.: tu 2ª pes. do pl.: vós
3ª pes. do sing.:ele 3ª pes. do pl.:eles

Modos verbais:

São três os modos verbais na língua portuguesa:

Indicativo, que expresa atitudes de certeza,
Subjuntivo, que expressa atitudes de dúvida, hipótese, desejo, e
Imperativo, que expressa atitude de ordem, pedido, conselho.

O modo indicativo

Tempos verbais do Indicativo

01) Presente:
Indica fato que ocorre no dia-a-dia, corriqueiramente.
Ex. Todos os dias, caminho no Zerão. Estudo no Maxi. Confio em meus amigos.

02) Pretérito:
Indica fatos que já ocorreram.
A) Pretérito Perfeito:
Indica fato que ocorreu no passado em determinado momento, observado depois de concluído.
Ex. Ontem caminhei no Zerão.
Estudei no Maxi no ano passado.
Confiei em pseudo-amigos.

B) Pretérito Imperfeito:
Indica fato que ocorria com freqüência no passado, ou fato que não havia chegado ao final no momento em que estava sendo observado.
Ex. Naquela época, todos os dias, eu caminhava no Zerão.
Eu estudava no Maxi, quando conheci Magali.
Eu confiava naqueles amigos.
C) Pretérito Mais-que-perfeito:
Indica fato ocorrido antes de outro no Pretérito Perfeito do Indicativo.
Ex. Ontem, quando você foi ao Zerão, eu já caminhara 6 Km.
Eu já estudara no Maxi, quando conheci Magali.
Eu confiara naquele amigo que mentiu a mim.

03) Futuro:
Indica fatos que ocorrem depois do momento da fala.
A) Futuro do Presente:
Indica fato que, com certeza, ocorrerá.
Ex. Amanhã caminharei no Zerão pela manhã.
Estudarei no Maxi, no ano que vem.
Eu confiarei mais uma vez naquele amigo que mentiu a mim.
B) Futuro do Pretérito:
Indica fato futuro, dependente de outro anterior a ele.
Ex. Eu caminharia todos os dias, se não trabalhasse tanto.
Estudaria no Maxi, se morasse em Londrina.
Eu confiaria mais uma vez naquele amigo, se ele me prometesse não mais me trair.


Os modos subjuntivo e imperativo

Tempos verbais do Subjuntivo:

01) Presente:
Indica desejo atual, dúvida que ocorre no momento da fala.
Ex. Espero que eu caminhe bastante no ano que vem.
O meu desejo é que eu estude no Maxi ainda.
Duvido de que eu confie nele novamente.

02) Pretérito Imperfeito:
Indica condição, hipótese; normalmente é usado com o Futuro do Pretérito do Indicativo.
Ex. Eu caminharia todos os dias, se não trabalhasse tanto.
Estudaria no Maxi, se morasse em Londrina.
Eu confiaria mais uma vez naquele amigo, se ele me prometesse não mais me trair.

03) Futuro:
Indica hipótese futura.
Ex. Quando eu começar a caminhar todos os dias, sentir-me-ei melhor.
Quando eu estudar no Maxi, aprenderei mais coisas.
Quando ele me prometer que não me trairá mais, voltarei a confiar nele.

O modo Imperativo

O modo Imperativo expressa ordem, pedido ou conselho
Ex. Caminhe todos os dias, para a saúde melhorar.
Estude no Maxi! Confie em mim!

As formas nominais
Não exprimem com exatidão o tempo em que se dá o fato expresso – completam o esquema dos tempos simples. São três:
01) Infinitivo:
São as formas terminadas em ar, er ou ir. Infinitivo Impessoal (falar), Infinitivo Pessoal (falar eu, falares tu, etc.).
02) Gerúndio:
São as formas terminadas em ndo (falando).
03) Particípio:
São as formas terminadas em ado ou ido (falado, partido).

Tempos Compostos
Os tempos verbais compostos são formados por locuções verbais que têm como auxiliares os verbos ter e haver e como principal, qualquer verbo no particípio. São eles:

01) Pretérito Perfeito Composto do Indicativo:
É a formação de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Presente do Indicativo e o principal no particípio, indicando fato que tem ocorrido com freqüência ultimamente.
Ex. Eu tenho estudado demais ultimamente.
Todos nós nos temos esforçado, para a empresa crescer.
Será que tu tens tentado melhorar?

02) Pretérito Perfeito Composto do Subjuntivo:
É a formação de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Presente do Subjuntivo e o principal no particípio, indicando desejo de que algo já tenha ocorrido.
Ex. Espero que você tenha estudado o suficiente, para conseguir a aprovação.
O meu desejo é que todos nós nos tenhamos esforçado, para a empresa crescer.
Duvido de que tu tenhas tentado melhorar.

03) Pretérito Mais-que-perfeito Composto do Indicativo:
É a formação de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Pretérito Imperfeito do Indicativo e o principal no particípio, tendo o mesmo valor que o Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo simples.
Ex. Ontem, quando você foi ao Zerão, eu já tinha caminhado 6 Km.
Eu já tinha estudado no Maxi, quando conheci Magali.
Eu tinha confiado naquele amigo que mentiu a mim.

04) Pretérito Mais-que-perfeito Composto do Subjuntivo:
É a formação de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Pretérito Imperfeito do Subjuntivo e o principal no particípio, tendo o mesmo valor que o Pretérito Imperfeito do Subjuntivo simples.
Ex. Eu teria caminhado todos os dias desse ano, se não estivesse trabalhando tanto.
Eu teria estudado no Maxi, se não me tivesse mudado de cidade.
Eu teria confiado mais uma vez naquele amigo, se ele me tivesse prometido não mais me trair.
Obs.: Perceba que todas as frases remetem a ação obrigatoriamente para o passado. A frase Se eu estudasse, aprenderia é completamente diferente de Se eu tivesse estudado, teria aprendido.

05) Futuro do Presente Composto do Indicativo:
É a formação de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Futuro do Presente simples do Indicativo e o principal no particípio, tendo o mesmo valor que o Futuro do Presente simples do Indicativo.
Ex. Quando você chegar ao Zerão, eu já terei caminhado 6 Km.
Amanhã, quando o dia amanhecer, eu já terei partido.

06) Futuro do Pretérito Composto do Indicativo:
É a formação de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Futuro do Pretérito simples do Indicativo e o principal no particípio, tendo o mesmo valor que o Futuro do Pretérito simples do Indicativo.
Ex. Eu teria caminhado todos os dias desse ano, se não estivesse trabalhando tanto.
Eu teria estudado no Maxi, se não me tivesse mudado de cidade.
Eu teria confiado mais uma vez naquele amigo, se ele me tivesse prometido não mais me trair.

07) Futuro Composto do Subjuntivo:
É a formação de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Futuro do Subjuntivo simples e o principal no particípio, tendo o mesmo valor que o Futuro do Subjuntivo simples.
Ex. Quando você tiver terminado sua série de exercícios, eu caminharei 6 Km.
Observe algumas frases:
Quando você chegar à minha casa, telefonarei a Osbirvânio.
Quando você chegar à minha casa, já terei telefonado a Osbirvânio.
Perceba que o significado é totalmente diferente em ambas as frases apresentadas. No primeiro caso, esperarei "você" praticar a sua ação para, depois, praticar a minha; no segundo, primeiro praticarei a minha. Por isso o uso do advébio "já".
Agora observe estas:
Quando você tiver terminado o trabalho, telefonarei a Osbirvânio.
Quando você tiver terminado o trabalho, já terei telefonado a Osbirvânio.
Perceba que novamente o significado é totalmente diferente em ambas as frases apresentadas. No primeiro caso, esperarei "você" praticar a sua ação para, depois, praticar a minha; no segundo, primeiro praticarei a minha. Por isso o uso do advébio "já".

08) Infinitivo Pessoal Composto:
É a formação de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Infinitivo Pessoal simples e o principal no particípio, indicando ação passada em relação ao momento da fala.
Ex. Para você ter comprado esse carro, necessitou de muito dinheiro.

Classificação dos verbos
Os verbos classificam-se em:
01) Verbos Regulares:
Verbos regulares são aqueles que não sofrem alterações no radical.
Ex. cantar, vender, partir.
02) Verbos Irregulares:
Verbos irregulares são aqueles que sofrem pequenas alterações no radical.
Ex. fazer = faço, fazes; fiz, fizeste
03) Verbos Anômalos:
Verbos anômalos são aqueles que sofrem grandes alterações no radical.
Ex. ser = sou, é, fui, era, serei.
04) Verbos Defectivos:
Verbos defectivos são aqueles que não possuem conjugação completa.
Ex. falir, reaver, precaver = não possuem as 1ª, 2ª e 3ª pes. do presente do indicativo e o presente do subjuntivo inteiro.
05) Verbos Abundantes:
Verbos abundantes são aqueles que apresentam duas formas de mesmo valor. Geralmente ocorrem no particípio, que chamaremos de particípio regular, terminado em -ado, -ido, usado na voz ativa, com o auxiliar ter ou haver, e particípio irregular, com outra terminação diferente, usado na voz passiva, com o auxiliar ser ou estar.
Exemplos de verbos abundantes:

Infinitivo Part.Regular Part.Irregular
aceitar aceitado aceito
acender acendido aceso
contundir contundido contuso
eleger elegido eleito
entregar entregado entregue
enxugar enxugado enxuto
expulsar expulsado expulso
imprimir imprimido impresso
limpar limpado limpo
murchar murchado murcho
suspender suspendido suspenso
tingir tingido tinto

Obs.: Os verbos abrir, cobrir, dizer, escrever, fazer, pôr, ver e vir só possuem o particípio irregular aberto, coberto, dito, escrito, feito, posto, visto e vindo. Os particípios regulares gastado, ganhado e pagado estão caindo ao desuso, sendo substituídos pelos irregulares gasto, ganho e pago.

Formação dos tempos simples

Tempos derivados do Presente do Indicativo

O Presente do Indicativo forma o Presente do Subjuntivo e o modo Imperativo.

01) Presente do Subjuntivo:
O Presente do Subjuntivo é obtido pela eliminação da desinência -o da primeira pessoa do singular do presente do indicativo (eu). Aos verbos de 1ª conjugação, acrescenta-se -e; aos de 2ª e 3ª, -a, acrescentando-se, ainda, as mesmas desinências do Presente do Subjuntivo para os verbos regulares ( - / s / - / mos / is / m). Por exemplo, veja a conjugação dos verbos cantar, vender e sorrir.
Eu canto (- o + e) = que eu cante, tu cantes, ele cante, nós cantemos, vós canteis, eles cantem
Eu vendo (- o + a) = que eu venda, tu vendas, ele venda, nós vendamos, vós vendais, eles vendam
Eu sorrio (-o + a) = que eu sorria, tu sorrias, ele sorria, nós sorriamos, vós sorriais, eles sorriam
Exceções:
querer = Eu quero / queira, queiras, queira, queiramos, queirais, queiram.
ir = Eu vou / vá, vás, vá, vamos, vades, vão.
saber = Eu sei / saiba, saibas, saiba, saibamos, saibais, saibam.
ser = Eu sou / seja, sejas, seja, sejamos, sejais, sejam.
haver = Eu hei / haja, hajas, haja, hajamos, hajais, hajam.

02) Imperativo Afirmativo:
O Imperativo Afirmativo provém tanto do Presente do Indicativo, quando do Presente do Subjuntivo. Tu e vós provêm do Presente do Indicativo, sem a desinência -s; você, nós e vocês provêm do Presente do Subjuntivo. Por exemplo, veja a conjugação do verbo cantar. Presente do indicativo: Eu canto, tu cantas, ele canta, nós cantamos, vós cantais, eles cantam.
Presente do Subjuntivo: Que eu cante, tu cantes, ele cante, nós cantemos, vós canteis, eles cantem.
Imperativo Afirmativo: Canta tu, cante você, cantemos nós, cantai vós, cantem vocês.
Exceção:
Ser = sê tu, seja você, sejamos nós, sede vós, sejam vocês.

03) Imperativo Negativo:
O Imperativo Negativo provém do Presente do Subjuntivo.
Por exemplo, veja a conjugação do verbo cantar:
Não cantes tu, não cante você, não cantemos nós, não canteis vós, não cantem vocês.

Tempos derivados do Pretérito Perfeito do Indicativo

O Pretérito Perfeito do Indicativo forma o Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo, o Futuro do Subjuntivo e o Pretérito Imperfeito do Subjuntivo.

01) Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo:
O Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo é obtido pela eliminação da desinência -m da terceira pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo (eles), acrescentando-se as mesmas desinências número-pessoais para os verbos regulares ( - / s / - / mos / is / m).
Na segunda pessoa do plural (vós), troca-se o -a por -e. Por exemplo, veja a conjugação dos verbos cantar, vender e sorrir.
Eles cantaram - m = eu cantara, tu cantaras, ele cantara, nós cantáramos, vós cantareis, eles cantaram
Eles venderam - m = eu vendera, tu venderas, ele vendera, nós vendêramos, vós vendêreis, eles venderam
Eles sorriram - m = eu sorrira, tu sorriras, ele sorrira, nós sorríramos, vós sorríreis, eles sorriram

02) Futuro do Subjuntivo:
O Futuro do Subjuntivo é obtido pela eliminação da desinência -am da terceira pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo (eles), acrescentando-se as mesmas desinências número-pessoais para os verbos regulares ( - / es / - / mos / des / em).
O Futuro do Subjuntivo sempre é iniciado pelas conjunções quando ou se. Por exemplo, veja a conjugação dos verbos cantar, vender e sorrir.
Eles cantaram - am = quando eu cantar, tu cantares, ele cantar, nós cantarmos, vós cantardes, eles cantarem.
Eles venderam - am = quando eu vender, tu venderes, ele vender, nós vendermos, vós venderdes, eles venderem.
Eles sorriram - am = quando eu sorrir, tu sorrires, ele sorrir, nós sorrirmos, vós sorrirdes, eles sorrirem.

03) Pretérito Imperfeito do Subjuntivo:
O Pretérito Imperfeito do Subjuntivo é obtido pela eliminação da desinência -ram da terceira pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo (eles), acrescentando-se a desinência do Pretérito Imperfeito do Subjuntivo -sse e as mesmas desinências número-pessoais para os verbos regulares ( - / s / - / mos / is / m).
O Pretérito Imperfeito do Subjuntivo sempre é iniciado pelas conjunções caso ou se. Por exemplo, veja a conjugação dos verbos cantar, vender e sorrir.
Eles cantaram - ram + sse = se eu cantasse, tu cantasses, ele cantasse, nós cantássemos, vós cantásseis, eles cantassem.
Eles venderam - ram + sse = se eu vendesse, se tu vendesses, se ele vendesse, se nós vendêssemos, se vós vendêsseis, se eles vendessem.
Eles sorriram - ram + sse = se eu sorrisse, se tu sorrisses, se ele sorrisse, se nós sorrissemos, se vós sorrisseis, se eles sorrissem.

Tempos derivados do Infinitivo Impessoal

O Infinitivo Impessoal forma o Futuro do Presente do Indicativo, o Futuro do Pretérito do Indicativo e o Pretérito Imperfeito do Indicativo.

01) Futuro do Presente do Indicativo:
O Futuro do Presente do Indicativo é obtido pelo acréscimo ao infinitivo das desinências -ei / ás / á / emos / eis / ão.
Por exemplo, veja a conjugação dos verbos cantar, vender e sorrir.
cantar = eu cantarei, tu cantarás, ele cantará, nós cantaremos, vós cantareis, eles cantarão.
vender = eu venderei, tu venderás, ele venderá, nós venderemos, vós vendereis, eles venderão.
sorrir = eu sorrirei, tu sorrirás, ele sorrirá, nós sorriremos, vós sorrireis, eles sorrirão.

02) Futuro do Pretérito do Indicativo:
O Futuro do Pretérito do Indicativo é obtido pelo acréscimo ao infinitivo das desinências -ia / ias / ia / íamos / íeis / iam.
Por exemplo, veja a conjugação dos verbos cantar, vender e sorrir.
cantar = eu cantaria, tu cantarias, ele cantaria, nós cantaríamos, vós cantaríeis, eles cantariam.
vender = eu venderia, tu venderias, ele venderia, nós venderíamos, vós venderíeis, eles venderiam.
sorrir = eu sorriria, tu sorririas, ele sorriria, nós sorriríamos, vós sorriríeis, eles sorriram.

Exceções: Os verbos fazer, dizer e trazer são conjugados no Futuro do Presente e no Futuro do Pretérito, seguindo-se as mesmas regras acima, porém sem as letras ze, sendo estruturados, então, assim: far, dir, trar.
fazer = eu farei, tu farás, ele fará, nós faremos, vós fareis, eles farão.
dizer = eu diria, tu dirias, ele diria, nós diríamos, vós diríeis, eles diriam.
trazer = eu trarei, tu trarás, ele trará, nós traremos, vós trareis, eles trarão.

03) Infinitivo Pessoal:
O Infinitivo Pessoal é obtido pelo acréscimo ao infinitivo das desinências / - / es / - / mos / des / em.
Por exemplo, veja a conjugação dos verbos cantar, vender e sorrir.
cantar = era para eu cantar, tu cantares, ele cantar, nós cantarmos, vós cantardes, eles cantarem.
vender = era para eu vender, tu venderes, ele vender, nós vendermos, vós venderdes, eles venderem.
sorrir = eu sorrir, tu sorrires, ele sorrir, nós sorrirmos, vós sorrirdes, eles sorrirem.

04) Pretérito Imperfeito do Indicativo:
O Pretérito Imperfeito do Indicativo é obtido pela eliminação da terminação verbal -ar, -er, -ir do Infinito Impessoal, acrescentando-se a desinência -ava- para os verbos terminados em -ar e a desinência -ia- para os verbos terminados em -er e -ir e, depois, as mesmas desinências número-pessoais para os verbos regulares ( - / s / - / mos / is / m). Na segunda pessoa do plural (vós), troca-se o -a por -e.
cantar - ar + ava = eu cantava, tu cantavas, ele cantava, nós cantávamos, vós cantáveis, eles cantavam.
vender - er + ia = eu vendia, tu vendias, ele vendia, nós vendíamos, vós vendíeis, eles vendiam.
sorrir - ir + ia = eu sorria, tu sorrias, ele sorria, nós sorríamos, vós sorríeis, eles sorriam.
Os verbos que não seguem as regras acima são ter, pôr, vir e ser.
Ter = tinha, tinhas, tinha, tínhamos, tínheis, tinham.
Pôr = punha, punhas, punha, púnhamos, púnheis, punham.
Vir = vinha, vinhas, vinha, vínhamos, vínheis, vinham.
Ser = era, eras, era, éramos, éreis, eram.

Verbos notáveis
Antes de estudar alguns verbos notáveis da língua portuguesa, é importante que o estudante saiba da existência de dois nomes, em relação aos verbos: Formas rizotônica e arrizotônica.
Formas Rizotônicas:
São as estruturas verbais com a sílaba tônica dentro do radical.
São elas: eu, tu, ele e eles do presente do indicativo, eu, tu, ele e eles do presente do subjuntivo, tu, você e vocês do imperativo afirmativo e tu, você e vocês do imperativo negativo.
Formas Arrizotônicas:
São as estruturas verbais com a sílaba tônica fora do radical.
São todas as outras estruturas verbais, com exceção das rizotônicas.


01) Aguar:
Verbo regular da 1ª conjugação. Como ele, conjugam-se enxaguar e desaguar. Recebem acento agudo no primeiro a das formas rizotônicas e trema em todas as estruturas que tenham a desinência e.
Presente do Indicativo: águo, águas, água, aguamos, aguais, águam.
Presente do Subjuntivo: ágüe, ágües, ágüe, agüemos, agüeis, ágüem.
Imperativo Afirmativo: água, ágüe, agüemos, aguai, ágüem.
Imperativo Negativo: não ágües, não ágüe, não agüemos, não agüeis, não ágüem.
Pretérito Perfeito do Indicativo: agüei, aguaste, aguou, aguamos, aguastes, aguaram.
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: aguara, aguaras, aguara, aguáramos, aguáreis, aguaram.
Futuro do Subjuntivo: aguar, aguares, aguar, aguarmos, aguardes, aguarem.
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: aguasse, aguasses, aguasse, aguássemos, aguásseis, aguassem.
Futuro do Presente: aguarei, aguarás, aguará, aguaremos, aguareis, aguarão.
Futuro do Pretérito: aguaria, aguarias, aguaria, aguaríamos, aguaríeis, aguariam.
Infinitivo Pessoal: aguar, aguares, aguar, aguarmos, aguardes, aguarem.
Pretérito Imperfeito do Indicativo: aguava, aguavas, aguava, aguávamos, aguáveis, aguavam.
Formas Nominais: aguar, aguando, aguado.

02) Apaziguar:
Verbo regular da 1ª conjugação. Como ele, conjugam-se averiguar e obliquar (caminhar obliquamente, de través; proceder com dissimulação; tergiversar). Recebem acento agudo no u das formas rizotônicas que tenham a desinência e, e trema no u das formas arrizotônicas que também tenham a desinência e. As formas rizotônicas são pronunciadas apazigu-o, apazigu-as...
Presente do Indicativo: apaziguo, apaziguas, apazigua, apaziguamos, apaziguais, apaziguam.
Presente do Subjuntivo: apazigúe, apazigúes, apazigúe, apazigüemos, apazigüeis, apazigúem.
Imperativo Afirmativo: apazigua, apazigúe, apazigüemos, apaziguai, apazigúem.
Imperativo Negativo: não apazigúes, não apazigúe, não apazigüemos, não apazigüeis, não apazigúem.
Pretérito Perfeito do Indicativo: apazigüei, apaziguaste, apaziguou, apaziguamos, apaziguastes, apaziguaram.
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: apaziguara, apaziguaras, apaziguara, apaziguáramos, apaziguáreis, apaziguaram.
Futuro do Subjuntivo: apaziguar, apaziguares, apaziguar, apaziguarmos, apaziguardes, apaziguarem.
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: apaziguasse, apaziguasses, apaziguasse, apaziguássemos, apaziguásseis, apaziguassem.
Futuro do Presente: apaziguarei, apaziguarás, apaziguará, apaziguaremos, apaziguareis, apaziguarão.
Futuro do Pretérito: apaziguaria, apaziguarias, apaziguaria, apaziguaríamos, apaziguaríeis, apaziguariam.
Infinitivo Pessoal: apaziguar, apaziguares, apaziguar, apaziguarmos, apaziguardes, apaziguarem.
Pretérito Imperfeito do Indicativo: apaziguava, apaziguavas, apaziguava, apaziguávamos, apaziguáveis, apaziguavam.
Formas Nominais: apaziguar, apaziguando, apaziguado.

03) Argüir:
Verbo irregular da 3ª conjugação que significa repreender, censurar, criminar, verberar, condenar com argumentos ou razões; revelar, inculcar, demonstrar; examinar questionando ou interrogando. Como ele, conjuga-se redargüir. Recebem acento agudo no u das formas rizotônicas que tenham a desinência e ou i e trema no u das formas arrizotônicas que também tenham a desinência e ou i. As formas rizotônicas são pronunciadas argu-o, argú-is...
Presente do Indicativo: arguo, argúis, argúi, argüimos, argüis, argúem.
Presente do Subjuntivo: argua, arguas, argua, arguamos, arguais, arguam.
Imperativo Afirmativo: argúi, argua, arguamos, argüi, arguam.
Imperativo Negativo: não arguas, não argua, não arguamos, não arguais, não arguam.
Pretérito Perfeito do Indicativo: argüi, argüiste, argüiu, argüimos, argüistes, argüiram.
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: argüira, argüiras, argüira, argüíramos, argüíreis, argüiram.
Futuro do Subjuntivo: argüir, argüires, argüir, argüirmos, argüirdes, argüirem.
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: argüisse, argüisses, argüisse, argüíssemos, argüísseis, argüissem.
Futuro do Presente: argüirei, argüirás, argüirá, argüiremos, argüireis, argüirão.
Futuro do Pretérito: argüiria, argüirias, argüiria, argüiríamos, argüiríeis, argüiriam.
Infinitivo Pessoal: argüir, argüires, argüir, argüirmos, argüirdes, argüirem.
Pretérito Imperfeito do Indicativo: argüia, argüias, argüia, argüíamos, argüíeis, argüiam.
Formas Nominais: argüir, argüindo, argüido.

04) Arrear:
Verbo irregular da 1ª conjugação. Significa pôr arreio. Como ele, conjugam-se todos os verbos terminados em -ear. Variam no radical, que recebe um i nas formas rizotônicas.
Presente do Indicativo: arreio, arreias, arreia, arreamos, arreais, arreiam.
Presente do Subjuntivo: arreie, arreies, arreie, arreemos, arreeis, arreiem.
Imperativo Afirmativo: arreia, arreie, arreemos, arreai, arreiem.
Imperativo Negativo: não arreies, não arreie, não arreemos, não arreeis, não arreiem.
Pretérito Perfeito do Indicativo: arreei, arreaste, arreou, arreamos, arreastes, arrearam.
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: arreara, arrearas, arreara, arreáramos, arreáreis, arrearam.
Futuro do Subjuntivo: arrear, arreares, arrear, arrearmos, arreardes, arrearem.
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: arreasse, arreasses, arreasse, arreássemos, arreásseis, arreassem.
Futuro do Presente: arrearei, arrearás, arreará, arrearemos, arreareis, arrearão.
Futuro do Pretérito: arrearia, arrearias, arrearia, arrearíamos, arrearíeis, arreariam.
Infinitivo Pessoal: arrear, arreares, arrear, arrearmos, arreardes, arrearem.
Pretérito Imperfeito do Indicativo: arreava, arreavas, arreava, arreávamos, arreáveis, arreavam.
Formas Nominais: arrear, arreando, arreado.

05) Arriar:
Verbo regular da 1ª conjugação. Significa fazer descer. Como ele, conjugam-se todos os verbos terminados em -iar, menos mediar, ansiar, remediar, incendiar e odiar.
Presente do Indicativo: arrio, arrias, arria, arriamos, arriais, arriam.
Presente do Subjuntivo: arrie, arries, arrie, arriemos, arrieis, arriem.
Imperativo Afirmativo: arria, arrie, arriemos, arriai, arriem.
Imperativo Negativo: não arries, não arrie, não arriemos, não arrieis, não arriem.
Pretérito Perfeito do Indicativo: arriei, arriaste, arriou, arriamos, arriastes, arriaram.
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: arriara, arriaras, arriara, arriáramos, arriáreis, arriaram.
Futuro do Subjuntivo: arriar, arriares, arriar, arriarmos, arriardes, arriarem.
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: arriasse, arriasses, arriasse, arriássemos, arriásseis, arriassem.
Futuro do Presente: arriarei, arriarás, arriará, arriaremos, arriareis, arriarão.
Futuro do Pretérito: arriaria, arriarias, arriaria, arriaríamos, arriaríeis, arriariam.
Infinitivo Pessoal: arriar, arriares, arriar, arriarmos, arriardes, arriarem.
Pretérito Imperfeito do Indicativo: arriava, arriavas, arriava, arriávamos, arriáveis, arriavam.
Formas Nominais: arriar, arriando, arriado.

06) Ansiar:
Verbo irregular da 1ª conjugação. Como ele, conjugam-se mediar, remediar, incendiar e odiar. Variam no radical, que recebe um e nas formas rizotônicas.
Presente do Indicativo: anseio, anseias, anseia, ansiamos, ansiais, anseiam.
Presente do Subjuntivo: anseie, anseies, anseie, ansiemos, ansieis, anseiem.
Imperativo Afirmativo: anseia, anseie, ansiemos, ansiai, anseiem.
Imperativo Negativo: não anseies, não anseie, não ansiemos, não ansieis, não anseiem.
Pretérito Perfeito do Indicativo: ansiei, ansiaste, ansiou, ansiamos, ansiastes, ansiaram.
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: ansiara, ansiaras, ansiara, ansiáramos, ansiáreis, ansiaram.
Futuro do Subjuntivo: ansiar, ansiares, ansiar, ansiarmos, ansiardes, ansiarem.
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: ansiasse, ansiasses, ansiasse, ansiássemos, ansiásseis, ansiassem.
Futuro do Presente: ansiarei, ansiarás, ansiará, ansiaremos, ansiareis, ansiarão.
Futuro do Pretérito: ansiaria, ansiarias, ansiaria, ansiaríamos, ansiaríeis, ansiariam.
Infinitivo Pessoal: ansiar, ansiares, ansiar, ansiarmos, ansiardes, ansiarem.
Pretérito Imperfeito do Indicativo: ansiava, ansiavas, ansiava, ansiávamos, ansiáveis, ansiavam.
Formas Nominais: ansiar, ansiando, ansiado.

07) Haver:
Verbo irregular da 2ª conjugação. Varia no radical e nas desinências.
Presente do Indicativo: hei, hás, há, havemos, haveis, hão.
Presente do Subjuntivo: haja, hajas, haja, hajamos, hajais, hajam.
Imperativo Afirmativo: há, haja, hajamos, havei, hajam.
Imperativo Negativo: não hajas, não haja, não hajamos, não hajais, não hajam.
Pretérito Perfeito do Indicativo: houve, houveste, houve, houvemos, houvestes, houveram.
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: houvera, houveras, houvera, houvéramos, houvéreis, houveram.
Futuro do Subjuntivo: houver, houveres, houver, houvermos, houverdes, houverem.
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: houvesse, houvesses, houvesse, houvéssemos, houvésseis, houvessem.
Futuro do Presente: haverei, haverás, haverá, haveremos, havereis, haverão.
Futuro do Pretérito: haveria, haverias, haveria, haveríamos, haveríeis, haveriam.
Infinitivo Pessoal: haver, haveres, haver, havermos, haverdes, haverem.
Pretérito Imperfeito do Indicativo: havia, havias, havia, havíamos, havíeis, haviam.
Formas Nominais: haver, havendo, havido.

08) Reaver:
Verbo defectivo da 2ª conjugação. Faltam-lhe as formas rizotônicas e derivadas. As formas não existentes devem ser substituídas pelas do verbo recuperar.
Presente do Indicativo: ///, ///, ///, reavemos, reaveis, ///.
Presente do Subjuntivo: ///, ///, ///, ///, ///, ///.
Imperativo Afirmativo: ///, ///, ///, reavei vós, ///.
Imperativo Negativo: ///, ///, ///, ///, ///.
Pretérito Perfeito do Indicativo: reouve, reouveste, reouve, reouvemos, reouvestes, reouveram.
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: reouvera, reouveras, reouvera, reouvéramos, reouvéreis, reouveram.
Futuro do Subjuntivo: reouver, reouveres, reouver, reouvermos, reouverdes, reouverem.
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: reouvesse, reouvesses, reouvesse, reouvéssemos, reouvésseis, reouvessem.
Futuro do Presente: reaverei, reaverás, reaverá, reaveremos, reavereis, reaverão.
Futuro do Pretérito: reaveria, reaverias, reaveria, reaveríamos, reaveríeis, reaveriam.
Infinitivo Pessoal: reaver, reaveres, reaver, reavermos, reaverdes, reaverem.
Pretérito Imperfeito do Indicativo: reavia, reavias, reavia, reavíamos, reavíeis, reaviam.
Formas Nominais: reaver, reavendo, reavido.

09) Precaver:
Verbo defectivo da 2ª conjugação, quase sempre usado pronominalmente (precaver-se). Faltam-lhe as formas rizotônicas e derivadas. As formas não existentes devem ser substituídas pelas dos verbos acautelar-se, prevenir-se. As formas existentes são conjugadas regularmente, ou seja, seguem a conjugação de qualquer verbo regular terminado em -er, como escrever.
Presente do Indicativo: ///, ///, ///, precavemos, precaveis, ///.
Presente do Subjuntivo: ///, ///, ///, ///, ///, ///.
Imperativo Afirmativo: ///, ///, ///, prevavei vós, ///.
Imperativo Negativo: ///, ///, ///, ///, ///.
Pretérito Perfeito do Indicativo: precavi, precaveste, precaveu, precavemos, precavestes, precaveram.
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: precavera, precavera, precavera, precavêramos, precavêreis, precaveram.
Futuro do Subjuntivo: precaver, precaveres, precaver, precavermos, precaverdes, precaverem.
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: precavesse, precavesses, precavesse, precavêssemos, precavêsseis, precavessem.
Futuro do Presente: precaverei, precaverás, precaverá, precaveremos, precavereis, precaverão.
Futuro do Pretérito: precaveria, precaverias, precaveria, precaveríamos, precaveríeis, precaveriam.
Infinitivo Pessoal: precaver, precaveres, precaver, precavermos, precaverdes, precaverem.
Pretérito Imperfeito do Indicativo: precavia, precavias, precavia, precavíamos, precavíeis, precaviam.
Formas Nominais: precaver, precavendo, precavido.

10) Prover:
Verbo irregular da 2ª conjugação que significa abastecer. Varia nas desinências. No presente do indicativo, no presente do subjuntivo, no imperativo afirmativo e no imperativo negativo tem conjugação idêntica à do verbo ver; no restante dos tempos, tem conjugação regular, ou seja, segue a conjugação de qualquer verbo regular terminado em -er, como escrever.
Presente do Indicativo: provejo, provês, provê, provemos, provedes, provêem.
Presente do Subjuntivo: proveja, provejas, proveja, provejamos, provejais, provejam.
Imperativo Afirmativo: provê, proveja, provejamos, provede, provejam.
Imperativo Negativo: não provejas, não proveja, não provejamos, não provejais, não provejam.
Pretérito Perfeito do Indicativo: provi, proveste, proveu, provemos, provestes, proveram.
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: provera, proveras, provera, provêramos, provêreis, proveram.
Futuro do Subjuntivo: prover, proveres, prover, provermos, proverdes, proverem.
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: provesse, provesses, provesse, provêssemos, provêsseis, provessem.
Futuro do Presente: proverei, proverás, proverá, proveremos, provereis, proverão.
Futuro do Pretérito: proveria, proverias, proveria, proveríamos, proveríeis, proveriam.
Infinitivo Pessoal: prover, proveres, prover, provermos, proverdes, proverem.
Pretérito Imperfeito do Indicativo: provia, provias, provia, províamos, províeis, proviam.
Formas Nominais: prover, provendo, provido.

11) Requerer:
Verbo irregular da 2ª conjugação que significa pedir, solicitar, por meio de requerimento. Varia no radical. No presente do indicativo, no presente do subjuntivo, no imperativo afirmativo e no imperativo negativo tem conjugação idêntica à do verbo querer, com exceção da 1ª pessoa do singular do presente do indicativo (eu requeiro); no restante dos tempos, tem conjugação regular, ou seja, segue a conjugação de qualquer verbo regular terminado em -er, como escrever.
Presente do Indicativo: requeiro, requeres, requer, requeremos, requereis, requerem.
Presente do Subjuntivo: requeira, requeiras, requeira, requeiramos, requeirais, requeiram.
Imperativo Afirmativo: requere, requeira, requeiramos, requerei, requeiram.
Imperativo Negativo: não requeiras, não requeira, não requeiramos, não requeirais, não requeiram.
Pretérito Perfeito do Indicativo: requeri, requereste, requereu, requeremos, requerestes, requereram.
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: requerera, requereras, requerera, requerêramos, requerêreis, requereram.
Futuro do Subjuntivo: requerer, requereres, requerer, requerermos, requererdes, requererem.
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: requeresse, requeresses, requeresse, requerêssemos, requerêsseis, requeressem.
Futuro do Presente: requererei, requererás, requererá, requereremos, requerereis, requererão.
Futuro do Pretérito: requereria, requererias, requereria, requereríamos, requereríeis, requereriam.
Infinitivo Pessoal: requerer, requereres, requerer, requerermos, requererdes, requererem.
Pretérito Imperfeito do Indicativo: requeria, requerias, requeria, requeríamos, requeríeis, requeriam.
Formas Nominais: requerer, requerendo, requerido.

Verbos defectivos
1) Colorir:
Verbo defectivo, da 3ª conjugação. Faltam-lhe a 1ª pessoa do singular do Presente do Indicativo e as formas derivadas dela. Como ele, conjugam-se os verbos abolir, aturdir (atordoar), brandir (acenar, agitar a mão), banir, carpir, delir (apagar), demolir, exaurir (esgotar, ressecar), explodir, fremir (gemer), haurir (beber, sorver), delinqüir, extorquir, puir (desgastar, polir), ruir, retorquir (replicar, contrapor), latir, urgir (ser urgente), tinir (soar), pascer (pastar).
Presente do Indicativo: ///, colores, colore, colorimos, coloris, colorem.
Presente do Subjuntivo: ///, ///, ///, ///, ///, ///.
Imperativo Afirmativo: colore, ///, ///, colori, ///.
Imperativo Negativo: ///, ///, ///, ///, ///, ///.
Pretérito Perfeito do Indicativo: colori, coloriste, coloriu, colorimos, coloris, coloriram.
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: colorira, coloriras, colorira, coloríramos, coloríreis, coloriram.
Futuro do Subjuntivo: colorir, colorires, colorir, colorirmos, colorirdes, colorirem.
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: colorisse, colorisses, colorisse, coloríssemos, colorísseis, colorissem.
Futuro do Presente: colorirei, colorirás, colorirá, coloriremos, colorireis, colorirão.
Futuro do Pretérito: coloriria, coloririas, coloriria, coloriríamos, coloriríeis, coloririam.
Infinitivo Pessoal: colorir, colorires, colorir, colorirmos, colorirdes, colorirem.
Pretérito Imperfeito do Indicativo: coloria, colorias, coloria, coloríamos, coloríeis, coloriam.
Formas Nominais: colorir, colorindo, colorido.

2) Falir:
Verbo defectivo, da 3ª conjugação. Faltam-lhe as formas rizotônicas do Presente do Indicativo e as formas delas derivadas. Como ele, conjugam-se aguerrir (tornar valoroso), adequar, combalir (tornar debilitado), embair (enganar), empedernir (petrificar, endurecer), esbaforir-se, espavorir, foragir-se, remir (adquirir de novo, salvar, reparar, indenizar, recuperar-se de uma falha), renhir (disputar), transir (trespassar, penetrar).
Presente do Indicativo: ///, ///, ///, falimos, falis, ///.
Presente do Subjuntivo: ///, ///, ///, ///, ///, ///.
Imperativo Afirmativo: ///, ///, ///, fali, ///.
Imperativo Negativo: ///, ///, ///, ///, ///, ///.
Pretérito Perfeito do Indicativo: fali, faliste, faliu, falimos, falistes, faliram.
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: falira, faliras, falira, falíramos, falíreis, faliram.
Futuro do Subjuntivo: falir, falires, falir, falirmos, falirdes, falirem.
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: falisse, falisses, falisse, falíssemos, falísseis, falissem.
Futuro do Presente: falirei, falirás, falirá, faliremos, falireis, falirão.
Futuro do Pretérito: faliria, falirias, faliria, faliríamos, faliríeis, faliriam.
Infinitivo Pessoal: falir, falires, falir, falirmos, falirdes, falirem.
Pretérito Imperfeito do Indicativo: falia, falias, falia, falíamos, falíeis, faliam.
Formas Nominais: falir, falindo, falido.
Nota: o verbo adequar, diferentemente de todos os outros defectivos nas formas rizotônicas, é conjugado no Presente do Subjuntivo nas duas primeiras pessoas do plural, ou seja: que nós adeqüemos, que vós adeqüeis, conseqüentemente o Imperativo Afirmativo também é conjugado de modo diferente: adeqüemos nós, adequai vós.

Vozes Verbais
Voz verbal é a flexão do verbo que indica se o sujeito pratica ou recebe, ou pratica e recebe a ação verbal.

01) Voz Ativa:
Quando o sujeito é agente, ou seja, pratica a ação verbal ou participa ativamente de um fato.
Ex.
As meninas exigiram a presença da diretora.
A torcida aplaudiu os jogadores.
O médico cometeu um erro terrível.

02) Voz Passiva:
Quando o sujeito é paciente, ou seja, sofre a ação verbal.
A) Voz Passiva Sintética:
A voz passiva sintética é formada por verbo transitivo direto, pronome se (partícula apassivadora) e sujeito paciente.
Ex.
Entregam-se encomendas.
Alugam-se casas.
Compram-se roupas usadas.
B) Voz Passiva Analítica:
A voz passiva analítica é formada por sujeito paciente, verbo auxiliar ser ou estar, verbo principal indicador de ação no particípio - ambos formam locução verbal passiva - e agente da passiva. Veja mais detalhes aqui.
Ex.
As encomendas foram entregues pelo próprio diretor.
As casas foram alugadas pela imobiliária.
As roupas foram compradas por uma elegante senhora.

03) Voz Reflexiva:
Há dois tipos de voz reflexiva:
A) Reflexiva:
Será chamada simplesmente de reflexiva, quando o sujeito praticar a ação sobre si mesmo.
Ex.
Carla machucou-se.
Osbirvânio cortou-se com a faca.
Roberto matou-se.
B) Reflexiva recíproca:
Será chamada de reflexiva recíproca, quando houver dois elementos como sujeito: um pratica a ação sobre o outro, que pratica a ação sobre o primeiro.
Ex.
Paula e Renato amam-se.
Os jovens agrediram-se durante a festa.
Os ônibus chocaram-se violentamente.

Passagem da ativa para a passiva e vice-versa
Para efetivar a transformação da ativa para a passiva e vice-versa, procede-se da seguinte maneira:

1 - O sujeito da voz ativa passará a ser o agente da passiva.
2 - O objeto direto da voz ativa passará a ser o sujeito da voz passiva.
3 - Na passiva, o verbo ser estará no mesmo tempo e modo do verbo transitivo direto da ativa.
4 - Na voz passiva, o verbo transitivo direto ficará no particípio.

Voz ativa:
A torcida aplaudiu os jogadores.
Sujeito = a torcida.
Verbo transitivo direto = aplaudiu.
Objeto direto = os jogadores.

Voz passiva:
Os jogadores foram aplaudidos pela torcida.
Sujeito = os jogadores.
Locução verbal passiva = foram aplaudidos.
Agente da passiva = pela torcida.

Predicação Verbal
É o estudo do comportamento do verbo na oração. É a partir da predicação verbal que analisamos se ocorre ação ou fato, se existe qualidade ou estado ou modo de ser de sujeito.

Quanto à predicação verbal, os verbos podem ser:
Intransitivos
Transitivos
De Ligação
Os transitivos e os intransitivos são também denominados verbos significativos.

Verbos Intransitivos
São verbos intransitivos os que não necessitam de complementação, pois já possuem sentido completo. Observe estas frases, retiradas de manchetes de jornais:
Rei Hussein, da Jordânia, morre aos 63.

24 mil casam-se ao mesmo tempo.

2ª parcela do IPVA vence a partir de hoje.

Perceba que esses verbos não necessitam de qualquer elemento para complementar seu sentido, pois quem morre, morre, quem se casa, casa-se e aquilo que vence, vence.

Há verbos intransitivos, porém, que vêm acompanhados de um termo acessório, exprimindo alguma circunstância - lugar, tempo, modo, causa, etc. O estudante não deve confundir esse elemento acessório com complemento de verbo. Observe esse exemplo:
Garotinho diz que irá a Brasília para reunião.

Aparentemente, o verbo ir apresenta complementação, pois quem vai, vai a algum lugar, porém "lugar" é uma circunstância e não complementação, como à primeira vista possa parecer.

Todos os verbos que indicam destino ou procedência são verbos intransitivos, normalmente acompanhados de circunstância de lugar - Adjunto Adverbial de Lugar. São eles ir, vir, voltar, chegar, cair, comparecer, dirigir-se.... Esses verbos admitem as preposições a e de; esta para indicação de procedência, aquela para a indicação de destino.

Outros exemplos:
O avião caiu ao mar.
Cheguei a casa antes da meia-noite. Nessa frase não ocorre o acento indicativo de crase, pois a palavra casa só admite o artigo quando estiver especificada: Cheguei à casa de Joana.

Verbos Transitivos
São verbos que necessitam de complementação. pois têm sentido incompleto. Observe as orações:
Vasco venceu Corinthians com 2 gols de Romário.

Cliente reclama de promoção da BCP.

Medida em estudo dá alívio para os Estados.

Perceba que os três verbos utilizados nos exemplos necessitam de complementação, pois quem vence, vence alguém, quem reclama, reclama de algo e quem dá, dá algo a alguém. A complementação, porém, dá-se de três maneiras diferentes: na primeira, o verbo não exige preposição, mas na segunda, sim, e, na terceira, há dois complementos, um com preposição, outro sem. Quanto a isso, os verbos são:

Transitivos diretos: exigem complemento sem preposição obrigatória. O complemento é denominado objeto direto.
Presidente receberá governadores.
Falta de verbas causa problemas.
Transitivos indiretos: exigem complemento com preposição obrigatória. O complemento é denominado objeto indireto.
Eleitor não obedece à convocação do TRE.
População ainda acredita nos políticos.
Transitivos diretos e indiretos: possuem dois complementos; o objeto direto e o objeto indireto.
Governador perdoa a Deputado traição do passado.
Empresário doa rendimentos do mês à UNICEF.
Junto de verbo significativo pode surgir uma qualidade do sujeito ou uma qualidade do objeto. Esta denomina-se predicativo do objeto; aquela, predicativo do sujeito. Veja estes exemplos:
O professor entrou revoltado naquela tarde.
Maria morreu feliz.

Verbos de Ligação
São verbos que servem como elementos de ligação entre o sujeito e uma qualidade ou estado ou modo de ser, denominado Predicativo do Sujeito. Os principais verbos de ligação são ser, estar, parecer, permanecer, ficar, continuar. Não decore quais são os verbos de ligação, e sim memorize o significado dele:

Verbo de ligação é aquele que indica a existência de uma qualidade do sujeito, sem que ele pratique uma ação.
Investimento direto será menor em 2003. Matéria-prima fica mais cara.

Quando o verbo indica ação, além de qualidade do sujeito, é denominado transitivo ou intransitivo, mesmo que haja predicativo do sujeito.
Seleção volta abatida da Ásia.

Nesse exemplo o verbo não é de ligação, pois está indicando uma ação - quem volta, volta de algum lugar, mesmo que haja o predicativo do sujeito “abatida”. É, então, um verbo intransitivo, já que "da Ásia" é Adjunto Adverbial de Lugar. Conclui-se que pode haver predicativo do sujeito sem que haja verbo de ligação.

Preposição
Preposição é uma palavra invariável que liga dois elementos da oração, subordinando-os. Isso significa que a preposição é o termo que liga substantivo a substantivo, verbo a substantivo, substantivo a verbo, adjetivo a substantivo, advérbio a substantivo, etc.

Por exemplo, na frase Os alunos do colégio assistiram ao filme de Walter Salles comovidos, teremos como elementos da oração os alunos, o colégio, o verbo assistir, o filme, Walter Salles e a qualidade dos alunos comovidos. O restante é preposição. Observe: de liga alunos a colégio, a liga assistir a filme, de liga filme a Walter Salles. Portanto são preposições. O termo que antecede a preposição é denominado regente, e o termo que a sucede, regido. Portanto em "Os alunos do colégio..." teremos: os alunos = elemento regente; o colégio = elemento regido.
Tipos de preposição

Essenciais: por, para, perante, a, ante, até, após, de, desde, em, entre, com, contra, sem, sob, sobre, trás. As essenciais são as que só desempenham a função de preposição.

Acidentais: afora, fora, exceto, salvo, malgrado, durante, mediante, segundo, menos.
As acidentais são palavras de outras classes gramaticais que eventualmente são empregadas como preposições. São, também, invariáveis.

Locução Prepositiva: São duas ou mais palavras, exercendo a função de uma preposição: acerca de, a fim de, apesar de, através de, de acordo com, em vez de, junto de, para com, à procura de, à busca de, à distância de, além de, antes de, depois de, à maneira de, junto de, junto a, a par de...
As locuções prepositivas têm sempre como último componente uma preposição.

Combinação: Junção de algumas preposições com outras palavras, quando não há alteração fonética.
Ex. ao (a + o); aonde (a + onde)

Contração: Junção de algumas preposições com outras palavras, quando a preposição sofre redução.
Ex. do (de + o); neste (em + este); à (a + a)

Obs: Não se deve contrair a preposição de com o artigo que inicia o sujeito de um verbo, nem com o pronome ele(s), ela(s), quando estes funcionarem como sujeito de um verbo.

Por exemplo a frase "Isso não depende do professor querer" está errada, pois professor funciona como sujeito do verbo querer.

Portanto a frase deve ser "Isso não depende de o professor querer" ou "Isso não depende de ele querer".

Circunstâncias: As preposições podem indicar diversas circunstâncias:
Lugar = Estivemos em São Paulo.
Origem = Essas maçãs vieram da Argentina.
Causa = Ele morreu, por cair de um andaime.
Assunto = Conversamos bastante sobre você.
Meio = Passeei de bicicleta ontem.
Posse = Recebeu a herança do avô.
Matéria = Comprei roupas de lã.


Advérbio

O advérbio é uma categoria gramatical invariável que modifica verbo, adjetivo ou outro advérbio, atribuindo-lhes uma circunstância de tempo, modo, lugar, afirmação, negação, dúvida ou intensidade. Por exemplo, a frase Ontem, ela não agiu muito bem, tem quatro advérbios: ontem, de tempo; não, de negação; muito, de intensidade; bem, de modo.

As circunstância podem, também, ser expressas por uma locução adverbial - duas ou mais palavras exercendo a função de um advérbio. Por exemplo, a frase Ele, às vezes, age às escondidas. Tem duas locuções adverbiais: às vezes, de tempo; às escondidas, de modo.


Classificação dos Advérbios


01) Advérbios de Modo:

Assim, bem, mal, acinte (de propósito, deliberadamente), adrede (de caso pensado, de propósito, para esse fim), debalde (inutilmente), depressa, devagar, melhor, pior, bondosamente, generosamente e muitos outros terminados em mente.

Locuções Adverbiais de Modo:

às pressas, às claras, às cegas, à toa, à vontade, às escondidas, aos poucos, desse jeito, desse modo, dessa maneira, em geral, frente a frente, lado a lado, a pé, de cor, em vão.

02) Advérbios de Lugar:

abaixo, acima, adentro, adiante, afora, aí, além, algures (em algum lugar), alhures (em outro lugar), nenhures (em nenhum lugar), ali, aquém, atrás, cá, dentro, embaixo, externamente, lá, longe, perto.

Locuções Adverbiais de Lugar:

a distância, à distância de, de longe, de perto, em cima, à direita, à esquerda, ao lado, em volta.

03) Advérbios de Tempo:

afinal, agora, amanhã, amiúde (de vez em quando), ontem, breve, cedo, constantemente, depois, enfim, entrementes (enquanto isso), hoje, imediatamente, jamais, nunca, outrora, primeiramente, tarde, provisoriamente, sempre, sucessivamente, já.

Locuções Adverbiais de Tempo:

às vezes, à tarde, à noite, de manhã, de repente, de vez em quando, de quando em quando, a qualquer momento, de tempos em tempos, em breve, hoje em dia.

04) Advérbios de Negação:

não, tampouco (também não).

Locuções Adverbiais de Negação:

de modo algum, de jeito nenhum, de forma nenhuma.

05) Advérbios de Dúvida:

acaso, casualmente, porventura, possivelmente, provavelmente, talvez, quiçá.

Locuções Adverbiais de Dúvida:

por certo, quem sabe.

06) Advérbios de Intensidade:

assaz (bastante, suficientemente), bastante, demais, mais, menos, muito, quanto, quão, quase, tanto, pouco.

Locuções Adverbiais de Intensidade:

em excesso, de todo, de muito, por completo.

07) Advérbios de Afirmação:

certamente, certo, decididamente, efetivamente, realmente, deveras (realmente), decerto, indubitavelmente.

Locuções Adverbiais de Afirmação:

sem dúvida, de fato, por certo, com certeza.

08) Advérbios Interrogativos:

onde (lugar), quando (tempo), como (modo), por que (causa).

Flexão do advérbio

O advérbio pode flexionar-se nos graus comparativo e superlativo absoluto.

Comparativo de Superioridade:

O advérbio flexiona-se no grau comparativo de superioridade por meio de mais ... (do) que.
Ex.
Ele agiu mais generosamente que você.

Comparativo de Igualdade:

O advérbio flexiona-se no grau comparativo de igualdade por meio de tão ... como, tanto ... quanto.
Ex.
Ele agiu tão generosamente quanto você.

Comparativo de Inferioridade:

O advérbio flexiona-se no grau comparativo de inferioridade por meio de menos ... (do) que.
Ex.
Ele agiu menos generosamente que você.

Superlativo Absoluto Sintético:

O advérbio flexiona-se no grau superlativo absoluto sintético por meio dos sufixos -issimamente, -íssimo ou -inho.
Ex.
Ela agiu educadissimamente.
Ele é muitíssimo educado.
Acordo cedinho.

Superlativo Absoluto Analítico:

O advérbio flexiona-se no grau superlativo absoluto analítico por meio de um advérbio de intensidade como muito, pouco, demais, assaz, tão, tanto...
Ex.
Ela agiu muito educadamente.
Acordo bastante cedo.

Melhor e pior são formas irregulares do grau comparativo dos advérbios bem e mal; no entanto, junto a adjetivos ou particípios, usam-se as formas mais bem e mais mal.
Ex.
Estes alunos estão mais bem preparados que aqueles.

Havendo dois ou mais advérbios terminados em -mente, numa mesma frase, somente se coloca o sufixo no último deles.
Ex.
Ele agiu rápida, porém acertadamente.




CONJUNÇÃO:

Conceito:

O casamento do computador com a linha telefônica transforma as residências em extensão do escritório e produz uma inovação no movimento matinal das cidades.

A tecnologia ameaça extinguir a secular e fundamentada suspeita...

As palavras em destaque são conjunções, pois estão ligando orações e termos semelhantes, isto é, que exercem a mesma função sintática dentro da oração.
Duas ou mais palavras podem formar expressões que equivalem a uma conjunção. São as chamadas locuções conjuntivas. Veja um exemplo:

Desde que surgiram os primeiros computadores, mudanças não param de acontecer em todos os setores da sociedade.

As expressões a fim de que, assim que, visto que, etc.; são outros exemplos de locuções conjuntivas. Em geral, essas locuções terminam pela palavra que.

Classificação:

Classificamos as conjunções de acordo com dois processos de construção de frases: a coordenação e a subordinação.

Coordenação: é um tipo de construção em que os termos ou as orações ordenam-se numa seqüência (co + ordenação) em que cada termo ou oração é autônomo, isto é, não depende sintaticamente do outro. O significado total consiste na junção dos termos ou orações.

A tecnologia transforma a casa em escritório e acaba com a escola.
1ª oração 2ª oração

A segunda oração não exerce nenhuma função com relação à primeira e vice-versa.

Os sistemas multimídia misturam texto, imagem e som.
1ª oração 2ª oração

O processo utilizado na parte destacada dessa mensagem é a coordenação. Imagem e som são termos que exercem mesma função sintática: objeto direto do verbo misturar.

Subordinação: é um tipo de construção em que as orações não estão apenas em seqüência, mas são dependentes sintaticamente, ou seja, uma oração determina ou completa o sentido da outra. Ex:

É pouco provável que as escolas acabem.
1ª oração 2ª oração

O processo empregado nessa construção é a subordinação. Assim, as conjunções podem ser classificadas em coordenativas e subordinativas.

1. CONJUNÇÕES COORDENATIVAS
São classificadas de acordo com as relações que estabelecem entre as orações ou termos. Podem ser:
1.1. Aditivas
Estabelecem uma relação de soma ou adição entre dois termos ou duas orações de função idêntica.
Conjunções: e (empregada em orações afirmativas), nem (empregada em orações negativas), etc.

A ciência viaja ao interior da Terra e traz notícias incríveis de lá.

Locução conjuntiva: mas também (geralmente empregada depois da expressão não só).

Ao construir novas bibliotecas, o Reino Unido e a França provaram ser não só guardiães do passado mas também sociedades preocupadas com o futuro.

1.2. Adversativas
Estabelecem uma relação de oposição entre dois termos ou duas orações.
Conjunções: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, senão, etc.

Pode haver informações disponíveis de graça na Internet, mas o acesso aos recursos eletrônicos mais valiosos custa dinheiro.

Locução conjuntiva: no entanto.

A cada ano que passa as editoras lançam livros digitais, no entanto, o papel continua sendo o meio preferido.

1.3. Alternativas
Estabelecem uma relação de alternância entre dois termos ou duas orações, pois os dois fatos não podem acontecer ao mesmo tempo.
Conjunções: ou (repetida ou não), ora...ora, quer...quer, seja...seja, já...já, etc.

Há um rádio com defeito que, ora vai no lombo da jumenta, ora vai na mão de Paula.
Vá a pé ou de ônibus.

1.4. Conclusivas
Estabelecem uma relação de conclusão, conseqüência.
Conjunções: logo, portanto, pois (posposto ao verbo), assim, etc.

O brasileiro adia, logo existe.
O brasileiro adia, portanto existe.
O brasileiro adia; existe, pois.

Locuções conjuntivas: por isso, por conseguinte.

O brasileiro adia, por isso existe.

1.5.Explicativas
Estabelecem uma relação de explicação. A segunda oração explica ou justifica a idéia expressa na primeira.
Conjunções: porque, que (= porque), pois (anteposto ao verbo), porquanto, etc.

Fique quieto, pois preciso terminar a leitura.
Fique quieto, porque preciso terminar a leitura.
Fique quieto, que preciso terminar a leitura.

Observação:
A conjunção aditiva e estabelece também outras relações entre as orações ou termos. Pode ter valor:
a. adversativo: Eram médicos e nunca recebiam pagamento por seus serviços. (e = mas).
b. conclusivo: Não seguiram as determinações do presidente e foram demitidos.
c. final (indica finalidade): Ia fazer as malas e sair de casa.

2. CONJUNÇÕES SUBORDINATIVAS
Ligam orações dependentes, isto é, subordinam uma oração à outra. Podem ser:

2.1 Causais
Iniciam oração que indica circunstância de causa.
Conjunções: porque, pois, como (= porque), que (= porque), porquanto.

A pirâmide populacional do Brasil mudou porque o número de recém-nascidos diminuiu.
Como o número de recém-nascidos diminuiu, a pirâmide populacional do Brasil mudou.

Locuções conjuntivas: já que, uma vez que, visto que, etc.

Não podem viajar, visto que não conseguiram autorização dos pais.

2.2. Comparativas
Iniciam uma oração que é o segundo elemento de uma comparação.
Conjunções: como, qual, que, do que (depois de mais, menos, maior, menor, melhor e pior).

A maioria dos jovens age como criança.
E eu não sabia que minha história era mais triste que a de Robinson Crusoé.

Locuções conjuntivas: bem como, assim como, que nem, etc.

2.3. Condicionais
Iniciam uma oração que indica condição ou hipótese para que o fato principal se realize ou não.
Conjunções: se, caso, etc.

O futuro da humanidade será difícil se o número de habitantes saltar para 10 bilhões.

Locuções conjuntivas: contanto que, desde que, salvo se, a menos que, dado que, a não ser que, sem que, etc.

Farei o que você me pede desde que tenha tempo.

2.4. Conformativas
Iniciam uma oração que indica circunstância de conformidade ou acordo.
Conjunções: conforme, como (= conforme), segundo, consoante, etc.

Ligue o aparelho como indicam as instruções.

2.5. Consecutivas
Iniciam uma oração que indica uma conseqüência do fato expresso na oração anterior.
Conjunções: que (precedido de tal, tanto, tão ou tamanho).

Sofreu tanta rejeição que desistiu da política.
O porcentual de jovens cresceu tanto que a pirâmide populacional se deformou.

Locuções conjuntivas: de modo que, de forma que, de sorte que, etc.

2.6. Concessivas
Iniciam uma oração que indica contradição em relação a outro fato. Essa contradição, no entanto, não impede que o fato se realize.
Conjunções: embora, conquanto.

Computadores dirigem caminhões militares nos EUA, embora não tenham passado no teste de motorista.

Locuções conjuntivas: ainda que, mesmo que, posto que, se bem que, por mais que, apesar de que, etc.

Por mais que comprovem todos esses dados, não acreditarei neles.

2.7. Finais
Iniciam uma oração que indica circunstância de finalidade.
Conjunção: porque (= para que), que (= para que).

Acenei-lhe que se aproximasse.
Acenei-lhe porque se aproximasse. (forma em desuso)

Locuções conjuntivas: para que, a fim de que.

Acenei-lhe para que se aproximasse.

2.8. Proporcionais
Iniciam uma oração que indica um fato que foi realizado ao mesmo tempo que outro, ou vai realizar-se ao mesmo tempo que outro.

Locuções conjuntivas: à medida que, à proporção que, ao passo que, quanto mais... mais, quanto mais... menos, etc.

Quanto mais sonora é a vaia, mais o jogador cresce em campo.
O Rio Amazonas muda de nome à medida que passa o Altiplano.

2.9. Temporais
Iniciam uma oração que indica circunstância de tempo.
Conjunções: quando, mal, apenas, etc.

O ônibus passava pela Avenida Brasil quando anunciaram o assalto.

Locuções conjuntivas: logo que, assim que, antes que, depois que, até que, desde que, cada vez que, sempre que, etc.

Assim que anoitecia, voltava para casa.

2.10. Integrantes
Iniciam uma oração que exerce função de sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo, complemento nominal ou aposto de outra oração.
Diferentemente das demais conjunções, as conjunções integrantes não introduzem orações que indicam circunstância.
Conjunções: que (no caso de certeza), se (quando há incerteza, dúvida).

Estou convencido de que encontramos no meteorito sinais de atividade biológica primitiva em Marte.
Gostaria de saber se confirmaram a presença na festa.


CONJUNÇÕES COORDENATIVAS – EXERCÍCIOS
1. Identifique as conjunções coordenativas nas frases que seguem e classifique-as:
a. Cliente critica tarifa e quer bancos abertos por mais tempo.
b. Bomba de efeito moral assusta mas não fere.
c. O galo velho não cantava no poleiro nem Fabiano roncava na cama de varas.
d. Trata-se de um ser humano, logo merece todo nosso respeito.
e. Ela saltou no meio da roda (...) balançando a cabeça ora para a esquerda, ora para a direita.
f. (...) o que estão dizendo é certo. Ele nunca o soube, porém sempre o sentiu. Por isso nunca quisera trabalhar.
g. O sofrimento da região Nordeste não é simplesmente um ato de Deus mas também de sucessivos governos.
h. Reafirmo que a situação é extremamente precária, pois não configura uma diminuição do grave quadro de desemprego.

2. Faça como no modelo, utilizando a conjunção coordenativa adequada:
Recebeu o convite, logo atenderá ao nosso pedido.
Atenderá ao nosso pedido, pois / porque recebeu o convite.

a. É um ser humano, logo merece todo nosso respeito.

b. Ganham muito pouco, portanto vivem mal.

c. A prestação está muito alta, por isso não conseguem pagá-la.

d. Estou com dor de cabeça, por isso não me amolem.

3. Identifiquem o valor do e nas frases que seguem (adversativo, conclusivo ou final):
a. Acordou tarde e perdeu a prova.

b. Tinha gestos agressivos e falava mansamente.

c. Costumava mentir a idade e entrar no cinema.


4. Analise os valores do e na frase:
Roubou remédio para a filha e foi presa.




CONJUNÇÕES SUBORDINATIVAS – EXERCÍCIOS
1. Classifique as conjunções subordinativas destacadas nas frases abaixo em causais, comparativas, condicionais e conformativas.
a. O chão não é tão firme quanto parece.
b. Eu não gostaria de chamar o humor de arma, porque sou uma pessoa extremamente pacifista.
c. Fizemos tudo como o professor mandou.
d. Se não casarmos, meu amor, até sou capaz de morrer.
e. Alguns esportes menos conhecidos podem surgir nos comentários das pessoas, desde que promovidos por esquemas inteligentes.

2. Classifique as conjunções subordinativas destacadas nas frases abaixo em concessivas, consecutivas, finais, proporcionais e temporais.
a. Quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece.
b. Gostava tanto de dança que chegava à casa da pagodeira logo à boca da noite.
c. Embora estivesse ferido, continuava lutando.
d. Nada dizia para que não a julgassem mal.
e. Os convites para entrevista escasseiam à medida que a idade do executivo avança.
f. Ainda que estejam no mesmo barco, não atuam de comum acordo.
g. Dê o fora depressa antes que eu chame meu marido.

3. Classifique as conjunções subordinativas em destaque em integrantes ou condicionais:
a. Esperamos que os professores entreguem as notas hoje.
b. Perguntaram se você viria.
c. Se for ao teatro, avise-me.
d. Ninguém sabia ao certo se a Machona era viúva ou desquitada.
e. De repente o médico diz que está com sede.
f. Se eu soubesse que teria tanto trabalho, não teria assumido esse compromisso.

4. Classifique as conjunções subordinativas e coordenativas em destaque nos textos que seguem:
a. A pesquisa confirma que os jovens de hoje são bem menos revolucionários e sonhadores que os da década de 60 e 70.

b. Os jovens brasileiros são felizes porque estão descobrindo o mundo, mas têm dúvidas enormes a respeito do próprio futuro.

c. Como dois e dois são quatro sei que a vida vale a pena embora o pão seja caro e a liberdade pequena.

d. Certa vez, divagando sobre ilhas, o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade reparou que o progresso nos dá tanta coisa que não sobra nada nem para pedir, nem para desejar, nem para jogar fora.


5. Reescreva a frase seguinte de três maneiras, empregando em cada uma delas uma conjunção ou locução conjuntiva causal diferente:

Como os recursos de expressão eram minguados, tentavam remediar a deficiência falando alto.



Interjeição
É uma palavra ou expressão que traduz emoção súbita, surpresa e desejo, de forma viva, sem utilizar uma estrutura lingüística muito elaborada:
Ah! Bravo! Puxa vida!
Sendo assim, a interjeição aparece com mais freqüência na linguagem falada, chegando a ser uma marca de informalidade, como se observa no exemplo a seguir:
"– O que é que você vai ser quando homem, Vadinho?
– Ué! Aviador, Tia Calu!" (Orígenes Lessa)
A interjeição equivale a uma frase, pois sintetiza aquilo que só um enunciado completo pode traduzir. É quase sempre seguida por um ponto de exclamação, embora às vezes a entonação de voz exija outra pontuação:
"Ah, negro, não deixes a alegria morrer..." (Aníbal Machado)
1. O significado das interjeições
O significado de uma interjeição depende do contexto e da entonação. À mesma interjeição podem corresponder vários sentimentos, até mesmo opostos. Exemplo:
Ah! Que bom que te encontrei!
Ah! Que raiva eu tive!
Ah, minha filha, não se pode viver de lembranças...

2. As interjeições podem ser expressas por:
Fonemas: oh!, ah.
Palavras que se tornaram interjeições: viva, fora, chega.
Grupos de duas ou mais palavras. Neste caso são chamadas de locuções interjetivas:
Ai de mim!
Deus me livre!
Puxa vida!

3. Classificação das interjeições
As interjeições podem ser classificadas segundo seu significado, ou seja, de acordo com o sentimento ou emoção que indicam. Assim, podemos distinguir, entre outras interjeições, as que expressam:
SURPRESA
oh! chi! ah! uai! opa!
puxa vida!
caramba!
céus!
Meu Deus!
ora essa!

ALEGRIA oh! ah! oba! urra! viva!
ora, viva!

ANIMAÇÃO
eia! vamos!
força!
coragem!
avante!

DOR ai! ui!

CHAMADO ei! psiu! alô! olá! oi! ó de casa!

DESEJO
tomara!
oxalá! quem dera!
queira Deus!

MEDO
chi! credo!
ai, Jesus!
valha-me Deus!

ALÍVIO
ufa!
graças a Deus!
DESAGRADO
uh! fora! basta! chega!
quieto! pára! psiu! xô!
ora bolas !


FORMAS VARIANTES:

São palavras que, ao lado da forma considerada normal, apresentam uma ou mais variantes. Exemplos:

assobiar, assoviar entretimento, entretenimento
assobio, assovio engambelar, engabelar
coisa, cousa rubim, rubim
escoicear, escoucear remoinhar, redemoinhar
louro, loiro remoinho, redemoinho
derrubar, derribar endemoniado, endemoninhado
espargir, esparzir líqüido, líquido
marimbondo, maribondo traquina, traquinas
bêbedo, bêbado catorze, quatorze
malvadez, malvadeza taverna, taberna
pitoresco, pinturesco eriçar, erriçar
lacrimejar, lagrimejar espécime, espécimen
diabete, diabetes ridiculizar, ridicularizar
cacaréus, cacarecos fleuma, flegma
baralhar, embaralhar coradouro, coaradouro, coarador
desvario, desvairo transpassar, traspassar, trespassar
perspectiva, perspetiva nambu, nhambu, inambu, inhambu, inamu


ANÁLISE MORFOLÓGICA:

Consiste a análise morfológica em dar a classe das palavras, sua classificação, fazer o levantamento dos diversos acidentes gramaticais (gênero, número, grau, pessoa, etc.) e identificar-lhes o processo de formação e os elementos mórficos que as constituem. Ex:

1) Cafeteria:
Substantivo comum, concreto, feminino, singular; derivado, formado por sufixação.
Radical: café; sufixo (nominal): eira; desinência (nominal): a; consoante de ligação: t.

2) Detivemos:
1ª pessoa do plural do pretérito perfeito simples do indicativo do verbo irregular da 2ª conjugação deter, voz ativa; formado por prefixação (de + ter).
Radical: tiv; prefixo: de; vogal temática: e; desinência número-pessoal: mos.

 Na análise morfossintática de uma palavra, faz-se, juntamente, a análise morfológica e a sintática.


CRASE:

Conceito: é a fusão de duas vogais da mesma natureza. No português assinalamos a crase com o acento grave (`). Observe:

Obedecemos ao regulamento.
( a + o )

Não há crase, pois o encontro ocorreu entre duas vogais diferentes. Mas:

Obedecemos à norma.
( a + a )

Há crase pois temos a união de duas vogais iguais ( a + a = à )

Regra Geral:
Haverá crase sempre que:
I. o termo antecedente exija a preposição a;
II. o termo conseqüente aceite o artigo a.

Fui à cidade.
( a + a = preposição + artigo )
( substantivo feminino )

Conheço a cidade.
( verbo transitivo direto – não exige preposição )
( artigo )
( substantivo feminino )

Vou a Brasília.
( verbo que exige preposição a )
( preposição )
( palavra que não aceita artigo )

Observação:
Para saber se uma palavra aceita ou não o artigo, basta usar o seguinte artifício:
I. se pudermos empregar a combinação da antes da palavra, é sinal de que ela aceita o artigo
II. se pudermos empregar apenas a preposição de, é sinal de que não aceita.

Ex: Vim da Bahia. (aceita)
Vim de Brasília (não aceita)
Vim da Itália. (aceita)
Vim de Roma. (não aceita)

Nunca ocorre crase:

1) Antes de masculino.
Caminhava a passo lento.
(preposição)

2) Antes de verbo.
Estou disposto a falar.
(preposição)

3) Antes de pronomes em geral.
Eu me referi a esta menina.
(preposição e pronome demonstrativo)

Eu falei a ela.
(preposição e pronome pessoal)

4) Antes de pronomes de tratamento.
Dirijo-me a Vossa Senhoria.
(preposição)

Observações:
1. Há três pronomes de tratamento que aceitam o artigo e, obviamente, a crase: senhora, senhorita e dona.
Dirijo-me à senhora.

2. Haverá crase antes dos pronomes que aceitarem o artigo, tais como: mesma, própria...
Eu me referi à mesma pessoa.

5) Com as expressões formadas de palavras repetidas.
Venceu de ponta a ponta.
(preposição)

Observação:
É fácil demonstrar que entre expressões desse tipo ocorre apenas a preposição:
Caminhavam passo a passo.
(preposição)

No caso, se ocorresse o artigo, deveria ser o artigo o e teríamos o seguinte: Caminhavam passo ao passo – o que não ocorre.

6) Antes dos nomes de cidade.
Cheguei a Curitiba.
(preposição)

Observação:
Se o nome da cidade vier determinado por algum adjunto adnominal, ocorrerá a crase.
Cheguei à Curitiba dos pinheirais.
(adjunto adnominal)

7) Quando um a (sem o s de plural) vem antes de um nome plural.
Falei a pessoas estranhas.
(preposição)

Observação:
Se o mesmo a vier seguido de s haverá crase.
Falei às pessoas estranhas.
(a + as = preposição + artigo)

Sempre ocorre crase:

1) Na indicação pontual do número de horas.
Às duas horas chegamos.
(a + as)

Para comprovar que, nesse caso, ocorre preposição + artigo, basta confrontar com uma expressão masculina correlata.
Ao meio-dia chegamos.
(a + o)

2) Com a expressão à moda de e à maneira de.
A crase ocorrerá obrigatoriamente mesmo que parte da expressão (moda de) venha implícita.
Escreve à (moda de) Alencar.

3) Nas expressões adverbiais femininas.
Expressões adverbiais femininas são aquelas que se referem a verbos, exprimindo circunstâncias de tempo, de lugar, de modo...
Chegaram à noite.
(expressão adverbial feminina de tempo)

Caminhava às pressas.
(expressão adverbial feminina de modo)

Ando à procura de meus livros.
(expressão adverbial feminina de fim)

Observações:
No caso das expressões adverbiais femininas, muitas vezes empregamos o acento indicatório de crase (`), sem que tenha havido a fusão de dois as. É que a tradição e o uso do idioma se impuseram de tal sorte que, ainda quando não haja razão suficiente, empregamos o acento de crase em tais ocasiões.

4) Uso facultativo da crase
Antes de nomes próprios de pessoas femininos e antes de pronomes possessivos femininos, pode ou não ocorrer a crase.
Ex: Falei à Maria.
(preposição + artigo)

Falei à sua classe.
(preposição + artigo)

Falei a Maria.
(preposição sem artigo)

Falei a sua classe.
(preposição sem artigo)

Note que os nomes próprios de pessoa femininos e os pronomes possessivos femininos aceitam ou não o artigo antes de si. Por isso mesmo é que pode ocorrer a crase ou não.

Casos especiais:

1) Crase antes de casa.
A palavra casa, no sentido de lar, residência própria da pessoa, se não vier determinada por um adjunto adnominal não aceita o artigo, portanto não ocorre a crase.
Por outro lado, se vier determinada por um adjunto adnominal, aceita o artigo e ocorre a crase. Ex:
Volte a casa cedo.
(preposição sem artigo)

Volte à casa dos seus pais.
(preposição sem artigo)
(adjunto adnominal)

2) Crase antes de terra.
A palavra terra, no sentido de chão firme, tomada em oposição a mar ou ar, se não vier determinada, não aceita o artigo e não ocorre a crase. Ex:
Já chegaram a terra.
(preposição sem artigo)

Se, entretanto, vier determinada, aceita o artigo e ocorre a crase. Ex:
Já chegaram à terra dos antepassados.
(preposição + artigo)
(adjunto adnominal)

3) Crase antes dos pronomes relativos.
Antes dos pronomes relativos quem e cujo não ocorre crase. Ex:
Achei a pessoa a quem procuravas.
Compreendo a situação a cuja gravidade você se referiu.

Antes dos relativos qual ou quais ocorrerá crase se o masculino correspondente for ao qual, aos quais. Ex:
Esta é a festa à qual me referi.
Este é o filme ao qual me referi.
Estas são as festas às quais me referi.
Estes são os filmes aos quais me referi.

4) Crase com os pronomes demonstrativos aquele (s), aquela (s), aquilo.
Sempre que o termo antecedente exigir a preposição a e vier seguido dos pronomes demonstrativos: aquele, aqueles, aquela, aquelas, aquilo, haverá crase. Ex:
Falei àquele amigo.
Dirijo-me àquela cidade.
Aspiro a isto e àquilo.
Fez referência àquelas situações.

5) Crase depois da preposição até.
Se a preposição até vier seguida de um nome feminino, poderá ou não ocorrer a crase. Isto porque essa preposição pode ser empregada sozinha (até) ou em locução com a preposição a (até a). Ex:
Chegou até à muralha.
(locução prepositiva = até a)
(artigo = a)

Chegou até a muralha.
(preposição sozinha = até)
(artigo = a)

6) Crase antes do que.
Em geral, não ocorre crase antes do que. Ex: Esta é a cena a que me referi.
Pode, entretanto, ocorrer antes do que uma crase da preposição a com o pronome demonstrativo a (equivalente a aquela).
Para empregar corretamente a crase antes do que convém pautar-se pelo seguinte artifício:
I. se, com antecedente masculino, ocorrer ao que / aos que, com o feminino ocorrerá crase;
Ex: Houve um palpite anterior ao que você deu.
( a + o )
Houve uma sugestão anterior à que você deu.
( a + a )

II. se, com antecedente masculino, ocorrer a que, no feminino não ocorrerá crase.
Ex: Não gostei do filme a que você se referia.
(ocorreu a que, não tem artigo)
Não gostei da peça a que você se referia.
(ocorreu a que, não tem artigo)

Observação:
O mesmo fenômeno de crase (preposição a + pronome demonstrativo a) que ocorre antes do que, pode ocorrer antes do de. Ex:
Meu palpite é igual ao de todos.
(a + o = preposição + pronome demonstrativo)

Minha opinião é igual à de todos.
(a + a = preposição + pronome demonstrativo)

7) há / a
Nas expressões indicativas de tempo, é preciso não confundir a grafia do a (preposição) com a grafia do há (verbo haver).
Para evitar enganos, basta lembrar que, nas referidas expressões:
a (preposição) indica tempo futuro (a ser transcorrido);
há (verbo haver) indica tempo passado (já transcorrido). Ex:
Daqui a pouco terminaremos a aula.
Há pouco recebi o seu recado.

EXERCÍCIOS
1) O sinal indicativo da crase é obrigatório na alternativa:
a) “Ficava horas a ouvir música”.
b) “Abraço a causa até as últimas conseqüências”.
c) “Convidou-me para uma visita a sua casa”.
d) “A partir do momento em que resolveu, ficou decididamente exigente”.
e) “A noite, no largo Bonsucesso, haverá mais dois comícios”.

2) Na oração “os ovos e os filhotes ficam sujeitos à chuva, às cobras, às formigas, às ventanias”, você percebe expressões craseadas. Aponte a alternativa em que está correto o uso da crase:
a) Aqui você tem direito à crédito. Vendas à prazo.
b) Não assisti à filmes sobre a natureza.
c) Não fiquei insensível à dor de perder os passarinhos.
d) Íamos à debates sobre a defesa da natureza.
e) Verificava dia à dia se os pássaros tinham nascido.

3) Assinale a alternativa em que a crase é obrigatória:
a) Referiu-se a V. Exa.
b) O trem partia as nove da noite.
c) Este ano muitos brasileiros irão a Roma.
d) Não tenho tempo de ir a casa para almoçar.
e) Foi a ela que deste a notícia.

4) Transcreva o período, acentuando, quando necessário, o a de acordo com as normas que regem o emprego da crase. Justifique sua resposta.
Os guerreiros estavam dispostos a eleger Zumbi como o Senhor da força militar. Frente a frente, garantindo a vitória a todos, instauraram o primeiro governo livre nas terras americanas.




5) Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas:
_______________ a comunicação coletiva? ______ sociedade ou ________ homem?
a) que visa – a – o
b) que viza – a – ao
c) quê visa – à – ao
d) a que visa – à – ao
e) a que visa – a – o

6) Identifique a alternativa em que o acento indicativo de crase foi empregado corretamente:
a) A poluição ainda não chegou totalmente à Minas Gerais.
b) Hoje irei ao cinema, à menos que chova.
c) Chegamos ao local da prova à uma em ponto.
d) Ninguém vai à Roma à pé.
e) À noite a gente ia passear à cavalo.

7) Assinale a opção que preenche corretamente as lacunas:
_________ cinco minutos telefonaram para você e voltarão a ligar daqui _________ meia-hora, isto é, ________ quatro horas.
a) à – a – às d) há – a – às
b) à – à – as e) há – à – as
c) há – há – as

8) Indique a alternativa que preenche corretamente as lacunas:
Pergunte _____ ela, não ____ mim, ______ que se deve tamanha confusão.
a) a – a – a d) à – à – à
b) à – a – a e) a – a – à
c) à – à – a

9) Assinale a alternativa que preenche as lacunas:
_____ tarde, Márcio voltou _____ escola para assistir _______ duas aulas de Biologia.
a) à – à – à d) a – a – a
b) à – à – a e) a – à – à
c) à – a – à

10) Explique o uso da crase em:
1) “São estátuas em vôo
à beira de um mar...


2) Use a crase, quando necessário, nas orações abaixo:
I. Não vai a festas nem a reuniões.
II. Chegamos a Universidade as oito horas.




11) Indique a alternativa que preenche corretamente as lacunas:
Dia ___ dia me convenço de que só ___ medida que se cresce é que se aprende ___ viver.
a) à – à – a d) a – à – a
b) a – a – a e) a – a – à
c) a – à – à

12) Em que situação há erro quanto à crase?
I. O rapaz cortou o cabelo à militar.
II. Refiro-me à jovem que o acompanha.
III. Graças à Deus tudo correu bem.
IV. Às duas horas temos um compromisso.
V. Fez tudo às pressas e saiu.

13) Assinale a alternativa que completa a frase:
“Sobre _____ concordatas, _____ ministra disse que o Plano Collor não tem nada _____ ver com elas”. (Folha de São Paulo).
a) as – a – a d) às – a – a
b) às – a – à e) às – à – à
c) as – a – à

14) Empregue, quando necessário, o acento indicador da crase e justifique-o:
a) A dimensão dada a palavra não foi coerente.


b) Vou a Angra dos Reis passar uma temporada.


15) “Eles não me dão prazer algum ...”
Das alterações processadas na frase anterior, aquela que apresenta erro quanto ao emprego do acento indicativo da crase é:
I. Às pequenas crianças, eles dão algum prazer.
II. Algum prazer eles dão à cidade.
III. Prazer algum eles dão à irmã.
IV. Ele não dá prazer à sua família.
V. Ele não se dá à prazer algum.

16) Marque as afirmativas verdadeiras quanto ao emprego da crase:
I – A atividade que ora realizas é semelhante à que realizei em 1989.
II – Infelizmente, os preços continuam à subir.
III – À tardinha, todos vão apreciar o pôr-do-sol na ilha da magia.
IV – Às vezes não podemos ser honestos porque não deixam.
V – O pintor, à cuja tela te referes, fez uma exposição na galeria de artes da UFSC.
VI – O sujeito recorreu à repartição e a ela se apegou como a uma tábua de salvação.

17) Assinale a alternativa em que o a destacado deve ser marcado com o sinal da crase:
a) Viu-se cara a cara com o assaltante e atirou.
b) Daqui a duas horas nos veremos na Faculdade.
c) Quando percebi, o touro estava a distância de uns cinco metros.
d) Dirijo-me a V.Sª porque não tenho mais a quem recorrer.
e) Estava disposto a recebe-lo, mas ele não veio.

18) Assinale a opção correta quanto à regência:
Paradoxalmente, a redução das Forças Armadas iraquianas ______ proporções inferiores _____ necessárias ________ preservação do equilíbrio _______ nações vizinhas não é desejável, sobretudo _______ luz dos acontecimentos recentes, que atestam quanto é pequena a resistência desses países ________ tentações criadas ________ vácuo militar.
I. a – às – na – ante às – à – pelas – no.
II. em - às – à – com as – à – às – pelo.
III. em – àquelas – pela – nas – pela – em – pelo.
IV. à – das – à – das – à – com as – do.
V. às – às – para a – ante as – com as – às – por.

19) Nas frases que seguem permute o termo em destaque pelo solicitado. Essa permutação poderá ou não ocasionar uma crase. Use o acento grave para indicar essa ocorrência. Modelo: “E organizou a assistência aos mais necessitados.”
Permute por: necessitadas.
Resposta: E organizou a assistência às mais necessitadas.

a) “Antes que ele chegasse ao abajur, segurei-lhe a mão por detrás”. Permute por: sala.


b) “O ano de 1915 reproduzia os quadros lastimosos da seca”. Permute por: cenas dolorosas.


c) “Você está se referindo a um comportamento superficial, isso não interessa”. Permute por: uma atitude.


d) “Só espero não vacilar na hora do sacrifício, se for chamado ao sacrifício”. Permute por: luta.



20) Permute o verbo destacado das frases que seguem segundo a solicitação feita. Essa permutação poderá ou não ocasionar uma crase. Use o acento grave para indicar essa ocorrência.
Modelo: Ele já voltou da Bahia. Permute por: se dirigiu.
Resposta: Ele já se dirigiu à Bahia.

a) “O pai, não obstante o acordo feito, mal pôde esconder a dor do espetáculo”. Permute por: resistir.


b) “Fitou a cândida mulata com os olhos de animal ferido e moribundo”(...) Permute por: chegou-se.
c) “E ouvirei as censuras resignado”. Permute por: não me curvarei.


d) “E o capitão desrespeitou a velha, compadre?” Permute por: apreciar.


e) “Ouve a sua voz, volumosa, retumbando ali dentro do quarto...” Permute por: obedece.



PONTUAÇÃO

Os sinais de pontuação são usados para estruturar as frases escritas de forma lógica, a fim de que elas tenham significado. A pontuação é tão importante na linguagem escrita quanto a entonação, os gestos, as pausas e até o tom de voz, são na linguagem oral. Bem empregados, os sinais de pontuação são um grande recurso expressivo:
"Oh! que doce era aquele sonhar...
Quem me veio, ai de mim! despertar?" (Almeida Garret)
Mal colocados, no entanto, eles podem provocar confusão ou até mudar o sentido das frases:

Raquel não me respondeu. Quando a procurei, já era tarde.
Raquel não me respondeu quando a procurei. Já era tarde.

I. O ponto
O ponto (ou ponto final) é utilizado basicamente no final de uma frase declarativa:

"Não sou poeta e estou sem assunto." (Fernando Sabino)
Alguns gramáticos chamam de ponto final apenas o ponto que encerra uma sentença. Ao ponto seguido por outras frases chamam de ponto simples. Além de finalizar um período, o ponto é utilizado em abreviaturas (ponto abreviativo: etc., h., S. Paulo) e é muito usado quando apenas uma vírgula bastaria. É um recurso estilístico:
"Viera a trovoada. E, com ela, o fazendeiro, que o expulsara."
(Graciliano Ramos)

Corintianos lotam o estádio. E rezam

2. A vírgula
A vírgula, em seus vários usos, é fundamental para a correta entoação e interpretação da frase escrita. Como simples sinal de pausa, ela indica um tempo geralmente menor que o do ponto. Todo cuidado, porém, é pouco para que ela não seja empregada como sinal de pausa em situações equivocadas. Compare o ponto e a vírgula como sinal de pausa:

Era de noite, as janelas se fechavam.
Era de noite. As janelas se fechavam.

SINAIS DE PONTUAÇÃO
PONTO ( . )
VÍRGULA ( , )
PONTO-E-VÍRGULA ( ; )
DOIS PONTOS ( : )
PONTO DE INTERROGAÇÃO ( ? )
PONTO DE EXCLAMAÇÃO ( ! )
RETICÊNCIAS ( ... )
PARÊNTESES ( ( ) )
TRAVESSÃO ( - )
ASPAS ( “ “ )

O emprego da vírgula
O uso da vírgula é basicamente regulado pela sintaxe. Assim, nem toda pausa é marcada por vírgula:
Seus grandes e valorosos serviços em prol da causa revolucionária de seu país foram tardiamente reconhecidos.

Na leitura em voz alta desse trecho, normalmente faríamos uma pausa após a palavra país. O uso da vírgula nesse caso, porém, é incorreto porque estaríamos separando o sujeito do verbo.
Como usar a vírgula
• Em enumerações, para separar os elementos que as compõem:
Machado de Assis foi contista, romancista, poeta, dramaturgo e crítico literário.
Nosso maior contista, romancista, poeta, dramaturgo e crítico literário foi Machado de Assis.

(geralmente, o último termo da enumeração vem separado pela conjunção e)
• Em intercalações, quando palavras ou expressões se interpõem entre o sujeito e o verbo; entre o verbo e seus complementos (objetos) ou entre verbo e predicativo:
Os funcionários, a pedido do diretor,alteraram o horário.
sujeito verbo
Os funcionários alteraram, a pedido do diretor,o horário.
verbo objeto
Os funcionários estavam, porém,conscientes de seus direitos.
verbo predicado
Atenção: quando se trata da intercalação de uma expressão curta, pode-se omitir a vírgula:
Os funcionários alteraram imediatamente o horário da semana.

As crianças comem brincando uma lata de sorvete!
• Para separar adjunto adverbial, sempre que ele seja extenso ou quando se quer destacá-lo:
Depois de inúmeras tentativas, desistiu.

Escove os dentes,sempre, e diga adeus às cáries!

• Para isolar o predicativo quando não for antecedido por verbo de ligação:

Furioso, levantou-se.

• Para isolar aposto:
A minha avó, Maria, era suíça.

• Para isolar o vocativo:
Estamos de férias, pessoal !

• Para marcar elipse do verbo:

Sua palavra é a verdade; a minha, a lei.

• Para separar orações coordenadas, exceto as iniciadas pela conjunção e:

"Sei que ele andou falando em castigo,mas ninguém se impressionou."
(José J. Veiga)
"Quis retroceder, agarrou-se a um armário, cambaleou resistindo
ainda e estendeu os braços até a coluna."
(Lygia Fagundes Telles)

Atenção: muitas vezes usa-se a vírgula antes de e, principalmente quando liga orações com sujeitos distintos:
"Agora Fabiano era vaqueiro, e ninguém o tiraria dali."
(Graciliano Ramos)
Para dar ênfase, marcando uma pausa maior:
"Disse, e fitou Don'Ana e sorriu para ela."
(Jorge Amado)
Quando forma um polissíndeto:
Levanta, e senta, e vira, e torna a se levantar.
• Para isolar orações adjetivas explicativas:
Minha avó,que era francesa, não tolerava grosserias.
• Para separar as orações adverbiais e substantivas quando antecedem a oração principal:
"Quando Maria Elvira se apanhou de boca bonita, arranjou logo um namorado."
(Manuel Bandeira)

Como Cassiano chegou a prefeito, ninguém soube.
Atenção: quando pospostas à oração principal, as orações substantivas, com exceção da apositiva, não vêm separadas por vírgulas:
Ninguém soube como Cassiano chegou a prefeito.
As orações adverbiais pospostas à principal geralmente se separam por vírgula, nem sempre
obrigatória:
A chuva não veio,embora todos a esperassem.
As mesmas regras que valem para as orações desenvolvidas valem para as reduzidas:
"Para erguer-se, foi necessária a ajuda do carcereiro."
(Murilo Rubião)
3.Ponto-e-vírgula
O ponto-e-vírgula é usado basicamente quando se quer dar à frase a pausa e a entoação equivalentes ao ponto, mas não se quer encerrar o período:
"A alma exterior daquele judeu eram os seus ducados;
perdê-los equivalia a morrer."
(Machado de Assis)
• O ponto-e-vírgula também é utilizado para separar itens de uma enumeração:
O plano prevê:
a) internações;
b) exames médicos;
c) consultas com médicos credenciados.

4. Dois-pontos
Usam-se os dois-pontos, geralmente:
• Para introduzir uma explicação, um esclarecimento:
"Cada criatura humana traz duas almas consigo:
uma que olha de dentro para fora,
outra que olha de fora para dentro..."
(Machado de Assis)
• Para introduzir uma citação ou a fala do personagem:
O avô costuma resmungar:
"Quem sai aos seus, não degenera..."

5. Interrogação e exclamação
• O ponto de interrogação marca o fim de uma frase interrogativa direta:
Quem te deu licença?
• O ponto de exclamação marca o fim de frases optativas, imperativas ou exclamativas:
Como era lindo o meu país!
6. Reticências
As reticências interrompem a frase, marcando uma pausa longa, com entoação descendente. São usadas basicamente:
• Para indicar uma hesitação, uma incerteza ou mesmo um prolongamento da idéia:
"Há um roer ali perto... Que é que estarão comendo?" (Dionélio Machado)
• Para sugerir ironia ou malícia:
"— Se ele até deixou a mulher que tinha, Sinhô.
É um fato. Estou bem informado... — e ria para
João Magalhães, lembrando Margot."
(Jorge Amado)
7. Aspas
As aspas são usadas para assinalar citações textuais e para indicar que um termo é gíria, estrangeirismo ou que está sendo usado em sentido figurado:
O presidente afirmou em seu discurso: "Toda corrupção será combatida!"

Minha turma é "fissurada" nessa música.
8. Travessão e parênteses
São usados para esclarecer o significado de um termo:
Granada — último refúgio dos árabes — foi conquistada em 1492.

Granada (último refúgio dos árabes) foi conquistada em 1492.
Os dois sinais têm basicamente a mesma função, a diferença entre os dois está na entonação, mais pausada no caso do travessão, além do caráter estilístico, mais objetivo no caso dos parênteses.
• Intercalar reflexões e comentários à seqüência da frase:
Mas agora — pela centésima vez o pensava — não podia admitir aquelas mesquinharias.
• O travessão também é usado em diálogos para marcar mudança de interlocutor:
"— Peri sente uma coisa.
— O quê?
— Não ter contas mais bonitas do que estas para dar-te."
(José de Alencar)






ORTOGRAFIA

É a parte da gramática que trata do emprego correto das letras e dos sinais gráficos, na língua escrita.

 Emprego das letras k, w e y.
Usam-se apenas:
a) em abreviaturas e como símbolos de termos científicos de uso internacional:
km (quilômetro), kg (quilograma), k (potássio), w (watt), w (oeste), y (ítrio), yd (jarda)
b) na transcrição de palavras estrangeiras não aportuguesadas:
kart, kibutz, kodak, smoking, show, watt, playground, playboy, hobby
c) em nomes próprios estrangeiros não aportuguesados e seus derivados:
kant, kantismo, shakespeare, shakespeariano.

 Emprego da letra h
Esta letra, em início ou fim de palavras, não tem valor fonético; conservou-se apenas o símbolo, por força da etimologia e da tradição escrita. Grafa-se, por exemplo, hoje, porque esta palavra vem do latim hodie.
Emprega-se o h
1) inicial, quando etimológico:
hábito, hélice, herói, hérnia, hesitar, haurir, hilariedade, homologar, Horácio, hortênsia, hulha etc.
2) medial, como integrante dos dígrafos ch, lh, nh:
chave, boliche, broche, cachimbo, capucho, chimarrão, cochilar, fachada, flecha, machucar, mochila, telha, companhia etc.
3) final e inicial em certas interjeições:
ah!, ih!, eh!, oh!, hem?, hum! etc.
4) em compostos unidos por hífen, no início do segundo elemento, se etimológico:
sobre-humano, anti-higiênico, pré-histórico, super-homem etc.
5) no substantivo próprio Bahia, por secular tradição.

Não se usa h:
1) no início ou no fim de certos vocábulos, no passado escritos com essa letra, embora sem fundamento etimológico:
erva, Espanha, inverno, ontem, úmido, ume, iate, ombro, rajá, Alá, Jeová, Iná, Rute etc.
Observação: os derivados eruditos das três primeiras palavras, entretanto, grafam-se com h: herbívoro, herbáceo, hispânico, hispano, hibernal.
2) em palavras derivadas e em compostos sem hífen:
reaver (re+haver), reabilitar inábil, desonesto, desonra, desumano, exaurir, lobisomem, turboélice.

 Emprego das letras E, I, O e U.
*Escrevem-se com a letra e:
1) a sílaba final de formas dos verbos terminados em –uar:
continue, continues...
2) a sílaba final de formas dos verbos terminados em –oar:
perdoe, perdoes...
3) as palavras formadas com o prefixo ante- (antes, anterior):
antebraço, antecipar...
4) os seguintes vocábulos:
arrepiar, cadeado, candeeiro, cemitério, confete, creolina, desperdício, destilar, disenteria, empecilho, encarnação, índigena, irrequieto, lacrimogêneo, mexerico, mimeógrafo, orquídea, quase, quepe, senão, sequer, seringa, umedecer

*Emprega-se a letra i:
1) na sílaba final de formas dos verbos terminados em –uir:
diminui, diminuis...
2) em palavras formadas com o prefixo anti- (contra)
antiaéreo, Anticristo
3) nos seguintes vocábulos:
aborígene, açoriano, artifício, artimanha, chefiar, cimento, crânio, criador, criação, crioulo, digladiar, displicência, displicente, erisipela, escárnio, feminino, Filipe, fronstipício, inclinação, incinerar, inigualável, invólucro, lampião, pátio, penicilina, pontiagudo, privilégio, requisito, silvícola, Virgílio.
*Grafam-se com a letra o:
abolir, boate, bolacha, boletim, botequim, bússola, chover, cobiça, concorrência, costume, engolir, goela, mágoa, mocambo, moela, moleque, mosquito, névoa, nódoa, óbolo, ocorrência, romeno, tribo.
*Grafam-se com a letra u:
bulício, burburinho, camundongo, chuviscar, chuvisco, cumbuca, cúpula, curtume, cutucar, entupir, íngua, jabuti, jabuticaba, lóbulo, Manuel, mutuca, rebuliço, tábua, tabuada, trégua, urtiga.

Ditongos e hiatos
1) A semivogal dos ditongos decrescentes orais representa-se com as letras i ou u:
cai, sobressai, dói, herói(s), chapéu(s), Montevidéu, Eliseu, atribui, constitui, possui, possuis, retribui, retribuis, conclui, inclui etc.
Exceções: ao, aos, Caetano
*Emprego das letras g e j:
Para representar o fonema /j/ existem duas letras: g e j. Grafa-se este ou aquele signo não de modo arbitrário, mas de acordo com a origem da palavra. Exemplos:
gesso (do grego gypsos), jeito (do latim jactu), jipe (do inglês jeep).
*Escrevem-se com g:
1) os substantivos terminados em –agem, -igem, -ugem.
garagem, origem, ferrugem. Exceção: pajem.
2) as palavras terminadas em –ágio, -égio, -ígio, -ógio, -úgio.
3) palavras derivadas de outras que se grafam com g.
4) os seguintes vocábulos: algema, angico, apogeu, auge, estrangeiro, gengiva, gesto, gibi, gilete, ginete, gíria, giz, hegemonia, herege, megera, monge, rabugento, rabugice, sugestão, tangerina, tigela.
*Escrevem-se com j:
1) palavras derivadas de outras terminadas em –ja
2) todas as formas da conjugação dos verbos terminados em –jar ou –jear
3) vocábulos cognatos ou derivados de outros que têm j
4) palavras de origem ameríndia ou africana
5) as seguintes palavras:
alforje, berinjela, cafajeste, cerejeira, jeca, jegue, Jeremias, jerico, jérsei, jiu-jítsu, majestade, manjedoura, manjericão, ojeriza, pegajento, rijeza, sujeira, traje, varejista.

 Representação do fonema /s/.
O fonema /s/, conforme o caso, representa-se por:
1) C,Ç:
acetinado, açafrão, almaço, anoitecer, censura, cimento, dança, contorção, exceção, endereço, Iguaçu, maçarico, maçaroca, maço, maciço, miçanga, muçulmano, paçoca, pança, pinça, Suíça etc.
2) S:
ânsia, ansiar, ansioso, ansiedade, cansar, cansado, descansar, descanso, diversão, excursão, farsa, ganso, hortênsia, pretensão, pretensioso, propensão, remorso, sebo, tenso, utensílio etc.
3) SS:
acesso, acessório, acessível, assar, asseio, assinar, carrossel, cassino, concessão, discussão, escassez, escasso, essencial, expressão, fracasso, impressão, massa, massagista, missão, necessário, obsessão, opressão, pêssego, procissão, profissão, ressurreição, sessenta, sossegar, sossego, submissão, sucessivo etc.
4) SC,SÇ
acréscimo, adolescente, ascensão, consciência, consciente, crescer, cresço, cresça, descer, desço, desça, disciplina, discípulo, discernir, fascinar, fascinante, florescer, imprescindível, néscio, oscilar, piscina, ressuscitar, seiscentos, suscetível, suscetibilidade, suscitar, víscera
5) X:
aproximar, auxiliar, auxílio, máximo próximo, proximidade, trouxe, trouxer, trouxeram etc
6) XC:
exceção, excedente, exceder, excelência, excelente, excelso, excêntrico, excepcional, excesso, excessivo, exceto,excitar etc.

 Emprego de s com valor de z
1) adjetivos com os sufixos –oso, -osa:
teimoso, teimosa
2) adjetivos pátrios com os sufixos –ês, -esa:
português, portuguesa
3) substantivos e adjetivos terminados em –ês, feminino –esa:
burguês, burguesa
4) substantivos com os sufixos gregos –esse, -isa, -ose:
diocese, poetisa, metamorfose
5) verbos derivados de palavras cujo radical termina em –s:
analisar (de análise)
6) formas dos verbos pôr e querer e de seus derivados:
pus, pôs, pusemos, puseram, puser, compôs, compusesse, impuser etc
quis, quisemos, quiseram, quiser, quisera, quiséssemos etc
7) os seguintes nomes próprios personativos:
Inês, Isabel, Isaura, Luís, Queirós, Resende, Sousa, Teresa, Teresinha.

 Emprego da letra z
1) os derivados em –zal, -zeiro, -zinho, -zinha, -zito, -zita:
cafezal, cafezeiro, cafezinho, avezinha, cãozito, avezita etc
2) os derivados de palavras cujo radical termina em –z:
cruzeiro (de cruz), enraizar (de raiz), esvaziar, vazar, vazão (de vazio) etc
3) os verbos formados com o sufixo –izar e palavras cognatas:
fertilizar, fertilizante, civilizar, civilização etc
4) substantivos abstratos em –eza, derivados de adjetivos e denotando qualidade física ou moral:
pobreza (de pobre), limpeza (de limpo), frieza (de frio) etc
5) as seguintes palavras:
azar, azeite, baliza, buzinar, bazar, chafariz, cicatriz, ojeriza, prezar, vizinho

 S ou Z ?
Sufixos –ês e ez
1) O sufixo –ês (latim –ense) forma adjetivos (às vezes substantivos) derivados de substantivos concretos:
montês (de monte) montanhês (de montanha) cortês (de corte)
2) O sufixo –ez forma substantivos abstratos femininos derivados de adjetivos:
aridez (de árido) acidez (de ácido) rapidez (de rápido)
Sufixos –esa e –eza
Escreve-se –esa (com s):
1) nos seguintes substantivos cognatos de verbos terminados em –ender:
defesa (defender), presa (prender)...
2) nos substantivos femininos designativos de nobreza:
baronesa, marquesa, princesa
3) nas formas femininas dos adjetivos terminados em –ês:
burguesa (de burguês)...
4) nas seguintes palavras femininas:
framboesa, indefesa, lesa, mesa, sobremesa, obesa, Teresa, tesa, turquesa etc

 Escreve-se –eza nos substantivos femininos abstratos derivados de adjetivos e denotando qualidade, estado, condição:
beleza (de belo), franqueza (de franco), pobreza (de pobre), leveza (de leve)

 Verbos em –isar e –izar
Escreve-se –isar (com s) quando o radical dos nomes correspondentes termina em –s. Se o radical não terminar em –s, grafa-se –izar (com z):
avisar (aviso+ar) anarquizar (anarquia+izar)

 Emprego do x
1) Esta letra representa os seguintes fonemas:
/ch/ xarope, enxofre, vexame etc;
/cs/ sexo, látex, léxico, tóxico etc;
/z/ exame, exílio, êxodo etc;
/ss/ auxílio, máximo, próximo etc;
/s/ sexto, texto, expectativa, extensão etc;
2) Não soa nos grupos internos –xce e –xci:
exceção, exceder, excelente, excelso, excêntrico, excessivo, excitar etc
3) Grafam-se com x e não s:
expectativa, experiente, expiar (remir, pagar), expirar (morrer), expoente, êxtase, extrair, fênix, têxtil, texto etc
4) Escreve-se x e não ch:
a) em geral, depois de ditongo:
caixa, baixo, faixa, feixe, frouxo, ameixa, rouxinol, seixo etc
Excetuam-se: recauchutar e recauchutagem
b) geralmente, depois da sílaba inicial em:
enxada, enxame...
Excetuam-se: encharcar (de charco), encher e seus derivados (enchente, enchimento, preencher), enchova, enchumaçar (de chumaço), enfim, toda vez que se trata do prefixo en+palavra iniciada por ch.
c) em vocábulos de origem indígena ou africana:
abacaxi, xavante, caxambu (dança negra), orixá, xará, maxixe etc
d) nas seguintes palavras: bexiga, bruxa, coaxar, faxina, praxe xarope, xaxim, xícara, xale, xingar, xampu.

 Emprego do dígrafo ch
Escrevem-se com ch, entre outros, os seguintes vocábulos:
bucha, charque, chimarrão, chuchu, cochilo, fachada, ficha, flecha, mecha, mochila, pechincha, tocha.

 Consoantes dobradas
1) Nas palavras portuguesas só se duplicam as consoantes c, r, s.
2) Escreve-se cc ou cç quando as duas consoantes soam distintamente:
convicção, cocção, fricção facção, sucção etc
3) Duplicam-se o r e o s em dois casos:
a) Quando, intervocálicos, representam os fonemas /r/ forte e /s/ sibilante, respectivamente:
carro, ferro, pêssego, missão etc
b) Quando a um elemento de composição terminado em vogal seguir, sem interposição do hífen, palavra começada por r ou s:
arroxeado, correlação, pressupor, bissemanal, girassol, minissaia etc.

 Emprego das iniciais maiúsculas
a) Escrevem-se com letra inicial maiúscula:
1) a primeira palavra de período ou citação.
Observação: no início dos versos que não abrem período é facultativo o uso da letra maiúscula
2) substantivos próprios (antropônimos, alcunhas, topônimos, nomes sagrados, mitológicos, astronômicos).
3) nomes de épocas históricas, datas e fatos importantes, festas religiosas.
4) nomes de altos cargos e dignidades.
5) nomes de altos conceitos religiosos ou políticos.
6) nomes de ruas, praças, edifícios, estabelecimentos, agremiações, órgãos públicos etc.
7) nomes de artes, ciências, títulos de produções artísticas, literárias e científicas, títulos de jornais e revistas.
8) expressões de tratamento.
9) nomes dos pontos cardeais, quando designam regiões:
Os povos do Oriente, o falar do Norte.
Mas: Corri o país de norte a sul. O Sol nasce a leste.
10) nomes comuns, quando personificados ou individuados.

b) Escrevem-se com letra inicial minúscula:
1) nomes de meses, de festas pagãs ou populares, nomes gentílicos, nomes próprios tornados comuns:
maio, bacanais, carnaval, ingleses, ave-maria, um havana etc
2) nomes quando aplicados a um sentido geral:
São Pedro foi o primeiro papa
Todos amam sua pátria
3) nomes comuns antepostos a nomes próprios geográficos:
o rio Amazonas
4) palavras, depois de dois-pontos, não se tratando de citação direta.







- PARÁFRASE

Conceito: consiste em desenvolver ou abreviar um texto. É um exercício de escrever em cima de um texto, recriando-o. Não se deve esquecer nada de essencial, nem utilizar palavra alguma do autor. O novo texto deverá evidenciar que se entendeu perfeitamente o texto original.

EX: “Aproveitando o horário de almoço, cem manifestantes – moradores, trabalhadores na avenida Paulista, além de representantes de onze entidades de classe – realizaram ontem uma manifestação de protesto contra a onda de demolições que, na semana passada, vitimou quatro velhos palacetes daquela avenida. Nas grades de ferro torneado e nos tapumes que cercam os restos da antiga casa mourisca do número 867 foram afixados os cartazes de protesto: ‘A especulação imobiliária está destruindo a cidade’ e ‘Basta de demagogia governamental. Chega de demolições.’
.............................................................................................................................................
Foi divulgado um ‘Manifesto à População’ – lido em uníssono pelos manifestantes – onde responsabilizam ‘as mesmas mãos que transformam o patrimônio público em um escombro monumental’ como sendo aquelas mãos que construíam minhocões, prometeram uma nova Capital, faraônica, impuseram nova lei de zoneamento, acabaram de lotear as regiões dos mananciais da Grande São Paulo, devastam a Serra da Cantareira, a Serra do Mar e da Mantiqueira’. Os manifestantes reivindicam também uma participação direta nos destinos da cidade, ‘elegendo livremente o seu prefeito’, e não aceitando as promessas ‘eleitoreiras’ de alteração da legislação relativa a tombamentos. A defesa e utilização do patrimônio ambiental urbano, dizem os manifestantes, ‘deve ser produto da participação ativa e democrática de toda a população’.” (Jornal da Tarde, 1 – 7 – 82).

Eis a paráfrase:
Que vida levam os trabalhadores brasileiros!
Até mesmo as horas de lazer e descanso têm de passá-las para defender o pouco que lhes resta: o patrimônio histórico da cidade. E diga-se, a bem da verdade, um patrimônio que já não é lá tão patrimônio...Pouco resta do nosso passado, de nossas tradições, da passagem de tantos imigrantes por nossa terra, do esplendor econômico do café.
A revolta é com a destruição dos casarões da Paulista, que um a um, vão sendo destruídos, vítima da ganância das imobiliárias. É mais um retrato do capitalismo selvagem, que entre nós tem encontrado terra tão fértil.
E ao lado de tudo isso o silêncio das autoridades, a incoerência, a falta de energia na defesa de nossas construções mais significativas, como é o caso do casarão de estilo mourisco, recentemente destruído. É doloroso verificar a nossa realidade: quase quinhentos anos de descobrimento, e resta-nos quase nada de memória, excetuando alguns exemplares que sobreviveram de teimosia...sem nenhum cuidado, e pouco interesse de nossos representantes governamentais. E ao lado das destruições quer ecológica quer arquitetônica, vão-se erguendo construções vergonhosas...é que o governo deixou de ser manifestação do povo.

- PERÍFRASE

Conceito: perífrase é a substituição de um nome comum ou próprio por uma expressão que a caracterize. Nada mais é do que um circunlóquio, isto é, um rodeio de palavras.

EX: O povo lusitano foi bastante satirizado por Gil Vicente. Utilizou-se a expressão “povo lusitano” para substituir “os portugueses”. Esse rodeio de palavras que substituiu um nome comum ou próprio é que se chama perífrase.

Outros exemplos:
astro rei (Sol) | última flor do Lácio (língua portuguesa) | Cidade-Luz (Paris)
Rainha da Borborema (Campina Grande) | Cidade Maravilhosa (Rio de Janeiro)
Observação: existe também um tipo especial de perífrase que se refere somente a pessoas. Tal figura de estilo é chamada de antonomásia e baseia-se nas qualidades ou ações notórias do indivíduo ou da entidade a que a expressão se refere.
Exemplos:
A rainha do mar (Iemanjá)
O poeta dos escravos (Castro Alves)
O criador do teatro português (Gil Vicente)

- SÍNTESE

Conceito: é o resultado final do pensamento dialético. É o resultado do processo de tese e antítese e se expressa em uma idéia que mantém o que há de correto ou legítimo entre as proposições opostas. A síntese é a união dos opostos.
Tese – É uma colocação inicial, uma idéia que se apresenta, uma proposição.
Antítese – É a proposição contrária à tese. Revela um mecanismo de oposição, é uma idéia

que se contrapõe à tese.







Métodos de Investigação:
A análise – Consiste na decomposição de um todo em suas partes. É o que acontece quando um químico faz experiências para descobrir os elementos que compõem uma substância ou quando um professor de Português mostra aos alunos as diversas funções literárias num texto. Nesses dois exemplos, a análise está sendo colocada em prática.
A síntese – É o oposto da análise. É um método em que se vai da parte para o todo, das causas para os efeitos. Exemplos: o químico misturando elementos para obter determinada substância; o médico perguntando o que o paciente sente para fazer o diagnóstico; um aluno fazendo uma série de operações para chegar à resposta de um problema de Matemática. Nesses casos, está sendo colocada em prática a síntese. Nas ciências, esses dois métodos, embora opostos, são complementares.

O raciocínio ligado à análise é chamado dedutivo e o relacionado à síntese chama-se indutivo.


- RESUMO

Conceito: resumo é a condensação de um texto feita com as próprias palavras do leitor. Quem o faz deve ser capaz de:
1 – Compreender claramente o conteúdo, de modo a poder fazer escolhas: deixar de lado os detalhes e ficar com as idéias principais.
2 – Organizar as idéias fundamentais do texto num discurso coeso e coerente.
3 – Ser fiel às idéias do autor, não acrescentando informações subsidiárias.
4 – Usar nível padrão de linguagem, com vocabulário próprio, sem copiar frases ou expressões (a não ser as absolutamente necessárias).

Condições necessárias para a elaboração de um resumo: competência em leitura e redação.
O entendimento do texto original, em sua totalidade, é o que permite ao leitor detectar o menos e o mais importante.

Técnicas de resumo:
1 – Apagar detalhes e informações redundantes.
2 – Supraordenação (de elementos ou de ações pelo nome da categoria supraordenada). ***
3 – Seleção (dos tópicos frasais).
4 – Invenção (de sentenças-tópico não explícitas). ***

Fases do processo de resumo: compreensão do texto original e elaboração de novo texto.

Métodos:
1 – Método analítico – resumir parágrafo por parágrafo, seguindo a estrutura do texto original (é para quem não conhece quase nada do assunto).
2 – Método comparativo – é o leitor que religa ao texto em estudo as informações memorizadas e o seu conhecimento de mundo (é para quem conhece o assunto).

Tipos de Resumos:

Resumo indicativo: indica apenas os itens principais tratados no texto original. Fornece apenas um esqueleto do texto, um levantamento dos tópicos neles contidos.
1. _______________________________________________________
1.1. ___________________________________________________
1.2. ___________________________________________________
2. _______________________________________________________
2.1. ___________________________________________________
2.2. ___________________________________________________
2.3. __________________________________________________ e assim por diante...

Resumo informativo: é a criação, a partir do original, de um texto mais curto, contendo somente as informações mais importantes.

Resumo interpretativo e crítico: resumo em que o leitor atribui sentidos e avalia o texto.







PEQUENA NOMENCLATURA DE OUTROS ASPECTOS SEMÂNTICOS

Introdução:

SIGNIFICANTE – é a forma, a parte completa da palavra, suas letras e seus fonemas.
Ex: Rasguei a manga da camisa / Adoro sorvete de manga.
- As duas palavras grifadas têm o mesmo significante, porém dois significados perfeitamente distintos.

SIGNIFICADO – é o conteúdo, a parte abstrata. É a idéia, o conceito transmitido pela palavra. Ex: Ele ficou pálido ao receber a notícia / Ele ficou lívido ao receber a notícia.
- As duas palavras grifadas têm o mesmo significado, porém dois significantes diferentes. O significado pode ter origem na monossemia ou na polissemia.

1- Polissemia: é o fato de ter um vocábulo mais de uma significação.
Exemplo: manga= “manga de paletó”
Fruto

2-Homonímia: -mesma pronúncia, mas sentidos diferentes;
-podem ter ou não a mesma grafia;
-os que pronunciam da mesma maneira são homófonos;
-os que grafam igualmente dizem-se homógrafos.

OBS: Homônimos perfeitos: são palavras iguais na pronúncia e na escrita. Ex: cura (verbo) e cura (substantivo) / verão (verbo) e verão (substantivo) / cedo (verbo) e cedo (advérbio).

Exemplos: lima: fruto
lima: ferramenta

coser: costurar
cozer: cozinhar

espiar: olhar
expiar: pagar uma pena

seção, secção: divisão, repartição
sessão: reunião
cessão: ato de ceder

3- Sinonímia: é o fato de haver mais de um vocábulo com a mesma ou quase a mesma significação (sinônimos).
Exemplo: casa, lar, morada, residência, mansão

4- Antonímia: é o fato de haver vocábulos com sentidos opostos (antônimos).
Exemplos: vida/morte crente/descrente

5- Paronímia: é o fato de haver vocábulos parecidos na forma e diferentes no sentido.
Exemplos:
iminente: pendente, próximo para acontecer
eminente: ilustre
ratificar: confirmar
retificar: corrigir

descrição: ato de descrever
discrição: qualidade de quem é discreto

tráfego: trânsito
tráfico: comércio

infringir: transgredir, violentar
infligir: aplicar pena, castigo

intimorato: destemido, intrépido
intemerato: puro, imaculado

proscrever: proibir
prescrever: aconselhar

deferir: atender
diferir: retardar

mandado: ordem judicial
mandato: procuração

emigrante: aquele que deixou um país
imigrante: aquele que entrou num país

incipiente: principiante
insipiente: ignorante

censo: recenseamento
senso: juízo

Conceitos importantes – sentido próprio e sentido figurado:

Ex: Construí um muro de pedra. (sentido próprio).
Ênio tem um coração de pedra. (sentido figurado).
Ex: A água pingava da torneira (sentido próprio).
As horas iam pingando lentamente (sentido figurado).

6 – Denotação: é o conjunto de significados de uma palavra por si mesma. É o valor objetivo, original da palavra (sentido de dicionário). Ex: caminho (faixa de terreno destinada ao trânsito, estrada, trilho).

7 – Conotação: refere-se ao conjunto de significados subjetivos, afetivos, que vão se acrescentando a uma palavra, e que dependem de uma interpretação. Ex: caminho (pode significar destino, futuro, orientação) / A humanidade não encontra o seu caminho.


SINTAXE

Sintaxe é a parte da gramática que estuda a estrutura formal da frase, i.e., as combinações e relações entre as palavras. Interessa à sintaxe:

1. A função que as palavras exercem na frase (função sintática).
O futebol feminino é mais clássico
futebol: sujeito do verbo ser.
2. A ordem das palavras na frase (sintaxe de colocação).
3. A concordância das palavras na frase (sintaxe de concordância).
4. A dependência das palavras na frase (sintaxe de regência).


1. Frase: à unidade mínima de comunicação lingüística dá-se o nome de frase.
Será frase, qualquer palavra ou grupo de palavras suficiente para atender ap objetivo do falante: estabelecer comunicação. Ex:
- Você acredita que o campeonato feminino conseguirá atrair público ?
- Sim.
A palavra sim, isolada, não constitui uma frase. No texto lido, ela passa a ser frase.
A frase pode ter verbo ou não. Quando não tem verbo, chama-se frase nominal: silêncio! fogo! adeus!

Tipos de frase:
a – declarativa – emprega-se para afirmar ou negar alguma coisa:
Chaplin era um gênio.
Não considero Chaplin um gênio.

b – interrogativa – ocorre quando se faz uma pergunta direta ou indireta:
Chaplin era um gênio ? (interrogativa direta)
Não sei se Chaplin era considerado um gênio. (interrogativa indireta)

c – exclamativa – expressa admiração, surpresa, espanto:
Chaplin era um gênio !

d – imperativa – indica ordem, pedido, conselho:
Durma o necessário. Evite forçar o sono.

e – optativa – é utilizada para exprimir desejo. Geralmente, tem o verbo no subjuntivo:
Deus te ajude !

2. Oração: é a frase ou parte de uma frase que se organiza em torno de um verbo ou de uma locução verbal.
A oração é constituída, geralmente, de dois elementos: sujeito e predicado, ou, pelo menos, de um predicado.
As atletas brasileiras têm bastante habilidade.
sujeito predicado

Os exércitos romanos destruíram a cidade de Cartago.
sujeito predicado

Fazia um frio terrível no porto.
predicado (esta frase não tem sujeito)

3. Período: é a frase constituída de uma ou mais orações. O período pode ser:

a – simples – quando formado por uma só oração, que então é chamada de absoluta:
A vacina cubana é cara.

b – composto – quando formado por duas ou mais orações:
A vacina cubana é cara mas dá resultados.
1ª oração 2ª oração

Não sei se o Secretário da Saúde vai permitir que a vacina cubana seja utilizada.
1ª oração 2ª oração 3ª oração

O período termina sempre por uma pausa definida, que é representada, na escrita, por um dos seguintes sinais de pontuação: ponto final, ponto de exclamação, ponto de interrogação, reticências.

Objetivos: a análise sintática tem como objetivo o estudo do período e das orações que o compõe. Esse estudo deve seguir alguns passos: primeiramente, divide-se o período em orações e, a seguir, determina-se a função de cada termo da oração.

 Estrutura de um período
Observe: Você acredita que o campeonato feminino conseguirá atrair público ?
O exame da estrutura desse período revela que ele é constituído de duas orações (Você acredita / que o campeonato feminino conseguirá atrair público ?) ligadas por uma conjunção (que).

 Estrutura de cada oração de um período
Considere ainda o mesmo período: Você acredita que o campeonato feminino conseguirá atrair público ?
Nesse período existem nove palavras. Cada uma delas exerce uma determinada função nas orações. A 1ª oração (Você acredita) tem dois termos e a 2ª oração (o campeonato feminino conseguirá atrair público) tem seis termos. A conjunção que funciona como elemento de ligação entre as duas orações.
Em análise sintática, cada palavra da oração é chamada termo da oração.

Termo é a palavra que, na frase, assume uma função sintática determinada.
É importante observar que não se pode fazer análise sintática de frases que não sejam orações ou período. Não se podem analisar sintaticamente frases como as destacadas nos dois trechos seguintes:
Percorre logo as gravuras. Umas tetéias. A da capa então é linda mesmo. No fundo do imponente castelo.
- Como andam as coisas ? – perguntou Pádua.
- Que coisas ?
- O trabalho.
- Sem novidade.


ANÁLISE SINTÁTICA DA ORAÇÃO
Há 3 tipos de termos que podem ocorrer numa oração: termos essenciais, termos integrantes e termos acessórios.

 Termos Essenciais da Oração
São aqueles que sustentam a mensagem transmitida por meio de uma oração. São eles: sujeito e predicado.
Sujeito: é o termo sobre o qual se declara algo. O verbo da oração sempre concorda com o sujeito em pessoa e número.
Predicado: é tudo aquilo que se declara a respeito do sujeito. Não existe oração sem predicado.
Os Padong são um grupo da tribo Karen.
sujeito predicado

Há orações que apresentam somente predicado, pois o verbo não se refere a nenhum sujeito gramatical. Veja:
Chove pouco na região É cedo. Há muitas argolas no pescoço das mulheres.

Sujeito
A declaração que se faz a respeito do sujeito vem expressa no predicado. No predicado existe sempre um verbo. Esse verbo concorda com o sujeito em pessoa e número. Quando o sujeito é formado por mais de uma palavra, deve-se localizar o núcleo do sujeito.

Núcleo é a palavra central do sujeito, i.e., a palavra com a qual concordam as demais palavras existentes no sujeito.
O dia da cerimônia é considerado uma festa.
sujeito e núcleo

A. Localização do sujeito:
a – anteposto ao verbo.
Os tigres hoje são raros. Hoje os tigres são raros.

b – posposto ao verbo.
Raramente aparecem tigres por lá. São curiosos os integranges de uma certa geração de intelectuais brasileiros.

B. Classificação do sujeito:
b1. determinado: - é o sujeito que pode ser identificado pela terminação do verbo ou pelo contexto em que aparece.
As meninas sonham com as argolas no pescoço. Aguardam ansiosas a chegada dos 5 anos.
Qual é o sujeito de aguardam ? As meninas.

O sujeito determinado pode ser:
 simples: - aquele que tem um só núcleo.
A mulher grega era uma cidadã de segunda classe.
núcleo do sujeito: mulher.

 composto: - aquele que tem mais de um núcleo.
A limpeza e o polimento das argolas são demorados.
núcleos do sujeito: limpeza, polimento.

Há casos em que o sujeito determinado não está expresso na oração, mas pode ser facilmente identificado pela terminação do verbo. Esse tipo de sujeito é chamado de sujeito oculto, elíptico ou desinencial.
Abriu a porta; nada viu.
O sujeito das duas orações é ele ou ela, conforme se pode deduzir da terminação dos verbos abriu e viu.
Estamos tão preparados ! (sujeito = nós)

b2. indeterminado: - é o sujeito que não pode ser identificado nem pelo contexto nem pela terminação do verbo. O sujeito indeterminado pode ocorrer:

a. com verbos na 3ª pessoa do plural, desde que o contexto não permita identificá-lo.
Alteraram toda a programação dos jogos. (não é possível identificar o sujeito da forma verbal alteraram)
Veja agora:
Os técnicos dos times ficaram reunidos ontem o dia todo. Alteraram a programação dos jogos.
Qual é o sujeito de alteraram ? Os técnicos dos times. É um sujeito determinado, pois sabemos qual é, mas oculto, porque não aparece claramente na 2ª oração.

b. com verbos na 3ª pesoa do singular acompanhados da partícula se:
Trata-se de uma exposição inovadora.
Não se sabe de um caso de assalto recente.

OBS: - alguns gramáticos consideram, como indeterminado o sujeito representado por pronome substantivo indefinido:
Tudo assustava a pobre criança.
Ninguém se interessa por esse povo.
Na realidade, uma análise semântica poderia considerar tais sujeitos como indeterminados, mas a análise sintática deve considerá-los como sujeitos simpels, uma vez que aparecem claramente na frase palavras com função de sujeito.

b3. inexistente: - há orações que tem somente predicado, onde o verbo é considerado impessoal e, em geral, aparece na 3ª pessoa do singular. A oração sem sujeito ocorre nos seguintes casos:

a. com verbos ou expressões que indicam fenômenos meteorológicos:
Está quente hoje.
Deve chover hoje em todo o Estado.

b. com o verbo fazer e o verbo haver indicando tempo decorrido:
Fazia tempo / que ninguém tocava nesse assunto. (o verbo da 1ª oração não tem sujeito)
Ele trabalha no museu / há 47 anos. (a 2ª oração não tem sujeito).

c. com o verbo ser indicando tempo e distância:
Eram quatro horas da manhã.
De uma cidade a outra seriam setenta quilômetros.
Obs: - Nesse caso o verbo ser concorda com o predicativo.

d. com o verbo haver empregado no sentido de existir:
Há uma obra comprovadamente falsa no MASP.
Havia muitas testemunhas no local do crime.
Nesse caso, é comum o verbo haver ser substituído pelo verbo ter:
Tem uma obra comprovadamente falsa no MASP.
Tinha muitas testemunhas no local do crime.

OBS: - o verbo existir concorda com o sujeito:
Existiam muitas testemunhas no local do crime.
verbo no plural e sujeito no plural.

e. com o verbo passar indicando tempo:
Já passa de duas da manhã.

f. com os verbos parecer e ficar em construções como:
Parecia noite, de tão escuro.
Ficou claro como o dia.

g. com os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição de:
Chega de confusão !
Basta de correria.

OBS: - Os verbos que indicam fenômenos meteorológicos, quando utilizados em sentido figurado, apresentam sujeito claro:
O diretor trovejava insultos. (sujeito = o diretor)
Os olhos do professor relampejavam de ódio. (sujeito = os olhos do professor).

 Partícula SE
As construções em que ocorre a partícula se apresentam alguma dificuldades quanto à classificação do sujeito. Compare:
Analisou-se a questão.  Analisaram-se as questões.
sujeito

Precisa-se de estagiário.  Precisa-se de estagiários.
sujeito indeterminado
No 1º caso, o se é uma partícula apassivadora. O verbo está na voz passiva sintética, concordando com o sujeito. Veja a transformação das frases para a voz passiva analítica:

A questão foi analisada.  As questões foram analisadas.
sujeito
No 2º caso, o se é índice de indeterminação do sujeito. O verbo está na voz ativa. Nessas construções, o sujeito é indeterminado e o verbo fica sempre na 3ª pessoa do singular.

OBS: - Com alguns verbos, como faltar, acontecer, bastar, chegar, etc., é comum a colocação do sujeito depois do verbo. Neste caso, é importante ficar atento à concordância verbal:
Faltaram alguns alunos.
Para mim, bastam dois pedaços de torta.
Acontecem fatos estranhos neste país.
verbo no plural e sujeito no plural.

Predicado
Para classificar o predicado de uma oração, é preciso conhecer a predicação verbal.

A. Predicação Verbal
Chama-se predicação verbal ao resultado da ligação que se estabelece entre o sujeito e o verbo e entre o verbo e o complemento.
Quanto à predicação, os verbos podem ser intransitivos, transitivos ou de ligação.

1. Verbo Intransitivo
É aquele que não precisa de complemento, pois sua significação já é completa.
Crescem vendas de apartamentos novos.
O falante pode acrescentar novas informações, que ampliam o significado do verbo, mas não são necessárias para que o ouvinte entenda a informação básica expressa pelo verbo crescer.
OBS: - Há alguns verbos intransitivos que sempre vêm acompanhados de um termo que indica circunstância de lugar: ir, vir, chegar, morar, residir, entrar, sair, etc.:
Saímos de casa. Residem no campo.

2. Verbo Transitivo
É um verbo que precisa de um termo que lhe complete o significado. Esse termo chama-se objeto. Chama-se transitivo porque o seu sentido transita, passa do verbo para o objeto.
Caruaru acende 30 mil fogueiras.
VT objeto

- verbo transitivo direto (TD) é aquele cujo sentido é completado por um termo que se liga a ele de maneira direta, i.e., sem preposição obrigatória. Esse complemento é chamado de objeto direto (OD).
Polícia acha lista suspeita.
VT OD

- verbo transitivo indireto (TI) é aquele cujo sentido é completado por um termo que se liga a ele de maneira indireta, i.e., com preposição obrigatória. O complemento do verbo transitivo indireto chama-se objeto indireto (OI).
A cidadezinha precisa de um prefeito. VTI e OI
Se o objeto indireto for um pronome oblíquo átono a preposição não aparecerá.
O povo lhe atribui poderes divinos. (O povo atribui poderes divinos a ele).
Deram-me todas as informações. (Deram todas as informações a mim).

OBS: -
- Os verbos transitivos diretos admitem a voz passiva:
O papa condena o aborto – voz ativa.
O aborto é condenado pelo papa – voz passiva.
- Alguns poucos verbos transitivos indiretos admitem a voz passiva: obedecer, perdoar, pagar, etc.
Não obedecemos às leis municipais – voz ativa.
As leis municipais não são obedecidas por nós - voz passiva.

- verbo transitivo direto e indireto (TDI) é aquele cujo sentido é completado por dois termos ao mesmo tempo: um que se liga a ele diretamente, e o outro que se liga a ele por meio de uma preposição.
Paguei ao proprietário todos os aluguéis atrasados.
VTDI OI OD


3. Verbo de Ligação
Os verbos transitivos e intransitivos são significativos pois indicam ação, fenômeno da natureza, desejo, fato.
O mesmo não ocorre com os verbos de ligação (VL). Eles não apresentam significação, servindo apenas para estabelecer ligação entre o sujeito e um termo que expressa característica desse mesmo sujeito. Esse termo é chamado de predicativo do sujeito (PS).
Esse corredor é escuro. VL e PS
São comumente verbos de ligação: - ser, estar, tornar-se, permanecer, continuar, ficar, parecer. Os verbos ficar, estar e permanecer podem ser empregados tanto como verbos de ligação quanto como intransitivos. Quando intransitivos, vêm acompanhados de um termo que indica circunstância de lugar.
Ficamos emocionados. Ficamos no bar. VL e PS e VI

B. Classificação do Predicado:

b1. predicado nominal – é aquele que tem como núcleo um nome que indica estado ou qualidade do sujeito. É formado sempre por um verbo de ligação (VL) e um predicativo do sujeito (OS). Ex:
Os diplomatas continuam reféns dos guerrilheiros.
A autoria da obra é polêmica.
VL e PS

b2. predicado verbal – tem como núcleo um verbo que, geralmente, expressa idéia de ação. É formado por um verbo intransitivo ou por um verbo transitivo e seus objetos. Ex:
Os deputados discutem animadamente.
Conferência discute educação ambiental.
Divulgaram a notícia a todos os alunos.
VI e VTD e VTDI e OD e OI

b3. predicado verbo-nominal – tem dois núcleos: um verbo que indica ação e um nome que indica uma qualidade ou estado do sujeito ou do objeto. Apresenta três estruturas básicas:
VERBO INTRANSITIVO + PREDICATIVO DO SUJEITO
Os turistas caminham nervosos pelo calçadão da praia.
VI PS
VERBO TRANSITIVO + OBJETO + PREDICATIVO DO SUJEITO
Os alunos liam o texto atentos.
VT OD PS
VERBO TRANSITIVO + OBJETO + PREDICATIVO DO OBJETO
Nenhuma doença pegava Dona Rosemira desprevenida.
VTD OD PO
Achei o bombardeio aéreo uma droga.
VTD OD PO

Predicativo
É o termo da oração que indica uma característica que se atribui ao sujeito ou ao objeto por meio de um verbo qualquer, principalmente por um verbo de ligação.

Predicativo do Sujeito
Aparece no predicado nominal e no verbo-nominal. No predicado nominal, o predicativo refere-se ao sujeito por meio de um verbo de ligação enquanto que no predicado verbo–nominal o verbo é intransitivo ou transitivo.
Nesta escola, tudo parece calmo e seguro.
Os soldados desciam a montanha vitoriosos.

Predicativo do Objeto
Só aparece no predicado verbo-nominal e indica uma característica que se atribui ao objeto. Pode vir precedido de preposição. Ocorre, geralmente, com VTD que exigem uma qualidade para o objeto: considerar, julgar, achar, supor, tornar, eleger, nomear, chamar, apelidar e outras equivalentes.
Deputados médicos acham inquietante o quadro clínico.
Nomearam Marina representante da turma.

OBSERVAÇÕES:
1. Todas as classes gramaticais – exceto artigo, preposição, conjunção e interjeição – podem exercer a função de predicativo. O predicativo pode ser representado até por uma oração. Nesse caso, a oração será subordinada substantiva predicativa. Ex: A verdade é que todos eles foram despedidos.

2. Podem ocorrer o predicativo do sujeito em frases com voz passiva sintética. Nesse caso, o predicado será verbo-nominal.
Considera-se Chico Buarque um grande compositor.
sujeito predicativo do sujeito
Definiu-se a proposta como inviável.
sujeito predicativo do sujeito

3. A maior parte dos gramáticos considera que ocorre predicativo do objeto indireto apenas com o verbo chamar, significando “cognominar”, “atribuir um nome a”. Ex:
Chamei-lhe de bobo.
OI predicativo
Alguns dizem que o predicativo do objeto indireto pode ocorrer com outros verbos:
Creio num Deus sempre presente. Preciso do ladrão vivo.
OI PO OI PO


 Termos Integrantes da Oração
São aqueles que integram, i.e., completam o sentido de verbos e nomes transitivos. São indispensáveis à compreensão da mensagem.

A. Complemento Verbal
a1. objeto direto – é o termo que completa o sentido de um verbo transitivo direto. Normalmente não vem regido de preposição.
O objeto direto da oração na voz ativa torna-se sujeito da mesma oração na voz passiva. O verbo na voz passiva, portanto, não apresenta objeto direto:
Israel liberta 20 presos políticos. – voz ativa
OD
20 presos políticos são libertados por Israel. – voz passiva
sujeito

Podem exercer a função de objeto direto:
 substantivo ou expressão substantivada:
Vamos fazer justiça.

 pronomes oblíquos (o, a, os, as, me, te, se, nos, vos):
A sorte o pegou de surpresa.

 qualquer pronome substantivo:
A Fórmula 1 perdeu alguém mágico, especial.

 numeral:
Poupança rende 1,1067%.

 uma oração:
Aprendi / que ninguém é completamente mau.
1ª or. 2ª or.
 Nesse caso, a oração é classificada como oração subordinada substantiva objetiva direta.

a2. objeto direto preposicionado – é quando o objeto direto é regido por preposição.

Casos obrigatórios:
 Para evitar ambigüidade, ou seja; para que o objeto direto não se confunda com o sujeito:
Venceu ao bem o mal.
VTD e ODP e Sujeito
Sem a preposição, não se sabe o que venceu o quê. Tanto o bem como o mal podem exercer a função de sujeito ou de objeto direto.

 quando o objeto direto é expresso por um pronome pessoal oblíquo tônico:
Magoaram a ti.
VTD OD
Ama ao próximo como a ti mesmo.
VTD OD OD

Casos facultativos:
 quando o objeto direto é um substantivo próprio ou comum que designa a pessoa:
Convidamos a todos os alunos.
VTD prep. OD
Ofendeu a o Geraldo.
VTD prep. OD

 quando o objeto direto é um pronome indefinido que se refere a pessoa:
Não convenci a ninguém.
prep.

 em algumas expressões idiomáticas, como: puxar do revólver (da faca, da espada, da arma, etc.); pegar da arma (da pena, do revólver, etc.); cumprir com o dever (com a palavra, com a obrigação, etc.); beber do vinho (da água, do refrigerante, etc.); comer do pão (da carne, etc.):
Comeu do pão. Puxei da arma.
OD OD

a3. objeto direto pleonástico – quando se deseja enfatizar a idéia expressa pelo objeto direto, pode-se repetí-lo empregando um pronome pessoal átono. O objeto repetido pelo pronome pessoal átono recebe o nome de objeto direto pleonástico.
Esses filmes, ainda não os vi.
A cidade, não quero mais vê-la nem em cartão postal.
OD e OD pleonástico

a4. objeto indireto – é o termo que completa o sentido do verbo transitivo indireto. Vem sempre regido de preposição clara ou subentendida. As preposições que introduzem o objeto indireto são: a, de, em, para, com, por. O objeto indireto pode ser representado por:

 substantivo ou expressão substantivada.
O ser humano clama por contato.

 pronomes substantivos.
Não desconfiava de nada.

 numeral.
- Quantos cartões você quer ?
- Preciso de dois.

 oração.
Duvido / de que todos tenham aceito a proposta.
 Nesse caso, a oração que funciona como objeto indireto do verbo da oração anterior chama-se subordinada substantiva objetiva indireta.

São transitivos indiretos muitos verbos pronominais, como: lembrar-se, esquecer-se, encarregar-se, aborrecer-se, engajar-se, aplicar-se, referir-se, utilizar-se, valer-se, orgulhar-se, gabar-se, etc.

a5. objeto indireto pleonástico – quando se deseja enfatizar a idéia expressa pelo objeto indireto, pode-se repetí-lo. O objeto indireto pleonástico pode ser representado por um substantivo ou por um pronome pessoal.
Aos demissionários, ofereço-lhes minha solidariedade.
OI OI pleonástico

a6. pronomes pessoais oblíquos como complementos verbais –
- o, a, os, as (lo, la, los, las, no, na, nos, nas) – funcionam como objeto direto.
- lhe, lhes – funcionam como objeto indireto.
- me, te, se, nos, vos – funcionam como objeto direto ou indireto, dependendo da predicação do verbo. Como é praticamente impossível saber a predicação de todos os verbos em português, existe uma regra prática que pode facilitar: substituir o pronome por uma expressão masculina.

 se não aparecer preposição obrigatória, o pronome exercerá a função de objeto direto.
Eu te convido para a minha formatura.
Eu convido o professor para a minha formatura.
 A preposição não é obrigatória. Logo, o pronome te é objeto direto.

 se aparecer preposição obrigatória, o pronome exercerá a função de objeto indireto.
Desejo-te boa sorte.
Desejo boa sorte ao amigo.
 A preposição a é obrigatória. Logo, o pronome te é objeto indireto.

B. Complemento Nominal
É o termo que completa o significado do nome (substantivos, adjetivos e advérbios).

- Os jogadores têm muito respeito pelo técnico. ( a expressão pelo técnico está completando o sentido do substantivo respeito ).
- Uma novela deve trazer algo de útil à sociedade. ( a expressão à sociedade completa o sentido do adjetivo útil ).
- Nove parlamentares devem votar favoravelmente à reeleição. ( a expressão à reeleição completa o sentido do advérbio favoravelmente).

Esses nomes de sentido incompleto são, geralmente, derivados de verbos transitivos. É importante observar que o complemento nominal vem sempre precedido de preposição.

Complemento nominal é o termo que, precedido de preposição, completa o sentido de um substantivo, adjetivo ou advérbio. Exerce para o nome a mesma função que o complemento verbal desempenha para o verbo.
Concessionárias intensificam a venda de carros usados.
CN
Vender carros usados é o novo negócio das concessionárias.
OD

O complemento nominal pode ser representado por:
 substantivo ou expressão substantivada.
Os adversários perderam o respeito pela seleçãos.

 pronome.
Essa notícia foi desconcertante a todos.

OBS: - quando o pronome é átono, o complemento nominal não vem precedido de preposição.
Fui-lhes favorável.

 numeral.
Tal atitude foi benéfica aos dois.

 oração.
Correu a notícia / de que Zumbi estava vivo.
 Nesse caso, a oração será classificada como oração subordinada substantiva completiva nominal.

OBS: - O complemento nominal pode fazer parte de vários termos como: sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo, agente da passiva, adjunto adverbial, aposto e vocativo. Veja:
A destruição das matas é condenável.
sujeito: A destruição das matas (núcleo: destruição).
complemento nominal: das matas.
O professor orientou a leitura das obras clássicas.
OD: a leitura das obras clássicas.
complemento nominal: das obras clássicas.

C. Agente da Passiva
É o termo que indica o ser que pratica a ação, quando o verbo está na voz passiva. Vem regido pela preposição por e, rarissimamente, pela preposição de.

Observe, que o agente da passiva corresponde ao sujeito da voz ativa:
O processo foi paralisado pelo governo. – voz passiva
sujeito ag. da passiva

O governo paralisou o processo. – voz ativa
sujeito OD

Embora o agente da passiva seja um termo integrante, ele pode ser muitas vezes omitido:
O processo foi paralisado.

O agente da passiva pode ocorrer também na voz passiva sintética. Assim:
A enciclopédia compõ-se de 25 volumes.
ag. da passiva

O agente da passiva pode ser representado por:
 substantivo ou expressão substantivada.
Os bairros mais pobres foram muito afetados pelo furacão.

 numeral.
O projeto foi elaborado pelos três.

 pronome.
A melhor história foi contada por ela.

 oração.
O caso foi denunciado por quem cuida da criança.


 Termos Acessórios da Oração
São aqueles que não são indispensáveis para o entendimento do enunciado. No entanto, acrescentam uma informação nova a um nome ou a um verbo, determinando-lhes o significado. Compare as frase:
a. sem termo acessório: Índio fará curso.
b. com termo acessório: Índio acreano fará curso na Suíça.

A. Adjunto Adnominal
É o termo que especifica ou delimita o significado de um substantivo. Pode ser expresso por:
 adjetivo: Catedral de Curitiba vai ter vigilância eletrônica.
 locução adjetiva: Bolsas de estudo para cursos a distância.
Ele é especialista em economia do império.
 artigo: A genética supera os preconceitos.
 pronome adjetivo: A tristeza tem seus significados.
 numeral: Um balão pode voar até sete mil metros de altura.
 oração: As florestas acreanas, / que concentram uma das maiores quantidades de recursos biológicos do planeta, / estão sendo alvo da biopirataria internacional.
 Nesse caso, a oração será classificada como oração subordinada adjetiva.

 Diferença entre complemento nominal e adjunto adnominal (na forma de locução adjetiva).
1. Se a locução vier associada a adjetivo ou advérbio, ela será sempre complemento nominal, uma vez que o adjunto só modifica o substantivo.
Sua pesquisa é útil a todos.
adj. CN
Poucos deputados manifestaram-se contrariamente à aprovação do projeto de lei de aposentadoria.
adv. CN

2. Se a locução vier associada a um substantivo, poderá exercer a função de complemento nominal ou adjunto adnominal.
 Será adjunto adnominal se o substantivo a que se refere for concreto ou se essa locução puder ser transformada em adjetivo:
Vaso de porcelana.
Livro de geografia.
Caneta do José.
Ondas do mar. ( = marítimas )
subst. concreto e adj. adn. e adj.

 Se a locução referir-se a um substantivo abstrato, será:
- adjunto adnominal – se indicar o agente da ação expressa pelo nome;
- complemento nominal – se for o paciente da ação.

Em suma, se a locução tiver valor de sujeito, será adjunto adnominal; se equivaler a objeto, será complemento nominal.
Amor de pai. Amor ao pai.

- No 1º caso, a expressão de pai funciona como adjunto adnominal, pois pai é agente de amar (o pai ama; pai = sujeito). Portanto o adjunto adnominal pode ser agente da ação expressa pelo nome.

- Na 2ª situação, a expressão ao pai exerce a função sintática de complemento nominal, pois pai é paciente de amar (ama o pai; o pai = objeto direto).

Outro exemplo:
A invasão da Bélgica pelas tropas alemãs ocorreu em 1914.
A locução da Bélgica exerce a função sintática de complemento nominal, pois é paciente da ação de invadir. Já a expressão pelas tropas alemãs funciona como adjunto adnominal, uma vez que é agente da ação de invadir.

 Diferença entre adjunto adnominal e predicativo do objeto.
Vi um filme excelente. Considero o filme excelente.
adj. adnominal pred. do objeto

Passando essas duas frases para a voz passiva, notaremos que o adjunto adnominal continuará exercendo a mesma função ao passo que o predicativo do objeto passará a exercer a função de predicativo do sujeito:
Um filme excelente foi visto por mim. O filme é considerado excelente por mim.
adj. adnominal pred. do sujeito

B. Adjunto Adverbial
É o termo da oração que indica uma circunstância do fato expresso pelo verbo ou intensifica o sentido do verbo, do adjetivo e do advérbio.
O adjunto adverbial exerce, portanto, a função de modificador e de intensificador.
Vão viajar amanhã.  modificador
Viajam muito.  intensificador
Estão muito ansiosos.  intensificador
Redigem muito bem.  intensificador

 Classificação dos adjuntos adverbiais
Eis alguns tipos de adjuntos adverbiais:
causa: As crianças gritavam de dor.
companhia: Só saía com os pais.
condição: A adoção de um adolescente só é feita com o seu consentimento.
dúvida: Talvez ela se digne a falar comigo.
finalidade: Haviam deixado um espaço para a colocação da mesa.
instrumento: Batia com a caneta sobre o livro.
intensidade: A mulher se diverte muito no trabalho.
lugar: Sou um lírio na correnteza.
meio: Passei a tentar levar o barco pelo leme.
modo: Volta pacientemente ao ponto de partida para recomeçar.
negação: O suposto mar não passaria de um deserto gelado.
tempo: A gente não devia crescer nunca.

O adjunto adverbial pode ser expresso por:
 advérbio.
Entrar ilegalmente nos Estados Unidos pelo México é uma empreitada de alto risco.

 locução adverbial.
Nos anos 30, muitos países europeus já tinham aprovado leis de “higiene racial”.

 oração.
Quando o Dr. Renato ouvia falar em operação de risco, ele pensava em cirurgia.
 Nesse caso, a oração será classificada como oração subordinada adverbial.

 pronome oblíquo (comigo, contigo, conosco, convosco).
Fique comigo.

O mesmo adjunto adverbial pode expressar mais de uma circunstância:
-Moramos longíssimo daqui.
-lugar e intensidade
-Jamais voltarei a esta cidade.
-tempo e negação
-Saiu da sala devagarinho. - modo e intensidade

C. Aposto
É o termo da oração que se anexa a um substantivo ou a um pronome, esclarecendo-o, desenvolvendo-o ou resumindo-o.
Jorge, o cozinheiro, lembrou que peixe cru é muito nutritivo.
- O aposto o cozinheiro está anexado ao substantivo Jorge.
Nós, os artistas, adoramos ser “estraçalhados”.
- O aposto os artistas refere-se ao pronome Nós.

ü o aposto vem separado dos demais termos da oração por vírgula, dois-pontos ou travessão:
A happy hour – o agradável bate-papo do fim de tarde – pode esconder um perigo: o abuso de álcool.

ü o aposto pode anteceder o nome a que se refere:
Pioneiros do estudo da radioatividade, Marie e Pierre Curie ganharam o prêmio Nobel de física de 1903.

ü o aposto pode ser representado por uma oração denominada oração subordinada substantiva apositiva:
Então aconteceu o inesperado: elegeu-se para prefeito.  a oração apositiva elegeu-se para prefeito explica o termo inesperado.

c1. Tipos de Aposto:
ü enumerativo – é o aposto que enumera idéias que vêm resumidas num termo antecedente: Debaixo de um juazeiro grande, todo um bando de retirantes se arranchara: uma velha, dois homens, uma mulher nova, algumas crianças.

ü recapitulativo – resume termos que o antecedem. Geralmente expressa-se através de um pronome indefinido: Dinheiro, amor, férias, nada a seduzia.

ü especificador – é um nome próprio de pessoa ou lugar que restringe o significado de um nome comum. O substantivo comum que se antecede esse aposto deve denotar a espécie a que pertence o ser designado pelo nome próprio.
- O presidente Vargas cometeu suicídio.
- O escritor Euclides da Cunha relatou a Guerra de Canudos em seu livro Os sertões.
- A cidade de São Paulo é a campeã brasileira em poluiçãp ambiental.
- Em 1969, o embaixador norte-americano Charles Elbric foi seqüestrado por militantes de esquerda.

• Diferença entre adjunto adnominal e aposto:
Não se deve confundir o aposto especificador com o adjunto adnominal. Compare:

A cidade de Recife continua linda  aposto especificador
(é possível estabelecer a igualdade Recife = cidade).

O clima de Recife é bastante quente  adjunto adnominal
(não é possível estabelecer a igualdade Recife = clima).

Faço aniversário no mês de junho  aposto especificador
(é possível estabelecer a igualdade mês = junho).

As festas de junho são muito populares na região do nordeste  adjunto adnominal
(não é possível estabelecer a igualdade festas = junho).

D. Vocativo
É um termo classificado à parte, pois não pertence nem ao sujeito nem ao predicado. É o termo utilizado para chamar, interpelar algo ou alguém.

Geralmente é separado por vírgula dos outros termos da oração e pode vir precedido de interjeições como: ó!, olá!, eh!, ei!
Bem-vindo, presidente!
Adeus, ano-velho.
Traga-me, vinho, o amor e a juventude.

O vocativo pode aparecer no início, no meio ou no final da oração:
- Joana, leia o poema.
- Leia, Joana, o poema.
- Leia o poema, Joana.

O vocativo pode vir separado da oração quando ocorre mudança do interlocutor:
- Roberto.
- O quê ?
- Venha almoçar.
O termo Roberto, que é o vocativo, vem separado da oração Venha almoçar, o que demonstra que se trata de um termo isolado, não pertence à estrutura da oração.



PERÍODO
É a frase constituída de uma ou mais orações. Dividem-se em: simples e compostos.

 Período Simples
É aquele formado por apenas uma oração. A oração que constitui o período simples é chamada de absoluta. Ex: João conhece o lago como poucos.

 Período Composto
É aquele formado por mais de uma oração.
João Lima Moraes, 42 anos, repete o programa, sem nunca se cansar.
1ª oração 2ª oração

- período composto por coordenação
João mergulhou no rio / e salvou seis pessoas.
1ª oração 2ª oração
A primeira oração tem independência sintática em relação à segunda. Cada oração vale por si, embora a expressão completa do pensamento do autor dependa da coordenação das duas orações.

- período composto por subordinação
A calmaria atual em nada lembra a paisagem / que havia no mesmo lugar.
1ª oração 2ª oração
A primeira oração é a principal, independente. A segunda oração exerce a função de adjunto adnominal do substantivo paisagem e é dependente da primeira oração.

- período composto por coordenação e subordinação (período misto)
As Sete Quedas naufragaram depois da implantação da Hidrelétrica de Itaipu, obra monumental de engenharia / que, em 1982, represou o Rio Paraná / e subiu o nível de suas águas em 120 metros.

Esse período é formado por três orações. Duas são coordenadas e uma é subordinada:
coordenadas: que, em 1982, represou o Rio Paraná
e subiu o nível de suas águas em 120 metros.
subordinada: que, em 1982, represou o Rio Paraná

Observe: A oração que, em 1982, represou o Rio Paraná é subordinada em relação à oração anterior – que é a principal – , e coordenada em relação à oração seguinte.

DIVISÃO DO PERÍODO COMPOSTO
Para dividir um período composto em orações, deve-se:
a. sublinhar os verbos e as locuções verbais, que indicarão o número de orações;
b. destacar as conjunções e os pronomes relativos, que serão os elementos de ligação entre as orações;
c. observar se existem orações separadas por vírgula, ponto-e-vírgula ou dois-pontos;
d. traçar uma barra antes das conjunções ou dos pronomes relativos e nos sinais de pontuação que separam orações.

 ORAÇÕES COORDENADAS
Classificam-se em:

1. Assindéticas – quando estão simplesmente colocadas uma ao lado da outra, sem qualquer conjunção entre elas.
João pára / pensa.
1ª or. 2ª or.
As duas orações são coordenadas assindéticas.

2. Sindéticas – quando vêm introduzidas por conjunção
João pára / e pensa.
1ª or. 2ª or.
A primeira oração é coordenada assindética e a segunda oração é coordenada sindética.

São classificadas de acordo com o tipo de conjunção que as introduz:
a. aditivas – estabelecem uma relação de adição, de soma entre as orações. Principais conjunções: e, nem, (não só)...mas também, (não somente)...mais ainda, (não só)...como também.
Nós desmanchamos o teto do barco e fizemos uma jangada pequena.

b. adversativas – estabelecem uma relação de adversidade, de oposição, de contraste. Principais conjunções: mas, porém, todavia, contudo, no entanto, entretanto, etc.
Amor é igual fumaça: sufoca mas passa.
A floresta vive de si mesma, porém é ameaçada pelo homem.

c. alternativas – estabelecem relação de alternância, de escolha entre duas orações. Principais conjunções: ou...ou, ora...ora, já...já, quer...quer, etc.
Ou vai ou racha.

d. conclusivas – estabelecem relação de conclusão, de conseqüência. Principais conjunções: logo, portanto, por conseguinte, pois (posposto ao verbo), etc.
Ele ainda é criança, logo depende dos pais.

e. explicativas – indicam uma justificativa ou uma explicação ao fato expresso na oração anterior. Principais conjunções: porque, que, pois (anteposto ao verbo), etc.
Calem-se que eu estou dando as explicações necessárias.

Observações:
1 – Anda que anda.  valor aditivo (e)
Come que come.  valor aditivo (e)
2 – Todos poderão fazer isso que não vós.  valor adversativo
3 – O processo de coordenação pode ocorrer entre períodos de um texto:
Tudo seco em redor. E o patrão era seco também.
1º período conjunção 2º período


 ORAÇÕES SUBORDINADAS
As orações subordinadas funcionam sempre como um termo essencial, integrante e acessório da oração principal. Como elas têm valor de substantivo, adjetivo e advérbio, são classificadas como: substantivas, adjetivas e adverbiais.
Espero que você volte. – oração subordinada substantiva
Espero a sua volta. – substantivo

Trata-se de um assunto que não se pode compreender – oração subordinada adjetiva
Trata-se de um assunto incompreensível. – adjetivo.

Eles viajaram quando anoiteceu. – oração subordinada adverbial
Eles viajaram à noite. – locução adverbial

1. Orações Subordinadas Substantivas
Completam o sentido da oração principal, exercendo a função sintática de substantivo, a saber: sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo e aposto. Vêm introduzidas por conjunção integrante: que ou se.

Aguardamos / que os deputados se pronunciem a respeito do novo plano econômico.
or. principal or. subordinada substantiva

Não sei / se os deputados vão se pronunciar a respeito do novo plano econômico.
or. principal or. subordinada substantiva

 Classificação:
1 – Subjetivas – quando exercem a função sintática de sujeito da oração principal.
É fundamental / que participem do debate.
or. principal ( = isso ) or. subordinada substantiva subjetiva

O que é fundamental ? Isso.

Veja, a seguir, alguns verbos e expressões que costumam ter como sujeito uma oração subordinada:

Verbos Exemplos
admirar Admira-me que todos tenham lido o livro.
agradar Agrada-me que você tenha voltado para a escola.
desagradar Desagrada-lhe que alguns alunos tenham faltado.
incomodar Incomoda-nos que ele tenha sido eleito.
preocupar Preocupava-nos que todos estivessem descontentes.
convir Convém que não se manifestem.
cumprir Cumpre que todos dêem conta de suas tarefas.
ocorrer Ocorre que agora não existe outra solução.
acontecer Acontece que vou pedir demissão.
parecer Parece que tudo mudou.

Expressões Exemplos
( geralmente formadas por verbo de ligação + predicativo ).
É bom É bom que você compareça à reunião.
É conveniente É conveniente que a criança durma.
É claro É claro que eu gosto dela.
Parece certo Parece certo que a nossa escola mudou.
É possível É possível que tenham desistido da viagem.
É interessante É interessante que todos venham à festa.
É evidente É evidente que não concordamos com isso.
É lamentável É lamentável que todos tenham falhado.
É necessário É necessário que falem com o diretor.

OBS: - Há dificuldade de classificação das orações subordinadas que dependem de uma oração principal com verbo na voz passiva.
Ficou resolvido que você assumiria o cargo.
Decidiu-se que você assumiria a função.

2 – Objetivas diretas – são as orações que exercem a função de objeto direto da oração principal.
Dizem / que o vestibular vai ser eliminado.
or. principal ( = isso ) or. subordinada substantiva objetiva direta

3 – Objetivas indiretas – são as orações que exercem a função de objeto indireto da oração principal.
Convenci-me / de que preciso estudar mais.
or. principal ( = disso ) or. subordinada substantiva objetiva indireta

4 – Completivas nominais – são as orações que exercem a função de complemento nominal de um termo da oração principal.
Tenho certeza / de que vou mudar de escola.
or. principal ( = disso ) or. subordinada substantiva completiva nominal

5 – Predicativas – são as orações que exercem a função de predicativo do sujeito da oração principal.
A verdade é / que não vou mudar de escola.
or. principal ( = isso ou essa ) or. subordinada substantiva predicativa

6 – Apositiva – são as orações que exercem a função de aposto de um termo da oração principal.
O problema é só um: / que eu não estudei para a prova.
or. principal or. subordinada substantiva apositiva

As orações apositivas não podem ser substituídas por isso, esse, essa, etc. Elas são fáceis de identificar, pois vêm depois de dois-pontos e, rarissimamente, entre vírgulas.

OBS: -
- As orações subordinadas substantivas podem ser introduzidas por pronomes interrogativos (que, quem, quanto) e advérbios interrogativos (como, onde, quando, por que):
Todos querem saber quem são os culpados.
O que admiro é como as abelhas sabem aproveitar o espaço.

- As orações subordinadas substantivas que exercem idêntica função sintática podem aparecer coordenadas entre si:
Só sei que estava só e que me sentia bem naquela solidão.
orações subordinadas substantivas objetivas diretas coordenadas entre si.

- Há orações substantivas que exercem a função de agente da passiva. A NGB, no entanto, não classifica esse tipo de oração.
O quarto foi arrumado por quem lá residia.
Foi vaiado por quantos estavam na platéia.


2. Orações Subordinadas Adjetivas
Tem valor de adjetivo, modificando um termo da oração principal. Funcionam, portanto, como adjunto adnominal. São sempre introduzidas por pronome relativo: que, quem, o qual, a qual, os quais, as quais, onde, cujo, quanto, etc.:

Minha colega tem uma letra que não se pode ler. pron. relativo
or. subordinada adjetiva

Minha colega tem uma letra ilegível. adjetivo

Para se saber se o que é pronome relativo, basta verificar se ele pode ser substituído por o qual, a qual, os quais, as quais. Veja:

Minha colega tem uma letra a qual não se pode ler.

Classificação:
As orações subordinadas adjetivas classificam-se em restritivas e explicativas:

 Restritivas:
São orações que restringem, limitam a significação do seu antecedente (substantivo ou pronome). São indispensáveis ao sentido do período e não se separam da oração principal por vírgula.
Há alunos que praticam esporte.

Observe que a oração que praticam esporte está restringindo o sentido do termo alunos, pois nem todos os alunos praticam esporte.

Outros exemplos:
A dor de cabeça é, junto com a gripe, o problema de saúde que mais leva as pessoas ao balcão da farmácia.
Longe é um lugar que não existe.

 Explicativas;
São orações que não limitam o sentido do antecedente. Acrescentam uma informação que pode ser eliminada sem causar prejuízo para a compreensão lógica da frase. Vêm sempre separadas da oração principal por vírgula.
O Brasil, que é o maior país da América do Sul, tem milhões de analfabetos.

A oração adjetiva explicativa que é o maior país da América do Sul pode ser suprimida sem que a compreensão da frase fique prejudicada.
Agora, observe a diferença de sentido entre as duas frases:

Teus filhos, que são bonitos, serão fotografados.
or. subordinada adjetiva explicativa

Teus filhos que são bonitos serão fotografados.
or. subordinada adjetiva restritiva

No 1º caso, todos os filhos são bonitos e, conseqüentemente, todos serão fotografados. No 2º caso, supõe-se a existência de filhos bonitos e não bonitos. Apenas os bonitos serão fotografados.

Veja ainda estes exemplos:
O Graciliano Ramos que escreveu Vidas Secas é um excelente escritor.
or. subordinada adjetiva restritiva
O Graciliano Ramos, que escreveu Vidas Secas, é um excelente escritor.
or. subordinada adjetiva explicativa

Na 1ª mensagem, o emissor considera excelente, dentre as obras de Graciliano, apenas Vidas Secas. Na 2ª mensagem, todas as obras do autor são consideradas excelentes.
Na 1ª frase, a oração é restritiva, pois o nome perde a sua função identificadora habitual de substantivo próprio. Supõe-se a existência de vários Gracilianos.

Observações:
1. A oração subordinada adjetiva pode ter um pronome como antecedente:
Não sei o / que vou fazer.
antecedente e or. subordinada adjetiva restritiva

Sou o / que sou.
antecedente e or. subordinada adjetiva restritiva

Eu, / que não sei nada de inglês, / consegui conversar com ela.
antecedente e or. subordinada adjetiva explicativa

2. As orações subordinadas adjetivas também podem vir coordenadas entre si.
Ilhas podem ser pedaços de terra que fizeram parte do continente e foram se desprendendo.
orações adjetivas restritivas coordenadas entre si


FUNÇÕES SINTÁTICAS DOS PRONOMES RELATIVOS
1. Sujeito
O filme que está em cartaz no Cine Belas Artes é excelente.
( O fime está em cartas no Cine Belas Artes ).
sujeito

2. Objeto Direto
O filme que você me indicou é excelente.
( ... você me indicou o filme ).
OD

3. Objeto Indireto
O filme a que você se referiu é excelente.
( ... você se referiu ao filme ).
OI

4. Adjunto Adverbial
A escola em que (na qual, onde) gostaria de estudar fica longe da minha casa.
( ... gostaria de estudar na escola ).
adj. adverbial
OBS: - O pronome relativo onde exerce sempre a função de adjunto adverbial.

5. Complemento Nominal
Ainda não recebi o dinheiro de que tenho tanta necessidade.
( ... tenho tanta necessidade do dinheiro ).
CN

6. Predicativo
Tímido que ele era, não conseguia arrumar namorada.
( Ele era tímido ).
pred. do sujeito

7. Adj. Adnominal
Gosto muito desse escritor cujas obras retratam temas da cultura popular nordestina.
( ... as obras desse escritor retratam ... )
adj. adnominal

Observação: - O pronome relativo cujo e suas flexões exercem, geralmente, a função sintática de adjunto adnominal. Podem também, em alguns casos, exercer a função de complemento nominal.
A obra, cuja construção começou em 1995, ainda não está concluída.
( ... a construção da obra ).
CN

8. Agente da Passiva
Esteve aqui presente o indivíduo por quem você foi procurado.
( Você foi procurado pelo indivíduo ).
agente da passiva


EMPREGO DO PRONOME RELATIVO ONDE
Como foi visto, o pronome relativo onde só deve ser empregado para indicar lugar.
A cidade onde eu nasci fica no interior do Maranhão.

No entanto, é muito comum o emprego desse pronome para indicar tempo, para substituir por isso, mas, de que, uma vez que e outros. Na linguagem falada, e muitas vezes na escrita, esse pronome serve como curinga, ou seja, aplica-se a qualquer situação.

De volta aos anos 70, onde o público era sempre enganado com falsas promessas.
( A forma adequada seria: ... anos 70, em que o público ... ).

As importações de bens de consumo não-duráveis (categoria onde se enquadram os produtos populares) cresceram muito nos dois últimos anos.
( A forma adequada seria: ... categoria em que se enquadram ... ).

 De acordo com a norma culta da língua esses empregos devem ser evitados.

3. Orações Subordinadas Adverbiais
As orações subordinadas adverbiais funcionam como adjunto adverbial de outras orações e vêm, normalmente, introduzidas por uma das conjunções subordinativas (exceto as integrantes).
Dormiram / porque estavam cansados.
or. subordinada adverbial
Dormiram de cansaço.
adj. adverbial

Classificação:
São classificadas de acordo com a conjunção ou locução conjuntiva que as introduz.
 Causais – indicam a causa da ação expressa pelo verbo da oração principal.
A velha prática da corrupção não pode estar voltando, uma vez que nunca chegou a ir embora.
Fazia tudo que lhe viesse à cabeça, já que ia morrer.
Como raramente chove em Lima, os prédios, os carros, as árvores, tudo é sempre coberto por uma fuligem cinzenta.

Principais conjunções: porque, pois que, uma vez que, visto que, visto como, já que, porquanto, como, etc.

 Comparativas – estabelecem uma comparação com o fato indicado pelo verbo da oração principal.
Um CD brasileiro custa até 100% mais caro que o similar norte-americano.
A Mongólia tem 30% da população vivendo como nômade.

Principais conjunções: que / do que (precedidos de tão, tanto, mais, menos, melhor, pior, maior, menor, na oração principal), como, assim como, assim, etc.

Observação:
Freqüentemente, omite-se o verbo da oração subordinada adverbial comparativa. Note como ficaria o exemplo acima se o verbo fosse repetido:
A Mongólia tem 30% da população vivendo como (o) nômade vive.

 Concessivas – indicam uma concessão à idéia expressa pelo verbo da oração principal, i.e., admitem uma contradição ou um fato inesperado.
Os camponeses arruinados formavam o maior contingente de imigração, embora houvesse também operários artesãos.
Por mais que os professores tenham boa vontade, os livros ficam desorganizados na sala de leitura.
Ainda que comprovem, não acredito nesses dados estatísticos.

Principais conjunções: embora, ainda que, posto que, a menos que, se bem que, conquanto, mesmo que, nem que, apesar de que, (por mais) que, (por muito) que, etc.

 Condicionais – indicam a situação necessária para que ocorra ou não a ação do verbo da oração principal.
A visita seria carnavalesca, se não fosse macabra.
Não entrem sem que apresentem a carteira de identidade.
O jogador ameaça entrar na justiça, caso o contrato não seja cumprido.

Principais conjunções: se, caso, exceto, salvo, desde que, contanto que, sem que, a menos que, a não ser que, etc.

Observação: - A locução conjuntiva como se sintetiza as idéias de comparação e hipótese. Alguns autores desdobram a locução desta forma:
Sorria como se tivesse ganho na loteria.
(Sorria como sorriria se tivesse ganho na loteria).
 Esse desdobramento é artificial; parece-nos preferível considerar a locução como comparativa.

 Conformativas – indicam uma conformidade, um acordo entre o fato que expressam e a ação do verbo da oração principal.
Todos os professores agiram como o diretor mandou.
De defunto não tinha medo, só de gente viva, conforme dizia.

Principais conjunções: conforme, como, consoante, segundo.

 Consecutivas – indicam a conseqüência resultante do fato expresso pelo verbo da oração principal.
Na Antigüidade, os jogos que deram origem às Olimpíadas eram tão importantes que interrompiam até mesmo as guerras em andamento.

Principais conjunções: (tão)...que, (tanto)...que, (tal)...que, (tamanho)...que, de forma que, de modo que, de sorte que, tanto que, etc.

Observação: A locução para que antecedida de muito ou demais introduz uma oração consecutiva: O filme era muito bom para que eu deixasse de vê-lo.

 Finais – indicam o fim, o objetivo do fato enunciado na oração principal.
O velho submerge para que o novo possa emergir.

Principais conjunções: para que, que ( = para que ), a fim de que, porque ( = para que ).

 Proporcionais – indicam uma relação de proporcionalidade com o verbo da oração principal.
À medida que envelheço, presto menos atenção ao que as pessoas dizem; simplesmente observo o que fazem.
Quanto mais pensava no recado, mais enfezado ia ficando.

Principais conjunções: à proporção que, à medida que, ao passo que, (quanto mais)...mais, (quanto mais)...menos, etc.

 Temporais – indicam a circunstância de tempo em que ocorre a ação do verbo da oração principal.
Quando o colonizador português chegou ao Brasil, os índios eram os donos de todo o território.
Mal entrou em casa, tocou o telefone.
Assim que se fecha um contrato na Bolsa de Valores, os operadores registram a transação em terminais de computador.

Principais conjunções: quando, enquanto, assim que, logo que, até que, depois que, desde que, que, apenas, mal, sempre que, cada vez que, antes que, etc.

Observação: A NGB não faz referência a dois tipos de oração subordinada adverbial: modal e alocativa.

 A oração modal exprime o modo como se dá o fato expresso na oração principal:
Falou sem que ninguém notasse.

 A oração alocativa equivale a um adjunto adverbial de lugar, introduzida pelo advérbio onde:
Estaciona sempre onde é proibido.

* Diferença entre Oração Subordinada Adverbial Causal e Coordenada Sindética Explicativa.

a. A oração que antecede a oração coordenada sindética explicativa tem, geralmente, o verbo no modo imperativo.
Fale mais alto / que eu não estou ouvindo. verbo no imperativo e or. coordenada sindética explicativa

b. A oração subordinada adverbial causal pode ser colocada no início do período, introduzida pela conjunção como, o que não ocorre com a coordenada sindética explicativa:
Não vim à aula porque estava com dor de cabeça.
Como estava com dor de cabeça, não vim à aula.

c. Uma explicação vem sempre depois do fato que a desencadeou; uma causa antecede a conseqüência. Observe:
Ele foi ao médico porque estava doente.
Ele foi ao médico porque eu vi uma receita em cima da mesa.

No 1º exemplo, a oração porque estava doente é subordinada adverbial causal. O fato de ele estar doente desencadeia sua ida ao médico. No 2º exemplo, a oração porque eu vi uma receita em cima da mesa é coordenada sindética explicativa, pois “ver a receita em cima da mesa” é uma simples justificativa e não gera o fato de ele ir ao médico.


 ORAÇÕES REDUZIDAS
Até agora, analisamos orações subordinadas que são introduzidas por conjunção ou pronome relativo, tendo o verbo no modo indicativo, imperativo ou subjuntivo. Essas orações são chamadas de desenvolvidas.
Às vezes, porém, as orações subordinadas não se iniciam por conjunção subordinativa nem por pronome relativo e têm o verbo numa das formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio. Essas orações são chamadas de reduzidas. Veja alguns exemplos:
É necessário / conversarmos com o professor.
or. subordinada reduzida de infinitivo
É necessário / que conversemos com o professor.
or. subordinada desenvolvida

Chegando a Porto Alegre / telefone-me.
or. subordinada reduzida de gerúndio
Quando chegar a Porto Alegre, / telefone-me.
or. subordinada desenvolvida

Acabadas as provas, / fomos comemorar.
or. subordinada reduzida de particípio
Quando acabaram as provas, / fomos comemorar.
or. subordinada desenvolvida


Classificação:
1. Orações reduzidas de infinitivo
Podem vir ou não precedidas de preposição. Eis alguns tipos de oração subordinada reduzida de infinitivo.

SUBSTANTIVA
 Subjetiva
Era difícil andar.
Seria necessário atualizar permanentemente a definição de pobreza.

 Objetiva direta
Os editores resolveram não divulgar a notícia.

 Objetiva indireta
O único objetivo dos alunos consistia em passar de ano.

 Completiva nominal
Sentiu vontade de sair do palco.

 Predicativa
Seu único objetivo é divertir-se.

 Apositiva
Prometi-lhes apenas isto: espera-los até às dez horas.

ADJETIVA
Comprei uma máquina de lavar roupa.

ADVERBIAL
 Causal
Morreu de tanto tossir.
Por serem preguiçosos, não leram o livro.

 Concessiva
Apesar de sentir medo, enfrentou a situação.

 Condicional
Não entre sem apresentar documento.

 Consecutiva
A demissão do chefe foi complicada, a ponto de causar revolta nos funcionários.

 Final
O contribuinte precisa fazer controle dos gastos para não ter surpresa.

 Temporal
Ao começar o século, ainda éramos um satélite da França.


2. Orações reduzidas de gerúndio
Podem ser adjetivas e adverbiais.

ADJETIVA
Encontrei os alunos dançando no meio da sala.

ADVERBIAL
 Causal
Não vendo o semáforo, bateu o carro.

 Concessiva
Estando despreparado, passou no vestibular.

 Condicional
Havendo demanda, haverá produção maior.

 Modal
Por aqui passou Garrincha, inventando dribles e alegrias.

3. Orações reduzidas de particípio
Também podem ser adjetivas ou adverbiais.

ADJETIVA
O gato dormia sobre a roupa jogada no chão.

ADVERBIAL
 Temporal
Acabada a reunião, fomos ao clube.

 Causal
Decepcionado com o trabalho, mudou de profissão.

 Concessiva
Advertido do perigo, continuava lutando.

 Condicional
Aceitas as condições do contrato, estaríamos arruinados.


 ORAÇÕES INTERCALADAS OU INTERFERENTES
São orações que, no período, funcionam como uma observação, uma ressalva ou opinião. Não se classificam nem como coordenadas nem como subordinadas. Exemplos:
Temos de reconhecer que houve no Brasil avanço tecnológico em vários setores – as telecomunicações de fato hoje unificam o país – e isso é capital para um desenvolvimento futuro.
Nas costas do retrato, bem no cantinho – o pai não entendeu – estava escrito: UFF!




SINTAXE: CONCORDÂNCIA E COLOCAÇÃO

O vocábulo SINTAXE vem do grego syntaxis que significa “ordem”, “disposição”. Dá-se, tradicionalmente, o nome de SINTAXE à parte da gramática que estuda a concordância, a associação e a colocação das palavras na frase e das frases no discurso, bem como a relação lógica das frases entre si e a correta construção gramatical.
Ao elaborar orações, conta o falante com a liberdade de escolher os vocábulos; mas não pode criar a estrutura em que eles se combinam na comunicação de suas idéias. As estruturas oracionais obedecem a certos modelos formais que constituem os padrões estruturais.
Divide-se a sintaxe em: concordância, regência e colocação. Como se trata de tema muito extenso, o que faremos será a apresentação dos pontos principais, bem como a apresentação das regras mais importantes, tomando como embasamento a gramática tradicional, reconhecendo que, muitas vezes, esta não coincide com o uso dos falantes.
Chama-se CONCORDÂNCIA o fenômeno gramatical que consiste em o vocábulo determinante se adaptar ao gênero, ao número ou à pessoa do vocábulo determinado. A concordância pode ser NOMINAL ou VERBAL.

CONCORDÂNCIA NOMINAL

A CONCORDÂNCIA NOMINAL estabelece como regra geral que os vocábulos determinantes (o adjetivo, o pronome adjetivo, o artigo, o numeral adjetivo ou o particípio) concordam em gênero e em número com os vocábulos determinados (o substantivo ou o pronome substantivo) a que se referem: Aquele trânsito histérico, as calçadas sujas, as pessoas nervosas.
Há situações de concordância do adjetivo – ou termo com a função de adjetivo – com o substantivo que precisam ser consideradas separadamente.
1º) Quando o adjetivo (ou a palavra com função de adjetivo) vier antes de dois ou mais substantivos, ele concordará com o mais próximo, exemplo:
Sentia descompassado o coração e a alma.
Sentia descompassada a alma e o coração.
OBS.: Se o adjetivo estiver anteposto a nomes próprios de pessoas ou a títulos, deverá ir para o plural, exemplos:
Como nos ensinam os grandes Machado de Assis e José de Alencar.
Os afortunados embaixador dos Estados Unidos e a primeira-ministra de Israel escaparam ilesos do atentado.

2º) Quando o adjetivo vier depois de dois ou mais substantivos, a concordância poderá ser feita de duas maneiras:
1. o adjetivo poderá concordar com o substantivo mais próximo:
Estudo a língua e a literatura portuguesa.
Estudo a língua e a literatura portuguesas.
2. o adjetivo poderá ir para o plural, concordando com todos os substantivos (neste caso, se os substantivos tiverem gêneros diferentes, prevalece o masculino):
Flores e cortinas despedaçadas.
Quadro e cortinas despedaçados.

3º) Quando o adjetivo aparecer na função de predicativo do sujeito composto, importa observar a posição em que ele aparece. Se ele estiver posposto ao sujeito, irá para o plural, prevalecendo o gênero masculino, se os substantivos tiverem gêneros diferentes: Aluno e professora estavam calados / Estava calado o aluno e a professora. Se o adjetivo estiver anteposto ao sujeito, a concordância poderá ser feita com o todo ou apenas com o núcleo do sujeito mais próximo: Estava calado o aluno e a professora ou Estavam calados o aluno e a professora.

4º) Quando o adjetivo aparecer na função de predicativo do objeto obedecerá as mesmas regras de concordância do adjetivo predicativo do sujeito:
O juiz julgou o réu culpado.
O juiz julgou o rapaz e a moça culpados.
O juiz julgou culpada a moça e o rapaz.
O juiz julgou culpados a moça e o rapaz.

5º) Quando dois ou mais adjetivos se referem a um único substantivo, determinado por artigo, há duas possibilidades de concordância:
1. o substantivo fica no singular e coloca-se artigo precedendo o segundo adjetivo: Ana estuda a língua francesa e a inglesa.
2. o substantivo vai para o plural e omite-se o artigo do segundo adjetivo: Ana estuda as línguas francesa e inglesa.

Há palavras ou expressões que merecem destaque no que se refere à concordância nominal por provocarem, muitas vezes, algumas dúvidas. Chamaremos estes casos de CASOS ESPECIAIS.

CASOS ESPECIAIS

1º) As palavras MESMO, PRÓPRIO, ANEXO, INCLUSO, QUITE, LESO, OBRIGADO – concordam com o substantivo ou pronome a que se referem em gênero e em número, exemplos:
Eles mesmos vieram pedir desculpas.
Ela mesma fez o discurso.
Nós próprias levaremos a encomenda, pois somos moças responsáveis.
Seguem anexas as notas fiscais.
Envio-lhe inclusos os documentos.
Os rapazes estão quites com o serviço militar. (Eu estou quite / Nós estamos quites).
Sua atitude é um crime de lesa-pátria.
Muito obrigada! Disse-me ela. (Elas disseram obrigadas – varia em nº também).

2º) As palavras MENOS, PSEUDO, ALERTA são invariáveis:
Coloque menos farinha.
Há muitas pseudo-amigas (Só têm hífen antes de R, S, H e vogal)
Os bombeiros ficam sempre alerta.

3º) As palavras BASTANTE, MUITO, POUCO, MEIO, SÓ, CARO, BARATO variam quando empregadas como adjetivo; mas permanecem invariáveis quando empregadas como advérbio:
Recebi muitos convites. Eram exercícios muito difíceis.
Recebi bastantes convites. Eram exercícios bastante difíceis.
Poucos rapazes jogaram ontem. Estavam pouco satisfeitos.
Ando meio esquecida. Não suporto meias verdades,
Meus caros amigos, estou feliz. Essas palavras frias vão custar-lhe caro.
Nas lojas do centro, sempre se encontram produtos baratos.
Com a inflação, ninguém consegue vender roupas barato.
Eles preferiram ficar sós. Só estudamos a primeira lição.

Obs.: a locução adverbial a sós é invariável: Os noivos ficaram a sós / A noiva ficou a sós em seu quarto (em companhia um de outro) / Enfim sós (solidão, sozinho).

4º) O adjetivo POSSÍVEL varia de acordo com o artigo que precede expressões mais, menos, melhor, pior, melhores, piores, ...:
Naquele lugar, conheci mulheres o mais belas possível.
Naquele lugar, conheci mulheres as mais belas possíveis.

5º) As expressões formadas por verbo SER + ADJETIVO (é necessário, é proibido, é bom,...) não variam se o sujeito não vier determinado por artigo, pronome ou adjetivo, caso contrário, variam:
É proibido entrada de alunos.
É proibida a entrada de alunos.
É necessário paciência.
É necessária muita paciência.
Cerveja é bom.
Esta cerveja é boa.

6º) A expressão UM(A) e OUTRO(A) pode apresentar-se seguida de substantivos e/ou adjetivos. Quando seguida de SUBSTANTIVO, exige que este fique no singular, mas se vier seguida de um ADJETIVO, este vai para o plural, exemplos:
Um e outro rapaz pobres.
Uma e outra mulher honestas.

7º) Em relação à flexão de número dos ADJETIVOS COMPOSTOS, a regra geral estabelece que somente o último elemento recebe flexão:
sala médico-cirúrgica – salas médico-cirúrgicas
paletó verde-claro – paletós verde-claros
tratado sino-luso-brasileiro – tratados sino-luso-brasileiros

Observações:
1º) na indicação de cores compostas, se o último elemento for substantivo, não haverá flexão do composto, exemplos:
camisa verde-bandeira – camisas verde-bandeira
saia vermelho-sangue – saias vermelho-sangue
terno pérola – ternos pérola

Exceções:
surdo-mudo (ambos variam): meninas surdas-mudas
azul-marinho e azul-celeste (são invariáveis): Usavam ternos azul-marinho e camisas azul-celeste.





CONCORDÂNCIA VERBAL

A CONCORDÃNCIA VERBAL estabelece como regra geral que o verbo (termo subordinado) concorda em número e pessoa com o sujeito (termo subordinante). Assim, um sujeito simples no singular pede verbo no singular, exemplos:
“Eu estudo”; “Ele estuda”, “O menino brinca”.
O sujeito simples no plural pede verbo no plural, exemplos:
“Nós estudamos”; “eles estudam”; “Os meninos brincam”.

E o sujeito composto pede verbo no plural, exemplo:
“O menino e a menina brincam”.

Há, entretanto, casos particulares de sujeito simples e de sujeito composto que devem ser destacados. Primeiramente, vejamos os casos de sujeito simples.

1º) Sujeito Coletivo
Como se sabe, o coletivo é singular na forma, mas expressa idéia de pluralidade. Daí o problema de colocar-se o verbo no singular ou no plural. O verbo ficará no singular se estiver junto do sujeito coletivo, exemplo: “O povo aplaudia o orador”. Mas o verbo poderá ficar no singular ou ir para o plural se estiver distanciado do sujeito coletivo ou se o coletivo vier seguido de adjunto adnominal (determinante) no plural, exemplos:
O conselho se reuniu e decidiram (ou decidiu) recomeçar a guerra.
Uma multidão de senhoras invadiu (ou invadiram) a loja.

2º) Sujeito Pronome de Tratamento
Se o sujeito for um pronome de tratamento, o verbo ficará na 3ª pessoa e não na 2ª, exemplos:
Vossa Senhoria sabe o que penso.
Vossa Excelência e seus auxiliares estão cansados ?

3º) Pronome Relativo QUE
Quando o verbo tem como sujeito o pronome relativo QUE, este concorda em número e pessoa com o antecedente deste pronome, exemplos:
Fui eu que entreguei a carta.
És tu que me dás felicidade.

4º) Pronome Relativo QUEM
Quando o verbo tem como sujeito o pronome relativo QUEM vai, de regra, para a 3ª pessoa do singular. No entanto, não faltam exemplos de bons autores que, neste caso, também fazem a concordância com o antecedente do pronome, exemplos:
Fui eu quem te salvou.
Fui eu quem te salvei.

5º) Quando o sujeito é representado pela expressão UM DOS QUE, o verbo pode ficar na 3ª pessoa do singular ou ir para o plural. A escolha dependerá do que se quiser destacar, exemplos:
Ela foi uma das pessoas que conseguiram o prêmio.
Ela foi uma das pessoas que conseguiu o prêmio.

6º) Sujeito representado por PRONOMES INTERROGATIVOS ou INDEFINIDOS no singular, seguido de expressões como “de (dentre) nós”, “de (dentre) vós”, pede verbo no singular, exemplo:
Qual de nós contará a verdade a ela ?

Mas se os pronomes interrogativos ou indefinidos estiverem no plural, então o verbo irá para o plural, concordando com eles, ou poderá concordar com os pronomes nós ou vós, exemplos:
Quantos de nós partirão amanhã ?
Quantos de nós partiremos amanhã ?

7º) Sujeito que denota quantidade aproximada
Quando o sujeito é indicador de quantidade aproximada, formado de um número plural precedido de expressões como cerca de, mais de, perto de, menos de, ... (e similares) pede verbo no plural, exemplos:
Cerca de dez pessoas ficaram feridas no acidente.
Menos de quatro alunos reprovaram.
Mais de dois rapazes estavam brigando.

Observação: Se usarmos a expressão MAIS DE com o numeral UM, o verbo deverá ser singular, exemplo:
Mais de um aluno reprovou.
O plural, neste caso, só será possível se o verbo indicar reciprocidade ou se a expressão vier repetida, exemplos:
Mais de uma criança, mais de uma mulher ficaram feridas.
Mais de um casal abraçavam-se carinhosamente.

8º) Sujeito expressão partitiva
Quando o sujeito é constituído por expressão partitiva ( parte de, uma porção de, metade de, a maior parte de, a maioria de,...) e seguido de substantivo ou de pronome plural, o verbo pode ir para o singular ou para o plural, exemplo:
A maioria dos alunos não tinha ou tinham estudado para a prova.

9º) Sujeito representado por nomes próprios no plural
Se não vierem acompanhados de artigo, verbo no singular:
Vassouras fica no Rio de Janeiro.
Quando precedidos de artigo no plural, verbo no plural, exemplo:
Os Estados Unidos fabricam armas nucleares.

10º) Verbos acompanhados do pronome SE:
1. se o “SE” for pronome apassivador, o verbo concordará com o sujeito paciente. Se o sujeito estiver no singular, verbo no singular; se estiver no plural, verbo no plural. Exemplos:
Construiu-se (pronome apassivador) uma nova avenida. (sujeito).
Construíram-se (pronome apassivador) grandes avenidas. (sujeito).
2. se o “SE” for índice de indeterminação do sujeito, o verbo fica na 3ª pessoa do singular, pois o sujeito, neste caso, é indeterminado. Exemplos:
Assim se (índice de indeterminação do sujeito) vai ao longe.
Precisava-se de funcionários. (índice de indeterminação do sujeito).
Era-se feliz na Penha. (índice de indeterminação do sujeito).

Vejamos, agora, os casos particulares de SUJEITO COMPOSTO

1º) Vimos que, de regra, quando o sujeito é composto, o verbo é usado no plural, mas se o sujeito composto vier posposto ao verbo, este poderá ir para o plural ou concordar com o núcleo do sujeito mais próximo, exemplos:
Viajaram o pai e o filho.
Ou
Viajou o pai e o filho.

2º) Quando o sujeito composto é formado por pessoas gramaticais diferentes, o verbo vai para o plural da pessoa que prevalece: a 1ª pessoa prevalece sobre as demais e a 2ª prevalece sobre a 3ª, exemplos:
Pedro, você e eu perdemos a aposta.
Tu e ele fostes enganados.

Observação: No caso de sujeito composto constituído de 2ª e 3ª pessoa, é comum, na linguagem coloquial e mesmo literária, o uso da 3ª pessoa do plural, por tratar-se de forma mais comum (visto que a 2ª pessoa do plural, no português do Brasil, praticamente não é usada).

3º) Quando o sujeito composto é resumido por pronome indefinido (tudo, nada, ninguém,...) ou formado por palavras em gradação, o verbo concorda com o termo que lhe está mais próximo, exemplos:
A casa, os móveis, o jardim, nada a agradava.
Uma palavra, um gesto, um olhar bastava para deixá-la feliz.

4º) Quando os elementos do sujeito composto se acham ligados por OU, a concordância se processará de acordo com o sentido do OU. Se este indicar exclusão, o verbo será singular; se indicar inclusão, isto é, fato que pode ser atribuído a todos os elementos do sujeito, o verbo será plural; e se o valor for de retificação, o verbo concordará com o núcleo do sujeito que estiver mais próximo, exemplos:
Pedro ou João casará com Maria. (exclusão)
Química ou Física são difíceis para mim. (inclusão)
O ladrão ou os ladrões foram espertos, não deixaram vestígios. (retificação)

5º) Quando o sujeito composto é formado por infinitivos impessoais, o verbo fica no singular, exemplo:
Falar e fazer não é a mesma coisa.
Mas o verbo pode ir para o plural se os infinitivos vierem precedidos de artigo ou se exprimirem idéias contrárias, exemplos:
Rir e chorar fazem parte da vida.
O amar e o sofrer são parte da vida.
O amar e o sofrer são próprios do ser humano.

6º) Sujeito representado pela expressão UM OU OUTRO, NEM UM NEM OUTRO pede verbo no singular, exemplos:
Um ou outro aluno reprovou.
Nem um nem outro aluno respondeu.

7º) Mas, com a expressão UM E OUTRO, o verbo vai, preferencialmente, para o plural; o singular, neste caso, é raro, mas não errado, exemplo:
Um e outro aluno reprovaram.

8º) Sujeito composto ligado por COM, o verbo pode ser usado no plural, quando os sujeitos estão em pé de igualdade, ou no singular, se quisermos realçar o 1º núcleo do sujeito, exemplos:
O rapaz com sua namorada foram ao cinema.
O professor com os alunos participou dos debates.

9º) Sujeito composto ligado por conjunções comparativas COMO, ASSIM COMO, BEM COMO e equivalentes, a concordância depende da interpretação que dermos ao conjunto. Assim, o verbo concordará:
1. com o primeiro núcleo do sujeito, se quisermos destacá-lo: A filha, como a mãe, cozinha muito bem.

2. com os dois núcleos do sujeito, se os considerarmos termos que se adicionam, que se reforçam: Tanto Paulo como Carlos se ocupavam com aquele trabalho.

Temos que destacar, ainda, alguns CASOS ESPECIAIS, como a concordância com o verbo SER e com os verbos impessoais.

O verbo SER, quando é verbo de ligação, seguido de predicativo, tem uma concordância atípica, pois, contrariando a regra geral, que determina a concordância do verbo com o sujeito, pode ele concordar também com o predicativo. Vejamos como se dão essas concordâncias:
1. Se o sujeito for representado por TUDO, ISSO, ISTO, AQUILO e o predicativo estiver no plural, o verbo SER vai, de preferência, para o plural, exemplos:
Tudo eram ilusões.
Isso são bobagens de criança.
2. O verbo SER concordará com o sujeito se este for um nome próprio; esteja o predicativo no singular ou no plural, exemplo:
Paulo é as alegrias da casa.
3. Se o sujeito se referir a coisas no singular e o predicativo estiver no plural, o verbo SER concordará, de preferência, com o predicativo (o verbo, neste caso, só concordará com o sujeito quando se desejar destacá-lo), exemplos:
“A cama eram palhas”.
O problema são as dívidas.
4. O verbo SER concorda com o pronome pessoal seja ele sujeito ou predicativo, exemplos:
O poeta sou eu.
Tu és o culpado.
5. Se o sujeito indicar quantidade numérica e for seguido de adjunto adverbial de intensidade, o verbo SER ficará no singular em concordância com o advérbio, exemplos:
Três milhões é muito.
Oitocentos gramas de presunto é pouco.
6. O verbo SER, indicando HORAS, DATAS e DISTÂNCIAS, é impessoal e concorda com o predicativo, exemplos:
É uma hora.
São duas horas.
Hoje é dia dez de abril.
Hoje são dez de abril.
De Maringá a Curitiba são 430 quilômetros.

Por fim, falemos a respeito dos VERBOS IMPESSOAIS. Verbos impessoais são aqueles que não têm sujeito, sendo assim, o verbo ficará, via de regra, na 3ª pessoa do singular; exceção feita ao verbo SER que, como acabamos de ver, mesmo sendo impessoal, pode ir para o plural, pois concorda com o predicativo.
Dos verbos impessoais, dois merecem um destaque especial por serem muito utilizados: FAZER e HAVER.

O verbo FAZER, quando usado para indicar tempo, é impessoal e deve ficar na 3ª pessoa do singular, exemplos:
Faz três noites que não durmo.
Faz invernos rigorosos em Curitiba.
Deve fazer quatro meses que ele partiu.

O verbo HAVER, no sentido de existir, de ocorrer ou de acontecer ou quando indica tempo decorrido, é impessoal e fica na 3ª pessoa do singular, exemplos:
Haverá pessoas morando na Lua no futuro.
Houve muitos acidentes na rodovia.
Deve haver bons programas na televisão neste final de ano.
Há vários dias não chove.

Mas cuidado! Se utilizarmos o próprio verbo EXISTIR ou OCORRER ou ACONTECER, haverá sujeito e com este os verbos concordarão, exemplos:
Existirão pessoas morando na Lua no futuro.
Ocorreram ou aconteceram muitos acidentes na rodovia.
Devem existir bons programas na televisão neste final de ano.



“TUDO POSSO NAQUELE QUE ME FORTALECE.” (Filipenses 4: 13)

EXERCÍCIOS DE CONCORDÂNCIA NOMINAL

I. Coloque C para as alternativas corretas e E para as erradas, fazendo as devidas correções:
( ) Quanto menos pessoas aparecerem, melhor.
( ) Muito obrigado, disse a jovem.
( ) Elas mesmas estão convencidas do plano.
( ) Todos estavam alerta para um possível combate.
( ) Modo e roupa enfeitados.
( ) É proibido a saída por esta porta.
( ) Foram repreendidos bastantes vezes.
( ) Seguem anexo as cartas.
( ) Fez tudo com entusiasmo e paixão arrebatadores.
( ) Eram discursos que traziam poesias em anexo.

II. Observe as frases abaixo:
I. Rose está meia decepcionada.
II. Estudou-se um e outro problema paralelos.
III. Visitaram lugares o mais possíveis belos.

Constata-se que está(ao) correta(s):
a. Apenas a I.
b. Apenas a II.
c. Apenas a III.
d. Apenas a I e II.
e. Apenas a I e III.

III. Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas.

Ela estava ___________ irritada e, à _____________ voz, com __________________ razões, dizia ____________________ desaforos.

a. meio – meia – bastantes – bastantes.
b. meia – meia – bastante – bastante.
c. meia – meia – bastantes – bastantes.
d. meio – meia – bastante – bastante.
e. meio – meia – bastante – bastantes.

IV. Assinale a alternativa errada quanto à concordância nominal.
a. Com opinião e propostas claras, desfez as dúvidas que pairavam sobre a questão.
b. Os empresários solicitaram tecnologia e financiamento estrangeiro.
c. O soldado era dotado de talento e coragem extraordinárias.
d. Todos os presentes manifestaram profundo pesar e dor.
e. Permaneciam silenciosos o juiz, a advogada e o réu.

V. Aponte a alternativa correta:

1. O esporte concede aspecto e saúde sempre renovado.
2. Biscoito ou bolachas estrangeiro.
3. Era o retrato de Maria com túnica e chapéu branco nas mãos.
4. Término e conclusão fabulosas.
5. O amor e a dedicação unidas trazem a paz e a felicidade.

VI. Preencha os espaços da frase abaixo com, respectivamente: MESMO, NECESSÁRIO, BASTANTE e PROJETADO, observando a concordância:

Ela ____________ me disse que seriam ________________________ ___________________ recursos para a construção do prédio e da piscina ____________________________ .

7. Assinale, dentre as frases abaixo, as opções corretas quanto à concordância nominal:
a. É meio-dia e meia.
b. Seguem anexo notas fiscais.
c. É proibido entrada.
d. Envio inclusas as faturas.
e. É proibida a entrada.
f. É permitido a entrada.
g. Seguem em anexo os documentos.

Responda as questões de 08 a 12 segundo o código:
a. apenas correta a I.
b. apenas correta a II.
c. apenas correta a III.
d. todas corretas.
e. todas erradas.

8.
I. É expressamente proibido entrada.
II. Maçã é muito boa para os dentes.
III. Será necessário esta atitude ?

9.
I. Encontrei rapazes e moças estudiosos.
II. Considero Teresa e Reinaldo estudiosos.
III. Nas férias, li bastantes livros.

10.
I. Encontrei menos dificuldades nesta prova.
II. Marta estava meia preocupada.
III. Seguia anexo ao envelope uma lista de preço.

11.
I. Ele tem lindos olhos azuis-claros.
II. Aprecio roupas cinzas.
III. Nunca imaginei que elas fossem pseudo-amigas.

12.
I. Eu mesmo, uma mulher experiente, cometo erros infantis.
II. Na sala, havia bastantes alimentos para todos.
III. É necessário, neste momento, a exatidão dos fatos.

13. Assinale a frase errada:
a. Ela mesmo fez o discurso de posse.
b. Seguem anexas as fotografias do acidente.
c. O exercício encontra-se nas páginas um e dois.
d. Nós próprios assumimos a responsabilidade.
e. Os meninos ficaram alerta.

14. (UM – SP) Na frase “As negociações estariam meio abertas só depois de meio período de trabalho”, as palavras grifadas são, respectivamente:
a. adjetivo – adjetivo.
b. advérbio – advérbio.
c. advérbio – adjetivo.
d. numeral – adjetivo.
e. numeral – advérbio.

15. (UM – SP) Marque a alternativa cuja seqüência preencha adequadamente as lacunas do seguinte período:
Nós _____________________ socorremos o rapaz e a moça _____________________ __________________________ .
a. mesmos – bastante – machucados.
b. Mesmo – bastantes – machucados.
c. Mesmos – bastantes – machucados.
d. Mesmo – bastante – machucada.
e. Mesmos – bastantes – machucada.

16. Concordância nominal. Observe as frases abaixo:
I. Falaram bastante vezes para que pudéssemos entender.
II. Nem um nem outro rapazes educados compareceram à festa.
III. Muito obrigado, disse a jovem.
IV. Comprou tecidos rosas.
V. Ela tem cabelos castanhos-escuros e olhos verdes-claros.
Constata-se que está(ao) correta(s):
a. Apenas a I e II.
b. Apenas a II e V.
c. Apenas a III e V.
d. Todas corretas.
e. Nenhuma correta.

17. Aponte a alternativa correta:
a. Horas e minutos marcadas no relógio de pulso.
b. Absorvido esforços e dinheiro.
c. Camarão e sardinha fresca precisam ser bem limpos.
d. Um desejo e uma alegria incompleto.
e. Esplêndidas inteligência e caráter distinguiam os homens.

18. Todas as concordâncias nominais estão corretas, exceto em:
a. Seguem anexo as notas promissórias.
b. Escolhemos má hora e lugar para a festa.
c. A justiça declarou culpado o réu e a ré.
d. A moça usava uma blusa verde-clara.
e. Estou quite com meus compromissos.

19. Assinale a alternativa correta:
a. É necessária organização.
b. Rosângela está meia decepcionada.
c. Comprou tecidos amarelos-canário.
d. Eles estão sempre alertas.
e. Ela possuía charme e arrogância demasiados.

20. Assinale a incorreta:
a. Envio-lhe anexa a declaração de óbito.
b. Envio-lhe em anexo a declaração de óbito.
c. Eu mesmo, na qualidade de defensora de meus direitos, irei ter ao juiz.
d. Estou quite com o clube.
e. Fizeram mesmo o serviço ?

21. Em todas as frases a concordância nominal se fez corretamente, exceto em:
a. Os soldados, agora, estão todos alerta.
b. Ela possuía bastante recursos para viajar.
c. As roupas das moças eram as mais belas possíveis.
d. Rosa recebeu o livro e disse: “Muito obrigada”.
e. Sairei de São Paulo hoje, ao meio-dia e meia.

22. Assinale a correta:
a. Será proibido a entrada aos retardatários.
b. Elas permaneceram meia desconfiadas.
c. O governo destinou bastantes verbas para o BNH.
d. Seguem anexo três certidões.
e. Eu mesmo, disse ela, cuidarei disso.


EXERCÍCIOS DE CONCORDÂNCIA VERBAL

1. Complete as lacunas abaixo com uma das formas entre parênteses ou com as duas se for possível. Obs.: se houver a possibilidade de usar as duas formas e você colocar apenas uma, a questão não será aceita.

a. Filmes, novelas, boas conversas, nada o________________ da tristeza (tirava/tiravam).
b. Se não ___________________________ as chuvas, como faremos ? (vier/vierem).
c. Algum de vós __________________________ a bolsa de estudo ? (conseguirá/conseguireis).
d. Os EUA ________________________________ um país muito rico. (é/são).
e. No relógio da matriz _______________________ cinco horas. (bateu/bateram).
f. Quais de nós ______________________________ no vestibular ? (passarão/passaremos).
g. ______________________________ no porta-luvas o revólver e os documentos. (ficou/ficaram).
h. O elogio e o louvor ___________________________ o moral (levanta/levantam).
i. Não nos ___________________________________ as suas razões. (interessa/interessam).
j. A manada de búfalos se _____________________________________ (dispersou/dispersaram).

2. Coloque C nas alternativas corretas e E nas erradas. Obs.: as alternativas erradas devem ser corrigidas, caso contrário, a questão não será aceita.

( ) Quais de vós falareis ao povo ?
( ) Os Lusíadas são uma grande epopéia.
( ) Paulo e vós viajarão ?
( ) Deve existir modos de aproveitar essa energia.
( ) Recebi eu e ele uma boa proposta.

3. Coloque P para partícula apassivadora e I para índice de indeterminação do sujeito.

( ) Propôs-se uma solução para o caso.
( ) Assistiu-se ao filme.
( ) Viam-se os pássaros na árvore.
( ) Necessita-se de muita ajuda.
( ) Entregou-se o documento do carro.

4. Leia atentamente a frase abaixo, se houver algum erro de concordância verbal, corrija e justifique a sua correção. Se não houver erro, apenas justifique porque a frase foi escrita dessa maneira.

“ Compra-se discos antigos.”








5. Leia atentamente a frase abaixo, se houver algum erro de concordância verbal, corrija e justifique a sua correção. Se não houver erro, apenas justifique por que a frase foi escrita dessa maneira.

“Chegou ontem o presidente e os ministros.”







6. Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas.

_______________ muitos anos que eu não via uma boneca como essa, igual àquelas que ___________________ antigamente e que hoje em dia não ______________ mais.
a. faziam – haviam – existem.
b. fazia – havia – existem.
c. faziam – haviam – existe.
d. fazia – havia – existe.
e. faziam – havia – existem.

7. Assinale a opção correta, quanto à concordância verbal:
a. Faziam verões incríveis na Bahia.
b. Havia mortos por todos os lados.
c. Deviam haver pessoas capazes naquele lugar.
d. Houveram combates sangrentos.
e. Alternativas B e C estão corretas.

8. Concordância verbal. Dadas as opções:
I. Amanhã serão 26 de novembro.
II. São eles quem paga todas as despesas.
III. Entre nós não devem haver preconceitos.

Constata-se que está(ao) incorreta(s):
a. Apenas a I.
b. Apenas a II.
c. Apenas a III.
d. Todas as alternativas.
e. Nenhuma das alternativas.

9. Nas duas margens _______________________ relva abundante; contudo, lá onde _____________________ ervas perigosas, no matagal, é que ___________________________ os bois e os cavalos.
a. crescem – existem – pastavam.
b. cresce – existem – pastavam.
c. cresce – existe – pastava.
d. cresce – existe – pastavam.
e. crescem – existe – pastava.

10. Assinale a frase incorreta.
a. Tudo era memórias de alegria.
b. O Brasil, senhores, sois vós.
c. Sete anos era muito, não se pode esperar tanto.
d. “A cama são umas palhas.”
e. Hoje são quinze de outubro.

11. Assinale a frase correta.
a. Já vai fazer cinco anos que moro em Brasília.
b. Falta apenas dois meses para o término do semestre letivo.
c. Se lhe interessar pormenores, dar-lhe-ei os respectivos nomes.
d. Não faltou repórteres abelhudos que procuravam entrevistar os recém-casados.
e. Não podiam mais haver contemporizações.

12. Verbos haver, fazer e dar. Assinale a frase correta.
a. Sempre haverão vozes discordantes.
b. Vão fazer três anos, a contar do momento em que comecei o projeto.
c. Deu duas horas na torre, é agora !
d. Deram duas horas o relógio, é agora !
e. Hão de trazer o que me prometeram ! Ora se hão !

13. Das alternativas abaixo, qual a que admite PARECIA para preenchimento da respectiva lacuna.
a. Nervos que _____________________ arrebentar neste exato momento.
b. As palmeiras ____________________ inclinarem-se à nossa passagem.
c. Minhas intenções já ___________________________ desvanecer-se.
d. As estrelas _______________________ piscar para nós, quando éramos crianças.
e. Eles ______________________ não ter ainda boas idéias.

14. “Um grupo de estudantes invadiram o passeio”. Neste período:
a. Há um erro de concordância: o sujeito coletivo exige invariavelmente o verbo no singular.
b. O verbo deveria estar no singular, uma vez que o coletivo vem precedido do numeral um.
c. A concordância é correta, uma vez que o coletivo vem seguido de adjunto no plural, possibilitando que o uso do verbo seja no singular, seja no plural.
d. Há dois erros de concordância.
e. A concordância é correta, pois sujeito composto pede verbo no plural.

15. Assinale a alternativa errada.
a. Qual de vós escolheu este filme ?
b. Na verdade, somos nós que venceu a competição.
c. Grande quantidade de armamentos foram mandados para a Coréia do Norte.
d. Eles lêem o nosso jornal, diariamente.
e. Qual de nós irá sair com você ?

16. Não __________ eu que _________________ ao desamparo um pai idoso, a quem a velhice, a idade avançada ____________________ do sustento próprio.
a. foi – deixou – privaram.
b. fui – deixei – privou.
c. fui – deixou – privou.
d. foi – deixei – privou.
e. foi – deixei – privaram.

17. Assinale a incorreta:
a. Dois cruzeiros é pouco para esse fim.
b. Nem tudo são sempre tristezas.
c. Quem fez isso foram vocês.
d. Era muito árdua a tarefa que os mantinham juntos.
e. Quais de vós ainda tendes paciência ?

18. “Duzentos gramas é suficiente para pulverizar.” Esta concordância é possível ? Sim ou Não ? Por quê ?

a. Sim, porque é uma expressão numérica que se considera em sua totalidade.
b. Não, porque gramas está no plural e significa peso.
c. Sim, porque o sujeito indica quantidade e suficiente é advérbio de intensidade.
d. Sim, o numeral duzentos leva o verbo para o singular porque indica quantidade.
e. Não, porque o núcleo do sujeito é plural e pede verbo no plural.

19. ________ fazer cinco meses que não a vemos; ________________ existir motivos imperiosos para a sua ausência, pois se não ________________________, ela já nos teria procurado.
a. Vai – deve – houvessem.
b. Vai – devem – houvesse.
c. Vão – deve – houvessem.
d. Vão – devem – houvesse.
e. Vão – devem – houvessem.

20. Assinale a alternativa em que a concordância do verbo haver ou do verbo existir não esteja de acordo com a norma culta.
a. Até àquela hora os policiais ainda não haviam achado o corpo.
b. Se houvesse melhores condições de ensino, existiriam melhores resultados.
c. Se existissem melhores condições de ensino, haveria melhores resultados.
d. Se houvesse melhores condições de ensino, poderia existir melhores resultados.
e. Se existissem melhores condições de ensino, poderia haver melhores resultados.

21. Indique a alternativa correta.
a. Tratavam-se de questões fundamentais.
b. Comprou-se terrenos no subúrbio.
c. Precisam-se de datilógrafas.
d. Reformam-se ternos.
e. Obedeceram-se aos severos regulamentos.

“Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados.” (Mateus 7:01-02).



REGÊNCIA

As palavras de uma oração são interdependentes, isto é, relacionam-se entre si para formar um todo significativo. Essa relação necessária que se estabelece entre duas palavras, uma das quais serve de complemento a outra é o que se chama REGÊNCIA.
A palavra dependente denomina-se REGIDA, e o termo a que ela se subordina, REGENTE. Se o termo regente for um verbo, teremos regência VERBAL e se o termo regente for um nome, teremos regência NOMINAL.
Tão numerosos são os verbos e os nomes e as regências que entre eles se estabelecem que o seu estudo constitui uma das maiores dificuldades no trato de qualquer língua; existindo, inclusive, dicionários especializados nesse assunto.
A REGÊNCIA NOMINAL consiste na relação de dependência que se estabelece entre os nomes (substantivos e adjetivos). Os elementos dependentes recebem, na análise sintática, o nome de complemento nominal.
Eis alguns exemplos de regência nominal: substantivos e adjetivos acompanhados de suas preposições mais freqüentes.

Apto: a, para.
Aos dezoito anos, os jovens estão aptos ao trabalho ou para o trabalho.

Dúvida: em, sobre.
Tivemos dúvida em matemática.
Tivemos dúvida sobre qual atitude tomar.

Rigoroso: com, em.
O pai é rigoroso com o filho.
Márcia é rigorosa em assuntos de arte.

Semelhante: a.
Nunca vi nada semelhante a isso.

Vizinho: a, de.
Seu escritório é vizinho ao meu.
Nós éramos vizinhos dos Menezes.

Apresentamos aqui uma pequena relação de substantivos e adjetivos acompanhados de suas preposições mais usuais:
afável com, para com dúvida acerca de, de, em, sobre
aflito com, por empenho de, em, por
alheio a, de fácil a, de, para
aliado a, com falho de, em
antipatia a, contra, por feliz com, de, em, por
apto a, para fértil de, em
atencioso com, para com hostil a, para com
aversão a, para, por imune a, de
avesso a junto a, de
compaixão de, para com, por lento em
confome a, com peculiar a
constituído com, de, por próximo a, de
contente com, de, em, por respeito a, com, de, para com, por
cruel com, para, para com simpatia a, para com, por
curioso de, por situado a, em, entre
desgostoso com, de suspeito a, de
desprezo a, de, por último a, de, em
devoção a, para com, por união a, com, entre
devoto a, de vizinho a, com, de

Regência Verbal
A regência estuda a relação existente entre os termos de uma oração ou entre as orações de um período.

A regência verbal estuda a relação de dependência que se estabelece entre os verbos e seus complementos. Na realidade o que estudamos na regência verbal é se o verbo é transitivo direto, transitivo indireto, transitivo direto e indireto ou intransitivo e qual a preposição relacionada com ele.


Verbos Transitivos Diretos
São verbos que indicam que o sujeito pratica a ação, sofrida por outro elemento, denominado objeto direto.

Por essa razão, uma das maneiras mais fáceis de se analisar se um verbo é transitivo direto é passar a oração para a voz passiva, pois somente verbo transitivo direto admite tal transformação, além de obedecer, pagar e perdoar, que, mesmo não sendo VTD, admitem a passiva.

O objeto direto pode ser representado por um substantivo ou palavra substantivada, uma oração (oração subordinada substantiva objetiva direta) ou por um pronome oblíquo.

Os pronomes oblíquos átonos que funcionam como objeto direto são os seguintes: me, te, se, o, a, nos, vos, os, as.

Os pronomes oblíquos tônicos que funcionam como objeto direto são os seguintes: mim, ti, si, ele, ela, nós, vós, eles, elas.

Como são pronomes oblíquos tônicos, só são usados com preposição, por isso se classificam como objeto direto preposicionado.

Vamos à lista, então, dos mais importantes verbos transitivos diretos: Há verbos que surgirão em mais de uma lista, pois têm mais de um significado e mais de uma regência.


Aspirar será VTD, quando significar sorver, absorver.
Como é bom aspirar a brisa da tarde.

Visar será VTD, quando significar mirar ou dar visto.
O atirador visou o alvo, mas errou o tiro.
O gerente visou o cheque do cliente.

Agradar será VTD, quando significar acariciar ou contentar.
A garotinha ficou agradando o cachorrinho por horas.
Para agradar o pai, ficou em casa naquele dia.

Querer será VTD, quando significar desejar, ter a intenção ou vontade de, tencionar.
Sempre quis seu bem.
Quero que me digam quem é o culpado.

Chamar será VTD, quando significar convocar.
Chamei todos os sócios, para participarem da reunião.

Implicar será VTD, quando significar fazer supor, dar a entender; produzir como conseqüência, acarretar.
Os precedentes daquele juiz implicam grande honestidade.
Suas palavras implicam denúncia contra o deputado.

Desfrutar e Usufruir são VTD sempre.
Desfrutei os bens deixados por meu pai.
Pagam o preço do progresso aqueles que menos o desfrutam. (e não desfrutam dele, como foi escrito no tema da redação da UEL em julho de 1996)

Namorar é sempre VTD. Só se usa a preposição com, para iniciar Adjunto Adverbial de Companhia. Esse verbo possui os significados de inspirar amor a, galantear, cortejar, apaixonar, seduzir, atrair, olhar com insistência e cobiça, cobiçar.
Joanilda namorava o filho do delegado.
O mendigo namorava a torta que estava sobre a mesa.
Eu estava namorando este cargo há anos.

Compartilhar é sempre VTD.
Berenice compartilhou o meu sofrimento.

Esquecer e Lembrar serão VTD, quando não forem pronominais, ou seja, caso não sejam usados com pronome, não serão usados também com preposição.
Esqueci que havíamos combinado sair.
Ela não lembrou o meu nome.


Verbos Transitivos Indiretos
São verbos que se ligam ao complemento por meio de uma preposição. O complemento é denominado objeto indireto.

O objeto indireto pode ser representado por um substantivo, ou palavra substantivada, uma oração (oração subordinada substantiva objetiva indireta) ou por um pronome oblíquo.

Os pronomes oblíquos átonos que funcionam como objeto indireto são os seguintes: me, te, se, lhe, nos, vos, lhes.

Os pronomes oblíquos tônicos que funcionam como objeto indireto são os seguintes: mim, ti, si, ele, ela, nós, vós, eles, elas.

Vamos à lista, então, dos mais importantes verbos transitivos indiretos: Há verbos que surgirão em mais de uma lista, pois têm mais de um significado e mais de uma regência.
Verbos Transitivos Indiretos, com a prep. a:

Aspirar será VTI, com a prep. a, quando significar almejar, objetivar.
Aspiramos a uma vaga naquela universidade.

Visar será VTI, com a prep. a, quando significar almejar, objetivar.
Sempre visei a uma vida melhor.

Agradar será VTI, com a prep. a, quando significar ser agradável; satisfazer.
Para agradar ao pai, estudou com afinco o ano todo.

Querer será VTI, com a prep. a, quando significar estimar.
Quero aos meus amigos, como aos meus irmãos.

Assistir será VTI, com a prep. a, quando significar ver ou ter direito.
Gosto de assistir aos jogos do Santos.
Assiste ao trabalhador o descanso semanal remunerado.

Custar será VTI, com a prep. a, quando significar ser difícil. Nesse caso o verbo custar terá como sujeito aquilo que é difícil, nunca a pessoa, que será objeto indireto.
Custou-me acreditar em Hipocárpio, e não Eu custei a acreditar...

Proceder será VTI, com a prep. a, quando significar dar início.
Os fiscais procederam à prova com atraso.

Obedecer e desobedecer são sempre VTI, com a prep. a.
Obedeço a todas as regras da empresa.

Revidar é sempre VTI, com a prep. a.
Ele revidou ao ataque instintivamente.

Responder será VTI, com a prep. a, quando possuir apenas um complemento.
Respondi ao bilhete imediatamente.
Respondeu ao professor com desdém.
Caso tenha dois complementos, será VTDI, com a prep. a.

Alguns verbos transitivos indiretos, com a prep. a, não admitem a utilização do complemento lhe. No lugar, deveremos colocar a ele, a ela, a eles, a elas. Dentre eles, destacam-se os seguintes:

Aspirar, visar, assistir(ver), aludir, referir-se, anuir.
Quando houver, na oração, um verbo transitivo indireto, com a prep. a, seguido de um substantivo feminino, que exija o artigo a, ocorrerá o fenômeno denominado crase, que deve ser caracterizado pelo acento grave (à ou às).
Assisti à peça das meninas do terceiro colegial.

Verbos Transitivos Indiretos, com a prep. com:

Simpatizar e Antipatizar sempre são VTI, com a prep. com. Não são verbos pronominais, portanto não existe o verbo simpatizar-se, nem antipatizar-se.
Sempre simpatizei com Eleodora, mas antipatizo com o irmão dela.

Implicar será VTI, com a prep. com, quando significar antipatizar.
Não sei por que o professor implica comigo.

Verbos Transitivos Indiretos, com a prep. de:

Esquecer-se e lembrar-se serão VTI, com a prep. de, quando forem pronominais, ou seja, somente quando forem usados com pronome, poderão ser usados com a prep. de.
Esqueci-me de que havíamos combinado sair.
Ela não se lembrou do meu nome.

Proceder será VTI, com a prep. de, quando significar derivar-se, originar-se.
Esse mau-humor de Pedro procede da educação que recebeu.

Verbos Transitivos Indiretos, com a prep. em:

Consistir é sempre VTI, com a prep. em. Esse verbo significa cifrar-se, resumir-se ou estar firmado, ter por base, ser constituído por.
O plano consiste em criar uma secretaria especial.

Sobressair é sempre VTI, com a prep. em. Não é verbo pronominal, portanto não existe o verbo sobressair-se.
Quando estava no colegial, sobressaía em todas as matérias.

Verbos Transitivos Indiretos, com a prep. por:

Torcer é VTI, com a prep. por. Pode ser também verbo intransitivo. Somente neste caso, usa-se com a prep. para, que dará início a Oração Subordinada Adverbial de Finalidade. Para ficar mais fácil, memorize assim: Torcer por + substantivo ou pronome. Torcer para + oração (com verbo).
Estamos torcendo por você.
Estamos torcendo para você conseguir seu intento.

Chamar será VTI, com a prep. por, quando significar invocar.
Chamei por você insistentemente, mas não me ouviu.


Verbos Transitivos Diretos e Indiretos
São os verbos que possuem os dois complementos - objeto direto e objeto indireto.

Chamar será VTDI, com a prep. a, quando significar repreender.
Chamei o menino à atenção, pois estava conversando durante a aula.
Chamei-o à atenção.
Obs.: A expressão Chamar a atenção de alguém não significa repreender, e sim fazer-se notado. Por exemplo: O cartaz chamava a atenção de todos que por ali passavam.

Implicar será VTDI, com a prep. em, quando significar envolver alguém.
Implicaram o advogado em negócios ilícitos.

Custar será VTDI, com a prep. a, quando significar causar trabalho, transtorno.
Sua irresponsabilidade custou sofrimento a toda a família.

Agradecer, Pagar e Perdoar são VTDI, com a prep. a. O objeto direto sempre será a coisa, e o objeto indireto, a pessoa.
Agradeci a ela o convite.
Paguei a conta ao Banco.
Perdôo os erros ao amigo.

Pedir é VTDI, com a prep. a. Sempre deve ser construído com a expressão Quem pede, pede algo a alguém. Portanto é errado dizer Pedir para que alguém faça algo.
Pedimos a todos que tragam os livros.

Preferir é sempre VTDI, com a prep. a. Com esse verbo, não se deve usar mais, muito mais, mil vezes, nem que ou do que.
Prefiro estar só a ficar mal-acompanhado.

Avisar, advertir, certificar, cientificar, comunicar, informar, lembrar, noticiar, notificar, prevenir são VTDI, admitindo duas construções: Quem informa, informa algo a alguém ou Quem informa, informa alguém de algo.
Advertimos aos usuários que não nos responsabilizamos por furtos ou roubos.
Advertimos os usuários de que não nos responsabilizamos por furtos ou roubos.
Quando houver, na oração, um verbo transitivo direto e indireto, com a prep. a, seguido de um substantivo feminino, que exija o artigo a, ocorrerá o fenômeno denominado crase, que deve ser caracterizado pelo acento grave (à ou às).
Advertimos às alunas que não poderiam usar a sala fora do horário de aula.

Verbos Intransitivos
São os verbos que não necessitam de complementação. Sozinhos, indicam a ação ou o fato.

Assistir será intransitivo, quando significar morar.
Assisto em Londrina desde que nasci.

Custar será intransitivo, quando significar ter preço.
Estes sapatos custaram R$50,00.

Proceder será intransitivo, quando significar ter fundamento.
Suas palavras não procedem!

Morar, residir e situar-se sempre são intransitivos.
Moro em Londrina; resido no Jardim Petrópolis; minha casa situa-se na rua Cassiano Ricardo.

Deitar-se e levantar-se são sempre intransitivos.
Deito-me às 22h e levanto-me às 6h.

Ir, vir, voltar, chegar, cair, comparecer e dirigir-se são intransitivos. Aparentemente eles têm complemento, pois Quem vai, vai a algum lugar. Porém a indicação de lugar é circunstância, e não complementação. Classificamos como Adjunto Adverbial de Lugar. Alguns gramáticos classificam como Complemento Circunstancial de Lugar.

Esses verbos exigem a prep. a, na indicação de destino, e de, na indicação de procedência.

Só se usa a prep. em, na indicação de meio, instrumento.
Cheguei de Curitiba há meia hora.
Vou a São Paulo no avião das 8h.

Quando houver, na oração, um verbo intransitivo, com a prep. a, seguido de um substantivo feminino, que exija o artigo a, ocorrerá o fenômeno denominado crase, que deve ser caracterizado pelo acento grave (à ou às).
Vou à Bahia.


Verbos de regência oscilante

VTD ou VTI, com a prep. a:

Assistir pode ser VTD ou VTI, com a prep. a, quando significar ajudar, prestar assistência.
Minha família sempre assistiu o Lar dos Velhinhos.
Minha família sempre assistiu ao Lar dos Velhinhos.

Chamar pode ser VTD ou VTI, com a prep. a, quando significar dar qualidade. A qualidade pode vir precedida da prep. de, ou não.
Chamaram-no irresponsável.
Chamaram-no de irresponsável.
Chamaram-lhe irresponsável.
Chamaram-lhe de irresponsável.

Atender pode ser VTD ou VTI, com a prep. a.
Atenderam o meu pedido prontamente.
Atenderam ao meu pedido prontamente.

Anteceder pode ser VTD ou VTI, com a prep. a.
A velhice antecede a morte.
A velhice antecede à morte.

Presidir pode ser VTD ou VTI, com a prep. a.
Presidir o país.
Presidir ao país.

Renunciar pode ser VTD ou VTI, com a prep. a.
Nunca renuncie seus sonhos.
Nunca renuncie a seus sonhos.

Satisfazer pode ser VTD ou VTI, com a prep. a.
Não satisfaça todos os seus desejos.
Não satisfaça a todos os seus desejos.

VTD ou VTI, com a prep. de:

Precisar e necessitar podem ser VTD ou VTI, com a prep. de.
Precisamos pessoas honestas.
Precisamos de pessoas honestas.

Abdicar pode ser VTD ou VTI, com a prep. de, e também VI.
O Imperador abdicou o trono.
O Imperador abdicou do trono.
O Imperador abdicou.

Gozar pode ser VTD ou VTI, com a prep. de.
Ele não goza sua melhor forma física.
Ele não goza de sua melhor forma física.

VTD ou VTI, com a prep. em:

Acreditar e crer podem ser VTD ou VTI, com a prep. em.
Nunca cri pessoas que falam muito de si próprias.
Nunca cri em pessoas que falam muito de si próprias.

Atentar pode ser VTD ou VTI, com a prep. em, ou com as prep. para e por.
Em suas redações atente a ortografia.
Deram-se bem os que atentaram nisso.
Não atentes para os elementos supérfluos.
Atente por si, enquanto é tempo.

Cogitar pode ser VTD ou VTI, com a prep. em, ou com a prep. de.
Começou a cogitar uma viagem pelo litoral brasileiro.
Hei de cogitar no caso.
O diretor cogitou de demitir-se.

Consentir pode se VTD ou VTI, com a prep. em.
Como o pai desse garoto consente tantos agravos?
Consentimos em que saíssem mais cedo.

VTD ou VTI, com a prep. por:

Ansiar pode ser VTD ou VTI, com a prep. por.
Ansiamos dias melhores.
Ansiamos por dias melhores.

Almejar pode ser VTD ou VTI, com a prep. por, ou VTDI, com a prep. a.
Almejamos dias melhores.
Almejamos por dias melhores.
Almejamos dias melhores ao nosso país.

VI ou VTI, com a prep. a:

Faltar, Bastar e Restar podem ser VI ou VTI, com a prep. a.
Muitos alunos faltaram hoje.
Três homens faltaram ao trabalho hoje.
Resta aos vestibulandos estudar bastante.
Na última frase apresentada não há erro algum, como à primeira vista possa parecer. A tendência é de o aluno concordar o verbo estudar com a palavra vestibulando, construindo a oração assim: Resta os vestibulandos estudarem. Porém essa construção está totalmente errada, pois o verbo é transitivo indireto, portanto resta a alguém. Então vestibulandos funciona como objeto indireto e não como sujeito. Nenhum verbo concorda com o objeto indireto.

Quando houver, na oração, um verbo transitivo indireto, com a prep. a, seguido de um substantivo feminino, que exija o artigo a, ocorrerá o fenômeno denominado crase, que deve ser caracterizado pelo acento grave (à ou às).
Assisti à peça das meninas do terceiro colegial.

VI ou VTD

Pisar pode ser VI ou VTD. Quando for VI, admitirá a prep. em, iniciando Adjunto Adverbial de Lugar.
Pisei a grama para poder entrar em casa.
Não pise no tapete, menino!


EXERCÍCIOS: REGÊNCIA

01. Assinale a correta:
a. A mãe perdoou a filha.
b. Devo obedecer os sinais de trânsito.
c. Cheguei na casa de meu pai cansado.
d. O excelente jogo que o povo assistiu, mostrou que o futebol ainda pode ser emocionante.
e. Pensamentos negativos implicam pessoas negativas.

02. Regência verbal. Assinale a opção correta:
a. Prefiro coca-cola que cerveja.
b. Sua casa situa-se na Rua Néo Alves Martins.
c. Esta é a música de que não esqueço.
d. A excursão que iremos ocorrerá em janeiro.
e. Alternativas A e C estão corretas.

03. Assinale a alternativa em que a regência verbal não esteja de acordo com a norma culta:
a. Não informaram aos interessados o ocorrido.
b. Não informaram os interessados sobre o ocorrido.
c. Não informaram aos interessados sobre o ocorrido.
d. Vieram informá-los de que as tropas já estavam nas ruas.
e. Informaram-lhe que haveria atraso.

04. Observe o verbo ASPIRAR nas frases “aspirou o ar” e “aspirou à glória”. Tal verbo:
a. apresenta a mesma regência e o mesmo sentido nas duas orações.
b. embora apresente regências diferentes, ele tem sentido equivalente nas duas orações.
c. poderia vir regido de preposição também na primeira oração sem que se modificasse o sentido dela.
d. apresenta regência e sentidos diferentes nas duas orações.
e. embora tenha o mesmo sentido nas duas orações, ele apresenta regência diferente em cada uma delas.

05. Complete com preposições, artigos ou deixe em branco conforme convier:
a. Maria chegou ________ fazenda cansada.
b. Esqueci _________ entradas para o teatro.
c. O povo assistiu _______ um excelente espetáculo de futebol.
d. Devemos obedecer __________ os sinais de trânsito.
e. Pensamentos negativos implicam __________ pessoas pessimistas.
f. João simpatizou ___________ sua prima.
g. Prefiro um bom filme __________ um espetáculo circense.
h. Carlos, ______________ quem Sônia namora ?
i. O pai perdoou ___________ filho.
j. Dirigiu-se ____________ casa de seus pais.

06. Complete, usando o pronome adequado:
I. Você pagou a dívida ? Sim, paguei- _____ .
II. Você pagou o homem ? Sim, paguei- ______ .
III. Você ama este rapaz ? Não, não ______ amo.
IV. Isto pertence a esta pessoa ? Não, isto não _________ pertence.
V. Você cumprimentou o professor ? Sim, cumprimentei-______ .
VI. Você obedece a este homem ? Sim, obedeço- ________ .
VII. Você quer a seus amigos ? Sim, Quero- _________ .
VIII. Você quer o livro ? Sim, quero- ________ .
IX. Você assistiu a este filme ? Sim, assisti _________ .
X. Você aspira a este cargo ? Sim, aspiro __________ .

07. Observe a regência verbal e assinale a alternativa que não contraria a norma culta:
a. Amanhã voltarei na loja para trocar o sapato.
b. Pedro assistiu a um bom espetáculo.
c. Ele prefere mais televisão do que cinema.
d. Informei-lhe do resultado do exame.
e. Só cheguei em casa bem tarde.

08. (UM – SP) Assinale a alternativa incorreta quanto à regência verbal:
a) Ele custara muito para me entender.
b) Hei de querer-lhe como se fosse minha filha.
c) Em todos os recantos do sítio, as crianças sentem-se felizes, porque aspiram o ar puro.
d) O presidente assiste em Brasília há quatro anos.
e) Chamei-lhe sábio, pois sempre soube decifrar os enigmas da vida.

09. Obedeça- ______, estime- _______ e ___________ sempre que precisar.
a) os – os – recorra a eles.
b) lhes – os – recorra a eles.
c) lhes – lhes – recorra-lhes.
d) os – lhes – recorra-lhes.
e) os – lhes – recorra a eles.

10. Quanto a amigos, prefiro João _______ Paulo, ________ quem sinto ____________ simpatia.
a) a – por – menos.
b) do que – por – menos.
c) a – para – menas.
d) do que – com – menas.
e) do que – para – menos.

11. Complete os pontilhados, usando a preposição ou o artigo adequado, se necessário. Caso contrário, deixe em branco.
I. A desatenção do motorista implicou _____ acidente com vítimas.
II. Sempre obedecia _________ mais velhos.
III. Aspiramos ________ perfume das flores.
IV. O cargo ________ que aspiramos é disputado por todos.
V. O filme ________ que assisti era nacional.
VI. É um direito que assiste ______ empregados.
VII. Esqueci _______ documento.
VIII. Esqueci-me _________ documento.
IX. As pessoas lembraram com tristeza _________ ocorrido.
X. As pessoas se lembraram com tristeza ________ ocorrido.
XI. Visamos ________ uma boa classificação nos exames.

12. Assinale a alternativa em que o uso do verbo custar não está de acordo com a norma culta:
a) Custou-me entender o fato.
b) Custou ao aluno entender o fato.
c) Custa-me resolver este problema.
d) O trabalho custou muito esforço ao aluno.
e) O aluno custou para entender o exercício.

13. Só não _____________ louco, porque ______________ muito bem.
a) o chamei – lhe quero.
b) o chamei de – o quero.
c) chamei-o – quero-lhe.
d) lhe chamei – quero-o.
e) lhe chamei de – o quero.

14. Troque o verbo em destaque pelos verbos apresentados e faça as devidas adaptações:
Este é o filme que o aluno viu.

a) assistir

b) acreditar

c) gostar

d) opor-se

e) simpatizar

São opiniões a que aspiro.

f) pensar

g) referir-se

h) crer

i) duvidar

j) acreditar

Este é o autor cuja obra conheço.

k) gostar

l) referir-se

m) acreditar

n) simpatizar

o) duvidar

15. Preencha as lacunas utilizando as preposições adequadas (caso de regência nominal):
I. Este exercício é acessível _____ todos os alunos.
II. Este problema é análogo _____ outro.
III. Moro num apartamento contíguo _______ seu.
IV. Ele estava descontente _______ a nota.
V. Estamos habituados ________ resolver os problemas.
VI. Sua atitude é incompatível ________ o ambiente.
VII. O pai era liberal __________ os filhos.
VIII. Este remédio é nocivo _______ organismo.
IX. Aquele artista era versado ______ música.
X. Foi grande a aversão popular ______ reformas do Plano Real.

“CRÊ NO SENHOR JESUS E SERÁS SALVO TU E TUA CASA.” (Atos 16: 31).

- O pronome oblíquo o (a, os, a) funciona como objeto direto, ao passo que o pronome lhe (lhes) funciona como objeto indireto. Em vista disso, leia com atenção a seguinte lista:

Verbos transitivos diretos
abraçar (abraçá-lo) acudir (acudi-lo)
adorar (adorá-lo) ajudar (ajudá-lo)
amar (amá-lo) compreender (compreendê-lo)
convidar (convidá-lo) cumprimentar (cumprimentá-lo)
entender (entendê-lo) estimar (estimá-lo)
estimular (estimulá-lo) julgar (julgá-lo)
namorar (namorá-lo) ouvir (ouvi-lo)
prejudicar (prejudicá-lo) ver (vê-lo)
visitar (visitá-lo)

Verbos transitivos indiretos
caber (caber-lhe) convir (convir-lhe)
desobeder (desobedecer-lhe) obedecer (obedecer-lhe)
pertencer (pertencer-lhe)



COLOCAÇÃO PRONOMINAL

Sintaxe de COLOCAÇÃO ou de ordem é aquela que trata da maneira de dispor os termos dentro da oração e as orações dentro do período.
A colocação, dentro de um idioma, obedece a tendências variadas, quer de ordem estritamente gramatical, quer de ordem psicológica ou estilística. O maior responsável pela ordem favorita numa língua ou grupo de línguas parece ser a entoação oracional.
Isso nos leva a uma ordem considerada direta, usual ou habitual, que, na língua portuguesa, consiste em enunciar, em primeiro lugar, o sujeito, depois o verbo e, em seguida, os seus complementos.
A ordem que saia do esquema SVC (sujeito – verbo – complemento) se diz inversa ou ocasional.
Sendo a ordem direta um padrão sintático, a ordem inversa, como afastamento da norma, pode adquirir valor estilístico. E, realmente, lança-se mão da ordem inversa para enfatizar esse ou aquele termo oracional.
Dentre os problemas da sintaxe de colocação, vamos destacar, neste momento, a questão da colocação dos pronomes oblíquos átonos.
Durante muito tempo, viu-se o problema da colocação pronominal apenas pelo aspecto sintático, dentro da teoria da “atração” de algumas palavras como “não”, “que”, certas conjunções e tantos outros vocábulos. Mas, felizmente, passou-se a considerar o assunto também pelo aspecto fonético. Abriram-se, com isso, os horizontes, observou-se que a colocação dos pronomes oblíquos átonos está intrinsicamente ligada à harmonia da frase, ao seu equilíbrio, à sua sonoridade. Chegou-se à conclusão de que muitas das regras estabelecidas pelos puristas ou estavam erradas, ou se aplicavam em especial atenção ao falar lusitano. A gramática, alicerçada na tradição literária, ainda não se dispôs a fazer concessões a algumas tendências do falar de brasileiros cultos e não leva em conta as possibilidades estilísticas que os escritores conseguem extrair da colocação de pronomes átonos.
Em relação ao verbo, o pronome átono pode estar:
1. ENCLÍTICO, isto é, depois do verbo: Calei-me.
2. PROCLÍTICO, isto é, antes do verbo: Eu me calei.
3. MESOCLÍTICO, isto é, no meio do verbo: Calar-me-ei.

Essas colocações estão alicerçadas, como vimos, à questão de harmonia, de sonoridade e, também, a padrões sintáticos. Segundo as normas gramaticais da Língua Portuguesa, baseadas na regra lusitana, a ordem lógica, normal é a ÊNCLISE. Todavia, no português falado no Brasil, prevalece o uso da PRÓCLISE.

A PRÓCLISE é preferida:
4. nas orações que contêm uma palavra negativa (não, nunca, jamais, ...);
Não me deixe sozinha.
5. nas orações iniciadas por pronomes ou advérbios interrogativos;
Quem te contou esta mentira ?
6. nas orações exclamativas iniciadas por palavras exclamativas;
Como se iludem esses rapazes !
7. nas orações optativas (que exprimem desejo);
Deus te ilumine!
8. nas orações subordinadas:
Já era tarde, quando me deitei.
Pedro disse que a ajudou.
9. quando o verbo vem antecedido do advérbio, desde que este não tenha pausa;
Apenas ontem nos trouxeram a encomenda.
10. quando o verbo vem antecedido de pronome indefinido ou demonstrativo;
Tudo me agradou naquele lugar.
Isso me parece tolice.
11. com verbo no gerúndio, antecedido pela preposição EM;
Em se tratando de Física, sou leiga.

Observações: 1ª) Segundo os autores Cunha & Cintra (1985: 304) e Faraco & Moura (1998: 563), nas orações coordenadas sindéticas alternativas também deve ocorrer próclise: Ora dança, ora se põe a cantar.
2ª) Segundo Platão Savioli (1992: 206), verbo no infinitivo pessoal precedido de preposição é caso que pede o uso da próclise. Por se acharem infalíveis, caíram no ridículo.

A ÊNCLISE é exigida pela norma padrão nas seguintes situações:
12. quando a oração for iniciada por verbo;
Detiveram-se no espelho.
13. quando o verbo está no imperativo afirmativo;
Calem-se !
14. depois de pausas;
Hoje, sinto-me como um passarinho.
15. com verbo no gerúndio, desde que não venha precedido da preposição EM;
A mãe saiu, deixando-os a sós.
16. com verbo no infinitivo impessoal antecedido pela preposição A: (obrigatório)
Ficou a observá-los.
Ele começou a imitá-la.
Obs.: com verbo no infinitivo impessoal regido por preposição PARA ou DE, embora a ênclise seja a forma preferida, é possível usar a próclise.
Não trouxe o bicho para maltratá-lo.
Cantava docemente para me embalar.
“E ah! que desejo de a tomar nos braços...” (O. Bilac)
Para não fitá-lo, deixei os olhos caírem. (observe, neste exemplo, que é possível usar a ênclise, apesar da palavra negativa).

A MESÓCLISE só é possível com verbos no futuro do presente ou do pretérito, desde que não haja caso que exija a próclise:
Dir-te-ei toda a verdade. (futuro do presente)
Recebê-lo-ia com muito prazer,se viesse, mas... (futuro do pretérito)
Não lhe esconderei nada.

É preciso, para finalizarmos, chamar a atenção para a colocação pronominal em LOCUÇÕES VERBAIS. Nas locuções verbais em que o verbo principal está no infinitivo ou no gerúndio, desde que não haja caso que exija a próclise, pode dar-se:
17. ênclise ao verbo principal: O rapaz veio interromper-me.
Vinha chegando-se a mim.
ou
18. ênclise ao verbo auxiliar: Vieram-me interromper.
Vinha-se chegando a mim.
Nessas mesmas locuções, se houver caso que exija a próclise, usa-se:
19. próclise ao verbo auxiliar: Não me deixaram ficar.
ou
20. ênclise ao verbo principal: Você não deveria deixá-los.

Obs.: a tendência do português do Brasil é colocar o pronome no meio da locução, em próclise ao verbo principal; a Gramática Tradicional, com certo exagero, ainda não aceita tal colocação:
Vou te levar para conhecer lugares encantadores.
Eu quero lhe falar.

Nas locuções verbais em que o verbo principal está no particípio, o pronome átono, não pode vir depois dele. Virá, então, proclítico, enclítico ou mesoclítico ao verbo auxiliar, de acordo com as regras expostas para os verbos na forma simples: Ter-lhe-ia dado mais se pudesse.
Tenho-o conhecido cada vez mais.
O que se tinha passado na noite da sua ausência ?
Tudo lhe será perdoado.
Obs.: no português do Brasil, também ocorre próclise ao particípio (a gramática tradicional não concorda com essa colocação): Eu tenho lhe falado.

Percebe-se, a partir do que aqui foi exposto, que há diversidade de regras, de normas no que tange à sintaxe, seja ela de concordância, de regência ou de colocação. Muitas dessas normas estão ultrapassadas, desvinculadas da nossa realidade, pois estão embasadas no português lusitano. É verdade que é necessário conhecê-las, mas não se pode fazer delas o instrumento único e verdadeiro para trabalhar-se a sintaxe. É preciso ter consciência de que existem as variedades lingüísticas e de que estas não devem ser menosprezadas. É preciso, apenas, adaptar o uso de uma ou de outra variedade (padrão, culta ou popular) às circunstâncias adequadas.

BUSCAI A DEUS ENQUANTO SE PODE ACHAR (Isaías 55: 6)


EXERCÍCIOS – COLOCAÇÃO PRONOMINAL

Reescreva as frases, colocando o pronome oblíquo átono corretamente.

01. Tudo acaba neste mundo. (SE)


02. Restaria o consolo do desabafo. (LHE)


03. Se afligi, foi porque amava muito. (TE-TE)


04. Crianças, deitem imediatamente ! (SE)


05. Contarei meus segredos. (LHE)

06. Nunca preocupei com seus deveres. (ME)


07. Fale a esse respeito. (NOS)


08. Em tratando de crianças, era mestre. (SE)


09. Há pessoas que aposentam cedo. (SE)


10. Conforme avisaram, a prova foi facil (ME)


11. Convenceria, se encontrasse. (O-O)


12. Deus ilumine ! (VOS)


13. Ofereceram um delicioso jantar. (ME)


14. Quanto custou tal sacrificio ! (NOS)


15. Já contei a historia. (LHES)


16. Apressa, pois já e dia. (TE)


17. Farei um favor. (LHE)


18. Nomearam coordenador. (ME)


19. Menino, faca um favor ! (ME)


20. Em tratando de futebol, todos são técnicos. (SE)


21. Aquilo pareceu estranho. (NOS)


22. Caso interesse a proposta, avisa. (TE-ME)


23. Há pessoas que atraem. (NOS)


24. Não veremos amanha. (NOS)


25. Dizia que tudo cansava. (O)


26. Quem procurou ontem ? (ME)


27. Prometeu que ajudaria. (NOS)


28. Fui eu que propus isso. (TE)


29. Sei onde colocaram. (AS)


30. O filho, deixando desolada, partiu. (A)



31. Quanto _________________ se _________________ no ponto que ______________ !
a) alegrar-nos-íamos – atendêsseis-nos – solicitamos-vos.
b) alegraríamo-nos – atendêsseis-nos – solicitamos-vos.
c) alegrar-nos-íamos – atendêsseis-nos – solicitamos-vos.
d) nos alegraríamos – atendêsseis-nos – vos solicitamos.
e) nos alegraríamos – nos atendêsseis – vos solicitamos.

32. Dadas as sentenças:
1. Seria-nos mui conveniente receber tal orientação.
2. Em hipótese alguma, enganaria-te.
3. Você é a pessoa que delatou-me.
Constatamos que está(estão) correta(s):
a) apenas a sentença nº 1.
b) apenas a sentença nº 2.
c) apenas a sentença nº 3.
d) todas as sentenças.
e) n.d.a.

33. Mesmo que __________ reparos, poucos __________ da catástrofe ocorrida na cidade.
a) façam-se – se esquecerão.
b) se façam – esquecer-se-ão.
c) façam-se – esquecerão-se.
d) façam-se – esquecer-se-ão.
e) se façam – se esquecerão.

34. ________________ a atenção e _____________________ a falar mais baixo.
a) Chamamo-lhe – convidamos-o.
b) Chamamos-lhe – convidamo-lo.
c) Chamamos-lhe – convidamos-o.
d) Chamamo-lhe – convidamos-lo.
e) Chamamo-lhe – convidamo-lo.

35. Logo que você ________________, é claro que eu __________________ da melhor maneira possível, ainda que isso ________________ o serviço.
a) me chamar – atendê-lo-ei – me atrase.
b) chamar-me – antendê-lo-ei – atrase-me.
c) me chamar – o atenderei – me atrase.
d) me chamar – o atenderei – atrase-me.
e) chamar-me – atenderei-o – atrase-me.

36. Apontar a sentença que deverá ser corrigida.
a) Poderá resolver-se o caso imediatamente.
b) Sabes o que se deverá dizer ao professor ?
c) Poder-se-á resolver o caso imediatamente.
d) Poderá-se resolver o caso imediatamente.
e) n.d.a.

37. Todas as frases estão corretas quanto à colocação dos pronomes oblíquos átonos, exceto em:
a) Em se tratando de caso urgente, nada o retinha em casa.
b) Os alunos tinham preparado-se para a grande prova.
c) Se o tivesse encontrado, eu lhe teria dito tudo.
d) No portão de entrada da cidade, lia-se, em letras garrafais, numa placa de bronze: ESTRANHOS, AFASTEM-SE !
e) Logo que me formar, colocar-me-ei à disposição da empresa.

38. Os projetos que ______________ estão em ordem; ________________ ainda hoje, conforme _____________________ .
a) enviaram-me / devolvê-los-ei / lhes prometi.
b) enviaram-me / os devolverei / lhes prometi.
c) enviaram-me / os devolverei / prometi-lhes.
d) me enviaram / os devolverei / prometi-lhes.
e) me enviaram / devolvê-los-ei / lhes prometi.

39. Acredito que todos ______________ dizer que não __________________ .
a) lhe irão / se precipite.
b) lhe irão / precipite-se.
c) irão-lhe / se precipite.
d) irão lhe / precipite-se.
e) ir-lhe-ão / se precipite.

40. Em: “É uma dor canalha que te dilacera.”, o pronome átono te está proclítico ao verbo:
a) por causa da conjunção integrante que.
b) por causa do pronome relativo que.
c) por causa da expressão dor canalha.
d) a afirmação que encabeça o teste está errada, pois o pronome átono te não está proclítico ao verbo, mas sim mesoclítico.

41. Assinale a frase em que há erro de colocação do pronome pessoal átono.
a) Não amá-lo era impossível.
b) Ele deve vencer porque se esforçou muito.
c) Desejo contar-te um caso interessante.
d) Proteger-te-ia se isso me fosse possível.
e) É verdade, nunca desejaram-lhe tanta felicidade como hoje.

42. Assinale a frase gramaticalmente correta.
a) Quando recebo-o em minha casa, fico feliz.
b) Tudo fez-se como você mandou.
c) Por este processo, teriam-se obtido melhores resultados.
d) Em se tratando disto, podemos contar com ele.
e) Me levantei assim que você saiu.

43. Assinale as opções gramaticalmente corretas quanto à colocação pronominal.
a) Sobre aquela ocorrência, os alunos tinham prevenido-o há alguns dias.
b) Nesta circunstância, amparemo-lo com todo carinho.
c) Quanto ao emprego, não aceitando-o, oferecê-lo-ei a outro amigo.
d) Não sei se me não deves agradecer.
e) Obedeça-lhes e estime-os.

44. Nas frases abaixo, a ênclise e a próclise foram corretamente empregadas:
I. Os miúdos corriam barulhentos, me pedindo dinheiro.
II. Dizia ele cousas engraçadas, coçando-se todo.
III. Ficarei no lugar onde encontro-me. Tem sombra.
IV. Quando me vi sozinho, tremi de medo.
a) nas orações I e II.
b) nas orações III e IV.
c) nas orações I e III.
d) nas orações II e IV.
e) em todas as orações.

45. Examinar as frases abaixo:
I. Aqui, despedimo-nos.
II. Nada me preocupa.
III. Aqui se arruma tudo.
IV. Cantei sem magoar-te os ouvidos!
Ocorre erro na colocação dos pronomes:
a) na I e na II, apenas;
b) na III e na IV, apenas;
c) na I e na III, apenas;
d) na II e na IV, apenas;
e) em nenhuma das frase.

46. Há um erro de colocação pronominal em:
a) “Sempre a quis como namorada.”
b) “Os soldados não lhe obedeceram às ordens.”
c) “Todos me disseram o mesmo.”
d) “Recusei a idéia que apresentaram-me.”
e) “Quando a cumprimentaram, ela desmaiou.”

47. Assinale a alternativa correta quanto à colocação pronominal.
a) Aquilo parece-me sonho.
b) Este que fala-vos nunca disse mentiras.
c) Aqui deu-se a maior tragédia da história.
d) Sairei, já que não me aceitam no emprego.

48. Creio que jamais ___________________ do que _________________ .
a) arrepender-se-á – fez-nos.
b) arrepender-se-á – nos fez.
c) arrependerá-se – fez-nos.
d) se arrependerá – nos fez.
e) se arrependerá – fez-nos.

49. Procurou o amigo, _____________ um negócio que só ___________ dissabores.
a) propondo-lhe – lhe traria.
b) lhe propondo – lhe traria.
c) lhe propondo – trar-lhe-ia.
d) propondo-lhe – trar-lhe-ia.
e) propondo-lhe – traria-lhe.

50. Quanto à colocação dos pronomes átonos, está conforme a norma da língua escrita o período:
a) Conheci que não amava-me, como eu desejava.
b) Foi o Araguaia que facilitou-lhe a viagem.
c) Não ter-se-á o senhor esquecido de que éramos amigos ?
d) Me vejo dividida em duas ...
e) Ninguém me venha dizer que a imaginação não é outra realidade.

_______________________________________________________________________

ANALISE A COLOCAÇÃO PRONOMINAL NOS FRAGMENTOS ABAIXO, JUSTIFICANDO O SEU USO (obs.: podem existir colocações que estejam contrariando a norma padrão):

O estudante que falta à classe confessa que matou aula, o que implica matança do professor, da matéria e, conseqüentemente, de parte do seu acervo individual de conhecimento, morta antes de chegar a destino. No jogo mais intelectual que se conhece, pretende-se não apenas vencer o competidor, mas liquidá-lo pela aplicação de xeque-mate. Não admira que, nas discussões, o argumento mais poderoso se torne arma de fogo de grande eficácia letal: mata na cabeça.

Já não se usa, mas usou-se muito um processo de secar a tinta em cartas e documentos quaisquer: botar por cima um papel grosso, chupão, que se chamava mata-borrão e matava mesmo, sugando o sangue azul da vítima, qual vampiro de escritório.

Hoje acordei com vontade de mentir, coisa que raramente me acontece. Peguei do relógio e atrasei-o duas horas. Desta maneira faltaria pontualmente a todos os compromissos, e seriam outras tantas mentiras a pregar para justificar-me.

Mentir não é ser otimista profissional. Por isso não pintei de azul e brisa suave a manhã, que era nublada e sem viração. Mas, sentindo borbulhar em mim o dom da invenção, inventei, na hora, o tempo quadriculado, a saberm a chuva, o sol, o frio, o calor, o vento, até mesmo o ciclone e o raio, acondicionados em quadradinhos a serem vendidos nos carrinhos de sorvete. Levando para casa os invólucros de sua preferência, o consumidor os fruiria a seu bel-prazer, podendo também ofertá-los a amigos. A invenção, de utilidade pública, não renderia dividendos. De vez em quando, a fábrica de tempo distribuiria surpresas, trocando os quadradinhos, para pregar susto nos clientes, pois a vida precisa de uns solavancos; do contrário ...

Então, cada um resolveu, sem consultar o outro, empreender a viagem da purificação a Meca. Foram, prosternaram-se, oraram. À noite, no monte Arará, contemplararam o brilho duro das estrelas. Entre milhares de peregrinos, não se sabiam próximos, mas o arrependimento os unia, se não era o amor que os mantinha ligados pelo disfarce do arrependimento. Cumpriram o sacrifício de animais em Mina, como de preceito, e dirigiram-se finalmente à mesquita quadrangular, atravessaram-lhe as arcadas, penetraram no sagrado interior. E foi quando se inclinavam para beijar o bloco de lava negra, embutido em prata, que o Arcanjo São Gabriel, em pessoa, trouxera do alto e ali depositara – foi nesse instante com que sonha a vida inteira o bom ienemita, que o olhar dos dois se cruzou, se absorveu mutuamente, de sorte que ele ficou com os olhos dela, ela com os olhos dele. E assim embaraçados de olhos, de sentimentos, de pânico feliz e pungente, saíram da Caaba e foram se amar outra vez, na casa miserável de uma ruela miserável da cidade santa, em meio ao pó, aos gritos, à confusão de forasteiros que pululam em Meca.
Tem horror a criança. Solenemente, faz queixa do bisneto, que lhe sumiu com a palha de cigarro, para vingar-se de seus ralhos intempestivos. Menino é bicho ruim, comenta. Ao chegar a avó, era terno e até meloso, mas a idade o torna coriáceo.
No trocar de roupa, atira ao chão as peças usadas. Alguém as recolhe à cesta, para lavar. Ele suspeita que pretendem subtraí-las, vai à cesta, vasculha, retira o que é seu, lava-o, passa-o. Mal, naturalmente.



NOTAS

Eu ou Mim ?
Observe o uso correto destes pronomes:
Ele deu o livro para mim.
Ele dera o livro para eu guardar. [ E não: para mim guardar. ]
Não é difícil, para mim, ir lá. [ Para mim não é difícil ir lá. ]
Fizeram tudo para eu ir lá.
Ela chegou até mim.
Não vá sem mim.
Não vão sem eu mandar.
“Não vá sem eu lhe ensinar a minha filosofia da miséria.” (Machado de Assis)

Note bem: emprega-se eu quando for sujeito de um verbo no infinitivo, e mim quando complemento, ou adjunto adverbial.

Os pronomes reflexivos si e consigo, para serem usados de acordo com a norma culta da língua, devem referir-se ao sujeito da oração. Exemplos:
O egoísta só pensa em si. [ si refere-se ao sujeito egoísta ]
Marcos levou a filha consigo. [ consigo refere-se ao sujeito Marcos ]
Eles reservaram os melhores lugares para si.
O senhor guarde o recibo consigo.

Em vez de conosco, convosco, diz-se com nós, com vós, sempre que esses pronomes vierem acompanhados de palavra determinativa, como próprios, mesmos, outros, todos, etc.:
Com nós outros isso não acontece.
Falei com vós mesmos.
O barco virou com nós três.

As seqüências pronominais se o, se a, se os, se as sempre foram condenadas pelos gramáticos e repelidas pelos bons escritores. Não se deve dizer, portanto:
Teu livro é bom, mas não se o encontra em parte alguma.
Os erros não se os cometem impunemente.
Roupa fica mais limpa quando se a lava com sabão.
As aves são livres, não se as deve prender.

As construções corretas são:
Teu livro é bom, mas não se encontra (ou não é encontrado) em parte alguma.
Os erros não se cometem impunemente.
Roupa fica mais limpa quando se lava (ou quando lavada) com sabão.
As aves são livres, não se deve prendê-las.

Os pronomes oblíquos substituem muito elegantemente os possessivos em frases como as seguintes:
O barulho perturba-me as idéias. [ O barulho perturba as minhas idéias. ]
Ninguém lhe ouvia as queixas. [ Ninguém ouvia as suas queixas. ]

Os pronomes possessivos podem exprimir:
a – cálculo aproximado, estimativa:
Ele poderá ter seus quarenta e cinco anos.

b – familiaridade ou ironia, aludindo-se à personagem de uma história:
O nosso homem não se dei por vencido.
“Chama-se Falcão o meu homem.” (Machado de Assis)

c – o mesmo que os indefinidos certo, algum:
Eu cá tenho minhas dúvidas.
Cornélio teve suas horas amargas.

d – afetividade, cortesia:
Como vai, meu menino ?
“Não os culpo, minha boa senhora, não os culpo.” (João Carlos Marinho)

No plural usam-se os possessivos substantivados no sentido de parentes, família:
“É assim que um moço deve zelar o nome dos seus ?” (Machado de Assis)

Pronome demonstrativo – nisto – usa-se adverbialmente, como sinônimo de nesse momento, nesse entretempo.
“Nisto deu o vento e uma folha caiu.” (Monteiro Lobato)

Em frases como a seguinte, este refere-se à pessoa mencionada em último lugar, aquele à mencionada em primeiro lugar:
“O referido advogado e o Dr. Tancredo Lopes eram amigos íntimos: aquele casado, solteiro este.” (Valentim Magalhães) [ ou então: este solteiro, aquele casado. ]

O pronome demonstrativo tal pode ter conotação irônica:
“A senhora foi a tal que usou minha cozinha ?” (Edi Lima)

Pronome Cujo:
a – o substantivo determinado por este pronome não virá precedido de artigo: cujo pêlo (e não cujo o pêlo), cuja operosidade (e não cuja a operosidade), cujos nomes (e não cujos os nomes).
b – Erro grosseiro é usar cujo em vez de que ou o qual , como na frase:
Saía da caverna um ruído estranho, cujo me assustou.
Correção: Saía da caverna um ruído estranho, que me assustou.

O relativo o qual (e suas flexões), principalmente quando regido de preposição, pode substituir o pronome que:
É um passado extinto e de que (ou do qual) ninguém se lembra.
Eis o magno problema por que (ou pelo qual) me bato.

Usa-se o qual em vez de que, quando este vier distanciado de seu antecedente, ensejando falsos sentidos:
Regressando de Ouro Preto, visitei o sítio de minha tia, o qual me deixou encantado.
“Numa quinta para lá da encosta, houve uma reunião de famílias de Lisboa, à qual fui convidado.” (Camilo Castelo Branco).

Nas frases acima, observe que o pronome relativo o qual aparece, geralmente, em orações adjetivas explicativas, e, por ser palavra tônica, é reclamado para imprimir à frase ritmo e harmonia.

As preposições ante, após, até, desde, durante, entre, perante, mediante, segundo (vale dizer, preposições com duas ou mais sílabas), bem como as monossilábicas sem e sob e todas as locuções prepositivas, constroem-se com o pronome o qual e nunca com o pronome relativo que. As preposições contra, para e sobre usam-se, de preferência, com o pronome o qual. Exemplos:
Perguntei sobre quantos eram os temas sobre os quais devia falar.
“Teve então início um breve cerimonial contábil, durante o qual só se ouvia o ruído da pena arranhando o papel.” (Herberto Sales).

As preposições monossilábicas a, com, de, em e por, quando iniciam orações adjetivas restritivas, empregam-se, de preferência, com o pronome que:
A moça [ a que me refiro ] não é desta cidade.
Não encontrei os livros [ de que precisava ].
O atalho [ por que passamos ] atravessava a mata.

PRONOMES INDEFINIDOS
Eis o que convém saber acerca do emprego de certos pronomes indefinidos:
1) algum
Anteposto ao substantivo, tem significação positiva; posposto, apresenta valor negativo:
Algum amigo os traiu. [ = um amigo ]
Amigo algum os traiu. [ = nenhum amigo ]
Em hipótese alguma admitirei isto.

2) cada
Pode apresentar-se na frase com valor:
a) distributivo: Cada livro custou dez dólares !
Lúcia visita os pais cada três meses.
b) intensivo: Lá na cidade tem cada moça bonita !
“Dentão grande, pezão grande, cada unha!” (Graciliano Ramos)

De modo geral, não é necessário empregar a preposição a antes de cada, em adjuntos adverbiais de tempo. Exemplos:
É preciso adubar a terra cada ano.
Os preços aumentam cada dia.
Ana compra roupas cada seis meses.
Esse risco nos ameaça a cada instante.

3) demais
Significa os outros, os restantes:
Dos quadros que fiz só tenho dois; os demais eu vendi.

Observação:
Não confundir o pronome indefinido demais com o advérbio de intensidade demais (Comeu demais.) nem com a locução adverbial de mais (Não fez nada de mais.) ou com a palavra continuativa demais (além disso): João relutou em saldar o débito; demais (ou demais disso), ele pagou fora do prazo.

4) nenhum
Posposto ao substantivo, aviva a negação:
“Seu Ivo não mora em parte nenhuma.” (Graciliano Ramos)
Cumpre distinguir nenhum de nem um:
Não recebeste nenhum elogio? [ = elogio algum ]
Não recebi nem um elogio. [ = sequer um elogio ]

5) certo
Antepõe-se ao substantivo, podendo, em alguns casos, vir precedido do artigo um:
Tinha certo ar de superioridade.
Chegamos ao sítio de um certo Eufrásio.

6) qual
Como pronome indefinido, tem o sentido de cada qual:
“Em seguida desceram, e já não eram dois, mas sim dez meninos, qual mais fagueiro, e todos diziam que iam acabar com a ratazana.” (Luís Henrique Tavares)

7) qualquer
O plural deste pronome é quaisquer:
Executamos quaisquer serviços.
Pode apresentar-se com sentido depreciativo:
“A intenção dele é mostrar que não é criado de qualquer.” (Machado de Assis)

8) todo
Modernamente, costuma-se distinguir todo ( = cada, qualquer ) e todo o ( = inteiro, completo ):
Li todo o livro. [ = o livro todo ou inteiro ]
Lia todo livro que encontrasse. [ = cada ou qualquer livro ]

Usa-se como advérbio, no sentido de completamente, mas flexionando-se em gênero e número:
Os ipês estavam todos floridos.
A roupa estava toda molhada.
As alunas iam todas alegres.

Todavia, é lícita a forma invariável:
As ruas ficaram todo alagadas.
Os picos estavam todo cobertos de neve.

9) tudo
Pode-se dizer, indiferentemente, tudo que ou tudo o que:
Esqueça tudo que ficou atrás.
Esqueça tudo o que ficou atrás.

10) menos, mais
Menos é invariável:
Na roseira há menos rosas do que espinhos. [ e não: há menos rosas ]
Mais significa muitos, uma infinidade, em frases como:
Os índios avançavam, atirando flechas e mais flechas.


ADVÉRBIO

Comum é usar o adjetivo em vez do advérbio terminado em –mente:
“Tancredo ergueu-se rápido do divã.” (Valentim Magalhães)
“As lanças eram demasiado leves.” (Machado de Assis)
“Súbito um sorriso iluminou-lhe a face.” (José Mauro de Vasconcelos)

Os comparativos sintéticos melhor (mais bem) e pior (mais mal), maior e menor (mais pequeno), é óbvio, são invariáveis:
Vamos indo melhor.
As coisas andam pior do que antes.
“No próximo caderno vou escrever menor e mais depressa.” (Oto Lara Resende)

Antes de particípio, diz-se, indiferentemente, mais bem ou melhor, mais mal ou pior:
Dali em diante, fomos mais bem (ou melhor) tratados.
Nunca recebi carta mais mal (ou pior) redigida.

Não se confundam menos mau e menos mal. Recorde-se que mau (adjetivo) se opõe a bom, e mal (advérbio), a bem:
O mau humor de Gil me deixou mal impressionada.

O advérbio aqui assume, por vezes, nas narrativas, sentido temporal ( = neste momento, neste ponto). Exemplo:
“Aqui uma nuvem escura envolveu-lhe o espírito.” (Aníbal Machado)

O advérbio não aparece, sobretudo em frases exclamativas, despojado de sua significação, como simples expletivo. Exemplos:
“Que doce a vida não era nessa risonha manhã!” (Casimiro de Abreu)
“Quantas angústias não passaram os manos...!” (Rubem Braga)

Em frases negativas o advérbio já vale o mesmo que mais. Exemplos:
“Agora já não se fazem destes aparelhos.” (Carlos de Laet) [ = não se fazem mais ]
“Arquiteto do mosteiro de Santa Maria já o não sou.” (Alexandre Herculano) [ = não o sou mais ]

Na locução adverbial a olhos vistos ( = claramente, visivelmente ) o particípio permanece invariável, no masculino plural. Exemplos:
“Muitas, à força de jejuns, desmedravam a olhos vistos.” (Camilo Castelo Branco)
“O Brasil então medrava a olhos vistos.” (Carlos de Laet)


VERBOS

Modo indicativo: exprime um fato certo, real, positivo. Excepcionalmente, pode traduzir incerteza, possibilidade. Aparece com mais freqüência em orações independentes (absolutas, coordenadas e principais).

1 – Presente – indica um fato atual (simultâneo ao ato da fala), ou habitual, permanente:
Neste momento penso em você, leitor.
A Terra gira no espaço.

2 – Pretérito Imperfeito – enuncia um fato passado, porém não concluído, um fato que se prolongou:
Enquanto subia o morro, ia admirando a paisagem.
“O coronel fez um gesto que traía o seu agastamento.” (Érico Veríssimo)

3 – Pretérito Perfeito – indica um fato completamente realizado, uma ação concluída:
“A América reagiu e combateu.” (Latino Coelho)
“Assinei as cartas e meti-as nos envelopes.” (Graciliano Ramos)

O pretérito perfeito composto traduz um fato passado repetido, ou que se prolonga até o presente:
Tenho-lhe dado sempre bons conselhos.
“Meu trato com Marcoré tem decorrido sem problemas, num entendimento completo.” (Antônio Olavo Pereira).

4 – Pretérito mais-que-perfeito – exprime um fato passado, anterior a outro igualmente passado:
“Paranhos seguia as mesmas ruas que anos antes, voltando do Sul, pisara sozinho e condenado.” (Machado de Assis).
[ o fato expresso pelo verbo pisar foi anterior ao de seguir as ruas ].
“Lembrava-se da última carretinha que o pai fizera no engenho e de como se divertira com ela dias seguidos.” (Garcia de Paiva)

Em geral, prefere-se o pretérito mais-que-perfeito composto ao simples:
Naquela manhã eu tinha acordado mais cedo. [ tinha acordado = acordara ]
Quantas vezes havíamos brincado juntos, quando crianças !

5 – Futuro do Presente – enuncia um fato que se há de realizar:
Amanhã viajarei para a Europa.
Se cultivadas, essas terras darão bons frutos.

Pode ser substituído, sobretudo na língua coloquial, por locuções constituídas do presente do indicativo dos verbos ir, ter ou haver + infinitivo:
Olga vai casar no mês que vem. [ vai casar = casará ]
Daqui por diante hei de ter mais cuidado.
Tenho de sair daqui a pouco.

6 – Futuro do Pretérito – exprime um fato futuro condicionado a outro:
Eu iria à festa, se não chovesse.
“Faria melhor negócio criando galinhas.” (Graciliano Ramos)

Exprime um fato futuro situado no passado:
Afirmei, naquela ocasião, que não o apoiaria.
Prometeste-me que não me desobedecerias mais.
A família decidiu: viajariam todos no mês seguinte.


Modo subjuntivo: emprega-se o modo subjuntivo para exprimir um fato possível, incerto, hipotético, irreal ou dependente de outro.

1 – Presente – exprime dúvida, hipótese, possibilidade:
É possível que me engane.
Talvez seja esse o plano dele.
Suponhamos que teu plano não dê certo.

2 – Pretérito Imperfeito – traduz uma condição, um meio para se conseguir determinado fim ou efeito:
Se estes eram os seus ideais, trabalha-se com mais constância.
“Deixassem-no com ele e haviam de ver o bicho que dali saía.” (Coelho Neto)

Exprime um fato hipotético, irreal:
“Aparecesse o Imperador à frente dos amotinados...e, num segundo, tudo acabaria.” (Viriato Correia)
“Não seria o silêncio com o seu negror que me viesse assustar.” (Antônio Olavo Pereira)

3 – Pretérito Perfeito – enuncia um fato passado, real ou incerto, provável:
Foi bom que ele tenha saído daqui.
Talvez tenham seguido por outro caminho.

4 – Pretérito mais-que-perfeito – traduz um fato hipotético, ou irreal, anterior a outro igualmente irreal, ou hipotético:
Se tivessem vindo ontem, teriam sido atendidos.
Tivessem-no aconselhado, e ele hoje seria outro.
Supunha que tivesses ficado em casa.
Antes o tivesse esquecido!
Se Cristo não tivesse resgatado a humanidade, quem te salvaria?

5 – Futuro Simples

6 – Futuro Composto – enuncia fato futuro relacionado a outro também futuro, ou um fato passado, mas hipotético:
Depois que tiver visto o filme, darei minha opinião.
Se tiver acertado na loteria, comprarei uma fazenda.

Modo Imperativo: emprega-se para exprimir ordem, proibição, pedido, convite, conselho, exortação, licença:
“Emende a língua, ordenei.” (Graciliano Ramos)
“Não vá, não vá mais ! – pedia, insistindo.” (Adonias Filho)

Particípio: o particípio, como o infinitivo e o gerúndio, é, por si, vago, impreciso, impessoal. Só no contexto é que se despoja de sua imprecisão, para enunciar, geralmente, fato concluído, ação relacionada com o passado.
Tínhamos ido ao cinema.
Feitos os preparativos, partiu para uma longa viagem.
Isto aconteceu no mês passado, quando elas chegaram à aula atrasadas.
O moço estendeu a mão ferida, os dedos ensangüentados.

Gerúndio: vimos que o gerúndio possui a forma simples (amando, batendo, saindo) e a composta (tendo ou havendo amado, batido, saído).
Pode ser empregado em descrições breves, para sugerir movimentação:
“Ao longo dos campos verdes, tropeiros tocando o gado...
O vento e as nuvens correndo por cima dos montes claros.” (Cecília Meireles)

Emprego do Infinitivo
1 – O infinitivo pode ser pessoal (quando tem sujeito próprio) ou impessoal (quando não se refere a nenhum sujeito).

2 – O infinitivo pessoal ora se flexiona (isto ocorre na 2ª pessoa do singular e nas três pessoas do plural), ora não se flexiona (o que se dá na 1ª e na 3ª pessoas do singular). Todavia, mesmo no 1ª caso, nem sempre tem cabimento a forma flexionada.

Não é um milagre o fato de estarmos vivos ?
[ estarmos  infinitivo pessoal flexionado ]

Não é um milagre o fato de você estar vivo ?
[ estar  infinitivo pessoal não-flexionado ]

Estar vivo é um milagre.
[ estar  infinitivo impessoal ]


Emprego do verbo HAVER
 O verbo haver pode ser pessoal ou impessoal. É pessoal:

1 – Como verbo auxiliar de verbo pessoal.
Os criminosos haviam fugido da prisão.
Isso não há de acontecer.
Hei de viajar muito.

2 – No sentido de ter:
“Pedia ao Senhor que lhe visse as lágrimas, e houvesse piedade delas.” (Camilo Castelo Branco) [ houvesse = tivesse ]

3 – Como sinônimo de obter, conseguir, alcançar:
“Os sentenciados houveram do poder público a comutação da pena.” (Carlos Góis)
“Donde houveste, o pélago revolto,
esse rugido teu ?” (Gonçalves Dias)

4 – Na acepção de pensar, julgar, entender:
“Muitos hão que é fantasia.” (Bernardim Ribeiro)
Alguns haviam-no por morto.
“Os ingleses houveram por mais acertado voltar com um cão de menos.” (Lúcio de Mendonça)

5 – Como verbo pronominal, no sentido de proceder, portar-se, desincumbir-se, sair-se:
“Não sabia como haver-se com seus empregados.” (Garcia de Paiva)
Todos se houveram com perfeita dignidade.
“Sei viver modestamente e sei também como haver-me na abundância.” (São Paulo, Fil., 4,11)
Os alunos não se houveram bem nas provas do mês.

6 – Ainda como pronominal, na acepção de entender-se, avir-se, acertar contas, enfrentar, caso em que se constrói com a preposição com:
Agora o criminoso terá de haver-se com a justiça.
Quem o maltratar, comigo se haverá.
“...se o estudante se não pudesse haver com o inimigo.” (Camilo Castelo Branco)

 O verbo haver é também pessoal nas seguintes locuções:

1 – haver mister (de) = precisar, necessitar:
“Muitos dos enfermos bem haviam mister um hospital.” (Vieira)
“Mas o seu amor da ciência e da pátria não havia mister de outros incentivos.” (Rui Barbosa)
 Esta locução é obsoleta.

2 – haver por bem = dignar-se, resolver, considerar bom:
O presidente houve por bem reconsiderar sua decisão.
Os dirigentes dos sindicatos houveram por bem suspender a greve.

3 – bem haja = seja feliz, seja abençoado, tenha bom êxito:
Bem hajam os que lutam pela liberdade.
“Bem haja Sua Majestade !” (Camilo Castelo Branco)
“Bem hajas, meu querido !” (Camilo Castelo Branco)
 Nessas frases optativas o verbo haver concordará com o sujeito.

4 – mal haja
“Mal haja a hora em que saíste desta casa.” (Camilo Castelo Branco)
“Mal hajam as desgraças da minha vida...” (Camilo Castelo Branco)
 O verbo haver concorda com o sujeito (hora, desgraças).


 O verbo haver é impessoal – sendo portanto, usado invariavelmente na 3ª pessoa do singular – quando significa:

1 – existir.
Há pessoas que nos querem bem.
Criaturas infalíveis nunca houve nem haverá.

2 – acontecer, suceder.
Houve casos difíceis na minha profissão de médico.
Não haja desavenças entre vós.
Naquele presídio haviai freqüentes rebeliões de presos.

3 – decorrer, fazer, com referência ao tempo passado.
Há meses que não o vejo.
Haverá nove dias que ele nos visitou.
Havia já duas semanas que Marcos não trabalhava.
O fato aconteceu há cerca de oito meses.

Quando pode ser substituído por fazia, o verbo haver concorda no pretérito imperfeito, e não no presente:
Havia (e não há) meses que a escola estava fechada.
Morávamos ali havia (e não há) dois anos.
Ela conseguira emprego havia (e não há) pouco tempo.
Havia (e não há) muito tempo que a polícia o procurava.

4 – realizar-se.
Houve festas e jogos.
Se não chovesse, teria havido outros espetáculos.
Todas as noites havia ensaios das escolas de samba.

5 – ser possível, existir possibilidade ou motivo (em frases negativas e seguido de infinitivo).
“Em pontos de ciência não há transigir.” (Carlos de Laet)
“E não houve convencê-lo do contrário.” (Viana Moog)
“Não havia por que ficar ali a recriminar-se.” (Érico Veríssimo)

 Como impessoal o verbo haver forma ainda a locução adverbial de há muito ( = desde muito tempo, há muito tempo ):
De há muito que esta árvore não dá frutos.
“De há muito não o vejo.” (Evanildo Bechara)

 Haja vista.

 O verbo haver transmite a sua impessoalidade aos verbos que com ele formam locução, os quais por isso, permanecem invariáveis na 3ª pessoa do singular:
Vai haver eleições, em novembro.
Começou a haver reclamações.
Não pode haver umas sem as outras.
Parecia haver mais curiosos do que interessados.



OUTRAS OBSERVAÇÕES IMPORTANTÍSSIMAS !!!


REGRAS DE ACENTUAÇÃO

Antes de estudarmos as regras de acentuação, faz-se necessário, o estudo da sílaba. Sílaba é o nome que se dá a um fonema ou grupo de fonemas pronunciados em uma só emissão de voz. Conforme o número de sílabas as palavras podem ser classificadas em:

 monossílabas (uma só sílaba);
 dissílabas (duas sílabas);
 trissílabas (três sílabas);
 polissílabas (quatro ou mais sílabas)

Sílaba tônica e sílaba átona

Nas palavras com mais de uma sílaba, dá-se o nome de tônica à sílaba que é pronunciada mais fortemente. Átonas são as sílabas fracas.
Exemplos:
bote: bo-te— bo (tônica), te (átona)
boteco: bo-te-co— bo (átona), te (tônica), co (átona)
médico: mé-di-co— mé (tônica), di (átona), co (átona)
Nos exemplos acima, podemos perceber que a sílaba tônica nem sempre é acentuada graficamente. O uso do acento gráfico (agudo ou circunflexo) obedece à certas regras que serão estudadas adiante.
Quanto à posição da sílaba tônica, as palavras com mais de uma sílaba podem ser classificadas em oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas.
 oxítonas: quando a última sílaba é tônica. Exemplos: café, ruim, civil, chalé.
 paroxítonas: quando a penúltima sílaba é tônica.Exemplos: casa, ibero, ileso, rubrica.
 proparoxítonas: quando a antepenúltima sílaba é tônica. Exemplos: crisântemo, dálmata, bígamo, retrógrado.
* Vocábulos rizotônicos e arrizotônicos *
Rizotônicos: são os vocábulos cujo acento tônico incide no radical.
Arrizotônicos: são os que têm o acento tônico depois do radical.
Essa classificação diz respeito particularmente às formas verbais

Monossílabos: podem ser tônicos e átonos.
Quando pronunciados fracamente são chamados de átonos e quando pronunciados fortemente são chamados de tônicos. Exemplo:
No fim do dia, nuvens escuras começaram a cobrir o céu azul.
átonos: no, do, a e o
tônicos: fim e céu

Divisão silábica
Para separar corretamente as sílabas, faz-se necessário reconhecer os encontros vocálicos, que podem ser ditongos, tritongos e hiatos.

Ditongo é o encontro de uma vogal e uma semivogal (ou vice-versa) numa mesma sílaba. Exemplos:
herói (vogal +semivogal)- ditongo decrescente
ginásio (semivogal + vogal)- ditongo crescente
 Semivogais são os fonemas /i/ e /u/ que, juntos de uma vogal, formam com ela uma mesma sílaba.

Tritongo é o encontro de uma semivogal com uma vogal e outra semivogal numa mesma sílaba. Exemplos: Paraguai, iguais.
O tritongo pode ser de dois tipos:
a) oral: iguais, averigüei, averiguou, delinqüi, seqüóia;
b) nasal: quão, saguão, saguões, mínguam (mínguãu), enxágüem (enxagüei).

Hiato é a seqüência de duas vogais numa mesma palavra, mas em sílabas diferentes. Exemplos: baú, ciúme, país, raízes, suíço, suíno.


REGRAS DA DIVISÃO SILÁBICA

 Não se separam os ditongos e tritongos. Exemplos: noi-te, lei-te, gló-ria, U-ru-guai.
 Não se separam as letras dos grupos ch, lh, nh, qu. Exemplos: chu-va, fi-lho, li-nha, qui-lo.
 Não se separa a consoante inicial seguida de outra consoante. Exemplos: pneu-má-ti-co, mne-mô-ni-co, psi-co-ló-gi-co.
 Separam-se as vogais que compõem um hiato. Exemplos: ca-ir, ba-ú, va-zi-o, ca-a-tin-ga, pa-ra-í-so.
 Separam-se as letras dos grupos rr, ss, cc, cç, sc e xc. Exemplos: car-ro, fic-ção, pas-so, des-ço, fic-cio-nal, ex-ce-len-te.
 Separam-se as consoantes seguidas que pertencem a sílabas diferentes. Exemplos: au-tóp-si, por-ta, ad-je-ti-vo, abs-tra-to, dig-no.

REGRAS DE ACENTUAÇÃO GRÁFICA

1- Todas as proparoxítonas são acentuadas. Exemplos: máquina, técnico, ângulo, cálice, página.
 Observação: mantém-se o acento gráfico nas letras que figuram nas abreviaturas.
Exemplos: pág. (página), séc. (século), Mús. (música), Exérc. (Exército), Álg. (Álgebra), Quím. (Química) etc.

2- Acentuam-se as palavras oxítonas terminadas em:
a(s)- sofá, Amapá, sofás
e(s)- você, café, vocês
o(s)- paletó, avó, avô, paletós
em(ens)-armazém, ninguém, armazéns
 Obs.: Essa regra vale também para as formas verbais seguidas dos pronomes lo, la, los, las.
Exemplos: amá-lo, dizê-lo, compô-lo, matá-los, vendê-las

3- Acentuam-se as palavras oxítonas terminadas em i(s) ou u(s) quando essas letras forem precedidas de vogal.
Exemplos:
i(s):- Jundiaí, caí, país u(s)-baú, Jaú, baús
 Obs.: Essa regra vale também para as formas verbais seguidas de lo, la, los, las.
Exemplos: atraí-lo, atraí-los, distraí-la, distraí-las, substituí-lo, substituí-los.
Atenção: Se não forem precedidos de vogal, o i e o u não são acentuados. Exemplos: Pacaembu, caju, guri, pedi-lo.

4- Acentuam-se as palavras paroxítonas terminadas em ditongo crescente (semivogal+vogal). Exemplos:
ea(s)-várzea
eo(s)-óleo
ia(s)-diária
ie(s)-cárie
io(s)-início
oa(s)-mágoa
ua(s)-régua
ue(s)-tênue
uo(s)-ingênuo

5- Acentuam-se as palavras paroxítonas terminadas em:
ão(s), ã(s)-órfão, órfãos, órfã, órfãs;
ei, eis-jóquéi, jóqueis, móveis, túneis;
i, is-júri, cútis, lápis;
us-vírus, bônus;
um, uns-álbum, álbuns;
os-bíceps, fórceps;
r-cadáver, mártir;
x-tórax, fênix;
n-hífen, elétron, nêutron;
ons-elétrons, nêutrons;
l-fácil, fóssil, túnel.
 Obs.: Não se acentuam os prefixos terminados em i ou r. Exemplos: semi-analfabeto, super-homem, inter-regional.
Se forem usados como substantivos porém, esses prefixos recebem acento. Exemplos:
Governo anuncia nova míni. (No caso, míni é uma abreviação de minidesvalorização).
As múltis protestam contra as novas medidas econômicas. (No caso, múltis é uma abreviação de multinacionais).

6- Acentuam-se os ditongos abertos tônicos:
éi(s)-assembléia, anéis;
éu(s)-céu, troféus;
ói(s)-heróico, dói, heróis.
Obs.: Os ditongos fechados não são acentuados. Exemplos: correia, lei, meu, loiro.

7- Acentuam-se os monossílabos tônicos terminados em:
a(s)-pá, lá, gás;
e(s)- fé, pé, mês;
o(s)-pó, dó, nós.
Obs.: Acentuam-se os prefixos pós, pré e pró. Exemplos: pós-graduação, pré-história, pró-infância.

8- Acentuam-se o i ou u tônicos, seguidos ou não de s, quando formam hiato com a vogal anterior e desde que estejam sozinhos na sílaba. Exemplos:
saída: sa-í-da
egoísmo: e-go-ís-mo
saúde: sa-ú-de
baú: ba-ú
 Obs.: Não se acentuam o i e u se forem seguidos de nh ou de letra que não seja s. Exemplos:
moinho-mo-i-nho
raiz-ra-iz
rainha-ra-i-nha
diurno-di-ur-no

9- Acentuam-se com circunflexo a primeira vogal do hiato ôo(s) no final de palavra. Exemplos:vôo, vôos, zôo, zôos.
 Obs.: Se não estiver em posição final, o o não é acentuado. Exemplos:
Mooca, zoológico, coordenar, cooperar.

10- Acentuam-se com circunflexo a primeira vogal do hiato êem, presente na conjugação dos verbos crer, dar, ler, ver e derivados. Exemplos: dêem, descrêem, crêem, relêem, lêem, revêem, vêem.

11- O u dos grupos gue, guem, gues, gui, guis, que, quem, ques recebe acento agudo se for tônico. Exemplos: averigúe, averigúem, averigúes, argúi, argúis, obliqúe, obliqúem, obliqúes.
 Obs.: Se a palavra terminar por gua(s) ou qua(s), não é acentuada. Exemplos: averigua, averiguas, obliqua, obliquas.
Nesses casos, o u é tônico mas não leva acento.

12- O u dos grupos gue, gui, que, qui recebe trema se for átono e pronunciado. Exemplos: agüentar, lingüiça, seqüência, tranqüilo.

 A palavra que
Quando é tônica, a palavra que deve ser acentuada. Isso ocorre nos seguintes casos:

1- Quando é o nome da letra Q.
Exemplo: Faça um quê maiúsculo.

2- Quando é usado como substantivo, significando “alguma coisa”.
Exemplo: Havia um quê de mistério naquela casa.

3- Quando é usado como interjeição.
Exemplo: Quê?! Ele não cumpriu a promessa?

4- Quando vem no final de uma frase.
Exemplos:
Ele está tentando explicar o quê?
Quero pagar a dívida, mas não tenho com quê.

5- Quando faz parte da expressão como quê.
Exemplos:
Ela é mentirosa como quê.
Malandro como quê, logo enganou o pessoal.

TUFANO, Douglas. Tira-dúvidas: pontuação, acentuação e crase. São Paulo: Moderna, 2001.

HÍFEN

Observe o quadro abaixo, quanto aos usos do hífen:

Prefixos e Radicais Com hífen Exemplos
Proto - Auto
Semi - Supra
Extra - Pseudo
Infra - Neo
Intra - Contra
Ultra Antes de

H - R - S
e
Vogal proto-histórico,
auto-retrato, semi-reta,
supra-hepático, extra-oficial
pseudo-sábio, infra-escrito,
neo-humanismo, intra-ocular,
contra-senso, ultra-realismo.
Ante - Anti
Sobre - Arqui Antes de
H - R e S super-homem, hiper-sensível,
inter-hemisfério.
Super - Hiper - Inter Antes de
H e R super-homem, hipertensão, inter-regional
Pan - Mal Antes de
H e Vogal pan- americano,
mal-educado
Circum Antes de
Vogal Circum- adjacente
sem, pré, pára, co, grão, bem, além. sempre sem- vergonha, pré-vestibular
pára-quedista, co-autor
grão-duque, bem-vindo,
além-túmulo.
ad - ab - ob - sob Antes de R ad-rogar, ab-rogar,
ob-repção, sob-roda.
sub Antes de
R e B
Obs: Antes de vogal é facultativo sub- reitor, sub-bibliotecário, sub-humano ou subumano.
aquém, ex, pós, pró, grã, recém. sempre aquém- fronteiras, ex-namorado,
pós-graduação, pró-paz,
grã-duquesa, recém-casado.

Exceções

extraordinário, sobressair, sobressalente, sobressaltar,
predefinir, predeterminado, predispor, predizer, preexistir.




USOS DO PORQUÊ

Há quatro maneiras de se escrever o porquê: porquê, porque, por que e por quê. Vejamo-las:


01) Porquê:
É um substantivo, por isso somente poderá ser utilizado, quando for precedido de artigo (o, os), pronome adjetivo (meu(s), este(s), esse(s), aquele(s), quanto(s)...) ou numeral (um, dois, três, quatro).

Ex.
• Ninguém entende o porquê de tanta confusão.
• Este porquê é um substantivo.
• Quantos porquês existem na Língua Portuguesa?
• Existem quatro porquês.


02) Por quê: Sempre que a palavra que estiver em final de frase, deverá receber acento, não importando qual seja o elemento que surja antes dela.

Ex.
• Ela não me ligou e nem disse por quê.
• Você está rindo de quê?
• Você veio aqui para quê?


03) Por que: Usa-se por que, quando houver a junção da preposição por com o pronome interrogativo que ou com o pronome relativo que. Para facilitar, dizemos que se pode substituí-lo por: por qual razão, pelo qual, pela qual, pelos quais, pelas quais, por qual.

Ex.
• Por que não me disse a verdade? = por qual razão
• Gostaria de saber por que não me disse a verdade. = por qual razão
• As causas por que discuti com ele são particulares. = pelas quais
• Ester é a mulher por que vivo. = pela qual


04) Porque: É uma conjunção subordinativa causal ou conjunção subordinativa final ou conjunção coordenativa explicativa, portanto estará ligando duas orações, indicando causa, explicação ou finalidade. Para facilitar, dizemos que se pode substituí-lo por já que, pois ou a fim de que.

Ex.
• Não saí de casa, porque estava doente. = já que
• É uma conjunção, porque liga duas orações. = pois
• Estudem, porque aprendam. = a fim de que



A PALAVRA QUE

Aqui estudaremos todas as classes gramaticais a que a palavra que pertence. Ela pode ser substantivo, advérbio, preposição, interjeição, pronome, conjunção, além de partícula expletiva.
Vamos aos estudos:


01) Substantivo:
A palavra que será substantivo, quando tiver o sentido de qualquer coisa ou alguma coisa, é sempre antecedida por artigo, pronome adjetivo ou numeral e é sempre acentuada (quê).

Ex. A decisão do tribunal teve um quê de corrupção.


02) Advérbio:
A palavra que será advérbio, quando intensificar adjetivos e advérbios. Nesse caso, pode ser substituída por quão ou muito; em geral, é usada em frases exclamativas.

Ex. Que linda é essa garota!
Que mal você fez a ela!


03) Preposição:
A palavra que será preposição, quando equivaler à preposição de em locuções verbais que tenham, como auxiliares, ter ou haver.

Ex. Temos que estudar bastante.
Tive que trazer todo o material.


04) Interjeição:
A palavra que será interjeição, quando exprimir uma emoção, um estado de espírito; é sempre exclamativa e acentuada (quê).

Ex. Quê?! Você não dormiu em casa hoje??


05) Partícula Expletiva ou de Realce:
A palavra que será partícula expletiva ou de realce, quando for empregada para realce ou ênfase; sua retirada não altera o sentido da frase. Pode também ser usada com o verbo ser, na locução é que.

Ex. Nós é que precisamos de sua ajuda.
Eles que o procuraram ontem.


06) Pronome Interrogativo:
A palavra que será pronome interrrogativo, quando for empregada em frases interrogativas. Quando for antecedida da preposição por, esses dois elementos ficarão separados (por que) Quando estiver iniciando a frase, não se deve usar a palavra o, anteriormente ao pronome. Quando estiver em final de frase, será acentuada.

Ex. Que vocês farão hoje à noite?
Vocês farão o quê?
Por que vocês não vieram aqui ontem à noite?
Vocês não vieram aqui ontem à noite por quê?


07) Pronome Indefinido:
A palavra que será pronome indefinido, quando aparecer antes de substantivos em frases geralmente exclamativas. Pode ser substituída por quanto(s), quanta(s).

Ex. Que sujeira!!
Que bagunça em seu quarto!


08) Pronome Adjetivo:
A palavra que será pronome adjetivo, quando aparecer antes de substantivos, apenas modificando-o.

Ex. Que mulher linda!!


09) Pronome Relativo:
A palavra que será pronome relativo, quando aparecer após substantivos, podendo ser substituída por o qual, a qual, os quais, as quais.

Ex. Julguei belíssima a garota que (= a qual) você me apresentou.
Os problemas por que (= pelos quais) passamos foram terríveis.


10) Conjunção Coordenativa Aditiva:
A palavra que será conjunção coordenativa aditiva, quando iniciar oração coordenada sindética aditiva; aparece sempre entre duas formas verbais iguais; tem valor bastante próximo da conjunção e.

Ex. Estudava que estudava, mas não conseguia assimilar a matéria.


11) Conjunção Coordenativa Explicativa:
A palavra que será conjunção coordenativa explicativa, quando iniciar oração coordenada sindética explicativa. Pode ser substituída por pois ou porque.

Ex. Venha até aqui, que precisamos conversar.


12) Conjunção Coordenativa Adversativa:
A palavra que será conjunção coordenativa adversativa, quando iniciar oração coordenada sindética adversativa. Indica oposição, ressalva, apresentando valor equivalente a mas.

Ex. Outra pessoa, que não eu, deveria cumprir essa tarefa.


13) Conjunção Subordinativa Integrante:
A palavra que será conjunção subordinativa integrante, quando iniciar oração subordinada substantiva, ou seja, quando iniciar oração que exerça a função sintática de sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo do sujeito e aposto.

Ex. Julgo que sua ascensão na empresa deu-se muito rapidamente. Oração que funciona como objeto direto (oração subordinada substantiva objetiva direta)


14) Conjunção Subordinativa Consecutiva:
A palavra que será conjunção subordinativa consecutiva, quando iniciar oração subordinada adverbial consecutiva; aparece, em geral, nas expressões: tão... que, tanto... que, tamanho... que e tal... que.

Ex. Ele se esforçou tanto, que acabou desmaiando.


15) Conjunção Subordinativa Comparativa:
A palavra que será conjunção subordinativa comparativa, quando iniciar oração subordinada adverbial comparativa; aparece, em geral, nas expressões mais... que, menos... que.

Ex. Ele é mais estudioso que os amigos.



A PALAVRA SE

Aqui estudaremos todas as funções da palavra se. Vamos aos estudos:


01) Pronome Reflexivo:
A palavra se será pronome reflexivo quando indicar que o sujeito pratica a ação sobre si mesmo. Nesse caso, o verbo concordará com o sujeito.

Ex. A menina machucou-se ao cair do brinquedo.
As meninas machucaram-se.


02) Pronome Recíproco:
A palavra se será pronome recíproco quando indicar ação trocada entre os elementos que compõem o sujeito. Nesse caso, o verbo concordará com o sujeito.

Ex. Sandro e Carla adoram-se.


03) Pronome Integrante do Verbo:
A palavra se será pronome integrante do verbo quando aparecer junto de verbos pronominais, que são os que não se conjugam sem pronome. Por exemplo: suicidar-se, arrepender-se, queixar-se, zangar-se, ater-se, abster-se ...
Nesse caso, o verbo concordará com o sujeito.

Ex. Genofretildo suicidou-se depois que seus sócios se queixaram dele para o advogado.


04) Pronome Expletivo ou Pronome de Realce:
A palavra se será pronome expletivo, quando for usado apenas para reforçar a idéia contida no verbo, sendo, por isso, dispensável na frase. Ocorrerá o pronome expletivo com verbo intransitivo que tenha sujeito claro. Aparece, em geral, junto aos verbos ir, partir, chegar, passar, rir, sorrir, morrer. Novamente o verbo concordará com o sujeito.

Ex. As nossas esperanças foram-se para sempre.
As meninas sorriram-se agradecidas.
"Vai-se a primeira pomba despertada". (Raimundo Correia)


05) Pronome Apassivador:
A palavra se será pronome apassivador, quando formar, junto de um verbo transitivo direto, a voz passiva sintética, que pode ser transformada em passiva analítica; indica que o sujeito é paciente e com ele concorda.

Ex. Compram-se carros usados. = Carros usados são comprados.
Esperou-se o tempo necessário. = O tempo necessário foi esperado.
Alugam-se casas na praia. = Casas na praia são alugadas.


06) Pronome de Indeterminação do Sujeito:
A palavra se será pronome de indeterminação do sujeito, quando surgir junto a verbo transitivo indireto acompanhado de objeto indireto, a verbo transitivo direto acompanhado de objeto direto preposicionado, a verbo de ligação acompanhado de predicativo do sujeito e a verbo intransitivo sem sujeito claro. Nesse caso, o verbo deverá ficar, obrigatoriamente, na terceira pessoa do singular.

Ex. Necessita-se de pessoas qualificadas. (VTI com OI)
Estima-se a Jorge Amado. (VTD com OD Prep.)
Aqui se está satisfeito com o governo. (VL com PS)
Ainda se morre de tuberculose no Brasil. (VI sem sujeito claro)


07) Sujeito Acusativo:
A palavra se será sujeito acusativo quando aparecer em estruturas formadas pelos auxiliares causativos fazer, mandar e deixar e pelos auxiliares sensitivos ver, ouvir, sentir..., seguidos de objeto direto na forma de oração reduzida (verbo no infinitivo ou no gerúndio).

Ex. Ela deixou-se levar pelo namorado.
Nós a vimos virando a esquina.
O gerente mandou o garoto buscar os documentos.

Quando o sujeito acusativo for representado por um substantivo plural, o verbo no infinitivo tanto poderá ficar no singular quanto no plural.
Ex. Mandar as garotas fazer o trabalho.
Mandaram as garotas fazerem o trabalho.


08) Conjunção Subordinativa Integrante:
A palavra se será conjunção subordinativa integrante, quando iniciar oração subordinada substantiva, ou seja, oração que funcione como sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo do sujeito, complemento nominal ou aposto.

Ex. Não sei se todos terão condições de acompanhar a matéria. (Oração que funciona como OD)
Sentiremos se vocês não comparecerem à solenidade. (Oração que funciona como OD)


09) Conjunção Subordinativa Condicional:
A palavra se será conjunção subordinativa condicional, quando iniciar oração subordinada adverbial condicional, ou seja, quando iniciar oração que funcione como adjunto adverbial de condição.

Ex. Tudo estaria resolvido, se ele tivesse devolvido o dinheiro.


10) Conjunção Subordinativa Causal:
A palavra se será conjunção subordinativa causal, quando iniciar oração subordinada adverbial causal, ou seja, quando iniciar oração que funcione como adjunto adverbial de causa.

Ex. Se você sabia que eu não conseguiria, por que me deixou sozinho?



Problemas Gerais da Língua Culta

Problemas Gerais da Língua Culta
Nesta aula, a intenção é fixar a forma certa de algumas palavras e expressões que sempre trazem dificuldades para o brasileiro em geral.

Emprego de algumas palavras e expressões semelhantes:


1. Que e Quê:

*Que é pronome, conjunção, advérbio ou partícula expletiva.

*Quê é um substantivo (com o sentido de "alguma coisa"), interjeição (indicando surpresa, espanto) ou pronome em final de frase (imediatamente antes de ponto final, de interrogação ou de exclamação)
Ex. Que você pretende, tratando-me dessa maneira?
Você pretende o quê?
Quê!? Quase me esqueço do nosso encontro.


2. Mas e Mais:

* Mas é uma conjunção adversativa, de mesmo valor que "porém, contudo, todavia, no entanto, entretanto".

* Mais é um advérbio de intensidade, mas também pode dar idéia de adição, acréscimo; tem sentido oposto a menos.
Ex. Eu iria ao cinema, mas (porém) não tenho dinheiro.
Ela é a mais (menos) bonita da escola.


3. Onde, Aonde e Donde:

* Onde significa "em que lugar".

* Aonde significa "a que lugar".

* Donde significa "de que lugar".
Ex. Onde (em que lugar) você colocou minha carteira?
Aonde (a que lugar) você vai, menina?
Donde (de que lugar) tu vieste?



4. Mal e Mau

* Mal é advérbio, antônimo de "bem".

* Mau é adjetivo, antônimo de "bom"
Ex. Ele é um homem mau (não é bom); só pratica o mal (e não o bem).

* Mal também é substantivo, podendo significar "doença, moléstia, aquilo que é prejudicial ou nocivo".
Ex. O mal da sociedade moderna é a violência urbana.


5. A par e Ao par:

* A par é usado, no sentido de "estar bem informado", "ter conhecimento".

* Ao par só é usado para indicar equivalência entre valores cambiais.
Ex. Estou a par de todos os acontecimentos.
O real está ao par do dólar.


6. Ao encontro de e De encontro a:

* Ao encontro de indica "ser favorável a", "ter posição convergente" ou "aproximar-se de".

* De encontro a indica oposição, choque, colisão.
Ex. Suas idéias vêm ao encontro das minhas, mas suas ações vão de encontro ao nosso acordo. (Suas idéias são tais quais as minhas, mas suas ações são contrárias ao nosso acordo).


7. Há e A na expressão de tempo:

* Há é usado para indicar tempo decorrido.

* A é usado para indicar tempo futuro.
Ex. Ele partiu há duas semanas.
Estamos a dois dias das eleições.


8. Acerca de, A cerca de e Há cerca de:

* Acerca de é locução prepositiva equivalente a "sobre, a respeito de".

* A cerca de indica aproximação.
* Há cerca de indica tempo decorrido.
Ex. Estávamos falando acerca de política.
Moro a cerca de 2 Km daqui.
Estamos rompidos há cerca de dois meses.


9. Afim e A fim de:

* Afim é adjetivo equivalente a "igual, semelhante".

* A fim de é locução prepositiva que indica finalidade.
Ex. Nós temos vontades afins.
Ela veio a fim de estudar seriamente.


10. Senão e Se não:

* Senão significa "caso contrário, a não ser".

* Se não ocorre em orações subordinadas adverbiais condicionais; equivale a "caso não".
Ex. Nada fazia senão reclamar.
Estude bastante, senão não sairá sábado à noite.
Se não estudar, não sairá sábado à noite.


11. Nós viemos e Nós vimos:

* Nós viemos é o verbo vir no pretérito perfeito do indicativo, ou seja, no passado.

* Nós vimos é o verbo vir no presente do indicativo.
Ex. Ontem, nós viemos procurá-lo, mas você não estava.
Nós vimos aqui, agora, para conversar sobre nossos problemas.


12. Torcer por e Torcer para:

* Torcer por, pois o verbo torcer exige esta preposição.

* Torcer para é usado, quando houver indicação de finalidade, equivalente a "para que", "a fim de que".
Ex. Torço pelo Santos.
Torço para que o Santos seja o campeão.



13. Desencargo e Descargo:

* Desencargo significa "desobrigação de um encargo, de um trabalho, de uma responsabilidade".

* Descargo significa "alívio".
Ex. Filho que se forma é mais um desencargo de família para o pai.
Devolvi o dinheiro por descargo de consciência.


14. Sentar-se na mesa e Sentar-se à mesa:

* Sentar-se na mesa significa sentar-se sobre a mesa.

* Sentar-se à mesa significa sentar-se defronte à mesa. O mesmo ocorre com "estar ao computador, ao telefone, ao portão, à janela ...
Ex. Sentei-me ao computador para trabalhar.
Sentei-me na mesa, pois não encontrei cadeira alguma.


15. Tilintar e tiritar

* Tilintar significa "soar".

* Tiritar significa "tremer de frio ou de medo".
Ex. A campainha tilintava sem parar.
O rapaz tiritava de frio.


16. Ao invés de e Em vez de:

* Ao invés de indica "oposição, situação contrária".

* Em vez de indica "substituição, simples troca".
Ex. Em vez de ir ao cinema, fui ao teatro.
Descemos, ao invés de subir.


17. Estadia e Estada:

* Estadia é usado para veículos em geral.

* Estada é usado para pessoas.
Ex. Foi curta minha estada na cidade.
Paguei a estadia de meu automóvel.

18. A domicílio e Em domicílio:

* A domicílio só se usa quando dá idéia de movimento.

* Em domicílio se usa sem idéia de movimento.
Ex. Enviarei a domicílio seus documentos.
Fazemos entregas em domicílio
Levaram a domicílio as compras.
Damos aulas particulares em domicílio.


19. Estágio e Estádio

* Estágio é preparação (profissional, escolar...).

* Estádio significa "época, fase, período".
Ex. Estou no primeiro ano de estágio na empresa.
Naquela época o país passava por um estádio de euforia.


20. Perca e Perda:

* Perca é verbo.

* Perda é substantivo.
Ex. Não perca a paciência, pois essa perda de gols não se repetirá, disse o jogador ao técnico.


21. Despercebido e Desapercebido:

* Despercebido significa "sem atenção".

* Desapercebido significa "desprovido, desprevenido".
Ex. O fato passou-me totalmente despercebido.
Ele estava desapercebido de dinheiro.


22. Escutar e Ouvir:

* Escutar significa "estar atento para ouvir".

* Ouvir significa "perceber pelo sentido da audição".
Ex. Escutou a tarde toda, as reclamações da esposa.
Ao ouvir aquele som estranho, saiu em disparada.


23. Olhar e Ver:

* Olhar significa "estar atento para ver".

* Ver significa "perceber pela visão".
Ex. Quando olhou para o lado, nada viu, pois ele saíra de lá.


24. Haja vista e Hajam vista

* Haja vista pode-se usar, havendo ou não a preposição a à frente, estando o substantivo posterior no singular ou no plural.

* Hajam vista pode-se usar, quando não houver a preposição a à frente e quando o substantivo posterior estiver no plural.
Ex. Haja vista aos problemas.
Haja vista os problemas.
Hajam vista os problemas.